Intrigas, Provocações E... Amor?
27 A noite mais dolorosa de suas vidas
Notas iniciais
Ao chegarmos à recepção, uma enfermeira já estava a nossa espera, talvez a mesma que nos ligou.
- Bem, sou a Dra Lindsay. — Seu tom de voz era calmo, porém muito apreensivo.
- Que bom que já está aqui... Agora pode dizer o que aconteceu?
- Sim, algumas pessoas disseram que por causa da chuva, um caminhão perdeu o controle e acabou batendo na lateral do carro em que elas estavam, e logo em seguida o caminhão bateu em outros veículos, e o carro onde as duas estavam capotou por várias vezes.
- E onde elas estão? Precisamos vê-las!
- Por enquanto vocês só podem ver a Srta Hudson.
- E a Robyn? Cadê ela? - Bill já não conseguia mais controlar seu desespero.
- O estado dela é muito grave, e agora a equipe médica está fazendo exames.
- Muito grave?
- Sim, como eu disse antes, a batida foi na lateral. Segundo a própria Katy, todo o impacto da batida se concentrou justamente onde ela estava.
- Só me diz uma coisa... — Bill se acalmou um pouco, mas ainda estava nervoso — Existe alguma chance de ela... morrer?
Ela pegou uma prancheta que um dos médicos lhe deu. Depois de observar e de ouvir algo de um outro médico que não consegui entender, ela respirou fundo.
- Sim, ela recebeu muitos traumas e agora... — Ela olhou nos olhos de Bill — Está em coma. Não sabemos por quanto tempo ela ficará assim, ou se ela vai resistir.
Meu coração se partiu em um milhão de pedaços naquele momento. A Robyn era como uma irmã pra mim, e já era tão importante como Bill. Ver que ela estava daquele jeito doeu muito, ela estava mal e não podíamos fazer nada.
- Cadê a Katy? — Bill soluçava muito, mas apesar no nervosismo queria ver ela. Os dois se tornaram muito amigos com o passar do tempo, assim como Robyn e eu.
- Venham... Vou levá-los ao quarto.
Passamos por vários quartos, e pude ver diversas situações. Vi um garoto que tinha fraturado a perna, uma garota que tinha graves queimaduras no corpo... E aquilo me angustiava cada vez mais, era muito sofrimento e lágrimas, e ninguém que estava ali merecia aquilo.
- Ela está aqui... Só não demorem muito, porque também precisamos examiná-la.
Assentimos e entramos no quarto. Katy estava de cabeça baixa e parecia estar em choque, eu já não sabia o que fazer. Ela não falava, não se mexia... Apenas pude ver as lágrimas rolando sem rumo algum em seu rosto. Ela estava muito machucada, e pude perceber que sentia muita dor. Quando ela levantou a cabeça e me viu, começou a chorar ainda mais.
- Cadê ela? Cadê a Robyn?
- Está em outro quarto, estão examinando ela. — Bill não queria que ela soubesse da gravidade da situação.
- Tom, me perdoa... — Apesar de estar muito ferida e sentir muita dor, ela me abraçou com todas as forças.
- Perdoar pelo quê, amor?
- A gente devia ter ficado... — Ela dizia entre soluços — Quando vocês pediram...
- Mas ninguém sabia que daria nisso, Katy... — Bill chegou mais perto e a abraçou de leve, temendo machucá-la. — Você não tem culpa de nada.
- Eu sei... Só que agora o motorista está morto! — Ela elevou o seu tom de voz, junto com seu desespero. — Se a gente tivesse ficado, ele estaria bem...- Ela apertou com força um ursinho que tinha comprado para o nosso filho — E ele também...
Meu coração acelerou, e assim como Bill, eu tremia muito, eu não podia pensar nessa possibilidade. Já era dor demais para aguentar.
- O Bryan... — Não terminei a pergunta, pois ela entendeu o que era. Mais lágrimas rolaram em seu rosto e ela abaixou a cabeça novamente. Para o meu desespero, entendi o que aquilo queria dizer.
- Me perdoa Tom... Por favor, me perdoa! — Só o que pude fazer foi abraçá-la, e agora todos choravam naquele quarto. O garotinho que eu tanto esperei não teve nem a chance de nascer, e pela primeira vez em toda a minha vida eu chorei como uma criança, junto com ela.
- A culpa não foi sua... Vai ficar tudo bem...
Bill saiu do quarto e eu continuei com ela, tentando entender o porquê daquela desgraça toda ter acontecido.
Bill pdv
Depois de saber que Katy perdeu o bebê, fiquei tão desolado quanto Tom. O pior que lá no fundo eu já sabia que tinha perdido a Alice também, e além disso estava perdendo a Robyn. Eu não suportaria perdê-la assim, tão rápido, de uma forma tão dolorosa e violenta.
Resolvi ficar sentado na sala de espera, aguardando alguma notícia dela. Foi quando avistei ao meu lado um garoto que eu conhecia muito bem.
- Justin?
- Ah, oi Bill... Como a Katy tá?
- Ah... Ela tá mal, bastante machucada...
- Eu quero ver a Robyn, só que disseram que ela tá em coma... Logo agora que tudo estava tão bem... — Ele era o único além de nós quatro que sabia de tudo — Eu gosto muito dela, e agora estou com muito medo...
Justin gostava mesmo dela, ele a via como uma irmã mais velha. Sempre que podia, Robyn o visitava e passava as tardes com ele, o que me deixava um pouco enciumado. Mas lá no fundo eu sabia que aquilo era apenas uma linda amizade dos dois.
- Eu também, guri... É o amor da minha vida que está ali, e eu não posso perder mais ninguém... Três vidas se foram hoje, e isso já é doloroso demais pra mim.
Apesar de não ter muito contato com Justin, aquela noite nos uniu bastante, mesmo sendo por um motivo tão ruim. Na verdade, o que realmente nos uniu foi o amor que sentimos pelas garotas e o medo de perder a Robyn. Justin me abraçou e desabou em lágrimas, estava tão desesperado que me senti mal ao vê-lo daquele jeito.
- Ela é guerreira, Justin. Ela sempre supera suas dificuldades, e não vai ser agora que ela vai desistir, acredite.
- Eu sei... E é por isso que eu a amo tanto.
- É... Por isso que nós a amamos tanto.
Alguns minutos se passaram, e depois de muita angústia um dos médicos chegou.
— Então, como ela está? — Meu coração estava a mil por hora, e eu tremia muito, com medo do que viria a seguir.
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