Intrigas, Provocações E... Amor?
28 Pedidos angustiados e esperançosos...
Notas iniciais
Alguns minutos se passaram, e depois de muita angústia um dos médicos chegou.
– Então, como ela está? — Meu coração estava a mil por hora, e eu tremia muito, com medo do que viria a seguir.
- Ela ainda está em coma, mas eu conversei com os outros enfermeiros e decidimos deixar vocês visitarem ela. Onde está o outro Kaulitz?
- Está com a Katy.
- Ok, depois a examinaremos... Venham comigo.
Seguimos o médico, e depois de ver várias pessoas agonizando em diferentes quartos, chegamos ao quarto, todos quietos.
- Só uma pergunta... E a bebê? - Perguntou Justin.
- Sinto muito, tentamos salvá-la, mas ela não resistiu...
Respirei fundo e em vão, tentei segurar as lágrimas, não sabia que perder alguém que amamos fosse tão doloroso, e aquilo doeu mais do que qualquer outra coisa ruim que eu tenha vivenciado.
- Vocês têm vinte minutos. Se algo de anormal acontecer, nos chame... — Assentimos e o médico saiu. Não consegui conter o desespero e a angústia com o que vi, e nem Justin.
Ela estava cheia de curativos, em várias partes do corpo. A situação era bem mais grave do que eu imaginava. Ela estava respirando com a ajuda de aparelhos, e seus lindos olhos estavam fechados e vi que embaixo de sua mão esquerda estava uma bonequinha de pano que tínhamos comprado pra Alice, e nessa hora o meu coração doeu... A Alice tinha partido sem ter a chance de conhecer esse mundo, e sem conhecer a mãe tão perfeita, o pai tão babão e os tios mais carinhosos que alguém poderia ter.
Fiquei apenas observando, enquanto Justin se sentou em um banquinho ao lado da cama onde ela estava. Com muitas lágrimas rolando em seu rosto, ele afagava seus cabelos e segurou sua mão direita.
- Hey, maninha... Você pode me ouvir agora? — Eu podia sentir a tristeza e a inocência em sua voz — Sou eu, seu irmãozinho predileto que você diz que ama muito... Olha, sabia que todo mundo aqui tá com saudade do seu lindo sorriso, da sua voz inconfundivelmente perfeita, e daquelas danças que só você sabe fazer? Sua mãe vai chegar aqui amanhã, então seria legal se você acordasse logo... A Katy não para de perguntar por você, mas ela não pode vir aqui ainda porque está machucada, e muito triste. O Tom está lá com ela, mas logo logo ele aparece aqui, tá? E o Bill tá chorando muito, ele precisa de você agora, mais do que nunca... E eu também... - Justin respirou fundo e continuou — Não quero, ou melhor, não posso te perder agora... Você é a minha melhor amiga, é a irmã mais velha que eu nunca tive... Sempre me dando conselhos, sempre me fazendo rir quando estou triste, seja por um ataque de cócegas ou até pelo twitter... Te ver assim tão indefesa dói muito, não posso fazer nada pra melhorar isso, me sinto um nada por não poder te ajudar a abrir os olhos e dar aquele sorriso tão lindo que só você tem... Então, por favor... Não vá embora, fique aqui com a gente... Só te peço isso, por mim, por Bill e por todas as outras pessoas que te amam e que fariam qualquer coisa pra estar aqui com você... Eu te amo Robyn, minha doce irmãzinha...
Ao final dessas palavras, Justin e eu vimos uma lágrima rolando no rosto dela, e nos sentimos aliviados. Robyn não tinha nos deixado, ela ainda estava conosco, e queria mais do que nunca deixar isso bem claro. Um sorriso surgiu em nossos lábios, e nossa esperança se elevou a níveis inimagináveis. Depois de um tempo com ela, Justin se levantou e se dirigiu a porta.
- Vai lá Bill, agora mais do que nunca ela precisa saber que você está aqui.
Ele saiu do quarto, me deixando a sós com ela. Eu podia sentir através de sua respiração que ela queria dizer algo, mas não conseguia. Me sentei no mesmo banquinho onde Justin estava há alguns minutos, e agora era eu quem afagava seus cabelos e segurava sua mão direita.
- Amor... Eu tô aqui, tá? - Eu estava muito nervoso, e as palavras saíam um pouco desesperadas e confusas — Sabe, eu sempre quis te proteger, mas não pude estar sempre ao seu lado, e olha só no que deu... Você não sabe o quanto dói em te ver assim, tão indefesa, tão frágil... Tenho saudades do seu sorriso tão lindo, do seu abraço tão quente, da sua voz tão perfeita, do seu beijo tão devastador e sublime... Eu não consigo entender o porquê que isso aconteceu, logo agora que tudo estava tão perfeito, que nossa felicidade estava numa intensidade inexplicável... Tudo isso se foi, junto com a Alice, o Bryan e o Bobby. A Katy está lá no outro quarto, desesperada pra te ver, mas ela também está muito machucada e não pode vir, como o Justin já te disse. Estou muito triste, Robyn... Minha vontade é de te abraçar bem forte e dizer que tudo vai ficar bem, mas não posso ao menos te tocar direito, já que estes curativos estão cobrindo o seu lindo rosto, que agora deve estar muito inchado. Mas escuta bem o que eu vou te dizer: vai ficar tudo bem, tá? - Mais uma lágrima surgiu em seu rosto e um meio sorriso apareceu. Ela estava me escutando, e estava se esforçando ao máximo para se mexer — Você se lembra de quando eu disse que eu estaria com vocês, não importa o que acontecesse? Então, agora eu estou aqui, ao seu lado, de onde eu nunca sairia se pudesse. Robyn... Apesar de tudo, está tudo bem, ok? Agora só estamos esperando você ficar boa para te levar de volta pra casa... Ah! E só mais uma coisinha — Beijei seus cabelos e deixei uma lágrima minha cair em seu rosto, que logo foi absorvida pelos curativos. — Eu te amo muito, tá?
Enquanto eu dizia aquelas palavras, mais um sorriso surgiu, mas, além disso, tive uma outra surpresa. Ela abriu os olhos e apertou minha mão e, mesmo estando muito fraca, disse algumas palavras, as mais lindas que eu já ouvi em toda a minha vida.
- Eu... Eu também... Te amo muito... — Ela nunca tinha dito algo parecido. Robyn sempre dizia que ela só diria "eu te amo" quando tivesse certeza sobre o que sentia, então aquilo mudou aquela noite tão fria e angustiante. Aos poucos ela estava acordando. Beijei sua testa e fiquei sorrindo abobado, ouvindo aquelas palavras tão doces que meus ouvidos se permitiram ouvir. Mas sabia que aquele esforço todo poderia ser prejudicial à ela.
- Não fale mais nada. Você ainda está fraca, meu amor...
- De-detroit... — De nada adiantou meus pedidos para ela ficar em silêncio. Ela nunca me obedece... — Você tem... que ir — Sua voz saía cada vez mais fraca.
- Eu não vou pra Detroit, eu vou ficar aqui, com você... Os fãs vão entender... E vê se não fala mais nada, bebê.
- Por favor... Vai...
- Tudo bem... Se você faz tanta questão assim, eu vou... Mas agora você tem que descansar, tá?
- Desculpe, senhor Kaulitz — Disse o mesmo médico que me trouxe até aqui, um pouco surpreso — Mas agora ela precisa descansar, já vi que ela se esforçou mais do que devia... Não pensei que ela fosse sair do coma assim, tão rápido.
- Acho que ninguém imaginava... — Sorri e me levantei, beijando a mão dela — Eu volto assim que puder, tá amor? Boa noite... — Ela sorriu e fechou os olhos, apertando com força o ursinho que ela segurava. Saí do quarto com o coração na mão, afinal eu queria ficar ali com ela a noite toda. Ao chegar à sala de espera, encontrei Tom e Justin conversando, um pouco tensos.
- Bill, a Katy pediu pra que a gente... — Nem esperei ele terminar, já sabia o que era.
- Fosse a Detroit pra fazer o show... A Robyn também pediu.
- Ela já acordou? — Justin estava apreensivo, já que ele não tinha visto ela acordar.
- Já, mas ainda está muito fraca... Ela disse algumas coisas, mas aí o médico chegou e eu tive de sair, para ela descansar um pouco. Vamos fazer mesmo o show, Tom?
- Se elas pediram, então vamos... E a Katy também pediu pra gente contar tudo.
- Tudo? — Ele assentiu — Então tá... Até imagino a reação dos fãs...
- Eu também, mas uma hora ou outra eles iriam descobrir...
Passamos a madrugada toda no hospital, e as coisas corriam bem. Robyn estava reagindo bem aos medicamentos, Katy também estava se recuperando bem, e um pouco mais rápido que Robyn. Por volta de 6 horas da manhã, Justin foi para sua casa e disse que voltaria a tarde, e que nos daria notícias dela assim que pudesse.
Já era meio dia, e já estávamos em Detroit. Enquanto não chegava a hora de o show começar, fiquei conversando com Justin por telefone, para ter notícias das meninas. Depois de muitos preparativos chegou a hora do show, e eu sabia que aquela seria mais uma noite inesquecível.
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