Intransponível

1 Inalcançável


Notas iniciais
Distante.

Sukhvinder conhecia tão bem a sensação de se afogar quanto conhecia as linhas ― cicatrizadas ― nos seus braços, por isso não foi surpresa nenhuma quando acordou de um novo pesadelo (ou seria velho?) em que a correnteza do rio Orr a puxava para baixo, juntamente com o corpinho de Robbie.

A garota afastou os cabelos ensopados de suor do rosto, prendendo-os no alto da cabeça com um elástico, então jogou as pernas para fora da cama. Sentando-se mais rápido do que o seu corpo podia acompanhar, a sua visão se turvou e ela teve que esperar alguns segundos até poder levantar.

Assim que estava de pé, foi até a janela, subiu as persianas, e só nesse momento pode vislumbrar um céu escuro que começava a ficar com tons alaranjados no horizonte, o que indicava que Sukh havia acordado mais cedo do que realmente planejava.

Tinha esquematizado que acordaria cedo, porque queria desesperadamente postar alguma coisa em homenagem à Krystal no seu perfil do Facebook, mas ainda não tinha ideias do que escrever. Sukhvinder poderia deixar essa ocasião passar sem texto algum, entretanto, ela conhecia as costas da falecida melhor do que qualquer parte do seu próprio corpo. Isso automaticamente transformava-se na obrigação de não deixar o momento passar em branco.

Enquanto Sukh esperava o computador iniciar, acabou concluindo que devia estar agradecendo ao destino por tê-la acordado mais cedo do que qualquer um na casa, pois, depois que seus pais descobriram sobre as linhas nos seus braços, eles ficavam rondando-a (Parminder, especialmente), procurando pretextos para conversar e, acima de tudo, sondar sobre o estado da sua mente (o terapeuta ainda não tinha feito um diagnóstico, mas a mãe de Sukhvinder havia pirado diante da possibilidade da filha ser depressiva).

A primeira coisa que fez ao abrir o navegador, quando o computador finalmente iniciou, foi olhar o seu mural no Facebook, fazendo o seu ritual habitual que costumava provocar muito horror. Zero nada, nenhuma. Nenhuma publicação sobre hermafroditas ou mulheres barbadas. Zero fotos, nenhum link.

Isso permitiu com que Sukh respirasse aliviada. Gostava dos dias de calmaria, mesmo que isso talvez significasse que uma tempestade se seguiria. Ou, nesse caso... Apenas significasse que o seu agressor estava submerso demais na culpa pela morte de Robbie (e consequentemente, a morte de Krys) para se preocupar em atormentá-la.

E pensar em Krystal a levava de volta aos pensamentos do texto, pois sabia que devia fazer aquilo.

Certo, Sukhvinder, você consegue fazer isso, pensou enquanto abria um programa para escrever.

A primeira coisa que lhe veio em mente, ao pensar no que deveria escrever sobre a pessoa falecida, foi “inalcançável”. Inalcançável, não como um pote no alto (que você pode pegar um banquinho ou pedir para que outra pessoa pegue). Também não como um amigo em outro país (a distancia de um telefonema). Inalcançável mais como... Impossível, intocável. Como a personificação da palavra nunca.

Como um conjunto de estrelas lindas e brilhantes no céu, você simplesmente está a anos luz delas. Sob uma camada intransponível.

Apesar de ter pensado várias coisas lindas que poderia ter escrito, inalcançável seria a única palavra que conseguiria postar, o limite máximo de exposição pública que Sukh conseguia suportar sem ter medo de comentários ofensivos. Logo, ela acabou clicando no delete rápida e furiosamente, rendendo-se.

Antes que encerrasse o computador, porem, uma atração inexplicável guiou seus dedos a digitarem o link do site do conselho, o mesmo site que havia invadido e postado coisas ruins sobre a própria mãe (A culpa ainda sondava-lhe a cabeça. Sukhvinder teria coragem de admitir para mãe o que havia feito? Talvez arriscar o estado novo e amável de Parminder não valesse tanto assim).

Enquanto a garotava vagava pela área de mensagens do site, procurando inconscientemente por O_Fantasma_de_Barry_Fairbrother, uma coisa a fez prender a respiração e arregalar os olhos:

“O_Fantasma_de_Krystal_Weedon”.

ღ

Às oito horas da manhã, quase nove, de sábado, Sukhvinder andava a passos apressados pela calçada, querendo chegar ao seu local de trabalho o mais rápido possível. Pela terceira vez naquela manhã, o seu celular vibrou no bolso. Duas mensagens de Gaia, uma delas dava oi, e a outra dizia:

Vc tá chateada comigo? Já tô no trab, vai demorar?

Sim, estou chateada. Não, não vou demorar, respondeu mentalmente, e colocou o celular de volta no bolso. Ainda não havia superado o fato de que Gaia, logo a londrina que havia gostado dela de forma inexplicável, tinha beijado Bola Wall, o valentão virtual anônimo.

Assim que chegou a Copper Kettle foi ao banheiro, se sentindo sortuda por não ter topado com Gaia (ainda), e colocou a sua roupa de garçonete, com a habitual blusa preta por baixo, a de mangas compridas que escondia seus cortes.

― Oi ― falou para Andrew, quando saiu do banheiro e o encontrou ali perto, com algumas caixas. O cumprimento foi mais por educação, por ter topado com ele ali, porque ainda não tinha formado uma opinião concreta sobre o garoto. Andrew parecia ser legal, mas nunca se opôs a Bola e aos comentários que atingiam Sukh, o que, na opinião dela, podia torná-lo tão ruim quanto o seu agressor.

― Oi ― respondeu, e na hora que saía, se lembrou de acrescentar: ― A Gaia me pediu pra dizer que estava te procurando.

Sukh assentiu, para dizer que tinha captado a mensagem, entretanto Andrew já havia se afastado, junto com aquelas caixas pesadas e empoeiradas. Não tinha certeza se queria falar com a amiga, porque não tinha ideia do que dizer, como agir, ou se deveria justiçar as mensagens não respondidas. Esperava que Gaia soubesse por qual motivo ela estava assim, pois não conseguiria explicar.

― Ai está você ― disse Shirley Mollison, ao ver Sukhvinder se aproximando. Gaia estava ao lado dela. ― Estamos prontos para abrir. ― Em seguida a mulher lançou uma longa olhada para Maureen, que estava mais a frente, abrindo o café.

Ultimamente a mulher de Howard usava quaisquer motivos para corrigir Maureen ou mandá-la fazer algo. Para Gaia, isso devia se tratar sobre aquela história que Patricia tinha contado no dia da festa (enquanto ela tentava não vomitar as tripas), de ter pegado Maureen chupando Howard.

No momento em que Shirley se retirou, Gaia se aproximou de Sukhvinder, preparada para pedir desculpas por ter se agarrado com Bola, contudo Andrew chegou, e ela não sabia o porquê, mas não queria tocar nesse assunto na frente do rapaz.

Aquela manhã foi bastante movimentada, apesar de que não impediu que, em determinado momento, Sukhvinder fosse encurralada pela amiga na cozinha. Gaia despejou montes de desculpas, e parecia verdadeiramente arrependida, por isso Sukh não hesitou em desculpá-la, já que a sua companheira logo se mudaria e as coisas se alterariam drasticamente. Esperava que as gêmeas Fairbrother não tivessem verdadeiros remorsos por ela ter “se bandeado para o lado da estrangeira”, ou ficaria inteiramente solitária, isso não a ajudaria a ficar permanente bem da forma que planejava.

No horário de almoço, quando Gaia, Andrew e Sukhvinder estavam sentados no meio fio, nos fundos da loja, cada um comendo a sua respectiva comida, Sukh pensou se deveria contar sobre o post de O_Fantasma_de_Krystal_Weedon para os dois, já que eles aparentemente ainda não tinham visto, ou, com toda certeza, estariam comentando (esse era o jeito de Gaia, mas a garota já estava acostumada).

Sukh não era fofoqueira, não mesmo. Em geral ela costumava ser uma garota quieta que falava apenas o necessário, mas todos estavam direta ou indiretamente ligamos a esse post, em maneira geral, por causa de Stuart Wall.

Se Krystal realmente tivesse se tornado um fantasma e invadido o site do conselho, ela seria um daqueles que ficam maus e vingativos com o tempo, por causa das coisas a respeito do menino que diziam o seu post.

Assim como quase a cidade inteira, O_Fantasma_de_Krystal_Weedon parecia achar que Bola era uma criatura horrível, irresponsável, deplorável e digna de coisas muito piores que a morte, por causa do falecimento de uma criança inocente e da consequente morte da irmã da criança (não que ligassem muito para morte de Krystal). O post continha notas horríveis sobre o rapaz, e mesmo que Sukhvinder não quisesse, não conseguia evitar sentir um pouquinho de pena, porque, de certa forma, isso conseguia ser mais grave do que o que Bola a infligia.

Tomou a decisão, contaria. Respirou fundo, se preparou para a atenção indesejada e começou a falar:

― Vocês se lembram do O_Fantasma_de_Barry_Fairbrother, que apareceu no site do conselho? ― Sem achar forma melhor de contar aquilo, começou dessa forma. Os dois assentiram. ― Fui olhar o site ontem pra ver se ele tinha aparecido de novo, e achei um novo fantasma: O_Fantasma_de_Krystal_Weedon.

Assim que terminou de contar, Sukhvinder ficou encarando as rachaduras do asfalto, sentindo os olhares de Andrew e Gaia sobre si, e arrependida por não ter deixado que eles vissem aquilo sozinhos: ela realmente, realmente odiava atenção.

― Pera, tipo, um outro fantasma botando pau na sociedade? ― questionou Gaia, deixando a sua latinha de refrigerante de lado, estava chocada e mais interessada na conversa.

― Não na sociedade, em Bola Wall ― explicou, ainda olhando para os padrões das rachaduras no chão. Do lado dela, Andrew franziu as sobrancelhas e quase fez a pergunta mais idiota do século “mas por que alguém ia querer atingir Bola?”. A resposta era obvia: atualmente, quase toda a vizinhança o odiava, e isso, com certeza, bastava.

ღ

Assim que seu expediente acabou, Andrew deu tchau para Gaia e Sukhvinder, pegou a sua bicicleta e começou a pedalar devagar para casa.

Não era do feitio do garoto pedalar devagar, mas tantas questões tomavam a sua mente que nem mesmo percebeu a que velocidade estava. Não que isso fizesse diferença, Shirley havia o dispensado mais cedo, Simon só o esperava dali uns quarenta minutos em casa e Andrew (junto com seu olho machucado quase sarado, aliás) passaria o mais tempo fora daquele lugar quanto fosse possível.

A primeira questão que tomava sua mente o deixava num estado de euforia, euforia melhor até de quando ele estava chapado: tinha combinado de sair com Gaia. E não era um sair de “quando nos mudarmos”, era mais um sair de “ei, vamos sair antes de nos mudarmos”. Andrew ainda não sabia onde eles poderiam ir, e logo isso se tornaria aterrorizador, contudo a sensação de ter ganhado um presente muito bom dos céus mascarava isso.

A outra questão que tomava a sua mente não tomava de forma inteiramente boa. Estava pensando se deveria ir à casa dos Wall contar a Bola sobre o O_Fantasma_de_Krystal_Weedon, mas eles não se falavam há mais de quinze dias (Andrew estava começando a pensar que isso tinha alguma coisa a ver com a sua mudança). Entretanto, e se chegasse até lá, entrassem no site do conselho e não houvesse mensagem alguma? Odiaria passar vergonha na frente do amigo, porem se fosse até a sua casa conferir, não poderia ir à casa de Bola ainda hoje e ele queria muito ir.

Tomou a sua decisão e começou a pedalar rapidamente (agora tinha meia hora até Simon querê-lo em casa), mudando a rota para a casa dos Wall.

― Andrew ― cumprimentou Tessa Wall, assim que o viu guardando a bicicleta na garagem. ― Stu está no quarto, você deveria tentar conversar, ele parece meio deprimido.

O garoto não tinha ideia do que deveria ser meio deprimido, pois achava que nunca tinha visto Bola num outro estado que não fosse feliz-sarcástico (fora, é claro, no dia que levou Tessa ao Pombal, o último dia em que se falaram).

Andrew entrou no quarto de Stuart, fechado a porta ao passar, e no momento que se virou, conseguiu vislumbrar Bola fechando alguma coisa apressadamente no seu computador.

― Oi, Arf.

― Oi, Bola. ― Analisou o amigo, ele parecia meio pálido, apático e também tinha um cigarro aceso nas mãos, não parecendo se importar com o cheiro que se impregnaria no ambiente.

― Pensei que já tinha se mudado ― Stuart comentou, mesmo que fosse mentira. Sabia que os Price ainda não tinham fechado o contrato com a casa em Reading (tinha ouvido Tessa e Ruth no telefone), mas era bom fingir não se importar, para variar, e forrar todas aquelas merdas de ideias sobre “autenticidade” que tinha começado a odiar.

Stuart, uma vez, gostava de ser autentico, diferente, fazer o que os outros não fariam, mas tinha percebido que as suas escolhas o tinham levado a um caminho ruim: ele era um bosta. Vários acreditavam nisso, todavia outras pessoas, como os seus pais e Andrew, não pareciam crer nesse fato, sendo que essa parte era a mais importante. Bola gostaria que essas pessoas o achassem um doente e o menosprezassem da mesma forma que ele fazia.

Stuart ofereceu um cigarro ao amigo, isso pareceu quebrar um pouco do gelo entre eles.

― Ainda não deu certo. ― Andrew parou por um momento, para acender o cigarro com o seu isqueiro. ― Acho que você deveria entrar no site do conselho, tem um novo fantasma lá, está falando sobre você ― contou, sem jeito. Levou o cigarro até os lábios e depois soltou a fumaça devagar, já sentindo o narcótico produzindo um efeito de calmaria.

― Já vi ― falou simples e seco, quando, na verdade, queria dizer outra coisa. Andrew pensou que ele ficaria surpreso, e que juntos correriam olhar o site do conselho. De repente, se sentiu meio bobo. Mesmo assim, acabou dando de ombros.

“Meio deprimido” certamente era um adjetivo que caia bem para Bola, no momento. Ele não estava chorando como no Pombal, mas Arf não tinha as palavras certas para descrever o estado do amigo.

Quando Andrew teve que ir embora (Docinho de coco já o esperava em casa há mais de dez minutos!) várias palavras não ditas pairavam no ar, assim como a fumaça que Stuart Wall soltava por entre os lábios.

ღ

Andrew saiu do quarto e a porta voltou a se fechar, e só então, Bola abriu novamente a aba no navegador que tinha minimizado as presas (na primeira vez que a porta tinha se aberto naquela tarde), quando Arf tinha entrado.

O estomago do rapaz roncou, porem ele o ignorou solenemente, se concentrando na tela e buscando as palavras certas no fundo da sua mente.

O problema era que buscava as palavras certas de forma errada, e dessa forma achava ter feito tudo na sua vida. Sempre buscou o bom fazendo o ruim e nunca percebeu as consequências trazidas por essas atitudes.

Agora ele tinha o peso de más decisões sobre os seus ombros e nada, nem ninguém, ia livrá-lo disso. Como diabos seria capaz de esquecer que uma criança havia morrido por causa da sua irresponsabilidade? E Krystal também tinha ido, sumido, evaporado, apagado a própria existência. “Espero que você tenha engravidado aquela garota, isso te daria um motivo para viver”, sua mãe havia dito, em palavras cruéis.

Talvez estivesse se santificando bastante pensando dessa forma, afinal, não tinha sido ele mesmo que havia atormentado Sukhvinder Jawanda? Com textos, fotos e comentários maldosos?

Stuart chegou à conclusão de que tudo era Karma. Odiou isso. Também gostaria de poder apagar a própria existência, exatamente como Krystal havia feito. Porque queria apagar a culpa, os maus atos de si, apagar as lembranças de Krystal do próprio corpo. Deixar ir a forma como aquela garota tinha feito ele se sentir quando foi a sua primeira.

Apagar não era autêntico, pois era a mesma coisa que fugir, e todos faziam isso (Pombinho tinha tentado, inclusive, como Tessa havia lhe contado), mas foram as autenticidades que o fizeram querer apagar a si mesmo do universo, então, era aceitável.

A cadeira do computador foi levada até o meio do quarto (logo abaixo do ventilador de teto que girava furiosamente, na velocidade máxima), o ventilador foi desligado e enquanto ele não parava de girar, Bola desceu até a garagem para pegar uma corda que havia visto por lá aqueles dias, sua mãe estava ao telefone.

Quando retornou ao aposento ele passou direto por O_Fantasma_de_Krystal_Weedon no computador e nem se preocupou em fechar a janela, logo aquilo não importaria mais.

Era ironia que seu último ato fosse diferente de tudo que prezava na vida. Mas isso era bom, porque Stuart Wall queria se apagar, libertar e alcançar o inimaginável.

ღ

A cadeira foi derrubada e após algum tempo, a lua ascendeu aos céus. O cigarro jazia no chão, apagado após a última tragada.

Tessa Wall foi checar o filho antes de se deitar (porque Shirley havia ligado dizendo que tinha retirado do ar uma mensagem postada no site do conselho sobre Stuart, no pseudônimo de O_Fantasma_de_Krystal_Weedon), sem imaginar a cena que estava prestes a ver. Quando abriu a porta o seu grito estridente acordou todos os pássaros já adormecidos, e Colin, que se levantou correndo, indo parar ao lado da mulher na porta.

O corpo extremamente pálido de Stu estava pendurado no ventilador com uma corda que se envolvia ao seu pescoço arroxeado, com um nó de forca. Os olhos dele estavam fechados para sempre.

A mulher correu para o filho e lutou contra a corda, sem enxergar muita coisa, pois estava com os olhos turvos de lágrimas, Colin caiu de joelhos no chão ao mesmo tempo em que a corda era desamarrada e o corpo de Bola despencava no chão. “Por quê?”, os presentes se perguntaram.

Mãe e filho permaneceram juntos até que os paramédicos chegassem (Colin felizmente tinha saído do seu torpor e ligado para emergência) e fizessem Tessa largar o recém-falecido.

Colin questionava-se em silêncio se tinha sido ele a enforcar o filho, porque era isso que o seu TOC vivia fazendo. As lágrimas lhe desciam pelo rosto e perdiam-se abaixo do pescoço, onde sua blusa as absorvia. Queria ser consolado mais do que tudo, mas Tessa estava muito ocupada, sentada na cama do quarto, e com a cabeça entre os joelhos, como uma criança, pensando sobre o motivo de Stuart ter se matado.

Tudo parecia irreal para ela. Nunca se imaginaria naquela situação, pensava que morreria antes de Stu, como deveria ser. As lágrimas tinham parado de escorrer pela sua face há alguns momentos, porque o choque descia pela sua alma, frio como gelo e causando arrepios.

Devagar, as engrenagens do seu cérebro começaram a funcionar e Tessa se lembrou da ligação de Shirley cedo, sobre o post no site do conselho.

Queria ter notado o ponto em que as coisas se tornaram demais para Stu, porque, quem sabe, se ela tivesse tentado ajudar, dito qualquer coisa... Talvez pudesse ter mudado tudo. Ou caso não tivesse sido tão dura com o filho... Era quase engraçada a forma como, quando alguém morre, todos ficam se perguntando se algo que fizessem teria mudado a situação.

Todavia, apesar das lamurias, não havia mais nada a ser feito, Stuart já havia morrido e não voltaria. Ninguém mais (em vida, pelo menos) teria contato com ele, porque a linha entre o mundo dos vivos e dos mortos era intransponível.

Após todos deixarem o quarto, o computador continuou com a tela acesa, sendo majestosamente ignorado. Até o dia seguinte ninguém notou o site do conselho aberto ali, logado na conta de O_Fantasma_de_Krystal_Weedon e com um outro post inacabado que falava obscenidades de Bola Wall.

Notas finais
A fanfic ainda não foi betada, so... A Iamelinda que se encarregou disso, então OBRIGADA IAMZ, SUA LINDA!

Espero que tenha(m) gostado. :3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!