Intocável

2 Capítulo 2


Notas iniciais
Olá, gostaram do primeiro capítulo? Espero que sim, porque aqui vai o segundo capítulo, e eu espero que vocês gostem. Boa leitura, até logo :)

Nenhuma das infinidades de opções de comida servidas à sua frente lhe abria o apetite, fome era algo que não sentia a alguns dias. Dava pequenos goles em seu suco de abobóra apenas porque o copo estava cheio, mas nem mesmo este ela sentia vontade de ingerir. Sentia-se como uma morta-viva, e de fato parecia uma, os olhos cansados, caídos, a pele mais pálida do que o de costume e um cansaço que lhe preenchia por inteiro, estava desgastada por dentro e por fora. Ela não estava pensando em nada, sua mente parecia encoberta por uma névoa na qual nenhum pensamento conseguia se formar. Deu mais um gole sem vontade em seu suco.

Rowan Becrux você está um completo desastre.

Da mesa dos professores, ele conseguia vê-la, sentada na metade da extensa mesa de madeira, ao seu lado e à sua frente os outros alunos conversavam e interagiam enquanto devoravam seus cafés, mas não ela. Ela permanecia ali, parada, vez ou outra fingindo beber seu suco, — no qual o líquido, por mais que ela levasse a boca, permanecia igual a antes — avulsa a tudo e todos, não só aos que dividiam a mesa com ela, mas à todos que estavam presentes ali naquele salão, parecia não notá-los, completamente indiferente à eles e até a si mesma.

Snape teve que passar os olhos pela multidão de alunos mais de uma vez até encontrá-la, mas uma vez que o fez, não tirou-os da garota durante todo o período do café da manhã. E foi só quando ela se levantou e começou a caminhar na direção da saída, que ele desviou o finalmente o olhar, e se assustou ao notar Minerva McGonagall parada ao seu lado.

– Pobre garota...tão jovem e tendo que passar por tamanha tragédia. — após alguns segundos, ele respondeu ao comentário da professora com outro comentário, não tão generoso quanto o da outra.

– Pelo visto só nos resta esperar que ela consiga acompanhar as atividades escolares. — se levantou, olhou rapidamente para McGonagall e saiu andando.

Minerva não disse nada, mas em sua cabeça, gritava: Atividades escolares? A garota acaba de perder sua família, ela não devia sequer estar estudando! Por Merlin!

***

Aquilo era impressionante, 100 linhas quase impecáveis, cada parágrafo era precisamente direto e explicativo, nada muito exagerado, nada colocado ali apenas para ocupar espaço. Com exceção da introdução, um pouco vaga, o resto era perfeito. Aquilo era digno de um Ótimo. A nota dada por Snape foi um Excede Expecativas.

Ao ler o que Rowan havia escrito, Snape não pôde deixar de pensar em como ela havia conseguido, a grande maioria dos alunos que estavam em perfeitas faculdades mentais conseguiam no máximo um Aceitável, e ela, cujo era impossível saber qual era o estado mental e emocional, havia feito a melhor redação de todas.
Severus havia enfim cedido, e quando resolveu que corrigiria a redação de Rowan Becrux, a única coisa que teve de fazer foi dizer Accio Redação de Rowan Becrux, e ali estava o pergaminho em suas mãos. O por quê de ele ter mudado de ideia não é algo claro, nem ele mesmo sabia o por quê, como Dumbledore dissera outrora, a aula era dele e a decisão também, poderia ter simplesmente ignorado o fato de que sua aluna havia acabado de perder a família. O fato, é que não o fez.

A verdade, é que Severus Snape não era tão frio e insensível quanto aparentava, e além do mais, ele tinha bom senso.

Quando a aula de poções da Grifinória acabou naquela manhã, Rowan foi uma das primeiras a se levantar para deixar a sala, mas foi interrompida no ato:

– Senhorita Becrux, não tão rápido, você fica. — ela o olhou sem entender, mas deu meia volta e foi até a mesa de seu professor, parou e esperou enquanto o resto dos alunos saía.

Snape levantou de sua cadeira, com um pergaminho na mão, onde ela reconheceu sua própria letra. Ele estendeu-o para ela, igual havia feito dias atrás, mas agora numa circunstância diferente. Ao pegar o pergaminho e desenrolá-lo, viu que havia algo mais ali do que apenas seu texto, escrito na parte superior da página, numa letra diferente da sua, podia-se ler um Excede Expectativas. Olhou imediatamente para o homem à sua frente, a boca entreaberta, completamente surpresa.

– Professor...eu achei que...

– Poupe-me de seus agradecimentos. Devido aos acontecimentos que lhe ocorram, decidi que era motivo suficientemente plausível para que você merecesse uma nota.

Ela não respondeu, mas permaneceu parada, encarando-o com seus olhos grandes e azuis.

– Vai ficar parada aí, senhorita? Já tratei do assunto que precisava, pode ir embora. — ela não foi, continuou encarando-o da mesma forma de antes. — Vamos, o que está esperando? Precisa de um mapa para levá-la até a saída?

– Céus, você é tão rude. — por essa ele não esperava, não esperava que ela falasse tão repentinamente e certamente não esperava que ela falasse isso. Ergueu uma sobrancelha.

Burra. Burra. Burra. Ele acaba de sabe-Deus-porque corrigir sua redação, aquela que ele disse que não iria, e você o xinga. Brilhante!

E antes que Snape pudesse dizer qualquer coisa, a garota continuou:

– Me desculpe. Obrigada, professor...pela redação.

– Ora, se sou tão rude talvez eu devesse desconsiderar sua redação novamente agora mesmo, não acha?

– Não! Me desculpe, professor, eu só...é que... — bufou — saiu sem pensar, eu sinto muito, não quis dizer que o senhor é rude, não pra valer.

– Vá. Agora. Antes que eu mude de ideia.

– Certo. — e dizendo isso ela deu uma última olhada para seu professor, que já não olhava mais para ela, e saiu da sala, um tanto aliviada.

Foi só depois de alguns metros andando, com seu pergaminho nas mãos, que Rowan finalmente parou e se perguntou algo óbvio, como ele soube?

Era natural que seus professores soubessem de sua situação, já que por conta disso ela esteve ausente por uma quantidade significativa de aulas, mas o Mestre das Poções, Severus Snape, não sabia de nada, pelo menos até onde ela se lembrava. Se perguntou se alguém tinha-o contado e, se sim, imaginou o por quê. Resolveu ignorar, sem sucesso. A dúvida à acompanhou durante todo o fim de semana, até que finalmente teve aula de poções novamente. E teria cessado sua curiosidade naquela manhã, se seu professor não tivesse faltado. Justo ele, que sempre os presenteava com sua presença irritante, justo naquele dia, quando ela precisava falar com ele.

***

Snape odiava aquele lugar, odiava tudo em relação à ele, desde as pessoas até o piso negro e lustrado. Mas Dumbledore não dava a mínima importância se ele odiava ou não os lugares para os quais era mandado, contando que fizesse o que lhe havia pedido. Portanto, isso significava que Dumbledore não dava a mínima importância se Snape odiava o Ministério da Magia, contando que ele deixasse suas aulas do período da manhã e fosse até lá e falasse com Kingsley Shacklebolt sobre a atual situação de Azkaban. O motivo? Ele não fazia ideia.

– Eu realmente não sei qual interesse Dumbledore poderia ter nisso, Snape — Kingsley estava sentado à sua frente, olhando para ele de modo desconfiado, com o qual Snape já estava acostumado, muitas pessoas o olhavam daquela maneira — no entanto, Azkaban permanece como sempre esteve, cheia de criminosos, loucos, assassinos...nada que nunca tenha aparecido por lá antes.

Uau, Shacklebolt, você realmente merecia um prêmio por usar esse sarcasmo bem-humorado e achar que está sendo engraçado. Acho que vou bater palmas.

– Nenhuma movimentação estranha, nada de suspeito ou anormal. Nenhuma novidade, exceto pelo último preso — Kingsley pausou antes de prosseguir — Vyktor Becrux, assassinou a esposa grávida, foi levado à Azkaban imediatamente, prisão perpétua.

Snape lembrou-se daquela história, na verdade, ele não a havia esquecido. Mas apenas concordou com a cabeça, e esperou que o outro tivesse algo a mais para dizer. Houve um silêncio rápido.

– Isso é tudo.

– Certo. Agradeço, Shacklebolt. Dumbledore mandou seus comprimentos.

– Certo. Diga que mando os meus. Mas, acho que tenho direito de perguntar antes que você vá, por que Dumbledore está interessado em Azkaban? Quero dizer, essa nunca foi uma de suas prioridades, pelo que sei.

– Bem, eu ficaria lisonjeado de poder respondê-lo, mas temo que não posso, uma vez que eu também não faço ideia de seus motivos.

Os dois homens se entreolharam. Se não existisse Albus Dumbledore, era provável que nunca trocassem sequer duas palavras, e certamente, não estariam na mesma sala naquele momento, entretanto ali estavam, graças a Albus Dumbledore e por causa do mesmo. E fora isso, não faziam a mínima ideia do porque estavam ali. O velho tinha esse poder, de fazer todos o obedecerem sem questionar.

– Tem certeza de que não há mais nada, Kingsley? Não quero ter que voltar aqui.

Snape teve a certeza absoluta de que Kingsley hesitou, mesmo que por apenas um momento, antes de lhe dizer que tinha certeza e que não havia nada que não tivesse dito. Ainda assim, não se preocupou em perguntar novamente, e aparatou imediatamente daquele lugar, segundos depois, estava em Hogsmead, de onde podia-se ver o grande castelo de Hogwarts. Seguiu andando o resto do caminho.

Já era de tarde quando ele finalmente chegou ao castelo, enquanto andava em direção ao interior do local, pôde ver alguns alunos sentados no jardim, e outros apressados para chegar à suas respectivas aulas, o que não esperava ver de modo algum era ver uma aluna da Grifinória, correndo em sua direção enquanto gritava "Professor Snape!".

O professor parou e olhou para trás, pôde ver cabelos loiros voando desgrenhados em sua direção, seguidos da garota a quem eles pertenciam, segundos depois, Rowan estava parada à sua frente, ofegante.

– Professor Snape — ela começou, depois de respirar fundo — como você soube?

Os olhos azuis se elevaram até que invadissem os pretos, uma brisa os atravessou fazendo com que os cabelos de ambos fossem jogados para trás de suas costas.

– Creio que tenha que ser mais específica, senhorita. E creio também que tenha esquecido que sou seu professor e portanto, me chama de senhor.

– Como soube do meu...o senhor sabe.

Ele sabia. O pai dela.

– Tenho a impressão que a senhorita tem uma curiosidade que não cabe dentro de si. E isso é extremamente...desagradável.

Você é desagrádavel!

– No entanto, já que faz tanta questão, eu soube por meio do Professor Dumbledore. Agora, não tenho mais tempo para perder aqui, e a senhorita também não, caso tenha aula e não queira uma detenção.

Dumbledore, Rowan lembrou-se de como ele fora gentil com ela no dia em que recebeu a notícia de que sua mãe e futuro irmão estavam mortos, e pior, pelas mãos de seu próprio pai. O diretor a abraçou, como se a conhecesse há anos, e disse palavras que a tranquilizaram. Ainda assim, sentiu nauseas ao lembrar daquela noite, sua cabeça girou, a paisagem ao redor começou a se dissipar diante de sua visão, piscou e viu que O Mestre das Poções a encarava, mas logo seu rosto e cabelo se misturaram, virando um borrão negro, sentiu suas pernas cederem e com um baque, desmaiou no gramado verde.

Notas finais
É...mais um capítulo postado e se vocês chegaram até aqui, tenho que perguntar, gostaram? Se sim, me falem lá nos comentários, se não, me falem lá nos comentários também, e se vocês tiverem alguma dúvida, ou sugestão, ou...qualquer outra coisa, podem comentar também, hahaha. Até o próximo capítulo, voltem sempre, e obrigada por lerem! :)