Notas iniciais
Capítulo tenso, mas...
Enjoy :)

Justin tentou se erguer, lutando contra a própria fraqueza, e conseguiu se pôr sentado. Se surpreendeu quando sentiu algo por trás dele, segurando-o pelos braços.

- Ei. – Ele soltou, mas algo voou em sua boca, impedindo-o de falar claramente. – Eii!

Algo bateu contra sua cabeça com força, duas vezes, repreendendo-o. Justin sentiu algo diferente da água da chuva sujar sua testa, a fraqueza ficou maior, a visão dele começou a girar, e ele desabou para o lado, de olhos fechados.

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- Aonde ele está? – Rainha Lúcia perguntou, caminhando de um lado para o outro em seu quarto, em claro desespero. – AONDE ELE ESTÁ?!

- N-não sabemos, Vossa Majestade, ele... Sumiu! – Um criado disse. Lúcia suspirou. Seu filho havia desaparecido fazia quase uma hora. A Rainha estava em desespero.

- Lúcia... – Tumnus disse. – Ele... Ele vai voltar. Estão procurando Corin por todo o palácio e aos derredores, ele vai aparecer mais cedo ou mais tarde!

- Já fazem quase uma hora que ele sumiu. – Lúcia disse. – O reino já soube da notícia de que ele é meu filho, Nárnia está quase entrando em guerra, ele pode estar em perigo!!

- Lúcia, vai ficar tudo bem. – Tumnus disse, enquanto Lúcia virava as costas para ele.

- E se não ficar? – Ela perguntou, voltando olhar para o fauno. Lágrimas corriam pelo rosto da mulher. – Se ele morrer odiando a mim? Nem sei... Nem sei o que fiz de errado, eles foram seqüestrados, você se lembra, Sr. Tumnus!

- Lembro, Lúcia. Tem algo de errado com Corin, mas, ele está bem! – O fauno disse. – Ele vai voltar!

A Rainha em desespero ficou em silêncio, e tentou se convencer daquilo.

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Justin abriu os olhos, vendo tudo embaçado e turvo. Ele não conseguia se mexer. Olhou ao seu redor, estava num lugar escuro e úmido, com árvores e barulhos estranhos, talvez numa floresta, numa clareira, à noite. Ele tentou mexer suas mãos, e só então percebeu que elas estavam presas atrás de seu corpo, ele estava deitado no chão, em posição fetal. Seus pés também estavam amarrados.

- O... O quê? – O garoto murmurou para si mesmo. Ele não fazia idéia de onde estava, nem o que estava acontecendo, nem o porquê de estar preso, nada. Começou a ouvir passos, vindos de trás dele. Ele acordou, uma voz estranha disse, e Justin sentiu uma outra forte pancada em sua cabeça. Pela segunda vez, sua visão se embaçou, e ele perdeu a consciência por causa do forte golpe.

Quando o garoto abriu os olhos de novo, estava jogado ao chão, solto, daquela vez, aparentemente na mesma floresta. Sua mente estava confusa, ele não fazia idéia do que estava fazendo ali, não se lembrava de estar preso no mesmo lugar. Parecia que ele estava correndo e caiu ali. Justin se convenceu daquilo e se sentou, com dificuldades. Gemeu, colocando a mão direita sobre a cabeça, e sentindo seus cabelos, tão molhados como todo o resto de seu corpo, por causa da chuva, que havia parado fazia muito tempo. A surpresa foi quando ele recolheu a mão direita e olhou para ela, e viu que seus dedos estavam sujos de um pigmento vermelho. Sangue.

- M-meu Deus... – Ele murmurou, e passou a mão pelo cabelo de novo. Veio mais sangue. Ele precisava procurar ajuda. Lutou contra a fraqueza, respirando pesado, e conseguiu se levantar. Cambaleou um pouco, mas, pelo menos não desabou novamente. Começou a caminhar sem rumo pela floresta, passando por entre as árvores silenciosamente, procurando alguém que pudesse ajudá-lo, e levá-lo para Cair Paravel. Talvez os narnianos ainda não soubessem que ele, Justin, um simples camponês que havia sido criado em Telmar, era Corin, o Príncipe Perdido.

Justin parou para respirar um pouco. A hemorragia em sua cabeça estava tirando suas forças. O garoto se apoiou em uma árvore, com a respiração fraca e descompassada que, por alguns segundos, foi a única coisa que ele pôde ouvir. Seus joelhos fraquejaram por um segundo, mas Justin, antes de cair, se segurou no primeiro galho que surgiu.

- Tenho que ser forte. – Ele murmurou para si mesmo. – Eu... Não vou desmaiar.

Justin encostou a cabeça no tronco, fechou os olhos por alguns segundos, tentando achar força para continuar acordado. Tentou achar algo dentro de sua mente que lhe desse força.

Jus! – O garoto ouviu uma voz distante. A voz que ele reconhecia de longe, a voz de sua irmã mais nova. – Juuustin!!

- J-Jazzy? – Ele murmurou, ainda de olhos fechados. Talvez fosse só coisa de sua cabeça.

Ei, levanta! – A voz de Jazzy ecoou novamente em sua cabeça. – O príncipe nunca se dá por vencido!

- Eu não sou... Não sou um príncipe. – Justin suspirou. – Nunca vou ser...

Nunca diga nunca. – Jazmyn disse. Nunca diga nunca era o lema de Shasta.

Nunca diga nunca. Aquelas palavras entraram na mente e no coração do garoto com uma força incrível. Uma faísca de determinação surgiu em seu peito, e ele abriu os olhos, ficando de pé sem se apoiar em lugar algum. Olhou para o tronco em que havia se apoiado, estava sujo de sangue. Justin continuou a caminhar, mesmo que cambaleante, decidido a chegar em Cair Paravel. Estivesse ele onde fosse. Por um tempo, ele tentou se convencer que, por um capricho do destino, estava indo pelo caminho certo, mas, depois de uns minutos, Justin começou a se convencer de que estava andando em círculos, já que a aparência da floresta era monótona e repetitiva. Talvez fosse.

A determinação que ele tinha anteriormente estava sendo trocada pelo desânimo e pelo sentimento de derrota. A roupa molhada pesava, o corte na cabeça doía e o sangue que deixava seu corpo o enfraquecia rapidamente. Por um segundo ele pensou em desistir, pensou que nunca iria conseguir sair dali, mas a voz de Jazzy voltou a soar em sua mente: Nunca diga nunca.

- Nunca... Diga nunca. – Ele repetiu. Caminhou mais alguns passos, e, então, a luz. Uma espécie de galpão rústico, iluminado à vela. Justin não fez barulho, pelo menos, não naquele momento, ele caminhou silenciosamente até a janela. Podiam não ser amigos.

Justin se esgueirou pela grama, tragando um rastro de sangue consigo, e foi até uma janela pequena, aonde pôde ver soldados da guarda de Nárnia que ele tinha visto quando chegou em Cair Paravel. Dois guardas, e dois seres que ele não conhecia.

- O ataque está planejado para quando? – Um dos seres disse.

- Atacaremos Cair Paravel depois de amanhã, ao amanhecer. – Um dos guardas respondeu. Uma sobrancelha de Justin se ergueu.

- Deixarei Jadis sabendo. – Outro ser disse. – O tempo de poder dos Grandes Reis e Rainhas de Nárnia terminou! Nosso exército devolverá à Jadis o trono de Nárnia!

Justin quase tropeçou quando ouviu aquilo. Jadis era a Feiticeira Branca, ela havia ressurgido, havia formado um exército e iria atacar Cair Paravel, ótimo. O garoto bateu com o pé em algo de madeira, fazendo um barulho enorme. Os guardas e os seres ouviram o barulho, e foram ver o que estava acontecendo. Não teve como fugir, Justin foi flagrado. Um dos guardas (um minotauro do dobro do garoto) segurou-o pela gola da camisa, erguendo-o do chão.

- Quem é você?! – O minotauro perguntou.

- E-e-eu s-sou... – Justin gaguejou, intimidado pelas espadas e pelo monstro que o segurava. O minotauro pareceu reconhecê-lo.

- Ei... É o Príncipe Perdido! – O monstro disse.

- Não! Não, claro que não! – Justin tentou contornar o assunto.

- É sim, merece o mesmo futuro que sua mãe! – O monstro jogou Justin no chão, que caiu deitado, e apontou uma espada no pescoço do garoto.

- Ei, ei! – Justin tentou se defender, em desespero. – Eu sou da paz, eu...

Como ele esperava que acontecesse, o minotauro mal lhe deu ouvidos, pronto para dar o golpe que o mataria. Justin, num acesso de força e desespero, antes que recebesse o golpe, se ergueu e saiu correndo na maior velocidade que podia, fugindo de sua morte, ignorando seus ferimentos e qualquer outra coisa, só procurando uma saída. Enquanto corria, Justin olhou por uma fração de segundo para trás. Ninguém. Então olhou para frente de novo e se chocou de frente contra um portão de ferro, caindo para trás, sentado.

- Graças a Deus. – Ele percebeu que o portão era uma saída, e se levantou para tentar abri-lo. Estava trancado. – Ah, não! – Ele puxou o portão, tentando abri-lo, debilmente. – Vamos, abra!!

Ele puxou as correntes que trancavam o portão mais duas vezes.

- Abra, por favor!! – Ele gritou, e baixou a cabeça, ofegando de desespero.

- Precisa de ajuda? – Uma voz masculina, grave e imponente perguntou, do outro lado do portão.

Notas finais
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