Into Your Arms
39 Capítulo 38
Notas iniciais
[ouçam: All I Want — Kodaline]
Eu corri até ele – o mais rápido que minhas pernas machucadas e doloridas permitiam. Tudo girava ao meu redor e achei que estivesse num longo pesadelo difuso, onde a cada passo, o caminho até Andrew se esticava, alongando-se cada vez mais para dentro da escuridão. Caí de joelhos no chão ao lado de seu corpo. A estaca estava cravada em seu peito. O sangue jorrava incontrolavelmente, manchando sua camiseta. O rosto estava branco, a respiração fraca.
– Andrew... – sussurrei.
Ele abriu os olhos e peguei a estaca entre minhas mãos, porém o simples toque fez Andrew gemer e ele negou com a cabeça.
– Eu preciso fazer alguma coisa. Preciso tirar isso. – falei impulsiva. – Deve haver algo, eu preciso... Eu preciso salvar você.
Ele tocou minha mão suavemente e o mundo se calou ao meu redor. Andrew me fitou, os olhos verdes marejados, enquanto seu corpo estremecia e ele sorriu.
– Lissa, — sua voz era fraca, quase inaudível. – Você já me salvou.
Lágrimas começaram a escorrer violentamente por meu rosto.
– O que você está dizendo? Não. Não, Andrew! Você consegue sobreviver a isso, me deixei tirá-la.
Andrew negou novamente, enquanto seu corpo sacudia ruidosamente.
– Ela atingiu meu coração. – ele tossiu. – Não há nada que possa fazer.
– Mas você ainda está aqui, deve haver uma chance!
– Lissa, não. – sussurrou e sangue escorreu pelo canto de sua boca.
Desabei no chão, trazendo Andrew para perto de mim, com cuidado. Repousando sua cabeça em meu colo.
– Você não sabe o que está dizendo. – solucei. – Você não vai me deixar!
Seus olhos piscaram pesadamente, ao mesmo tempo em que mais lágrimas caíam.
– Eu nunca vou te deixar, Liss. Eu vou estar aqui, só que de uma maneira diferente.
– Não, Andrew. Eu não posso te perder. Por favor. – implorei. – Você me prometeu!
– Está tudo bem. – ele sussurrou. – Está tudo bem.
Suas mãos apertaram as minhas, os dedos escorregadios com o sangue e abaixei o rosto em sua direção. Senti seus lábios encostarem-se a minha testa suavemente e apertei os olhos.
– Não faça isso comigo. Não desista de mim. – murmurei. Meu corpo era atingido por longos soluços e as lágrimas escorriam pesadas por minhas bochechas. – Eu não vou suportar. Não sou nada sem você. Por favor.
– Shhh... Eu acredito em você. Não chore. Tudo vai ficar bem. Você é tão jovem e ainda tão livre...
– Você me prometeu.
– Olhe para mim. – encontrei seus olhos. Mesmo com sua vida escapando por meus dedos, seus olhos me faziam pensar em imensidões sem limites que nunca vi de fato, apenas vislumbrei em sonhos. – Antes de eu ir, por favor, saiba que eu tentei ser um homem melhor. Não fique zangada. Se o medo cair sob sua cama e não deixar você dormir, lembre-se das minhas palavras. Você trouxe vida ao melhor de mim. Você limpou minha alma. Você viu partes de mim que não eram bonitas e a cada toque você as consertou. – sua voz falhou e Andrew tossiu mais gotas de sangue. — Antes de eu ir, por favor, seque seus olhos.
Apertei sua mão, ambas cobertas de seu sangue. Funguei, tentando afastar as lágrimas, mas elas continuavam caindo, ao mesmo tempo em que meu peito fragmentava-se. Era como se uma parte de minha alma, uma parte que sempre me pertencera, estivesse partindo. Era quase tangível e doía.
– Eu te amo. Para sempre. – falei.
Seu corpo relaxou por alguns segundos, enquanto os espasmos de seu corpo se tornavam cada vez mais suaves.
– Você foi e é corajosa como sua mãe, Liss. – ele sussurrou. — Eu te amo tanto, não se esqueça disso.
Andrew soltou um ruído e engasgou, suas palavras quase saindo mudas.
– Eu não consigo. – sussurrei. – Eu preciso de você!
Seus lábios se curvaram suavemente, num pequeno sorriso.
– Você vai me ter... Todas as vezes que olhar para as estrelas. E bastará.
Ele piscou, seus olhos focados em mim e então, se fecharam lentamente.
– Andrew?
Era como se ele estivesse dormindo em meus braços. Sua pele continuava quente e o cálido verde de seus olhos não os abandonou nem mesmo no último instante. Por um momento, achei que pudesse se levantar, me erguer em seus braços, beijar meus lábios e tudo estaria bem. Porém, seu rosto relaxou e sua respiração se tornou lenta e calma até, por fim, cessar.
Um último suspiro.
A indicação de que seu corpo adormecera para sempre.
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