Into Your Arms

29 Capítulo 28


A floresta se espalhava à nossa volta em um labirinto verde de árvores. Animais andavam invisíveis para um lado e outro, provocando um farfalhar nas folhas secas. A luz que se infiltrava pelas copas das árvores havia se transformado, o tom cinza do dia nublado passando para a completa escuridão. O ar ali era ainda mais frio, invadia minha pele e me fazia tremer por baixo do casaco pesado que eu havia vestido.

Caminhamos pela trilha estreita até entrar em uma pequena clareira redonda, coberta de relva baixa e fina. Em algum lugar perto dali, pude ouvir o som baixo de um riacho, quase imperceptível. A fogueira era a única luz da clareira, o fogo ricocheteava o ar com labaredas laranja; quente e confortável. Não havia muitas pessoas, mas eram o suficiente para encherem o local com gargalhas e conversas sendo jogada fora. Algumas estavam em pé, outras sentadas em tocos de árvores improvisadas ou troncos ao redor da fogueira com pequenos galhos assando marshmallows. O som do violão tocava baixo, sem nenhuma música específica.

– Então, — Dave murmurou atrás de mim. — o que achou?

– É perfeito!

Girei o corpo em sua direção e fitei seu sorriso sob a sombra densa da floresta. Ele pegou meu pulso e me levou para dentro da clareira com alguns olhares pairando sobre nós.

– Finalmente você apareceu, Dave! — disse Tyler.

Ashley acenou para mim animada e a alguns metros atrás dela, Steven conversava com Andrew. Ele me fitou por alguns segundos, porém desviei o olhar e contornei a fogueira, me sentando ao lado de Ashley.

– Oi, Ash.

– Oi. — ela disse com um sorriso enorme no rosto.

Franzi o cenho.

– Onde está Sarah?

– Não conseguiu vir. Ela tinha algum compromisso com a família.

– Novidade. — murmurei.

Ashley desviou o olhar, abrindo um pequeno sorriso e coçando a lateral da cabeça.

– O que foi? — perguntei, curiosa.

– Preciso te dizer algo. Sobre... Steve.

Abri um sorriso enorme, suspeitando do que ela falaria. Ela continuou.

– Você deve ter visto eu e ele no Zouk...

– Todo mundo viu aquilo. — falei rindo.

Um tom vermelho invadiu as bochechas dela.

– Ah meu Deus! Ashley Stasey está corando! É isso mesmo? — caçoei.

– Me deixe terminar!

Mordi o lábio, impedindo de mais um riso sair por minha garganta, e esperei que ela continuasse.

– Bom, digamos que aqueles beijos foram pra algo mais... Muito mais. — ela riu.

Abri a boca em um "O".

– Vocês dois... Vocês... — gaguejei. — Você transou com Steve!

– Fale baixo sua louca! Estou contando pra você, não para a festa toda.

Ashley me deu um tapa no braço e me encarou, até que caímos na gargalhada. Pelo canto do olho, encarei Steven por alguns instantes e vi um pequeno sorriso em seus lábios. Eu sabia que ele estava escutando, então ia deixá-lo feliz.

– E como foi? — perguntei.

– O melhor sexo da minha vida. — ela sussurrou e rimos novamente. — É sério! Eu nunca senti nada como aquilo, e além disso, ele foi super carinhoso. Steve sabe como tratar uma mulher.

Abri um sorriso e a cutuquei.

– Hmm, você está com aquele brilho nos olhos.

– Que brilho? — Ashley pareceu um pouco confusa.

– Aquele que grita "estou apaixonada!".

Ela riu e soltou um suspiro baixinho.

– Fico feliz por você, Ash. — murmurei.

– Obrigada.

Seus lábios se curvaram e ela se encolheu em seu casaco.

– Então garotas, estão gostando do luau?

Dave sentou-se ao meu lado com um sorriso no rosto e jogou o braço por cima de meu ombro.

– Está tudo perfeito, Dave. — disse Ashley.

– Que bom que estão gostando, mas... — ele se dirigiu a mim — Terei que roubar você por alguns minutos.

– Por quê? — perguntei.

– Tenho um lugar pra mostrar a você.

Abri um sorriso para Dave e me virei para Ashley.

– Eu já volto, está bem? — disse.

– Pode demorar o tempo que quiser. Vou falar com Steve.

– Ah, uhum.

Ela jogou uma piscadela para mim, enquanto eu caminhava com Dave até o outro lado da fogueira.

– Mais floresta? — perguntei, fitando a pequena trilha.

– O percurso é curto. Vamos.

Sua mão pegou a minha com força e me guiou pelo labirinto verde novamente. Era difícil distinguir algo no meio de toda aquela escuridão, mas Dave parecia saber exatamente onde estávamos indo. Aos poucos que nos afastávamos da clareira e deixávamos as conversas e gargalhadas para trás, o som de água se tornava mais nítido.

Não demorou para que a trilha se abrisse e nos expusesse em um terreno úmido. A relva não era uniforme como na clareira. Plantas cobertas de geada cresciam desordenadas, algumas chegando até meu joelho. A alguns metros à nossa direita havia uma pequena cachoeira, o fluxo d'água caindo sobre várias pedras pretas cobertas de líquen, formando um lago a nossa frente. A luz da lua refletia forte nas águas cristalinas e olhei maravilhada para a paisagem.

– Como você conhece esses lugares? — perguntei.

Dave deu de ombros.

– É só saber procurar nos lugares certos.

Ele me puxou até a margem do lago e subiu em uma pedra grande que havia ali.

Dave me ergueu para que eu pudesse subir nela também e sentamos, com a visão perfeita da cachoeira a nossa frente. Pequenas gotas de água nos alcançavam e respingava em minha calça como uma chuva passageira.

– Estou começando a me sentir mal.

– Por quê? — Dave pareceu preocupado.

Abri um pequeno sorriso.

– Você me trás a todos esses lugares e eu não tenho nada especial pra mostrar a você.

– Só pelo fato de você estar comigo nesses lugares já os torna especiais.

Dave me fitou com seus olhos azuis cobalto e eu me perdi. Me perdi na imensidão azul que havia em minha frente. Só havia espaço para ele. Minha mente rodopiou e me permiti afundar neles. Dave deslizou seus dedos na lateral de meu rosto, com muita delicadeza, a linha de meu queixo, meus lábios, enquanto eu permanecia imóvel.

Ele tomou meu rosto em sua mão e me beijou. Seus lábios cheios, quentes e maravilhosos pressionando os meus.

Segurei seus pulsos e tirei suas mãos de meu rosto, me afastando dele.

– Eu não... Não posso. — sussurrei.

– Por que não? Por causa dele? — Dave levantou meu queixo, me fazendo olhar em seus olhos. — Nós temos a noite inteira, não há tempo ou lugar certo para nada, apenas faça o que quiser fazer na hora em que quiser fazer. Há tempo para mudar. — ele tirou uma mecha loira de meu rosto e sussurrou. — Me deixe te libertar.

Encarei sua boca se curvar em um meio sorriso e deixei que seus olhos me afogassem, assim como seus lábios. Fiz o que suas palavras tinham me dito e me entreguei. O restante do mundo se desfez. Suas mãos que estavam em meus cabelos, descerem para a base de minhas costas, enquanto sua boca era caótica na minha. Seu peito era sólido e quente contra a minha mão. Juro que podia sentir as batidas de seu coração respondendo, um eco imediato do meu que batia tão forte em meu peito que doía. A floresta podia se incendiar, a cidade inteira podia desabar e eu não teria me importado ou até mesmo notado.

Dave se afastou, repousando a testa na minha, enquanto eu ainda mantinha os olhos fechados e segurava seu rosto. Todas as emoções confusas e dúvidas inquietas se desmancharam, como se tivessem ido embora junto com o vento frio que soprava meu rosto, preenchendo-me com uma calma profunda e com o aroma de sua pele.

Naquele momento eu encontrei um caminho sem limites ou medos. Era como voar.

Dave segurou minha mão para me ajudar a sair da trilha e, devo admitir que sabia que ele queria me tocar de alguma forma, então mantive nosso ponto de contato. Chegamos na clareira e fomos recebidos com olhos curiosos, e soltei a mão de Dave quase por impulso, como um pânico, até me dar conta de que eu podia fazer aquilo. Podia me envolver com quem quisesse, e não deveria me importar com o que Andrew pensava. Porém, ele já havia me visto no milésimo de segundo em que eu o procurei com o olhar e encontrei o vibrante verde de seus olhos focados em minhas mãos. Mais especificamente em minha mão direita, antes envolta pela mão cálida de Dave. Andrew me fitou, mas mordi o lábio e baixei os olhos. Eu não sabia o que sentir.

Era como se meu coração estivesse partido em duas partes. A parte egoísta, que apenas queria se sentir vitoriosa sobre as pessoas, que estava feliz, pois eu havia provado — para mim mesma e para todo mundo — que eu havia seguido em frente. Mas a outra parte, a parte sentimental, a parte emocional e sedenta por emoções intensas, estava pesada e dolorida, como um nó preso na garganta. Meu coração batia com força no peito, mesclando meus sentimentos caóticos — satisfeita, arrependida, eufórica, entorpecida, alegre e angustiada. E confusa, por que esse era o único sentimento que realmente seguia o compasso do meu coração dividido.

– Ei Dave, largue um pouco sua garota. Você não trouxe seu violão pra nada, não é?

Dave revirou os olhos e me levou até um dos bancos improvisados. Ele sentou-se ao lado de Tyler, pegando o violão de suas mãos.

– Eu não sabia que você tocava – falei, ocupando o banco a sua direita.

– Eu não diria exatamente que sei tocar.

– Ele está só sendo modesto. – murmurou Tyler.

Dave abriu um pequeno sorriso e finalmente começou a tocar. Todos agora estavam sentados ao redor da fogueira. Eu não conhecia a música, mas pude perceber algumas pessoas cantando a melodia. Enlacei minhas pernas com as mãos, repousando o queixo no joelho e deixando a voz de Dave me envolver.

Era uma música animada e eu podia perceber a verdade em cada verso dela. Por um momento deixei apenas que ela me confortasse como um manto quente.

Não gosto de pensar que há dias em que estou triste ou magoada, pois somos as pessoas que temos esperado ser. Agora, cercado por rostos familiares, pessoas que amo. Tudo o que precisamos é de bons amigos e uma boa música para cantar juntos, com vozes gritantes. Ninguém pode nos impedir, então nos mantemos altos, e tentamos acordar toda a cidade. Podemos não estar ficando jovens, nossos dias estão indo embora, mas são noites como essa que fazem não nos importarmos.

Quando a música silenciou-se, me virei para Dave vendo o brilho em seus olhos, enquanto um sorriso se formava em meus lábios.

– Você toca bem. – murmurei.

– Eu tento.

Ele colocou o violão no chão, o apoiando em um tronco e se aproximou de mim, perto o suficiente para me tocar. Eu fitava o chão, mas quando senti seus dedos se enrolarem em uma pequena mecha de meu cabelo loiro, ergui o olhar o observando, cautelosa. Minha mente esquecia-se de lembrar que isso era apenas errado o suficiente para fazer parecer certo e, inconscientemente, me fazia querê-lo.

– Eu já volto. – sua voz sussurrou. – Preciso ir ao carro buscar algumas bebidas.

Seu corpo inclinou-se em minha direção, porém antes que fizesse qualquer coisa, Dave se levantou e saiu, caminhando em direção à trilha por onde viemos.

As pessoas ao meu redor voltaram a se espalhar, algumas ainda se encontravam ao redor da fogueira escutando Tyler tocar, como Steven e Ashley. Eles conversavam e riam juntos. Era engraçado, porque eles eram improváveis e mesmo assim pareciam perfeitos. Ashley falava e fazia movimentos rápidos com as mãos, enquanto Steven a observava com muita atenção e comentava algo ou a elogiava e então, ela corava.

E também havia Andrew. Ele estava sentando, poucos metros longe de Steven. Seus olhos capturavam tudo e ao mesmo tempo não viam nada. Esse sempre seria seu maior segredo. Eu nunca saberia o que ele estava pensando.

Seus olhos encontraram os meus e eu não sabia dizer se seu corpo sentia que eu o estava encarando ou se era apenas um velho hábito que ele não largara. Encolhi-me com o peso de seu olhar e ele franziu a testa. Estávamos tão perto, mas havia tantas coisas que nos separavam. Eu não sabia mais dizer quais eram.

O farfalhar de folhas secas, me fez sair de meu torpor. Era como se os passos vindo do bosque, pisassem lentamente em cima de cacos de vidros. O barulho me fez trincar os dentes e olhar em direção à floresta fechada. Cerrei os olhos tentando encontrar algum animal no meio dos galhos e folhas à minha direita. Até que algo se moveu alguns centímetros entre as árvores e eu pude ver. Olhos escuros brilharam na escuridão. É um predador. Percebi pelo sorriso que se ergueu em seus lábios. Se não fosse pelos caninos perfeitos, eu poderia dizer que ele estava apenas me oferecendo um “olá”. Seu olhar segurou o meu por mais alguns segundos e então ele sumiu, como fumaça.

Apertei os olhos e com a respiração entrecortada, levantei. Eu odiava fazer aquilo, mas havia apenas uma pessoa a quem eu podia recorrer. Sentei ao lado de Andrew, sem dizer nada, mantendo uma distância segura. Peguei meu celular escondido no bolso do casaco e digitei uma mensagem.

“Hunter está aqui.”

Entreguei o celular a Andrew. Seus olhos passaram pela mensagem e logo em seguida rodearam toda a clareira, demorando-se a floresta ao lado onde eu estava sentada.

– Vou chamar Steven, precisamos sair daqui.

Antes que eu pudesse contestar, Andrew já estava de pé, chamando Steven para conversar em um canto e então corri até eles.

– O que vamos fazer? – perguntei.

– Você não vai fazer nada. – disse Andrew.

– Nem você.– se apressou Steven. – Não estamos preparados para nada essa noite. Não podemos simplesmente ir atrás dele. Só vamos manter a segurança.

– Você cuida de Ashley? – perguntei, direcionando-me a Steven.

– Pode deixar comigo. – ele sorriu. – Vou levá-la pra casa.

– Está bem. Eu e Andrew vamos atrás de Dave.

Andrew olhou para mim, franzindo o cenho.

– O que você quer dizer com isso? – ele perguntou.

– Dave foi pegar bebida, deve estar em algum lugar dessa trilha. Não posso deixá-lo enquanto há um monstro por aí.

– Não. – a voz de Andrew havia se elevado um tom.

– Não o que? – murmurei, irritada.

– Preciso tirar você daqui agora!

– Não vou embora antes de encontrar Dave, quer você queira ou não. – cruzei os braços, os apertando junto ao corpo.

Andrew bufou e revirou os olhos.

– Steven, pode ir. Se eu não ligar em meia hora é porque algo deu errado.

Suas últimas palavras me fizeram tremer. Eu sabia que estava colocando tudo em risco – incluindo minha própria vida — mas não deixaria nada acontecer com Dave.

Steven apenas assentiu e saiu em direção a Ashley.

– Você não sabe o perigo que está correndo. – disse Andrew. Agora sua voz havia assumido maior preocupação, eu quase não conseguia notar a raiva. Ele andava de um lado para o outro e aquilo me deixava ainda mais ansiosa.

– Não irá acontecer nada. – fitei seus olhos que examinavam toda a área, sem sossego.

– Você não pode ter certeza disso.

– Eu confio em você – sussurrei.

Andrew parou subitamente, quando ouviu aquelas palavras e me encarou. Não como me encarava nos últimos tempos. Me encarou como antes, como no começo. E por uma breve fração de segundo, eu ainda estava trancada em seus braços, nada havia mudado.

Pigarreei, voltando à realidade. Hunter estava aqui e precisávamos agir. Rápido.

– Temos que ir. – Andrew murmurou.

Assenti e seguimos em direção da trilha. Hesitei e um calafrio percorreu minha espinha. Andrew segurou meu pulso, me levando para dentro do bosque, onde as formas escuras e sombras nos rodeavam sem serem identificadas. Minha audição estava em alerta e a cada estalo no meio da escuridão, meu corpo se enrijecia. Galhos roçavam meu tornozelo, como dedos firmes querendo pegá-los. Deslizei minha mão do pulso de Andrew, juntando-a com a dele e apertando-a levemente. Era a única coisa que me guiava.

O nó em minha garganta aumentava a cada passo em que eu dava e não encontrava Dave. Uma sensação de vazio me recebeu ao fim da trilha, quando meu coração já batia descompassado no peito e o desespero ameaçava transbordar em meus olhos.

Observei as filas de carros que estavam estacionados no acostamento e entre as árvores. Não havia nenhum barulho na rua por onde havíamos chegado. Nenhum movimento. Nada. Estava completamente vazia e silenciosa.

– Onde ele está? – sussurrei.

Nenhuma resposta.

– Onde Dave está?! Ele deveria estar aqui. Ele precisa estar aqui. – eu disse, com o medo e desespero a me dar coragem.

Os olhos de Andrew varreram o lugar atentamente e depois recaiu sobre mim, cauteloso.

– Nós vamos procurá-lo, mas Lissa, eu não posso correr o risco, não quando se trata de você.

Abaixei o olhar e apenas concordei, inquieta.

Não havia muito que pudéssemos fazer. Uma neblina cinzenta caía sobre nós, o que tornava tudo ainda mais difícil e um assassino atrás de nós também não facilitava em nada. Não podíamos entrar na floresta, então apenas procuramos por todos os centímetros que conseguimos.

Eu percebi como Andrew estava apressado e preocupado. Ele estava sobre pressão. Suas sobrancelhas estavam franzidas e seu olhar era duro. Eu havia pedido apenas mais alguns minutos. Não podia perder minhas esperanças. Eu já perdera muitas coisas. Dave não seria a próxima. O simples ato de pensar naquilo fazia os cantos de meus olhos escurecerem e minhas pernas quererem ceder.

– Precisamos ir. Preciso deixar você em segurança.

– Não. – disse baixinho. — Não, não, não.

– Lissa... – Andrew repousou a mão em meu ombro.

– Dave! – gritei. – Dave!

Uma silhueta se formou na neblina escura, no começo da rua. Se aproximando devagar e nossa direção. Minha primeira reação foi dar um passo para trás e Andrew se posicionou ao meu lado.

Até que finalmente, cabelos negros e olhos azuis tomaram forma. Dave carregava uma caixa de isopor na mão, provavelmente com as bebidas que foi buscar. Quando me viu seus lábios se curvaram, mas ao ver minha expressão o sorriso se desmanchou. Ele colocou a caixa no chão e corri até ele.

– Graças a Deus, eu te achei.

Joguei meus braços ao redor de seu pescoço, antes que Dave pudesse dizer qualquer coisa. Ele ficou rígido nos primeiros segundos, sem entender. Então seu corpo relaxou e me apertou junto ao seu peito. Eu apenas queria senti-lo sólido, quente nos meus braços.

– O que aconteceu? – Dave murmurou. – Você está tremendo.

Afastei-me dele, mesmo não querendo.

– Dave, me escute. – fitei seu olhar sério. — Há algo na floresta. Um predador. Você precisa ir embora.

– Mas e a festa?

– Não sei. Ligue para alguém que esteja lá e mandem ir embora. – suspirei. – Por favor, Dave. Faça isso, por mim.

Ele assentiu.

– Mas e você?

Desviei o olhar e mordi o lábio, com medo de sua reação.

– Eu vou com Andrew. – respondi.

– Tem certeza disso?

– Sim. Ele só vai me deixar em casa.

Dave pareceu desconfiado, mas concordou.

– Está bem.

– Eu ligo pra você amanhã, ok? – sussurrei.

Dave abriu um pequeno sorriso e depositou um beijo em minha testa. Aquilo foi desconfortável o suficiente – levando em conta que Andrew estava atrás de nós – então não prolonguei o momento.

– Tome cuidado. – falei.

Lancei um último sorriso para Dave e deixei Andrew me guiar até seu carro. Assim que entramos um calor reconfortante nos envolveu. Era como se eu tivesse sido recebida por uma voz sussurrando “Sim, tudo vai ficar bem”. Isso se concretizou quando Andrew ligou para Steven, afirmando que estávamos bem. Então fomos para casa.

Andrew parou o carro no meio fio e desligou o motor. Imediatamente, um silêncio caótico recaiu sobre nós.

– Então... – ele mediu suas palavras e simplesmente disse. — Chegamos.

– Desculpe pela bagunça, vou tentar não ser um ímã para problemas.

Abri um sorriso tímido.

– Isso é meio impossível. — ele disse.

Andrew olhou em minha direção e o sorriso torto – que há muito tempo eu não via — se formou em seus lábios. Em poucos minutos estávamos dando pequenas risadas. E eu não sabia por quê. Não havia nenhum motivo específico, apenas o ar de mais um dia sobrevivido.

Quando os risos se cessaram, Andrew me fitou, e no fundo de seus olhos pude perceber uma pequena centelha de felicidade. Naquele momento eu poderia dizê-lo que ainda o amava, mas as únicas palavras que saíram de minha boca foram:

– Preciso ir.

Notas finais
Sei que muitos gostaram e outros vão querer cortar a minha cabeça fora - e a da Lissa - mas o beijo lisave foi necessário, entendam por favor! Apesar de meu coração ser eternamente lisdrew, tive que dar uma chance pro Dave hahaha Espero que tenham gostado e comentem!