Into Your Arms
8 Capítulo 7
Notas iniciais
A luz sufocada do dia nublado acabou me acordando. Fiquei deitada com as mãos nos olhos, grogue e confusa. Eu gemi e rolei na cama, esperando que o sono voltasse, mas a noite anterior me invadiu, fazendo-me dar um pulo, ficando sentada na cama. Minha cabeça girou atordoada e um turbilhão de pensamentos me envolveram.
Não querendo pensar em nada daquilo agora, me dirigi ao banheiro para tomar um banho. Deixei a água escorrer por meu corpo durante alguns minutos me fazendo relaxar. Eu tentei, mas a parte de mim que lutava para relembrar meu beijo com Andrew, ganhou. Seus lábios cheios roçando delicadamente o meu, o toque de sua mão quente em meu cabelo, seu cheiro... Tudo me induzia a ele.
Pensar em Andrew me fez abrir um sorriso. Eu tinha afirmado à Ashley e Sarah que não estava apaixonada, mas agora... Como poderia mentir se esse sentimento me tomava por inteiro? De qualquer forma, eu precisava questioná-lo. Eu sempre fui tão curiosa em relação a ele, mas de certa forma o conhecia tão pouco.
Sai do banheiro e coloquei um short e um moletom, deixando a toalha enrolada em meu cabelo. Fui até o criado mudo, buscando por meu celular, mas não estava ali. Olhei por minha cama sacudindo a coberta, até me dar conta de uma coisa. Bati com a mão na testa lembrando que o havia esquecido dentro do carro de Andrew.
Desci as escadas bufando. Quando cheguei à cozinha, percebi que minha tia já estava preparando o almoço. Ela olhou para mim abrindo um sorriso.
– Pelo visto a festa foi boa hein?
A encarei intrigada e ela indicou com a cabeça o relógio. Marcava 11h30min. É, talvez eu tivesse dormido um pouco mais que o costume. Olhei para ela novamente, abrindo um sorriso tímido.
– É, foi legal. Dançamos, nos divertimos...
– Foi bom você ter saído. E como estava Sarah, Ashley?
– Sarah e eu ficamos maior parte do tempo juntas, e Brian, o dono da festa, acabou com nossa paciência, o que foi bem engraçado. – Soltei uma leve risada, mas logo fiquei séria de novo. – E Ashley, você sabe, ainda estamos brigadas...
Tia Rose, querendo mudar de assunto, perguntou:
– Eu devo perguntar se Andrew foi ou posso deduzir que o carro que tinha aqui na frente de casa ontem era dele?
– Sim, ele foi. A Sarah ficou mais um tempo na festa. Ela estava com um amigo e eu não quis incomodar. Então ele me deu uma carona.
– Hm. – Tia Rose olhou para mim maliciosa e levantou as sobrancelhas. – E você e Andrew? – Ela disse querendo saber dos detalhes. Como falaria aquilo para minha tia?
Em resposta abri um sorriso querendo dizer “Sim, nós nos beijamos”. Ela entendeu de prontidão e soltou uma leve gargalhada.
– Sabe, eu aprovo isso. Quer dizer, seja lá o que for, amizade ou algo a mais. Eu gosto de Andrew.
– Que bom. Porque eu também gosto dele. – Disse com um tom significativo.
– Eu sei disso.
– Como? – Perguntei rindo.
– Seus olhos brilham quando falamos dele. Como agora. – Desviei o olhar, fitando o chão. – Sei que ele não é qualquer um pra você. Sei que gosta dele. – Ela refletiu um pouco e continuou. – Mas... O que vocês dois têm é algo intenso. E não quero que no final você acabe se machucando.
Olhei para tia Rose, séria, pensando no assunto. Eu também não queria acabar me machucando. Sabia que Andrew tinha segredos e tinha medo do que eram e do efeito que isso poderia causar em mim. Eu estava fazendo a coisa certa me aproximando de tal forma dele? Deveria recuar ou apenas me deixar levar?
Tia Rose abriu um sorriso descontraído e ao mesmo tempo respondeu minha pergunta.
– De qualquer forma, aproveite.
– Obrigado tia.
– Pelo o que?
– Ah você sabe. Você tem me ajudado muito no último mês.
– Isso não é nada. Fique sabendo que sempre vou estar aqui ok?
– Uhum. – Falei sorrindo. – E tia... Você soube mais alguma coisa sobre aquele homem do hospital?
– Desculpe querida, eu não soube de nada. – Disse me olhando triste. – Mas acho que você devia esquecer isso.
– Eu sei, mas é que... Eu me sinto na obrigação de saber. Você não acha que... – Medi minhas palavras em duvida sobre a reação de tia Rose. – Que o cara que me salvou fosse o mesmo do hospital?
– O que? – Ela perguntou confusa. – Como assim o cara que te salvou? O que você quer dizer com isso?
– Eu não me lembro como e nem quem era, mas sei que alguém me salvou. Alguém me tirou de lá. E não estou me referindo a bombeiros e policiais. Então acho que existe a possibilidade de ser o mesmo cara. Eu...
– Calma, calma, calma. Você nunca me contou sobre isso. Sobre se lembrar de que um homem a salvou. Por quê?
– Eu não sei. Eu estava confusa quando voltei do hospital, não entendia nada que tinha acontecido e na semana passada, a imagem me veio à cabeça... Esclarecendo um pouco as coisas. E naquele dia eu decidi ir à delegacia. – Tia Rose me olhou perplexa, mas continuei — Havia chegado à conclusão que o tal homem devia ter ligado a polícia. Escutei a gravação a comparando com a voz do quarto de hospital e então...
Minha tia continuou me encarando, tentando entender a situação. E finalmente disse:
– Então é isso... Você acha que o homem que talvez salvou você, e que você não se lembra de quem é, a visitava no hospital.
– Uhum.
– Tudo bem. – Ela falou mais pra si mesma e soltou um suspiro pesado. – E o que você pretende fazer?
– Esse é o problema... Eu não sei.
– Você está perdida no meio disso tudo! – Tia Rose exclamou. – Não leve isso a sério... Tem que agradecer por estar viva!
– Mas e se...
– Chega tudo bem? – Disse me interrompendo. – Não fique com isso na cabeça. Só irá te fazer mal.
Fiquei em silêncio, encerrando o assunto. Continuei com minha tia na cozinha apenas observando ela terminar o almoço. Servimos-nos sem falar nada. Comi rapidamente e logo depois a ajudei com a louça.
Subi para meu quarto e sem ter nada para fazer, liguei o computador, procurando por algo novo. Olhei meu e-mail e minhas redes socias, que estavam parcialmente abandonadas. Checando as novas atualizações, percebi que havia fotos da festa de Brian. Abri o álbum, conferindo as fotos. Havia uma minha e de Sarah juntas e no final da pasta, para minha surpresa, havia uma minha com Andrew indo para o estacionamento – de mãos dadas. Observei a foto atentamente e a salvei. Então me dei conta de algo... Se essas fotos estavam aqui, com certeza tinham sido postadas no site da escola. Acho que o nome correto para aquilo era site de fofoca. Tudo sobre todos os alunos era compartilhado lá, o que rendia – muitas vezes – comentários maldosos. E isso não era o pior. Ashley era uma das moderadoras do site. Eu podia ser sua amiga, mas duvidava que fosse me poupar daquela foto.
Entrei no site e fui direto ao marcador “eventos”. Rolei a página procurando pelas fotos da festa de Brian. Cliquei na minha foto com Andrew que abriu em outra guia, onde tinha acesso aos comentários. Além de “É Lissa H.?” “Quem é esse?” “Novo casal da escola!”, havia o principal, o da moderadora. Que dizia “Par perfeito ou caridade?”.
Eu não podia acreditar. Ashley agora achava que eu estava com Andrew por pena? O que diabos ela tinha na cabeça? Queria comentar a foto, mas sem querer causar nenhuma briga em público, mandei um e-mail dizendo “Par perfeito”.
Levantei da cadeira ainda indignada e fui para o andar inferior. Encontrei minha tia com uma roupa esportiva.
– Aonde você vai? – Perguntei, tentando não transparecer minha raiva.
– Caminhar um pouco, dar uma volta pela cidade. – Ela me observou. – Você está bem?
– Sim. São só uns problemas com Ashley. – Falei me jogando no sofá.
– Vai ficar em casa?
– Acho que sim.
– Está bem. Qualquer coisa me liga.
– Ta, tchau.
Minha tia saiu da sala abanando para mim. A escutei abrir a porta e sua voz ecoou no hall de entrada.
– Andrew?!
Congelei.
– Srta. Hathaway.
– O que o trás aqui? – Falou tia Rose surpresa.
– Eu só vim entregar o celular que Lissa esqueceu no meu carro... Ontem à noite.
– Ah claro, vou chamá-la.
Levantei-me em um pulo e minha tia apareceu na sala com um sorriso. Ela percebeu que eu havia escutado a conversa e caminhamos de volta a porta.
– Oi – Andrew disse com um sorriso no rosto.
– Oi. – Simplesmente falei, retribuindo o sorriso.
– Bom, eu vou indo. – Disse tia Rose. Andrew abriu espaço na porta para ela passar, sem desviar os olhos de mim. Seu olhar tinha uma intensidade que nunca vira em outra pessoa.
– Entre.
Ele fez o que eu pedi e estendeu a mão mostrando o celular.
– Eu vim te entregar isso.
– Ah obrigada. – Falei pegando o mesmo.
– E também serviu como uma ótima desculpa para vim te visitar.
– É, acho que foi bom eu ter esquecido. – Ele riu. – Vamos subir?
Andrew assentiu com a cabeça e subimos os degraus, chegando ao meu quarto. Ele atravessou o cômodo e deitou em minha cama, apoiando os braços na cabeça.
– Isso é invasão de privacidade sabia?
– Vai me processar? – Andrew abriu um sorriso torto.
Eu o fuzilei, contendo um sorriso. Apoiei-me na escrivaninha, colocando o celular perto do computador. Andrew cerrou os olhos e se levantou, ficando sentado na cama. Segui seu olhar, percebendo que nossa foto, no site da escola, estava aberta.
– Que foto é essa? – Disse puxando a cadeira. Eu o segurei, protestando. Não queria que ele lesse os comentários. Mas como era mais forte que eu, segurou meu pulso, delicadamente me afastando. Andrew sentou-se e seus olhos acompanharam os comentários. Logo depois ele fechou a página e ficou em pé de costa pra mim.
– Ashley tem razão.
– O quê?!
– Não estou me referindo aos comentários idiotas, mas sim à aquele dia no refeitório. – Andrew se virou e continuou. – Você sempre teve amigos e eu... Eu não sou nada.
– E você acha que eu me importo com isso?
– Deveria se importar, principalmente depois dessa foto. Podem se afastar de você por minha causa.
– Se afastar de mim? Eu não quero aquele tipo de pessoa sendo meus amigos! – Eu estava histérica. — Você sabe que eu não sou daquele jeito!
– Do mesmo modo, você merece algo melhor que eu. Ashley tem razão. – Ele repetiu.
– Não diga isso. – Me aproximei.
– Mas esse não é o único problema. Você brigou com Ashley, vocês não se falaram mais, por minha causa.
– Porque ela estava errada! Ela sempre quis que eu ficasse com Matt, mas ela não entende que eu mudei, ela...
– Você deveria se afastar de mim. – Andrew sussurrou, me interrompendo.
Eu o encarei e diminui a distância entre nós. Segurei seu rosto entre as mãos, fazendo-o olhar para mim.
– Não dá. É tarde demais pra isso.
Andrew se aproximou e nossos lábios se encontraram. Sua mão repousou em minha cintura e a minha, que até então estava em seu rosto, enlaçou seu pescoço. Foi um beijo calmo, apenas como se dependêssemos daquilo.
Afastei-me, ainda mantendo nossos rostos próximos.
– Nunca mais diga isso. – Andrew disse.
– Mas é a verdade.
Sentei na beirada da cama e Andrew começou a perambular por meu quarto.
– É a segunda vez que está no meu quarto, ainda por cima mexendo nas minhas coisas e eu nem sei onde você mora.
– É um lugar meio... Isolado. – Olhei curiosa para Andrew, querendo saber mais. – Ideia do meu tio. Ele não quis chamar atenção. Mesmo sendo uma cidade grande, ele gosta de sua privacidade.
– Você sempre morou com ele? Com seu tio?
– Minha vida toda, praticamente.
– O que aconteceu com seus pais?
– Eles morreram... – Andrew pigarreou. – A alguns anos atrás. Mais alguma pergunta? – Ele disse sorrindo.
– Me desculpe. – Falei abrindo um sorriso tímido.
– Não, eu entendo. Sei que está querendo conhecer mais da minha vida, mas há coisas... Que não posso te contar.
– Você sabe que me pode falar sobre tudo.
– Não sobre isso.
– Tem a ver com você ser alguém que eu pense que não seja. – Ele apenas assentiu. – Por esse motivo devia me contar.
– Eu sinto muito Lissa, mas simplesmente não posso.
– Está bem, não vamos arruinar mais nosso dia com isso. – Falei mais para mim mesma.
Andrew concordou e seguiu até a cômoda, abrindo a primeira gaveta. Observou o que havia dentro, como se fosse encontrar algo interessante. Até que puxou um short curto de pijama com corações. Ele o desdobrou e virou para mim, sua risada ecoando pelo quarto. Peguei o primeiro travesseiro que vi em minha cama e ataquei nele, o acertando em cheio. Ela escorregou por seu rosto e caiu no chão, mostrando seu semblante melindrado.
– Não mexa em minhas coisas! – Falei rindo.
Ele foi se aproximando de mim calmamente, com um sorriso torto no rosto.
– Ei, é bom não tentar nenhuma revanche. Isso está fora de cogitação.
Seu sorriso aumentou e continuou andando em minha direção. Subi em minha cama me afastando. Subitamente, Andrew pulou por cima de mim, me fazendo dar uma risada. Ele trancou meus pulsos em cada lado de minha cabeça, seu rosto a centímetros do meu. Tentei me largar de suas mãos, mas o calor de seu corpo irradiava para o meu.
– Pensei que você fosse uma boa moça. — Andrew sussurrou, seus olhos verdes fixos em mim. Fiquei parada e ele se aproximou, quase tocando meus lábios. Quase.
–Todo mundo sabe onde terminam as boas moças.
Ele afrouxou seu aperto e seus dedos seguiram para meu braço o acariciando, fazendo meu corpo arrepiar. Abriu um sorriso torto, me provocando. Andrew saiu da cama me puxando pela mão.
– Venha, vamos comer alguma coisa.
Descemos até o andar inferior e fomos até a cozinha.
– O que você quer comer? – Perguntou Andrew.
– O que você quer dizer com isso?
– Quer dizer que irei preparar algo para comermos.
– Você? – Abri um sorriso debochado. – Está me dizendo que sabe cozinhar?
– Claro que sei. – Ele disse como se aquilo fosse obvio. – O que você quer?
– Não é você o chefe de cozinha? Me dê uma sugestão. – Andrew pensou por um momento e depois disse:
– Você gosta de panquecas?
– Gosto.
Sentei na cadeira da bancada e o observei indo à geladeira pegar os ingredientes.
– Tem certeza que não quer ajuda?
– Deixe com o chefe. – Disse me jogando uma piscadela.
Ele colocou os ingredientes sobre a pia, começando a receita. Quando a massa da panqueca já estava pronta, Andrew fritou-as, jogando-as para cima com muita facilidade. Observei-o, deslumbrada.
– Impressionada?
– Um pouquinho.
– Quer tentar?
Me levantei indo ao lado de Andrew. Ele colocou a massa já frita na travessa e deitou a outra na frigideira, me entregando. Segurei o cabo da frigideira e olhei para Andrew, insegura.
– Apenas impulsione a frigideira para cima, mas cuide para não jogar a panqueca muito pra cima. Espero que seja boa de mira.
Segui as instruções de Andrew e joguei a panqueca para o alto. Mas ao contrário do que eu estava esperando, a panqueca – e a frigideira – voaram pelo ar e foram ao encontro do chão. Mas antes de tocá-lo, Andrew curvou em direção a panela e a pegou com extrema rapidez, quase surreal.
Ele colocou a frigideira na pia, ao lado da panqueca que havia caído ali. Soltou uma leve gargalhada, mas eu o encarava, abismada. Ele parou de rir e perguntou:
– Qual o problema?
– Como você... Como pegou a frigideira?
– Não foi nada.
– Não pareceu nada.
– Tenho um ótimo reflexo Lissa, simples.
Tolerei sua explicação, sabendo que não receberia outra. Olhei para a cozinha e depois para ele, percebendo o tamanho do estrago. Soltei uma risada e disse:
– Você não devia ter me deixado fazer isso.
– Com toda certeza. – Ele riu.
Andrew terminou as panquecas e eu voltei a me sentar. Depois de um tempo, ele as trouxe, colocando a travessa sobre a mesa. Ele se sentou ao meu lado me entregando uma.
– Experimente. – Ordenou.
Peguei a panqueca de sua mão e a mordi. Definitivamente, era a melhor panqueca que havia comido.
– E então? — Perguntou me encarando.
– Ficou ótima.
Depois de comermos, Andrew levou os pratos até a pia.
– Eu lavo. Você seca. – Falei.
Andrew revirou as gavetas e pegou uma toalha começando a secar a louça que eu já havia lavado. Ao terminar, encostei-me na pia observando Andrew secá-las.
– Nunca imaginei que você soubesse secar uma louça e muito menos fazer comida.
– Tem muitas coisas que você não sabe. – Disse, ficando na minha frente, com um sorriso torto.
– Estou percebendo. – Cruzei os braços.
Seu sorriso torto se transformou em malicioso, o tornando mais irresistível. Ele se aproximou, desgrudando meus braços e pegando minhas mãos.
– Tem muitas coisas que ainda preciso mostrar. – Andrew murmurou.
Mordi o lábio, fazendo Andrew abaixar a boca em direção à minha. Antes de tocá-la, falei:
– Como o que?
– Como isso.
Então sua boca capturou a minha com fervor. Eu nunca havia o beijado daquela forma. Sempre fora suave, mas agora a intensidade havia aumentado. Suas mãos deslizaram por minha cintura, me fazendo colar em seu corpo. O sangue ferveu sob minha pele e enlacei seu pescoço.
O beijo foi envolto por paixão e um súbito toque de desejo. Todos os músculos do meu corpo se despertaram. Andrew agarrou minha cintura, o que me fez bater na bancada da cozinha, fazendo o barulho ecoar pelo cômodo. Seus lábios deixaram minha boca e foram em direção a minha mandíbula e meu pescoço. Ele desgrudou a boca de minha pele, me levantou e me sentou na bancada.
Agora meu rosto estava na mesma altura do dele. O encarei e prendi minha mão em seu cabelo bagunçado. Posicionei-me na ponta da bancada, ficando mais próxima dele, minhas pernas em cada lado de seu corpo. Sem me conter, lancei-me a Andrew, o beijando novamente.
Suas mãos saíram de minha cintura e percorreram a barra do meu moletom. Andrew o subiu e eu larguei seus lábios, permitindo tirá-lo. O moletom passou por minha cabeça revelando uma regata branca e justa. Andrew a analisou e largou o moletom no chão.
Enlacei minhas pernas ao redor de sua cintura e me agarrei a sua boca. Percebendo que eu estava sem ar, Andrew seguiu novamente para meu pescoço, agora mais livre por causa da regata. Seus lábios traçavam um caminho por meu pescoço, me deixando em êxtase. Minha mão viajou por seus braços fortes, seguiram para seu peito e descerem até o final de sua camiseta. Fiz menção de tirá-la. Mas a campainha tocou.
Eu não queria largar do calor de seu corpo, nem deixar aquela sensação ir embora. Mas precisava atender a porta. Infelizmente.
– Andrew, eu preciso... Atender a porta. – Falei com a respiração entrecortada.
Tentei o afastar, mas ele não obedeceu. Ao contrário disso, seus lábios começaram a subir por minha mandíbula e chegaram novamente a minha boca. Não protestei.
A campainha tocou novamente, e dessa vez o empurrei.
– Preciso atender.
Andrew me encarou e soltou um gemido de desgosto. Enterrou sua cabeça em meu pescoço, ainda segurando minha cintura firmemente. Passei a mão em seu cabelo, tentando acalmar nossas respirações.
O som da campainha invadiu a casa e segurei nos ombros de Andrew para descer do balcão.
– Já volto.
Sai da cozinha apressada, mas minhas pernas ainda estavam bambas. Abri a porta e vi a pessoa que menos queria ver nesse momento.
Matt.
Arrependendo-me por ter aberto a porta, fechei-a em sua cara, mas ele a segurou. A abri novamente, mostrando seu rosto aborrecido.
– Lissa, eu...
– Você o que? Veio se desculpar, pensando que eu seria burra o bastante para aceitar isso de novo?
– Sim, quer dizer... Não! Eu vim me desculpar, mas não do jeito que você está imaginando. – Matt continuou, sem deixar chances de eu responder. – O que fiz na noite passada foi... Horrível. Nós somos amigos, nunca deveria ter feito aquilo. Eu estava bêbado.
– Sabe, ontem a noite eu pensei a mesma coisa, que você estava apenas bêbado, mas não. Ainda era você.
– Lissa, por favor...
– O que você está fazendo aqui? – A voz grave de Andrew arranhou as paredes. Matt olhou de mim para Andrew, franzindo a testa.
– O que você está fazendo aqui? – Retrucou Matt. – Ah é isso então, vocês estão namorando, não é?
– Isso não é da sua conta. – Falei.
– Essa sua simples resposta confirmou tudo.
– O que você quer? – Grunhiu Andrew.
– Eu vim falar com ela, você não tem nada a ver com isso.
– Se você veio se desculpar pode ir embora. Ela não irá aceitar suas desculpas imbecis.
– Deixe ela responder por si só, você não tem esse direito.
– Você não irá falar com ela. Você não irá tocar um dedo nela. – Disse Andrew dando um passo à frente.
– Virou o cão de guarda agora? – Ele abriu um sorriso debochado, levantando suas sobrancelhas.
– O que você tem na cabeça? Se esqueceu do que fez ontem a noite? Se esqueceu do que quis fazer com ela?
– Por isso vim aqui! Somos amigos desde pequenos, ela me conhece, sabe que nunca faria isso com ela. E afinal, por que estou falando isso? Não devo nenhuma satisfação a você. Vá se ferrar!
Andrew cerrou o punho, andou em direção a Matt e o socou. Quando me dei conta do que estava realmente acontecendo, corri até eles, impedindo a mão de Andrew socar o rosto de Matt novamente. Posicionei-me no meio deles, esticando os braços entre os dois.
– Parem! Agora! – Gritei.
Andrew abaixou a mão e eu os encarei. Primeiro Matt, com um olho roxo e depois para Andrew. Novamente seus olhos escuros estavam presentes. Eu coloquei a mão sobre seu peito o empurrando levemente para trás.
– Está tudo bem. — Sussurrei. Virei-me para ver como estava Matt, mas ele já estava seguindo em direção ao seu carro. Deu partida fazendo os pneus cantarem pela rua silenciosa.
Entramos dentro de casa e Andrew sentou no braço do sofá. Ele abaixou a cabeça e eu me aproximei querendo ver seus olhos. Peguei seu rosto entre as mãos, o levantando. Andrew olhou para mim, seus olhos escuros não deixavam transparecer nada, mas suas mãos continuavam cerradas.
– Acalme-se.
– Como vou me acalmar? Como posso me acalmar? Não entende a gravidade do que ele iria fazer contra sua vontade?
– É claro que entendo, mas passou. Estamos aqui agora. Eu estou protegida. Estou com você. – Falei pegando em sua mão.
Andrew fechou os olhos, respirando fundo algumas vezes antes de abri-los novamente. Quando o fez, não estavam tão escuros, mas ainda não obtinham seu tom suave de sempre.
– Seus olhos... Por quê? – Ele fitou o chão, mas sabia que não podia desviar dessa pergunta.
– Acontece quando fico com raiva ou irritado.
– É uma doença?
– Não, quer dizer, talvez... Eu não sei. – Concluiu Andrew.
Ele me encarou e eu segurei seu olhar.
– Você tem medo? – Andrew sussurrou.
– Não. – Respondi simplesmente.
Andrew pegou em minha cintura, me fazendo aproximar dele. Ele piscou e a ternura de seus olhos voltaram.
– Melhorou?
– Muito.
Depois de alguns segundos em silêncio, falei:
– Obrigada.
– Pelo o que?
– Você sabe... Ontem na festa, hoje com Matt.
Pude notar um pequeno sorriso se formando no canto de seus lábios
– Está tudo bem. Não precisa me agradecer.
– É sério, você tem feito muito por mim.
– Tem uma maneira de você me compensar isso.
– Como?
– Fale com Ashley.
O encarei, esperando ser uma piada. Mas ele não riu.
– O que?
– Agora eu estou falando sério. Não é justo você brigar com ela por minha causa.
– Mas você sabe que o que ela fez foi muito erra...
– Não quero entrar nesse assunto de novo. Só quero que fale com ela.
Ponderei sobre o assunto e respondi:
– Verei o que posso fazer.
Andrew abriu um sorriso vitorioso e inclinou-se para traz. Olhou o relógio da cozinha e disse:
– Tenho que ir.
– Já? – Falei fazendo um biquinho.
– Meu tio está esperando.
– Está bem.
Soltei um suspiro, desvencilhando minha cintura. Andrew se levantou, me seguindo até a porta. Até aquele momento não tinha percebido como já estava tarde. Era o crepúsculo. O sol já estava se pondo, dando lugar a uma noite estrelada. Descemos os degraus da varanda e parei ao chegar no último. Andrew, já no chão, se posicionou a minha frente.
– Te vejo na escola amanhã? – Perguntei.
– Provavelmente sim.
– Provavelmente? Prometa estar lá amanhã.
– Prometo. – Andrew sorriu.
– Até amanhã então. – Falei e sai, indo em direção a porta.
– Lissa? – Ele disse antes de eu pisar no segundo degrau. Me virei e Andrew se inclinou para mim, o rosto glorioso a centímetros do meu. Meu coração palpitou. – Durma bem. – Disse. Seu hálito soprou sobre meu rosto e eu o inalei, estonteada.
Depois ele pegou meu rosto nas mãos e me beijou, seu lábios suaves, movimentando-se nos meus. Nos afastamos um pouco e Andrew sussurrou sobre meus lábios:
– Até amanhã. – Então se virou e caminhou até seu carro.
Entrei em casa ainda atordoada com tudo que havia acontecido. A voz agoniada de Matt pedindo desculpas ainda ecoava em minha cabeça e as mãos de Andrew pressionando minha cintura ainda pareciam estar ali.
Me joguei no sofá até perceber da ausência de tia Rose. Preocupa, peguei o telefone e disquei seu número. No terceiro toque ela atendeu.
– Alô? Lissa?
– Oi tia, sou eu.
– Está tudo bem?
– Sim, só queria saber onde você está.
– Ah me desculpe. Na caminhada acabei encontrando uma amiga, estou na casa dela conversando, e bom, você sabe. Ainda vou demorar um pouco, tudo bem?
– Sem problemas.
– Você está sozinha?
– Andrew estava aqui até agora. – A campainha tocou, me dando um susto. – Tia, tenho que atender a porta, acho que ele deve ter esquecido alguma coisa.
– Ok Lissa, se cuide.
– Beijos.
Desliguei o telefone e fui correndo até a porta com um sorriso. A abri, dizendo:
– Esqueceu alguma coisa?
Meu sorriso desmanchou. Uma figura masculina se encontrava à porta, bem à minha frente. Eu já tinha o visto. Usava novamente roupas pretas. Os olhos eram como órbitas negras, fixos em mim, captando cada movimento meu. Sua boca se ergueu em um sorriso que lembrava de longe, perigo.
– Olá Lissa. – Ele disse.
Notas finais
Enfim, demorou, mas chegou. Espero que tenham gostado! *-----*
E eu queria saber se vocês não estão achando que as coisas estão acontecendo muito rápidas, principalmente a relação da Lissa com o Andrew hahaha é que me empolgo!
Comentem por favor, preciso da opinião de vocês.
Obrigada, beijos :*
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