Into Your Arms
36 Capítulo 35
Brooke correu para Andrew. Minhas mãos largaram ele e me afastei instintivamente. Ela se grudou no pescoço dele, enquanto Andrew se tornava rígido em seus braços. Por alguns instantes ele apenas ficou imóvel, tentando entender o que estava acontecendo, assim como todos da sala. Suas mãos subiram em direção aos ombros de Brooke e antes de afastá-la, o vi enterrar seu rosto no meio dos cabelos castanhos e depois a empurrar delicadamente. Os olhos de Andrew piscaram desorientados e os de Brooke pareciam marejados, enquanto fitava os dele.
O que ela sentia quando os via?
Será que o mundo dela se desintegrava todas as vezes que encarava aqueles olhos verdes?
Assim como acontecia comigo?
E Andrew?
O que ele sentia?
Dei mais um passo para trás e apertei os braços ao redor do corpo com as perguntas rondando minha mente.
– Brooke? – sussurrou Andrew.
– Sim, Andrew. Sou eu. – ela abriu um pequeno sorriso e pegou as mãos deles. — Estou viva.
Ele a encarou veemente.
– Eu senti tanto a sua falta... Tanto!
– Brooke. – Andrew testou a palavra. – Isso é... Eu não sei. Não consigo acreditar.
– Eu estou aqui.
Brooke repousou delicadamente sua mão no rosto de Andrew.
- Como?
– É uma longa história. – ela disse. — Você quer saber?
Andrew assentiu e a guiou até o sofá e nos sentamos. Brooke se virou na direção dele, pouco se importando com a minha presença ou a de Steven e Lincoln.
– Depois da briga entre você e Hunter – Brooke hesitou. – eu acordei. Eu havia tomado o sangue de Hunter um dia atrás, mas eu e tampouco ele, pensou que ainda tivesse efeito. No momento em que acordei na casa de uma mulher, em Salem, no Oregon, sabia que estava em transição. Ela havia me encontrado na rua, supostamente morta, e disse que sabia o que eu era, quando ouviu minha respiração voltar ainda com o ferro em meu peito. Eu perguntei a ela sobre você ou Hunter, mas quando ela chegou ao local, não havia mais ninguém. Apesar da minha gratidão, eu completei a transição. Eu a matei.
Um silêncio pesado tomou conta da sala e um arrepio seguiu por minha espinha.
– Como você me encontrou? – Andrew perguntou.
– Eu sabia que Hunter não deixaria barato. Ele sempre odiou você e aquela foi a gota d’água. Eu passei todos esses anos atrás de vocês. Há alguns anos atrás eu cheguei a New Orleans e foi lá que consegui maiores informações. Soube que você passou alguns anos lá com um amigo. – olhei para Steven. Ele encarava cada movimento de Brooke com um olhar sério, a avaliando. – Disseram que você tinha fugido para o norte. Então percorri praticamente todas as cidades entre Atlanta, Nashville, Chicago e Kansas. Até chegar aqui.
Brooke soltou um suspiro e sorriu para Andrew. Meus dedos começaram a tamborilar em minha perna, impacientes e bufei baixinho.
– Você sabe algo de Hunter? – perguntei.
Brooke me fitou com o cenho franzido como se tivesse percebido minha presença apenas nesse momento. Ergui as sobrancelhas.
– Não. Nunca mais o vi. – respondeu.
– Ele está aqui. – disse Andrew.
Ela virou-se para ele novamente, o olhar suavizado.
– Aqui? Em St. Louis?
Andrew assentiu.
– Ele quer me matar. – disse Andrew — Está me perseguindo há alguns meses.
– Se eu for até ele, talvez pare com isso. – murmurou Brooke.
– Duvido muito. Hunter não irá desistir. Nem eu.
– Andrew! Vocês não podem fazer isso. Eu estou viva. Eu amo vocês e nada disso vale a pena se um acabar morto.
– Brooke, você não entende? Hunter está sedento por vingança e nunca vai parar. Ele nunca me deixará em paz.
– Mas... – ela mexeu no cabelo, nervosa. – Você não pode fazer isso. Eu estou viva...
Levantei-me do sofá num pulo e encarei Brooke, o sangue fervendo em minhas veias.
– Não se trata só de você estar viva! – falei. – O mundo não gira ao seu redor!
– Lissa... — Andrew protestou, porém continuei.
– É mais complicado do que você imagina. Ele está matando pessoas e você quer defendê-lo? Se estiver aqui para isso, pode voltar do lugar de onde veio.
Saí da sala e subi as escadas batendo pé. Parei no segundo lance de escada, assim que escutei as palavras de Brooke.
– Quem é essa sua amiga? Como ela sabe de tudo isso? – perguntou.
– Ela não é minha amiga, Brooke. – disse Andrew. – Lissa é minha namorada.
– Namorada? – sua voz saiu indignada e abri um pequeno sorriso para a parede. – Andrew o que você está fazendo? Ela é uma humana!
– Você também era uma.
– E você está cometendo o mesmo erro. Você sabe bem como as coisas terminaram.
– As coisas não terminaram daquele jeito por você ser uma humana. – retrucou Andrew.
Brooke soltou um suspiro pesado.
– Eu não quero brigar com você. – ela sussurrou. – Eu não sou mais humana, e tudo se tornará mais fácil. – Brooke fez uma breve pausa. — Eu senti tanto a sua falta e...
Continuei a subir as escadas sem querer escutar o que quer que ela tivesse a dizer e em como aquilo iria afetar Andrew. Eu sabia como Brooke havia influenciado na vida dele e parecia que só eu enxergava como aquilo era ruim. Ele sentia falta dela e eu não ficaria aqui para vê-lo demonstrar isso.
Subi até o quarto de Andrew e peguei a bolsa que trouxe com minhas roupas, colocando-a sobre o ombro. Olhei uma última vez para a cama grande e macia a minha frente e sai do quarto, em direção ao corredor.
– Onde você pensa que está indo? – indagou Steven.
Ele parou em minha frente no corredor, me encarando de cima.
– Pra casa. – murmurei.
– Por causa de Brooke?
– Você não vê o que ela está fazendo, dizendo todas aquelas coisas? Parece que quer os dois pra ela e...
Neguei com a cabeça. Um nó se formava em minha garganta e cruzei os braços, apertando-os ao peito.
– Sim, eu vejo, e é bem por esse motivo que você vai ficar. Eu sei que Andrew pode cair nos braços de Brooke, mas você não vai deixar isso acontecer. Ele não irá me escutar, nem Lincoln.
– Na verdade, eu estou escutando tudo. – Andrew entrou no corredor, as mãos enterradas nos bolsos da calça. – Saia daqui. – disse a Steven, dando uma cotovelada em seu braço.
Steven se afastou, encarando Andrew.
– Ah, Lissa. – ele me chamou antes de descer as escadas. – Se isso for ajudar... Eu prefiro você.
Steven me ofereceu um sorriso e retribuí junto com uma piscadela. Ele desceu as escadas, deixando Andrew e eu sozinhos.
Andrew se aproximou de mim sem olhar em meus olhos, e permiti que ele tirasse a bolsa de meus ombros e me abraçasse, subitamente. Os braços firmes ao redor de meu corpo e o rosto enterrado no meio de meus cabelos. Enlacei seu pescoço e o puxei, sua respiração fazendo cócegas em minha clavícula. Suas mãos me ergueram e contornei sua cintura com minhas pernas, me levando ao seu quarto. Andrew deixou minhas pernas voltarem ao chão, entretanto seus braços não me largaram. Ele me prendeu por mais alguns minutos e então se afastou lentamente. Seus olhos me fitavam e desviei o olhar, enquanto ele colocava uma pequena mecha de meu cabelo para trás da orelha.
– Você não vai a lugar nenhum. – murmurou.
Abri a boca para responder, porém minhas palavras foram interrompidas por mãos batendo na porta. Brooke a abriu, apenas com uma pequena toalha enleada ao redor do corpo e os cabelos úmidos bagunçados.
– Andrew, minhas roupas ficaram em minha moto, fora do portão. – disse com um olhar triste e cerrei os olhos, encarando-a.
Andrew a fitou brevemente antes de responder.
– Eu vou pegar uma de Lissa pra você. – ele olhou para mim. – Posso?
Assenti.
Andrew catou um dos pijamas que eu havia colocado na bolsa e entregou para Brooke. Ela abriu um sorriso para Andrew e saiu do quarto.
– E pelo visto, nem ela. – resmunguei, desabando na cama.
Andrew veio até mim, ficando em pé em minha frente, enquanto eu continuava sentada na beirada da cama. Ele pegou minhas mãos entre as suas, num movimento lenitivo, e as encarei enlaçadas.
– Nada vai mudar. – disse.
– Tudo vai mudar. – sussurrei. – Porque é Brooke. A garota que você ainda tem uma foto guardada, que fazia você uma pessoa melhor e que você confiava.
– Mas eu amo você. — ergui a cabeça, olhando em sua direção. – Ela é meu passado. Você é meu presente. — Andrew me puxou da cama e levantei-me, me aproximando de seu rosto. — Confie em mim. Eu sei que será difícil pra você e talvez isso não de certo, porém... Confie em mim.
Assenti, suspirando.
– Prefiro ter esperança com você do que certeza em outro lugar. – eu disse.
Um sorriso brotou no canto de sua boca para depois ele curvar-se e me beijar delicadamente. Suas mãos fazendo uma breve pressão em minha cintura, me puxando e ergui os pés, envolvendo seu pescoço. Sua boca era cálida contra a minha e ele prendeu meu lábio inferior entre os seus e puxou-o. Seu hálito misturou-se ao meu e ficou difícil trazer o ar para dentro de meus pulmões comprimidos.
– Eu te amo, mas... – arfei. – Preciso tomar banho.
Andrew soltou uma risada baixa, o rosto ainda muito próximo do meu.
– Vou te esperar aqui.
Concordei e pressionei meus lábios nos dele novamente. Peguei um pijama em minha bolsa e prendi os cabelos antes de entrar no banheiro de Andrew. Fechei a porta lentamente, apreciando o breve momento em que ele tirava sua roupa. Tomei um banho rápido, escovei os dentes e vesti o pijama sem mangas. Abri a porta e encarei o quarto banhado pela luz da lua. Andrew havia afastado as cortinas e o céu negro era carregado de estrelas flamejantes, se estendendo em nossa frente até sumir entre as árvores.
Deitei-me ao lado de Andrew e sem hesitar, ele me puxou para seus braços. Descansei a cabeça em seu peito nu e me aproximei dele o máximo que pude, tentando me fundir ao seu corpo. Nossas peles, mais claras devido a lua cheia, se confundindo uma a outra.
Encaramos a vista em nossa frente por alguns instantes.
– Minha mãe me disse uma vez que, pessoas especiais não morrem... Elas viram estrelas. – murmurei baixinho. – Você acredita nisso?
– Sim. – respondeu. – Acho que todos nós acabamos indo para algum lugar, senão qual seria a razão para tudo isso? – seus olhos cautelosos vagaram pela janela e depois se fecharam. – Seria bom ir para as estrelas, e bastaria.
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