Elena já estava esperando a cerca de quinze minutos, o que para ela já era já era um cúmulo. Era um abuso Damon deixa-la esperando, já que está, em sua opinião, era uma prerrogativa das mulheres, em seu manual de boa educação pelo menos.

– Mas o que eu podia esperar de um cafajeste como ele? – ela bebericou a champagne que lhe havia sido servida minutos antes – Que ele fosse um cavalheiro somente por que me trouxe num lugar... como este?Invade a casa do meu irmão, me espiona, me chatageia, não se oferece para me pegar e chega atrasado. Mil pontos negativos na tabela de primeiras impressões Damon. Isso não é nada bom.

Ela bebeu mais da champagne e suspirou.

O que estava mesmo fazendo ainda ali?

O cara estava atrasado, não era boa companhia, na verdade, ele a havia forçado a aceitar o convite.

“Não tinha?”

Ela balançou a cabeça como se quisesse espalhar as duvidas que se formavam.

“É claro que ele tinha. Ele ia contar ao Matt...”

“E daí? Eu não devo satisfação ao Matt...”

Ela pareceu entrar em conflito.

– Fala sozinha... Nunca é um bom sinal. — Ela ouviu a voz inconfundivel e sentiu-o segurar sua mão, enquanto a servia. – Geralmente loucos fazem isso. – ele rodeou e sentou-se de frente pra ela com um olhar sacana que era sua marca registrada – apontar armas e atirar objetos também, já pensou em fazer tratamento? Posso indicar um bom especialista.

Ela não conseguiu não sorrir.

Numa situação qualquer ela teria mandado-o ao inferno, afinal ele estava caçoando. Mas desde o primeiro dia ela sabia que não agiria dentro dos padrões, não com aquele enigma de olhos azuis.

– Eu só não o mando para o inferno, por que seria indelicado.

– Não mais indelicado que ma apontar uma arma, mas confesso que a arma foi mais sexy.

– Você é contrabandista?

– perdão?

Ele franziu o cenho diante da pergunta repentina à queima roupa.

– Eu perguntei se era contrabandista.

Ela repetiu calmamente como se perguntasse-lhe as horas.

– Claro que não... por que este tipo de pergunta?

– Bom... vejamos... Você não parece trabalhar, na verdade eu só o vejo jogando videogame... E olha só esse lugar... Estamos no Chez Bruce... Isso significa alguma coisa pra você? E olha este terno...

– Ei, ei calma... vamos por partes... Você acha que eu contrabandeio por que estou no Chez Bruce com você?

– Sim, eu acho.

Ele riu com gosto, riu tanto que chamou a atenção de algumas pessoas na mesa ao lado.

– Você é hilária sabia?

– Você me acha engraçada por que te chamei de bandido? Depois a louca sou eu. Em algumas culturas... As pessoas se ofendem com isso.

– Na minha cultura, isso é um elogio. – ele disse inclinando-se e falando baixo como se fosse um segredo. Em seguida voltou para o lugar – Mas desculpe desaponta-la, eu não sou um contrabandista.

Ela apenas arqueou a sobrancelha.

O garçom aproximou-se e ele fez o pedido pelos dois, recebendo um elogio entusiasmado do homem pelas escolhas que fazia.

– O que exatamente é você? Por que... Uma hora me parece um cafetão de beira de esquina, outra hora me parece o homem mais requintado do mundo.

– E você me parece a mulher mais curiosa da face da terra e acredite, eu conheço mulheres bem curiosas.

– Estou sentada no meio do Chez Bruce com um chantagista, desculpe se tenho duvidas.

– Vou saciar sua curiosidade... Elena... Mas vou fazer isso em respeito a sua... ousadia. Eu...Não sou um contrabandista, na verdade... eu vivo... de uma pequena herança do meu pai. E sobre o terno e o Chez Bruce... Meu primo trabalha aqui e ele me emprestou o terno.

– Seu primo trabalha aqui? – ele afirmou com a cabeça – Onde exatamente?

– Na cozinha. E ele estava me devendo um favor. Se tem uma coisa que eu sei cobrar... é um favor.

– Conseguir uma reserva de ultima hora aqui é algo alem de um simples favor.

– Os homens da minha família aprendem a se virar para pagar suas dividas. Agora... por que não aproveita seu jantar.

Ela o encarou, e ia retrucar que o jantar ainda não havia chegado, mas parou quando viu a sombra do garçom atrás de si.

Eles comeram praticamente em silencio, Elena tentava encontrar uma maneira de saciar suas duvidas, mas Damon era o homem mais esquivo que já tinha conhecido.

Ela se distraiu uns segundos, tentando encontrar as palavras certas para fazer as perguntas que desejava e quando finalmente levantou a cabeça com a frase pronta surpreendeu-se com ele ao seu lado.

– Dance comigo. – ele disse estendendo-lhe a mão.

– Você dança?

Ele a levou até o meio do salão.

– Sou o melhor.

– Querendo me impressionar Salvatore?

– Não! Eu queria te impressionar quando você chegou. – ele suspendeu as palavras um segundo e lhe ofereceu um sorriso – Agora eu quero seduzir você.

Ela sentiu o coração bater mais rápido e as pernas fraquejaram durante breves segundos.

Encontrou o apoio que precisava segurando em seu pescoço com mais força do que gostaria.

Ela estava excitada. Cada gesto, cada pequeno gesto daquele homem enigmático estava mergulhando-a num abismo de desejo nunca antes experimentado.

Elena não era uma mulher reprimida, nunca fora. Tinha uma sexualidade bastante desenvolvida e era bem resolvida consigo mesma. Já estivera em situações parecidas, mas não naquela intensidade.

Ele a segurou contra si e começou os passos devagar, ela não fazia ideia de como se dançava, nunca havia sido convidada para dançar tango, mas nos braços dele, parecia até fácil demais.

A cabeça entrou em curto, não conseguia mais pensar com clareza. Ele estava sendo tão piegas, mas tão... Convincente.

Quando despertou dos pensamentos ele estava bem próximo de beija-la. E ela queria. Queria muito.

Aquilo a assustou.

Ela desviou a tempo de evitar o beijo. Precisava impor as regras do seu jogo antes que fosse tarde.

– Pode parar garotão. As coisas não funcionam deste jeito comigo.

– E como elas funcionam?

Ele disse em seu ouvido e isso a fez arrepiar-se. Não conseguiria resistir muito mais.

Não havia por que resistir havia? Era livre, independente, e ela queria... Em outras situações não hesitaria, não entendia por que estava com medo.

– Com certeza não é sendo previsível.

Respondeu tentando manter o tom de voz seguro.

Ele sorriu como um verdadeiro cafajeste.


– O que você quer de mim Modesty Blaise?

Elena sorriu e se aproximou dele o suficiente para que ele pudesse lhe sentir a respiração.

– Surpreenda-me.

Alma Gêmeas ...

Não é grande coisa, sabe? O encontro das almas gêmeas. A princípio, é só um encontro comum como todos os outros. Duas pessoas, um olhar, talvez um sorriso. Nada demais. Bem, pra nós humanos não é nada demais. Existem coisas que nós vemos que o coração vê de outro jeito. Quando duas almas gêmeas se encontram, para o mundo, pode parecer mais um ínfimo fenômeno desinteressante no cosmo. Mas pros corações. Para essas almas. É tudo. Duas pessoas, um olhar, talvez um sorriso. Uma metade encontra a outra.

(Lucas Faial Soneghet)

Notas finais
Oi meninas mais um capitulo espero que gostem e que não me matem por ter parado ai.. Gostaria de fazer uma pergunta e seria muito bom se me respondessem... Preferem a fic com fotos e Gifs ou sem? Bjs vejo vcs no proximo