Intimidade
8 Descobertas
Notas iniciais
– Finalmente você chegou! Estava se escondendo de mim Colin Creevey?
Elena se aproximou e abraçou o amigo de anos. Colin estava mais magro, parecia abatido, muito pálido e absurdamente mais alto que da ultima vez que se viram.
– Estou sim Lena, lembra quanto eu perdi pra você no poker da ultima vez? Não tenho a grana.
Elena sorriu.
– Seu idiota.
– Senti sua falta.
– também senti a sua Coll.
– Mentira Elena… Você nem liga mais pra mim.
Eles sentaram e foram servidos.
– Não seja bobo Colin Creevey, você é meu melhor amigo.
Ele sorriu, mas a sombra da tristeza era obvia. Ela preferiu imaginar que aquelas olheiras fundas e aquele brilho depressivo nos olhos eram apenas resultados de uma viagem longa e cansativa.
– Como está sendo na LCC?
– Absurdamente cansativo, por causa da faculdade, mas é gratificante fazer o que a gente gosta.
Colin riu fraco.
– Imagino.
– Quando você vai se juntar a nós Coll? Só falta você. Estamos trabalhando juntos como sempre sonhamos, Jeremy, Matt e eu, só falta você.
– Eu... Estou me preparando para este caso, ele é grande não é mesmo?
Elena riu empolgada, mal conseguiu perceber a angustia nos olhos dele.
– Sim, muito grande, pode ser a ascensão de nossas carreiras.
– Você tem razão sabe? – ele disse animando um pouco a voz e pegou a bolsa que estava ao lado do sofá. Tirou uma pasta de dentro – Eu sou seu amigo.
– Ah é?
– É eu sou um amigão. E por isso eu te trouxe um presente.
–O que é?
– Advinha?
– Ah vamos lá Coll, sou péssima em adivinhações e sou ansiosa, não me faça esperar, o que é?
Ele estendeu a pasta.
– Caso Salvatore. Dossiê investigativo completo.
Elena arregalou os olhos.
– Completo, tipo... Completo?
– Direto do cofre do papai.
– Coll...
– Ah, qual é Elena. Fodam-se os testes do meu pai, do Sommers e do Donovan , vocês são bons. Pais devem acreditar nos filhos e não ficar pondo-os à prova como eles estão fazendo. Quanto mais preparados estiverem, melhor atuarão.
– Puta que pariu Colin Creevey, eu te amo!
Colin riu e desta vez, pareceu ser de verdade.
– É, eu também te amo. Toma. Seja feliz.
Elena segurou a pasta e a abriu ansiosa como uma criança que recebe o que pediu de natal. Ela desfrutou os segundos iniciais daquilo deliciada, mas só durou até que virasse a primeira página.
Até ela ver a foto no inicio do dossiê.
O coração de Elena quase parou.
O nome era tão comum, tão absurdamente comum que ela nunca ligou uma pessoa a outra. Como assim Damon Giuseppe Salvatore, o magnata hoteleiro jogava PS2 na casa do seu tio?
Como assim seu tio era o melhor amigo de um dos homens mais poderosos da Inglaterra?
Não costumava se menosprezar, nunca o fizera, mas a realidade era uma só. Eram Gilbert’s,por mais que Alaric não carregue o sobrenome ele não deixava de ser um simples Gilbert.
Apesar das dificuldades, os Gilbert’s eram pessoas alegres e prestativas e cativavam muitos amigos. Mas isto não mudava seu status social.
Ric era apenas um arquiteto praticamente em inicio de carreira e ela ainda era uma aspirante a advogada criminal.
Nada disso fazia sentido quando o caminho cruzava o de Damon Salvatore. Principalmente como o dela havia cruzado.
– Elena... Elena você tá bem?
Ela finalmente lembrou-se de onde estava e com quem estava, torceu para não ter dito nada ou pelo menos nada constrangedor.
– Oi?
– Elena você tá sentindo alguma coisa? Você ficou pálida de repente... Quer tomar algo?
– Não! – ela disse rápido. Mais rápido do que gostaria. – Não eu... Preciso ir Coll.
– Mas... Lena...
– Eu lembrei que... tenho... um compromisso importante, eu... preciso mesmo... Você me liga?
– Lena... não... Você vai embora assim? Não tá me parecendo muito bem, quer que eu chame alguém? Quer que eu chame o Matt?
– NÃO! — Rápido demais, enfático demais, decidido demais, tarde demais. Mesmo assim ela tentou se conter e suavizou a expressão. – Não é necessário Coll, eu estou bem, de verdade, tomei um susto por que lembrei que esqueci o trabalho da faculdade, tenho só algumas horas agora para copiar trinta paginas do código penal.
– Ah...
– Além disso, Matt está ocupado.
– tem certeza?
– Tenho, tenho sim amor. Vem aqui. — Elena o abraçou e deu-lhe um beijo no rosto. – Não suma Colin, isto é uma ordem.
Ele sorriu e ela piscou antes de sair.
Elena caminhou apressadamente enquanto discava furiosamente o numero que Damon havia lhe dado, mas ia direto para a secretária eletrônica.
Isso só fez a raiva aumentar ainda mais.
– Desgraçado, filho de uma puta. Filho de uma cadela. Nojento! Isso não ai ficar assim Salvatore! Uma porra que vai!
Ela tomou o primeiro taxi e rumou para casa. O plano era bem simples, pegaria sua arma e o encontraria nem que fosse ao inferno, o confrontaria com a verdade, cobraria uma explicação por quase um mês de sexo e mentiras e depois acertaria uma bala bem no meio da sua testa.
Raiva, não chegava nem perto de definir o que Elena estava sentindo.
Ela estava tão cega pela raiva que não percebeu o homem deitado em seu sofá completamente bagunçado. Apenas entrou e bateu a porta com muita força.
– Uau! Quem te mordeu Modesty?
Um monstro rugiu dentro dela ao ouvir a voz de Damon. Era um sentimento tão forte que a assustava, não era só raiva, era uma mistura de decepção, frustração, raiva dele, de si mesma e incredulidade.
– Você...
Ela não terminou a frase por que sua garganta secou de raiva, mas Damon não pareceu perceber.
– Eu? Não mesmo, têm uns três dias que eu não te mordo. Anda com tanta saudade assim que tá até sonhando comigo?
Elena estreitou os olhos e trincou os dentes da boca. Seu rosto ficou vermelho, as narinas abriram, só Damon não parecia perceber o perigo.
– Cadê o Ric?
– Precisou ir ao apartamento do síndico, uma reunião de emergência ou algo assim, mas...
– Quem... é... você?
Ele franziu a testa, parecendo pela primeira vez confuso ao ser interrompido.
– Como assim? Ficou doida?
– Quero saber quem é você Damon Salvatore, e quero saber agora.
– Você acabou de dizer meu nome, andou bebendo Elena?
– Talvez sim! – ela jogou a pasta no colo dele – Abra esta merda e me diga que eu estou vendo demais quando vejo a sua cara ligada a este maldito nome!
Damon abriu a pasta e sua face ficou tensa.
– Hum... isso.
– E então? Você vai me dizer quem é Damon Giuseppe?
– Não preciso. Você sabe quem é você está olhando pra ele.
Ela sentiu o coração bater mais forte.
– Seu...filho...da...puta... Por acaso esqueceu de comentar sobre este detalhe sórdido comigo?
– Não acho que nada daqui lhe diz respeito.
– NÃO ME DIZ RESPEITO? NÃO DIZ? ENTÃO DEIXE CLAREAR SUA MEMÓRIA SEU DESGRAÇADO ESNOBE, EU ESTOU NO SEU CASO, EU ESTOU NA EQUIPE RESPONSAVEL POR TENTAR MANDAR VOCÊ PRA JAULA. AINDA ACHA QUE NÃO ME DIZ RESPEITO?
– Se você se acalmar pode ser que...
– FODA-SE! EU NÃO VOU ME ACALMAR. EU NÃO ACREDITO NISSO!
– Elena...
– Você fez de propósito não é Damon? Aproximou-se de mim para boicotar a investigação?
A expressão dele mudou muito de repente, ficou sombria.
– Você acha? É isso que acha? Quantas vezes eu perguntei ou mencionei a porcaria do seu caso?
– Talvez estivesse esperando a melhor oportunidade pra isso. Quando eu tivesse apaixonada por você...
Ele gargalhou interrompendo-a.
– É mesmo? Você, apaixonada por mim? Deixa eu te contar um segredo sua menina petulante, eu não preciso disso, você quer saber por que? Eu tenho a melhor defesa do mundo reunida no meu escritório num estalar de dedos. Eu não preciso extrair informações de você para me defender, posso comprar os melhores detetives que você imaginar, posso comprar seu chefe, posso comprar o tribunal inteiro. Sua agencia vem tentando me pegar a anos e eu sempre reduzo cada caso deles a pó. Cada mísero caso. Não tenho medo de tribunal, nem de jaula, se um dia eu ficar em uma, vai ser muito cinco estrelas, pode apostar. Então pode comemorar, me aproximei de você por que gosto do seu traseiro.
– Seu... porco... nojento...
Ela tentou acertá-lo, mas Damon mostrou um reflexo assustador, segurando facilmente seu punho, evitando um tapa e posteriormente um soco.
– É isso? Tudo o que consegue? Vamos lá Elena, tenho certeza que tem mais força ai dentro de você.
– Vá…
– Me foder… Eu sei, este parece ser o seu lema.
– Ridículo.
– Você não está usando toda a sua força Gilbert, não é? Por quê? Está com medo?
– Medo de você? Não me faça rir.
– Sim, você tem medo… Medo do que sente. Eu vi tanta raiva nos seus olhos quando chegou aqui, mas ainda assim tem algo aqui dentro que não te permite me atacar. Não é me machucar que você quer.
– Não…
– Posso provar…
Então ele a beijou. Mas não foi um beijo de assalto como todas as outras vezes que ele quis testá-la. Não foi uma imposição. Desta vez ele foi sutil, tão sutil que sequer parecia Damon Salvatore.
Ele se aproximou devagar, muito devagar, como se quisesse lhe mostrar que ela tinha escolha, que desta vez ele não forçaria nada, mas que mesmo assim ela não fugiria, iria direto para seus braços.
Ele sorriu com a falta de resistência de Elena. Conseguiu se aproximar sem problemas, unir os lábios dos dois e provocá-la com a boca.
– Eu sei exatamente o que você deseja…
Ela queria evitar, queria muito, mas alguma coisa acontecia dentro do seu corpo e não havia como evitar. Ele tinha vontade própria e era uma vontade muito determinada. Seu cérebro era muito especifico com as ordens.
Ela deveria chutá-lo no meio das pernas, entrar em seu quarto, pegar sua 22 e acertá-lo bem no meio da testa. Mas o que fez foi exatamente o contrário. Derreteu nos braços dele como se houvesse sido feita para isso.
O beijo durou... Muito... Tempo suficiente para desligar seu cérebro e conectar outras partes do corpo. Tempo suficiente para que Elena se rendesse e ambos ficassem excitados, mas também tempo o suficiente para Ric voltar para casa.
O barulho da chave na porta foi como um estalo na cabeça dos dois. E eles se separaram e sentaram um ao lado do outro no sofá.
Ric parou na porta com um prato de doces na mão, observando-os, intrigado e confuso.
– Vocês dois... estão bem?
– Estamos.
– Estamos.
Eles responderam ao mesmo tempo.
– Vocês brigaram?
– Não.
– Não.
– Tem certeza?Ninguém tá sangrando? Faltando um pedaço? Um dente? Nada?
Eles concordaram com as cabeças.
– Ótimo. Querem?
Ele ofereceu, sentando-se entre os dois.
– Não.
– Não.
– O que está acontecendo com vocês dois? Combinaram de falar igual? Não tem graça.
– Ninguém combinou nada meu chapa, a questão é que ninguém é louco nem esfomeado como você, para aceitar os bolinhos da morte da sua vizinha.
Damon disse tentando desviar a atenção do amigo da face tensa de Elena.
– Não fale assim da Sra. Figg, ela é uma excelente cozinheira e gosta de me dar bolinhos.
– Eu posso saber que bagunça é essa nesta sala Sr. Saltzman?
Elena disse de repente, puxando um fio de baixo da perna do tio.
– É que... Damon e eu...
– EI! Peraí! – Damon o interrompeu – Vai dar mesmo satisfação. Este é seu apartamento.
Elena estreitou os olhos e Ric fez uma cara assustada.
– Damon...
– Eu vivo aqui também! Não vou viver num chiqueiro por que vocês acham que é prerrogativa de todo macho ser nojento.
– Calma Elena, nós... – Alaric tentou, mas eles não pareciam estar ouvindo.
– Você tá me chamando de nojento Modesty Blaise?
– A carapuça serviu porco espinho?
– Damon eu não gosto que você chame minha sobrinha de Modesty Blaise...
– Sua sobrinha é muito hilária, sabia Ric?
– Hilária é a pu...
– VAMO PARAR COM ESSA PORRA AQUI? NÃO TO CURTINDO O DEJA VU! DA ULTIMA VEZ TERMINOU COM MINHA SOBRINHA SEMINUA E VOCÊ COM AS BOLAS ACHATADAS. JÁ CHEGA! VOCÊS NÃO CONSEGUEM PASSAR 10 MINUTOS SEM SE MATAR. CADÊ A CONSIDERAÇÃO?
Elena e Damon estagnaram no mesmo momento olhando um para o outro e então para Ric. A morena baixou a cabeça enquanto Damon se aproximou do amigo.
– Foi mau cara.
– Tudo bem deixa isso pra lá. Olha só, vou me arrumar, vou sair mais tarde, não quero...
– Como assim sair? — Damon perguntou tão indignado que Elena o olhou espantada – Como assim você vai sair? E a sua festa?
– QUE FESTA?!
– QUE FESTA?!
Os dois perguntaram ao mesmo tempo.
Damon rolou os olhos.
– Hoje é seu aniversário Ric, vai ter festa, como todo ano, já mandei até os convites.
– VOCÊ O QUE? Não... Não Damon, mas hoje é... sábado, não podemos... não posso...
– É seu aniversário Ric? – Elena perguntou assustada.
– Grande sobrinha. – Damon disse baixo.
– Eu ouvi isso! – ela retrucou.
– NÃO COMECEM! — Ric gritou – Damon desmarca, eu não posso... eu tenho...
– Mas Ric, eu já mandei os convites, todos os seus amigos da empresa vão estar aqui...
– Todos? Como assim todos?
– Todos ora essa, eu mandei convite para todos. Menos o McLanche, por que não rola, mas toda sua equipe vai vir.
– E como você tem certeza que todo mundo vem?
– por que todos confirmaram.
– Você tem certeza?
– Claro que tenho, você bebeu?
– Não, eu só... quero ter certeza por que eu marquei um... Uma reunião e não quero ser chamado de traiçoeiro por que deixei alguém de fora.
– Não se preocupe com isso, eu sei muito bem organizar uma festa. Vem todo mundo, sua equipe inteira, confirmei com o mestre de obras e a equipe dele, todos os arquitetos, alguns dos seus superiores e as delicias do setor de design. E cara! Que aparição é aquela decoradora nova da shacklebolt?
Pareceu ensaiado quando Elena e Ric fizeram a mesma expressão assassina para Damon.
– Quem?
Eles perguntaram juntos, mas Damon ignorou Elena de propósito.
– A chefe de design de interiores, Jenna... Que Mulher. Ela parece com aquela sereia do seu desenho... Ela vem, convidei pessoalmente, claro, eu não ia perder a oportunidade...
Quanto mais Damon tagarelava, mais os dois iam ficando possessos, ele estava adorando as feições assassinas de Elena, mas ainda não tinha reparado em Ric.
– Ela aceitou o convite?
– Mas é claro que aceitou. Olá Ric, você está falando comigo amigão.
– Isso é tão... primitivo. – Elena resmungou.
– Bem vinda à selva gatinha. – Damon retrucou.
Ric parecia ocupado demais decidindo como se livraria da festa antes do fim e fugiria com Jenna. Pelo menos ela estaria lá.
Ele só precisava do timming certo para fugir com ela sem ninguém perceber.
– Você ta ouvindo Ric?
Ele saiu do transe no susto.
– Oi? Que?
– Vamos indo, precisamos pegar tudo o que foi encomendado ou não vai dar tempo.
– Como assim? Onde a gente vai?
– Birmingham.
– Você tá doido?
Damon arqueou a sobrancelha e Elena olhou surpresa para Ric.
– Eu? Você parece estar doido? Qual o problema, parece que nunca foi em Birmingham.
– Mas... Pra que?
– Pra que o que Ric? Isso tá ficando chato.
– Pra que vamos tão longe?
– Ric, para de fazer drama cara, a gente vai buscar umas coisas pra as festa, até parece que vamos do outro lado do mundo, é logo ali.
– Fica a mais de duas horas daqui de carro, Damon!
– Correção, fica a mais de duas horas daqui no SEU carro Saltzman e com a SUA direção, por que você não anda amigão, você rasteja, fala sério.
– Mesmo assim...
– Vamos na minha pick up Ric, não no seu calhambeque, chegaremos lá na metade do tempo.
– Ric não vai a lugar algum. – Elena disse irritada.
– Oi? Seu nome não era Elena quase agora? Virou Miranda? Virou mamãe ?
– Aqui pra você Salvatore, eu não sou a mãe dele, mas ligo pra ela se precisar impedir que ele entre num carro com você para uma viagem suicida.
– Sou piloto, foguetinho, dirijo muito bem.
– Foguetinho é a sua mãe, e eu realmente não estou interessada em saber como você dirije, vá lá e se mate, será um favor pra todos nós, mas deixe meu irmão fora dessa.
– Você gosta da minha mãe não é?
– Idiota.
– Você é adorável.
– MAS SERÁ POSSÍVEL ISSO? CALEM A BOCA! Olha Damon você tem certeza que vem todo mundo do escritório?
– tenho.
– Então vamos logo pra esta porcaria, eu não quero atrasar. – Elena abriu um pouco a boca, mas Ric foi mais rápido – E não diga nada Elena. Eu realmente prefiro ir pra um Rally do que ficar aqui olhando esse bate rebate de vocês dois. Isso pode enlouquecer uma pessoa sabia?
– Eu nem disse nada...
– Mas ia! Agora vamos, vamos logo. Vamos de uma vez – ele saiu puxando Damon que ainda provocava Elena com caretas e resmungando – Eu tenho certeza que joguei um tijolo na cruz de cristo, por que ninguém merece você Damon... ninguém merece você...
antes das sete.
Eles entraram no carro e seguiram em direção a estrada.
Como de costume Damon colocou as musicas de sempre, no volume abusivo de sempre. Mas estranhou a falta de reação de Ric que nem parecia estar ouvindo.
– Cara o que tá havendo?
– Hein?
– Tomou ou cheirou alguma coisa?
– Como é?
– Você Ric, ta ai todo alienado, nem reclamou que eu repeti a mesma musica.
– Ah eu... eu tava... pensando...
– É, eu notei. Que é que tá havendo cara?
– Nada.
– Ah nem vem Rix, você só fica assim quando tá nervoso, ou ansioso.
– Ou cansado.
– Não, quando você tá cansado, você fica um porre ou dorme.
– Damon...
– Cara, eu sou teu amigo, se você está com problemas pode me contar.
– Eu não to com nenhum problema Damon, eu só quero chegar em casa.
– Isso me magoa sabia? Eu sou seu amigo e você não confia em mim.
– Não dramatiza Shakespeare, faça o favor, dirija. Dirija como o Damon que eu conheço e não como um velhote de 80 anos.
– Pra sua sobrinha me matar?
– Elena não precisa saber.
Damon gargalhou. Gargalhou tanto que tremeu na direção.
– Então vai ser um segredinho Riquezinho? A sobrinhazinha mandona não pode saber?
– Vai se ferrar.
– Medroso.
– Não enche Damon!
– Medrosinho.
– Vai tomar no...
Ric começou a gritar, mas foi interrompido por um estouro alto. Damon freou de repente.
Eles perguntaram em uníssono. Em seguida Damon tentou dar partida no carro uma, duas, três vezes, mas não conseguiu.
– Cara... Não diz... Não diz que...
– Quebrou.
– Não Damon!
– Morreu o motor Alaric, não tá vendo.
– Mas que porra! Mas que porra Damon!
– O que você quer que eu faça?
– Faz essa merda andar!
Ric estava quase gritando.
– Eu estou tentando. – Damon abriu o frigobar e pegou uma cerveja. – pelo menos eu tenho cerveja né?
– Cacete, cacete isso pode ficar pior?
Ric perguntou, mas se arrependeu no mesmo instante.
Quando Damon abriu a lata a pressão foi tão forte que explodiu em cima dos dois, molhando-os todos.
– Isso é castigo sabe Damon... Por eu ser teu amigo. Eu to pagando pela escolha errada.
– Não fode Saltzman – Damon disse tirando a camisa – tem umas roupas ai atrás, troca ai.
Ric saiu do carro, batendo a porta com força. A estrada estava vazia, e eles trocaram de roupa ali mesmo. Quando terminou de se vestir, Ric se olhou de cima abaixo.
– Isso é sério?
Damon riu.
– Acho que são do motorista... ou do filho dele.
– Isso não está acontecendo não é? Me diz que não está. Me diz que não estamos aqui, vestidos como dois idiotas, com um carro idiota quebrado no meio da estrada.
– Não seja dramático. Logo a gente consegue uma carona Ric.
– Logo? Logo? Logo não é o bastante Damon, eu preciso de uma carona agora.
– Não seja histérico Saltzman, isso é coisa de mulher.
– HOJE É SÁBADO!
Damon riu.
– E você tá assim somente por que é o dia de tomar banho?
– Vai se foder Salvatore! Você está particularmente chato hoje Damon.
– E você particularmente retardado. Empatamos.
Ric terminou de se vestir e pegou a cerveja que Damon ofereceu.
– O que fazemos agora?
– Já acionei o sinal de emergência, sabe como é né? Ser rico é muito bom, o pessoal da seguradora já deve saber onde estamos e vão vir nos buscar. Fica frio.
– Quanto tempo?
– Logo.
– E logo é quant...
– PORRA Rix! Relaxa, bebe cara. A gente chega a tempo pra festa.
– Tem certeza?
– Você não confia em mim? Não responda.
Ele disse antes que Rix abrisse a boca.
Alaric encostou-se no carro, junto com Damon.
– Como você consegue cara?
– Como consigo o que?
– Ser assim... viver assim, eu quero dizer, você marcou encontro com quatro mulheres diferentes, pro mesmo dia, tô certo?
– Não. Tá errado.
Alaric arqueou a sobrancelha.
– Tá se importando com os sentimentos das meninas Damon.
Ele riu.
– Não Zé colméia. Você tá errado por que eu não marquei para o mesmo dia e sim pra mesma hora. Sacou?
– Sacana.
– Esperto.
– Não cara, sacana mesmo.
– Eu faço o que todo homem gosta, só que eu sou descarado e não tenho vergonha. Gosto de sexo Ric e se to afim eu tenho, não me importo se tenho que caçar ou pagar, eu faço o que tiver que fazer. É até mais fácil quando eu pago e quando eu digo pagar, não to falando só de ligar pra uma agencia de acompanhantes, eu falo de presentes caros, por que quando uma garota dorme contigo visando a tua carteira, é prostituta.
Sério cara, só que é uma prostituta enjaulada, maquiada, sabe?
– Cara, você é muito seco.
– Seco não. Realista. Eu não tenho ilusões Ric, não acredito em amor. Sei que muitas mulheres dormem comigo por sexo, mas também sei que a carteira ajuda e sabe, é até bom quando eu pago, por que não crio vínculos e nem arranjo problema.
– Amar pra você é arranjar problema?
– E pra você não é? Pensa bem Ric, quando você se apaixona, você fica idiota, sério, fica burro, você deixa de ser pratico, esquece coisas importantes e se doa tanto, e às vezes pra alguém tão filho da puta.
– Mas as vezes você acha alguém legal e...
– E a magoa — Damon interrompeu – É sempre assim Ric, um dos dois sempre fode com tudo, um dos dois sempre machuca o outro. Então por que não evitamos isso e não ficamos com o básico e o melhor da relação.
– Por que as vezes é inevitável Damon.
– Só com quem é descuidado. Meu amigo, existe uma linha divisória, um limite entre a luxuria e o amor.
– E o que acontece se eu ultrapassar esse limite? O que acontece se eu me apaixonar?
– Bom… Ai você se fode.
Segundos depois Damon começou a rir descontroladamente.
– Como eu ainda cometo a insanidade de te pedir conselho?
– Relaxa cara, você leva as coisas a sério demais. Tem que aprender a rir Ric, rir da vida.
– Você que não leva nada a sério Damon. O que você sabe da vida?
Damon o encarou por alguns segundos. O semblante dele se tornou sombrio.
– As pessoas se fodem todos os dias Ric, elas só tem que aprender a levantar. Vou resumir em duas palavras, tudo o que eu sei sobre a vida, amigo. Ela continua.
– A vida é uma merda.
– Não concordo. A sua vida é uma merda, a minha é perfeita.
– Claro seu desgraçado!
– O seu problema Saltzaman, é que você não vê a beleza das coisas.
– Qual beleza você quer que eu veja em estar com um carro quebrado no meio do nada? E em pleno sábado?
– Você tem a natureza meu amigo… Cervejas, sombra e um jaguar XJ vindo te buscar.
Ric arqueou a sobrancelha e tomou um gole da cerveja.
– Sem contar que você está na minha companhia. Quer o que de melhor?
– Não faça perguntas difíceis.
Damon ia questioná-lo, estava pronto para isso quando o som do ronco de um motor conhecido os tirou do clima da conversa.
– Meu jaguar. Olha só minha belezinha, não é lindo? Agora me diz, pra que um filho quando você tem um jaguar.
– Sua filosofia de vida é realmente encantadora, agora vamos que eu preciso chegar em casa e logo.
Um homem estacionou o carro prateado ao lado deles, uma verdadeira obra de artes automobilística. Depois que Damon assinou a entrega do veiculo, o homem o cumprimentou e seguiu para o carro que vinha atrás.
Damon aproximou-se da porta, mas sentiu a mão grande de Ric em seu ombro.
– Eu dirijo.
– Como assim? O carro é meu.
– Estou com pressa e você está dirigindo como uma mulherzinha, se seu carro quebrar de novo, vou garantir que seja em Londres, assim eu pego um taxi.
– Não agoura meu carro, seu filho da puta.
– Não chama minha mãe de puta, e eu não estou agourando seu filho prateado, eu simplesmente quero me garantir, portanto, eu dirijo.
– Tudo bem, tudo bem, mas cuidado com meu carro, eu vendo seu rim se acontecer algo com ele.
Alaric não discutiu, não queria saber, nem perder tempo, só queria acelerar e sair logo dali. Foi o que ele fez.
Quando o carro chegou a 100 em alguns segundos Ric sentiu o peito queimar.
– Ei Schumacher, não acha melhor ir mais...
Mas Damon não terminou de falar.
A musica do Nirvana soou muito alto cobrindo sua voz. Ele olhou com os olhos estreitos e arqueou uma sobrancelha quando viu o sorriso no rosto do amigo.
– Isso tudo é por que o carro corre? Eu sei que sua latinha de sardinha anda que nem minha avó, mas não precisa ficar com cara de garoto que achou o bilhete dourado do Willy Wonka.
Damon gritou tentando sobressair-se à musica.
– Não fode, curte o som.
♪Load up on guns and bring your friends
It's fun to lose and to pretend
She's over bored and self assured
Oh, no, I know a dirty word
Hello, hello, hello, how low
Hello, hello, hello, how low
Hello, hello, hello, how low
Hello, hello, hello...♪.
“With the lights out it’s less dangerous Here we are now entertain us I feel stupid and contagious♪”…
– EI! EI! — Damon desligou o som do rádio e fez Alaric parar — Que porra é essa maluco?
– O que?
– Tá ficando louco?Essa súbita felicidade é ridícula até pra você! Para essa porra desse carro, você vai me contar agora o que diabos tem todo sábado que te deixa retardado desse jeito.
– Não é ...
– Para o carro.
A contra gosto Alaric parou o carro.
– O que?
– O que tá acontecendo com você cara? Pode me falando a verdade, eu não nasci ontem. Qual é cara, eu te conto tudo, somos amigos.
– Damon...
– Porra, você não confia em mim?
– Confio cara.
– Então fala.
– Tá legal. Tá legal, mas se... você fizer uma piadinha, uma piadinha sequer, eu passo com esse clone de Edward em cima de você.
– Clone de Edward?
– É
– O vampiro? Cê ta falando do meu carro?
– É ué, tá vendo mais alguma coisa brilhar aqui?
– Saiba que o brilho deste carro vale 20 mil dólares.
– É parece que a pele do vampiro também e eu ainda to pouco me fodendo, vai ouvir ou não?Lembra do desenho que você viu no meu escritório? Perguntou Ric
– Lembro , a gostosa, mas que tem a ver?
– Ela é a nova designer da Shacklebolt, que você foi visitar- Ric fez uma cara de entediado e Damon começou a se interessar no assunto
– O nome dela é Jenna Somers e nós nos encontramos todos os sábados , entende ?
Ao fim da conversa, Damon estava muito quieto.
– Por isso eu preciso ir logo, você entendeu? – Damon sequer se moveu, apenas continuou olhando para ele como se o mundo estivesse acabando – Tá ouvindo Damon, vamos embora.
Alaric caminhou um pouco até o carro, mas parou centímetros depois, por que Damon não se movera.
– Então... – Damon começou a falar – a designer, a gostos... digo a decoradora do projeto Malfoy é a... Jenna? A Sua Jenna?
– É.
– Porra...
– O que?
– Eu ia comer ela. — Ric olhou-o com uma expressão tão ameaçadora que Damon ergueu as mãos em rendição. — Eu disse ia e não vou.
– Vamos embora Damon, meus instintos homicidas estão ficando aguçados e acredite, muita gente me agradeceria por te matar.
– Não seja idiota, eu não vou comer a sua Jenna... Eu só estava ponderando.
– Então pare de pensar, já está fedendo. Vamos logo.
– Ric... – Damon chamou ignorando-o e ele virou.
– O que?
– Você não ia me contar né?
– Acho que não... não sei... eu ia, mas não agora.
– Hum.. ok...
– Podemos ir? – Alaric virou-se de novo e abriu a porta pra entrar no carro.
– Então você ia me deixar comer a garota mesmo?
– Entra na porra do carro ou eu te deixo aqui – Damon riu e abriu a boca pra falar, mas Alaric o cortou — e entra calado.
A viagem não durou muito, Ric estava dirigindo rápido demais, levaram bem menos tempo que quando Damon estava dirigindo. Logo eles estavam no estacionamento do apartamento de Alaric.
– Cara. Ainda bem que eu tenho seguro desse carro.
– Cala a boca, as pessoas já devem estar aqui. São se... Puta que pariu.
Alaric parou de supetão na escada.
– O que foi maluco?
– Porra, Porra Damon.
– O que é cara?
– As pessoas já devem estar aqui.
– É, mas a gente não tá uma hora atrasados, ninguém vai notar.
– Mas ela vai estar ai, ela já está ai.
– Jenna?
– Sim... Sim. Ela é pontual demais, raramente se atrasa.
– E isso é ruim?
– Claro que é!
– Você não queria que ela viesse?
– Claro que queria!
– Então, por que caralho ta reclamando dela estar aqui?
– Por que eu não quero que ela me veja assim.
– Qual o problema cara? Você cumprimenta a garota, entra e vai tomar um banho.
– Não! Não quero que ela veja... eu preciso de outra roupa, tem que ter um jeito de...
– Ric...
Mas ele não deu atenção.
– ... Entrar em casa sem ela me ver e...
– Ric...
– ...Pegar outra roupa e...
– Ric!...
– O que é!
– Atrás de você.
Ele virou assustado e deu de cara com ninguém menos que ela...
– Oi Ric...
– Jen...Jenna ?
– Oi. Estamos todos... Esperando por... você.
– Oi Janne.
Damon adiantou-se antes que Ric pudesse falar qualquer coisa e tomou a mão dela, beijando-a galantemente.
– Oi. – ela disse sem graça.
– Você está linda. Sabia que esta cor combina com você?
– A... a cor? Verde?
– É, ele ressalta o brilho moreno dos seus olhos que, decididamente são lindos.
Ric estreitou os olhos.
– Eu...Uau... Obrigada... ninguém nunca me disse isso.
– Deve saber que a maioria das pessoas são cegas, dementes ou idiotas, por isso não crescem na vida, mas como pode perceber, não é meu caso.
Ela riu sem jeito.
– Obrigada, em todo caso. Eu... Ric, você vai demorar?
– Não eu... – ele começou a falar, mas Damon o interrompeu.
– O Alaric vai se trocar... Não é Ric? Ele está preocupado com a roupa que está vestindo. – Ele colocou a mão na boca, como quem vai confidenciar algo e falou num tom baixo, porém audível – Ele anda com uns ataques de frescura ultimamente.
Ela riu pelo nariz e Alaric fechou os punhos.
– Eu espero.
– Sem duvida, ele não vai lhe fazer esperar muito, certo Ric? Eu vou lhe fazer companhia enquanto.
– NÃO!
Os dois olharam para ele, Jenna surpresa, Damon quase rindo.
– Perdão?
– Eu disse não.
Ele foi enfático.
– Quer que a moça espere sozinha, Ric?Que falta de educação.
– Isso não será um problema. — Uma outra voz surgiu por trás deles. Era Elena – EU faço companhia a ela. Estará em melhores mãos.
Damon a encarou tentando com todas as forças não abrir um grande sorriso.
– ISSO! – ele foi mais desesperado do que pretendia – Isso, Elena... Elena, minha sobrinha... Jenna, minha... colega... de... Ca... digo... trabalho... Lena vai hum... Cuidar... fazer companhia e você vem comigo, agora.
– Por que?
– Por que vem Damon Giussepe Salvatore!
Elena sentiu um calafrio ao ouvir o nome dele completo.
– Eu disse que ele andava tendo uns ataques de frescura não disse?
– Eu não sou muito chegado a ...
– Agora Salvatore.
Damon levantou as mãos em rendição.
– Tudo bem luluzinha, vamos lá.
Eles saíram, Damon mais parecia estar sendo arrastado, mas ainda assim olhou para trás e piscou o olho com um sorriso sacana.
Elena apertou as unhas nas palmas da mão para não lhe mostra o dedo médio de novo.
– Ah... eu... – Jenna começou, mas a morena a interrompeu.
– Oi – ela estendeu a segurou a mão da ruiva – Prazer, sou Elena, provavelmente sua hãm.. Sobrinha também?
– Oi?
– Não sou?
– Ah... eu...
– Ah vamos lá, não adianta negar. Apesar do idiota do Salvatore ter estado babando em cima de você nos últimos dez minutos, eu vi com você olhava para o meu tio. E ele pra você.
– Eu... eu... – ela olhou para baixo impossibilitada de encarar a outra mulher.
– Não se preocupe, sei como é complicado namorar alguém que trabalha conosco, já passei por isso.
– Nós não... ah.. nós...
Ela ia dizer, “não namoramos”, mas o que viria depois? "Só transamos"? Então preferiu ficar calada.
– Só cuidado com o Salvatore.
– Ele é sempre assim? Digo... Excêntrico?
– Não... nem sempre, na maior parte do tempo, ele é canalha, mas é só não olhar muito tempo aqueles olhos azuis e nem encará-lo quando ele sorri, e com certeza 50% de chance de você não cair na dele.
Elena falou mais como se falasse consigo mesma, sem nem notar o que disse.
– Experiência própria?
– É... Infelizmente eu...
Ela parou de repente dando-se conta do que tinha acabado de fazer.
– Tudo bem... — Jenna disse entendo a surpresa dela – nosso segredo.
Elena riu.
– Ric não sabe...
– Imagino que não saiba. Única sobrinha ?
–Sim, de mulher.
– imagino mesmo que ele não saiba.
– Ele faz o tipo pai/tio linha dura sabe?
– Entendo.
– Você... ah... se conhecem a muito tempo?
– Hum.. – ela ponderou o que ia dizer – Um pouco, sim, mas nos revemos tem alguns meses.
– Então vamos lá pra cima e conversamos um pouco mais sobre estes retardados que nos viram a cabeça.
– Ótima ideia.
...
– Qual é a tua?
Alaric perguntou assim que fechou a porta do quarto e empurrou Damon na parede.
– O que?
– O que... O... CARALHO! – ele foi aumentando a voz gradativamente. – O QUE O CARALHO! QUE FOI AQUILO?
– Calma Ric...
– Calma a cabeça do...
– CALMA ALARIC! Foi brincadeira cara.
– Brincadeira? Brincadeira o cacete Cara! Você tava... Porra Damon, Porra... Você vai mesmo dar em cima dela?
– É claro que não, seu babaca. Foi só uma brincadeira. Eu gosto de ver a cara de idiota que você faz quando eu dou em cima da garota. Alem do mais ela não faz o meu tipo.
– Tá, agora você tem um tipo? Achei que seu tipo era... se tivesse seios e vagina.
– Não seja grosseiro.
– Você ainda não viu o que é de fato... grosseiro.
– Tá cara. Olha, eu sei que você está nervoso ok? Senta ai e relaxa. Não vou dar em cima da sua Jane ou sei lá qual é o nome dela. Não vou fazer isso, foi só uma piada.
– Do tipo sem graça.
– Do tipo Damon Salvatore.
– Como eu disse, do tipo idiotas e sem graça. Pode parar, já estou nervoso o bastante.
– Tudo bem, já vi o que queria.
– Como assim?
– Como assim o que?
– Você viu o que queria?
– Vi que a Jenna não é como as outras, ela é... digamos... seu calcanhar de Aquiles, você está de quatro por ela e eu não vou ultrapassar a barreira do saudável. Neste caso especifico, mulher de amigo meu, é homem.
– Acho isso...muito bom... e eu não estou de quatro por ninguém.
– Não vou discutir, suas posições sexuais favoritas meu caro, troque-se feito homem e pare de se tocar, está estranho isso, vamos embora que eu tenho uma festa pra curtir, e só pra te deixar mais tranquilo, eu já estou de olho em outra garota... Sua Jane, Jenna sei lá realmente não faz o meu tipo.Tem cara de carola, sabe destas que andam de auréola na cabeça? E eu realmente prefiro aquelas... com chifrinhos e morena.
– Como assim?
– Como assim o que cara. Chega de perfume mano, vai drogar todo mundo com isso ai, quer que pensem que isso é uma boca?
– Vai se fuder. Responde minha pergunta.
– Faça uma pergunta coerente.
– Como assim chifres e morena?
Damon olhou entediado.
– Serio isso? Eu quis dizer que prefiro que a mulher tenha fogo Ric, seja uma diabinha entende? E o que?A Jenna não tem cabelos castanhos.
– Mas minha sobrinha tem.
Damon parou uns segundos, estagnado pela observação, mas ele era Damon Salvatore, não seria pego.
– E daí? Ela é a única? E ta bom que a sua sobrinha... ia chamar minha atenção.
– E por que não? Elena é linda.
– De fato. E gostosa. – Ric estreitou os olhos – estou apenas concordando com você, mas o fato é, ela é chata.
– Não é bem assim Damon...
– Tem razão, não é exatamente isso. Ela não é só chata, ela é controladora, violenta, chata, irritante, mal educada, uma bomba relógio ambulante. Gosto de mulheres fáceis. Fáceis de comer e fáceis de descartar.
– Bom, pelo menos você ser canalha a este ponto serve para que eu possa ficar tranquilo com minha sobrinha perto de você. Acabei, vamos?
– Você nem imagina o quanto. Vamos logo.
Quando eles finalmente voltaram para a sala do apartamento, ela parecia infinitamente menor.
Damon não perdeu muito tempo e logo estava sentado entre um grupo de garotas que só não conseguia berrar mais alto que a musica, parecia uma competição de Arapongas, só que invertida. Onde as fêmeas que disputavam o macho no grito.
Ele parecia estar adorando.
Quem não parecia nada à vontade com a cena era Elena, mas isso, Ric não percebeu, ela estava mais ocupado, observando cada movimento que Jenna fazia, ou o relógio para ver quanto tempo mais teria que suportar as pessoas ali, ou mesmo quantos metros de distancia os homens se encontravam dela.
Elena era boa em disfarçar, mas quem olhasse bem nos seus olhos veria que ela passava a maior parte do tempo observando com o maxilar preso o que Damon fazia.
Embora conseguisse manter uma conversa coerente com Jenna durante todo o tempo que esteve ao seu lado, sua atenção estava completamente presa nele. Nele e na droga que ele a fazia sentir.
Parecia de propósito e conhecendo Damon o pouco que já conhecia, ela poderia apostar sua carreira que era. Era bem a cara dele fazer joguinhos infantis.
O tempo pareceu passar lentamente, e as pessoas não paravam de falar coisas sem sentido, a bebida e a comida pareciam infinitas e ele quase amaldiçoou o dinheiro e o exagero de Damon. Só não o fez, por que finalmente a multidão pareceu voltar a atenção para uma coisa em comum.
Aos poucos as pessoas foram se despedindo e deixando o apartamento e por volta das 23:30 já não havia mais ninguém além de Elena e Damon.
Ric se despediu dos dois, sentindo-se cansado, mas não era um cansaço ruim, era na verdade um relaxamento mais intenso da musculatura o que lhe causou um sono muito forte.
Estava tão intenso que ele sequer se importou com Damon, Elena e a possibilidade de eles levarem seu apartamento abaixo numa discussão de 10 minutos.
Apenas se despediu e trancou-se no quarto.
Quando Ric se foi, Elena tentou ignorar a presença do empresário. Ela precisava, mesmo que não estivesse de fato, fingir que ainda estava muito magoada e irritada com ele.
Ela precisava por que seu orgulho clamava por isso.
Ele não podia simplesmente mentir da maneira deslavada que vinha fazendo e depois agir como se nada tivesse acontecido.
Então ela ignorou-o e deitou-se no sofá.
Era um costume antigo, de criança, cochilar no sofá antes de ir para a cama, uma das poucas manias que a vida regrada de uma advogada não lhe tirou.
Ela deitou e pegou rapidamente no sono.
Por um momento ela saiu do transe do sono e olhou a sala em volta. O corpo tinha a sensação de ter dormido horas, mesmo que só tivessem de fato passado quarenta minutos desde que Alaric se despedira. Uma dormência e um frio gostoso a impediram de levantar.
Ela supôs que Damon havia ido embora, estava tudo escuro e silencioso e ele certamente era atrevido, mas não o bastante para ter ido dormir em sua cama, era?
Não, ele não era. Até mesmo por que ele sabia que Ric o mataria se visse, e ele não era tão corajoso a ponto de enfrentar Ric, não que ele fosse muito maior que Damon, mas lutar com um tio furioso não seria uma opção muito esperta.
Voltou a dormir, achando que o sofá era a melhor opção por aquela noite, não iria levantar naquele momento.
Um trovão mais forte anunciou a chuva lá fora e ela entendeu o motivo do frio.
Aconchegou-se mais ao sofá e deixo que o sono a embaçasse mais uma vez.
Sonhou que estava na enorme cama de Marfim da casa luxuosa onde transou com Damon pela primeira vez. A maciez daquela cama podia viciar. Aquele lençóis que mais pareciam plumas tocando a pele.
Nunca fora ambiciosa, mas teve que admitir que riqueza não fazia mal a ninguém e era muito, muito fácil acostumar-se com aquele estilo de vida.
E com um homem como aquele?
Por alguns segundos ela achou que por algo como aquilo qualquer mulher poderia esquecer o que ele era... o que foi, e até mesmo o que queria ser. O que mais ela podia querer além de uma cama como aquela, e o toque perfeitamente calculado, vagando entre o rude e o delicado subindo por suas pernas.
Era tão gostoso, aquele toque quente em suas coxas, o contato da pele áspera e ao mesmo tempo bem tratada, os lábios em sua barriga, o hálito quente...era tão real, tão real quanto se ele estivesse...
BEM ALI!
Ela corou num pulo.
E Damon estava ali.
– O que você tá fazendo aqui?
– Shhh.
ele inclinou-se e a beijou com vontade.
– Damon… Você está maluco? O Ric tá la dentro.
– Dormindo como um bebê. Relaxa morena.
Ele deitou-se cobrindo o corpo dela e a beijou de novo.
– Damon não… por favor… — ele mordiscou a orelha — Damon… Puta que pariu.
Não! Não Damon... Não, eu... não quero, você mentiu pra mim, você é um ladrão, corrupto, um mentiroso, um canalha...
Ele a beijou e a calou.
Importa quem eu realmente sou?
– Claro que importa, você é um…
– Neste momento não sou nada além do homem que vai te dar prazer. Relaxe e… Aproveite.
– Não! Não! Não vai, você vai sair de cima de mim, saia de cima de mim.
Ele forçou o corpo para baixo, impedindo-a de afastá-lo.
– Lena, esquece isso...
– Não Damon! — Ric… Vai matar você.
– Se você não matar primeiro não é?
– Damon... eu... não quero...
Ele já estava ficando desesperado, ela estava resistindo demais, mesmo com todos os seus apelos, mesmo beijando-a nos lugares estratégicos que havia aprendido com o tempo em que se encontravam, mesmo vendo a palavra desejo escrita em seus olhos, ela estava resistindo, ela estava rejeitando-o.
Ele não podia ser rejeitado, ele era Damon Salvatore.
E até poderia aceitar uma recusa com dignidade, mas não a dela e não aquela noite. Ele simplesmente não conseguia.
Ele não conseguia.
– Lena, não... Elena,olha... eu... Me desculpe,ok? Eu não devia... olha pra mim...
– Não Damon.
– Olha pra mim Elena!
Ele segurou seu queixo e a forçou a encará-lo.
– Ai...
– Desculpe.
Ele afroxou o aperto quando percebeu que a tinha machucado, mas ele estava muito nervoso e não conseguia controlar direito os atos.
– Por favor, sai.
não havia muita força em sua voz, mas ela continuava rejeitando-o.
– Elena... eu te conto tudo, eu explico, eu prometo...
– Não!
– Olha pra mim, não tira os olhos de mim. Eu preciso de você, agora. Eu não vou sair por que eu não consigo sair, eu não posso, eu preciso... preciso de você agora.
– Eu...não...
– Lena, não...
Ele a beijou a força e ela sentiu a testa molhada de suor dele encostar na sua.
Ele tirou a camisa rápido e puxou a blusa dela pela cabeça. Por um instante achou de novo ter conseguido, quando ela deslizou as mãos por suas costas, mas ela recobrou-se de novo do surto.
–Sai Damon, sai daqui... – ela sentiu sua resistência indo embora, sentiu sua força se esvair e uma lagrima correu pelo canto do olho. – Sai...
Ela o viu o choramingando e a olhou, seu peito doeu e o desespero apertou forte.não tinha como controlar o desejo, mas forçaria?
Ele encostou a testa na dela, baixando a cabeça às vezes para beijar seu rosto, a mão acariciava a coxa.
– Diga que quer...por favor Lena eu imploro, eu imploro – ele ondulou o corpo sobre o dela e raspou o pênis excitado sobre seu sexo. – Está vendo isso? Você vê? Tá doendo Elena, muito,tá doendo pra caralho e nunca foi assim.
– Pague uma puta e se satisfaça.
– Caralho Gilbert que porra você não entende? Eu posso pagar um harém de putas, eu posso encher essa porra de apartamento delas, e foder cada uma três vezes, não vai satisfazer. É você porra!
– Eu...
– Eu não to mais aguentando Elena, diga que me quer, preciso ouvir, por favor, por favor diga, ou eu vou estuprar você, por que eu não vou sair.
Ele pousou as mãos em seios, ela sentiu o ventre derreter, revirar, quase saltar.
– Ai...
Desta vez não foi de dor.
–Eu to pedindo Lena, sabe como essa porra é humilhante?
Aquilo a excitou. Ela podia ser até considerada sádica, mas Damon Salvatore se humilhando por uma transa era de fato um afrodisíaco.
Era complicado resistir a ele frio e calculista, então ele carente e desesperado, era demais para sua pouca resistência.
– Não vou dizer...
Ele fez uma careta de dor forte.
– Lena...
Os movimentos que ele fazia em seu colo foram cessando.
– Pede de novo.
– Elena...
– Só mais uma vez, Dam...Pede...
Ele sentiu o sexo pulsar, curvou-se sobre seu corpo e beijou demoradamente a região entre seus seios.
– Por favor, morena.
Ela sorriu com malícia.
– Eu não vou dizer — Ele a olhou entre o surpreso e o assustado — Se quiser... me estupre.
Ele sentiu o gozo chegar até a glande, doeu,doeu como nunca havia doído antes, ele fechou os olhos e mordeu a boca muito forte tentando fazer a dor retardar o gozo.
Quanta humilhação Damon Salvatore , O Dionísio inglês, aguentaria numa só noite?
– Devagar...
– Não quero...
– Lena...
– Ainda estou vestida.
Ele arrancou-lhe a roupa em segundos. Os puxões lhe deixaram marcas nos ombros, pernas e seios. Assim que a viu de busto despido ele tomou seus seios na boca.
– Ai porra! — ela gemeu alto.
Ele se ajoelhou no sofá, (que era pequeno, mas parecia perfeito no momento, mesmo que ele precisa se curvar todo) terminando de se despir e puxou a calcinha dela de uma vez, a única peça que sobrara.
De repente ele parou, como se contemplá-la fosse uma obrigação. Ela era linda, como nenhuma outra seria.
Ele deslizou a mão por sua tatuagem.
– Essa sua tatuagem... me enlouquece... Desde a primeira vez que vi.
A mão deslizou da tatuagem ate encontrar sua vagina molhada, ele a penetrou com dois dedos.
–Ai... Ai cacete... – Foi ainda mais alto então ele cobriu sua boca com uma mão.
dominada, de novo, precisava dominá-lo, seu orgulho queria uma revanche.
Então ela puxou sua mão de dentro de si e o empurrou, ajeitando-se rapidamente no sofá, empurrando-o para trás tomando as rédeas da situação.
Queria-o louco, se ele já estava então o queria mais louco.
Arranhou o peito com as unhas descendo a mão até alcançar seu pênis e apertá-lo.
Ele não sabia mais o quanto suportaria.
– Lena... Elena... Para! Para! Para!
Ela continuou masturbando-o, mesmo que ele pedisse o contrário e Damon quase cedeu ao corpo e gozou em suas mãos, mas ele conseguiu segurá-la e puxá-la para si, ela caiu sobre seu corpo.
– Por quê?
Ela perguntou simplesmente.
Ele a encarou, tentando respirar normalmente.
– Vou gozar.
– A ideia é essa Tarzan.
– Não...
– Por que?
– Não estou batendo uma no banheiro, estou transando com uma mulher.
Ele segurou-a e de uma maneira que ela não entendeu, ele a virou colocando-a em posição de subjugo de novo.
– Vem...
– Devagar Lena...
Ela o puxou pelo pescoço e disse em seu ouvido.
– Devagar o cacete... Quer transar comigo, vai ser do meu jeito, vai ser a minha vontade, entra em mim agora, ou vai tomar um banho frio.
– Filha da puta!
– Agora!
Ele a penetrou, a contragosto por que estava por um fio de gozar e morrendo de medo de fazê-lo sozinho, mas uma vez dentro dela, uma vez envolvido pelo calor de sua intimidade, ele não conseguiu mais parar.
Não existia pudor, vergonha, filosofias e regras de vida que a fizessem querer parar. Seu corpo pedia, clamava, gritava… Sexo, sexo, sexo…
Ele a penetrou cada vez mais rápido, sentindo o corpo pulsar junto com o pênis e tudo explodir com orgasmo.
Foi como se tudo passasse numa fração de segundos.
O choque... os gemidos, as unhas dela rasgando suas costas, os gritos abafados pelo beijo desajeitado, as contrações das pernas dela em sua volta e seu ápice.
Tudo tão rápido que nem seu próprio corpo conseguia processar.
Oh, Oh Whoa Whoa
When I'm with you baby
I go out of my head
I just can't get enough
I just can't get enough
All the things you do to me
And everything you said
I just can't get enough
I just can't get enough
We slip and slide as we fall in love
And I just can't seem to get enough oh♪
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