Intimamente Emma
18 Desejo reprimido
Notas iniciais
Os primeiros sinais do dia surgiam pelos cantos da cortina, mas Regina já havia despertado minutos antes, logo após um movimento delicado de Emma sobre seu busto, deitada com paz onde se acostumou, o par de seios da mulher. Ela fazia um carinho lento nos cabelos compridos da moça, pensando em escrever uma cena parecida, ou próxima daquela realidade que vivenciava na cama com Emma. Por alguns minutos esqueceu completamente do marido infiel e do quadro que supostamente ele pintara para alguém que viveu naquela casa. Belle contou algo completamente sem fundamento, porém, Regina não queria duvidar da empregada, não havia um motivo sequer para duvidar dela. Então onde foi parar o quadro do pássaro? Regina voltou à estaca zero da noite passada, o que a deixou tão perturbada que não pôde aproveitar suas valiosas horas com Emma.
Na noite anterior, elas subiram após aquela conversa sobre as fotografias da família Swan. Depois se deitaram e espantaram o frio com beijos e afagos maliciosos, que acabou em outra madrugada de amor, só não tinha sido tão prazeroso para a escritora e bem lá no fundo ela estava se sentindo culpada por isso.
Regina sabia que o relógio da cabeceira ia tocar dentro de uma hora, e Emma ia levantar para o trabalho. Cuidadosa, ela deixou Emma envolvida na coberta que dividiam e procurou o roupão de banho para se cobrir. O encontrou atrás da porta no banheiro, e não pôde deixar de ver seu reflexo no espelho, mas não notou só isso.
O Banheiro tinha um espelho circundado por luzes fracas, uma pedra de mármore sobre um balcão e o resto que todo banheiro convencional possuía. Sobre o balcão, na frente do espelho, Regina encontrou a caixa de tinta para cabelos que Emma usava. Devia ser uma tortura para ela se parecer com a mãe, por tudo o que a tal mulher a fez passar. Provavelmente essa foi a única alternativa para se livrar da semelhança, e nem por isso Emma conseguiu perder a fama da mãe, pensava a escritora. E foi refletindo sobre a história de Emma que Regina pegou emprestada a escova de dentes da jovem e limpou a boca, se apoiando com uma mão na pedra de mármore, vendo a água escapar pelo ralo.
Regina deixou o quarto e desceu as escadas de madeira nas pontas dos pés. Invadiu a cozinha, procurando o que precisava para levar o café da manhã na cama para Emma. Fez tudo como mandava o roteiro; A maçã cortada ao meio, o copo com o suco, um par de biscoitos de chocolate, as torradas com manteiga e o pedaço de queijo. Reunia tudo sobre a bandeja, sentindo uma alegria espontânea do jeito que sorriu involuntária para a refeição que levaria até Emma. Sentia-se como se não precisasse ser Regina Mills, como se sua vida com Emma fosse nova e que poderia acordar todos os dias para fazer o café da manhã, acordá-la com um beijo e escrever o restante do dia com a moça de inspiração. Regina voltou para as escadas sonhando com o dia em que viveria seu final feliz ao lado de Emma, gemendo baixinho para si mesma, “My Heart Will Go On” ao subir e caminhar pelo corredor.
Entrou no quarto, avistando Emma, ainda deitada, mas tinha se mexido, pois os braços estavam rendidos para os lados da cabeça e os seios aparecendo por cima da borda do lençol. Mesmo assim, Regina resistiu ao impulso de voltar para baixo da coberta, ao invés, colocou a bandeja ao lado da moça e beijou sua testa. O estalo suave fez Emma abrir os olhos assustada, procurando pelos de Regina imediatamente.
— Bom dia. — disse a mulher, sentada em uma pose, ao lado dela na cama.
Emma a tocou no ombro sobre o roupão.
— Que susto. Achei que tivesse ido embora.
— Eu jamais iria sem me despedir.
— Agora que está comigo, você não faria isso, eu sei. — Emma riu de leve. Notou Regina vestida com o roupão que gostava de usar e antes fora de sua avó, caiu bem na mulher. — Ficou bonito em você.
Regina se olhou.
— É confortável. Estou pensando em arrumar um desses para mim. — Mexeu no tecido da gola e fez um gesto positivo.
Emma se sentou, ajeitando um travesseiro sobre as costas.
— Não precisa, pode usar este, mas apenas quando estiver comigo. Não quero seu marido te olhando, achando que você ainda o ama.
Regina saiu da cena que ela mesma estava criando, ficou impassível.
— Isso é alguma espécie de ciúmes do Daniel?
Emma pegou a metade da maçã e mordeu com um olhar malicioso.
— Estou tentando prevenir que ele faça alguma coisa com você.
— Eu não penso em desfilar com meu roupão novo pela casa.
— Você tem que fazer o Daniel entender que o casamento está acabado. Quer se separar dele, não quer? Não deixe pistas, meu amor.
Regina ficou calada, teve vontade de explicar que não sentia mais nada pelo marido e tinha certeza de que tudo ficaria bem, mas a moça podia estar com medo depois que soube da melhora repentina dele. Resolveu esquecer, sem se estender mais.
— Gostou da surpresa? — perguntou sobre o café da manhã na bandeja, procurando um sorriso de Emma.
— É claro — ela disse. — Se quer saber eu nunca ganhei um café na cama, só que eu já sabia que você ia fazer isso. — Emma se mexeu para pegar o copo de suco, e junto dela as pontas dos cabelos desceram seus ombros cobrindo o mamilo direito em cascata.
— Não entendo. — Regina disse.
— Algo me dizia que você ia preparar o café da manhã e trazer. Você se esquece que escreve uma cena dessa em todos os seus livros, eu já chequei. Em todos, absolutamente todos os seus livros, tem uma cena de café da manhã romântico na cama. Fiz questão de procurar depois que Catherine e Suzana tiveram o delas no capítulo quinze. Você tem uma semelhança com Sidney Sheldon, os aspectos, sabe? Os únicos livros que peguei para ler na integra na minha vida foram os dele e as regras são sempre as mesmas: Uma mulher de negócios que sofreu muito para chegar onde chegou se apaixona por um mafioso, algumas mortes pelo caminho, triangulo amoroso e um final semelhante. No seu caso, os aspectos parecidos são as mulheres que se apaixonam por outras porque foram traídas por um homem. Alguns detalhes se repetem como o curioso caso do café da manhã na cama. — Emma disse em tom cômico, bebendo o suco em seguida.
Regina sabia da semelhança entre um enredo ou outro dos livros que escrevia, mas nunca se tocou sobre as cenas de café da manhã na cama. Talvez sua memória fosse fraca, ou ninguém tivesse a sinceridade de Emma para lhe alertar sobre esse detalhe fatal nos livros.
Ela murchou a boca e passou a mão pelos cabelos.
— Acha que devo mudar a forma como escrevo meus livros? — perguntou, procurando a sinceridade da jovem, que nunca falhava.
— Não. Não precisa mudar. Você pode repetir cenas que ainda vai continuar vendendo seus livros. Não costuma-se mexer em uma fórmula que te faz lucrar. — Emma disse, mastigando, colocando os braços para trás da cabeça e encostando na cabeceira.
Ela se espreguiçou, fazendo o cobertor despencar da pele, deixando bem a mostra os seios novamente. Regina desejou ter controle nesse momento.
— E se as pessoas enjoarem?
— Se eu não enjoar de você, ninguém poderá fazer o mesmo. — Emma soou provocante. Se aproximou com o corpo e subiu no colo da mulher. — Venha me ver hoje à noite, por favor. — sussurrou, segurando a face dela.
— Estou com medo do que Daniel pode pensar. Há uma semana não durmo na minha cama com ele. Preciso prepara-lo, e ficando ausente todos os dias é como abrir uma brecha para a desconfiança. — Regina respondeu.
— É, tem razão. — Emma suspirou desapontada.
— Não vou te deixar, nunca, entendeu? Olhe para mim — A mulher ergueu o rosto da moça.— Eu volto. Vai passar rápido, quando você menos esperar, estarei aqui de novo.
Emma assentiu com um sorriso fraco, roçou seu rosto no de Regina, num gesto lento de despedida.
Antes das sete, Mills voltou para casa, conseguindo evitar um encontro com Daniel num dos corredores. Ele ainda dormia quando ela chegou no quarto e colocou as roupas do dia anterior para lavar no cesto de roupas sujas que Belle recolheria mais tarde. Tomou um banho rápido e se vestiu com um roupão – agora seu.
Quando cruzou da porta do banheiro para o quarto, Daniel bocejava, tentando de forma um pouco desengonçada se espreguiçar. Ele olhou para Regina avaliando-a. Ela procurava as peças íntimas que ia colocar no corpo na cômoda maior que havia ali, mas de costas para ele, parecia diferente, mais magra talvez.
— Ora, foi se banhar e não se preocupou em me chamar. — disse o pintor, entre um novo bocejo e sua voz de sono.
Regina parou de fuçar na gaveta.
— Bem, eu não quis atrapalhar o sono do belo adormecido. — disse, com voz brusca.
Daniel esfregou o rosto, estranhou o jeito da mulher.
— Nunca atrapalharia. O que é isso agora? — Se sentou na cama, tentou se ajeitar com os movimentos levemente melhores. — Logo agora que estou melhorando você acha que não conseguiria tomar um banho com você?
Ela corou.
— Claro que não, querido, só acho que está muito ansioso com essa recuperação. Algumas coisas podem esperar.
Daniel se virou para o lado da cama, procurando uma forma de se sentar na ponta. Quando achou, examinou seus remédios separados em um guardanapo em cima da cômoda e os colocou para dentro junto de um gole grande d’água. Teve força para se levantar, contando com toda a confiança da noite bem dormida, e no instante em que Regina se virou para o closet, se viu encurralada por ele.
— Sou um homem de necessidades físicas, Regina. — Ele tocou no pulso dela, sem força. — Desde a última vez que fizemos amor, venho sonhando com o seu corpo. Está sendo difícil não ter forças para dar o mais simples dos beijos, e todas as noites, tenho que deitar sozinho porque você está trabalhando muito. Eu sinto que com essa melhora, eu posso recuperar com você os bons momentos do nosso casamento. — Ele aproximou o rosto do dela, tal como Emma fez mais cedo, e isso foi algo perturbador, mas Regina não sabia compreender o porquê. — Que comece na hora de tomar banho, assim que acordarmos ou em um momento como esse, agora.
Daniel levou a mão dela que segurava até a calça, bem no meio da costura entre as coxas. Regina conseguiu sentir a ereção dele, ficou apavorada.
— Daniel... Não agora. — Regina soltou num fio de voz, tentando não olhar para baixo, onde sua mão tocava.
— Fico pensando no seu rosto, sua boca descendo por mim até aqui. — Daniel sussurrou no ouvido dela. — Pensando em você se vestindo, vendo-a vestir a calcinha cor-da-pele, calçando as meias, alisando a seda nas coxas. Ainda penso em pintar um quadro seu assim.
Ela fechou os olhos e respirou fundo, com medo de se sentir atraída por ele. Não era o que queria.
Para seu alívio, a campainha soou, devia ser Belle. Ela se soltou do marido meio atordoada, tonta.
— A Belle chegou. — coçou o alto da cabeça, mesmo molhada. — Sinto muito, meu amor, podemos falar sobre isso mais tarde?
Curiosamente, Daniel lhe devolveu um sorriso vitorioso, mas Regina não quis saber se ele estava feliz por ter conseguido deixa-la perturbada, ou o que quer que tivesse parecido. Ela se trocou rápido, colocou uma calça escura, as botas, uma blusa de lã vermelha sangue e desceu depois de pentear os cabelos para o lado.
Abriu a porta para Belle e a primeira coisa que a moça fez foi lhe perguntar sobre o quadro do pássaro.
— E então? Encontrou?
— Não. Fui checar ontem e não havia quadro algum com a figura de um pássaro desenhado. Tem certeza de que foi isso que você viu, Belle?
— Certeza absoluta. Eu jamais me enganaria. — a empregada fechou a porta da casa por conta própria. — Acho que devemos procurar juntas na próxima vez.
— Tudo bem, mas antes eu preciso fazer uma outra coisa. — Regina pensou nas cartas que escondeu entre os livros velhos de Daniel. Ia atrás delas de novo para reler e quem sabe encontrar alguma nova pista sobre aquele quadro que Belle falara.
O telefone tocou enquanto Regina e o marido tomavam o café. Belle deixou a jarra com leite sobre a mesa e se dirigiu até o outro cômodo para atender. Um minuto depois, voltou.
— Senhor, é da prefeitura. Desejam saber se o senhor pode comparecer no gabinete do prefeito hoje às onze da manhã. — falou a empregada.
Ele e Regina trocaram olhares.
— Tudo bem, diga que posso. Não sei do que se trata, mas diga que irei. — respondeu.
. . .
Na hora marcada, Regina levou Daniel até a prefeitura sem a mínima intenção de descer, mas após muita insistência dele, ela precisou entrar no prédio acompanhada do marido.
Esperaram um pouco até serem chamados pelo prefeito, um homem de aproximadamente 60 anos, calvo e alto. Leopold White os recebeu educadamente. O prefeito olhou para Regina, encantado. Para ele, nunca havia visto uma mulher como ela, porém, manteve-se calado em respeito a Daniel presente. O casal viu na sala do prefeito mais duas pessoas: o sr. Gold da loja de carros antigos e um jovem rapaz que trabalhava no gabinete como assessor, e fora quem ligou para a mansão mais cedo. Ele mostrou para os dois duas cadeiras a frente de uma mesa de vidro extensa.
— Obrigado por ter vindo. É um imenso prazer recebe-los, senhores? — O prefeito apertou as mãos do casal, voltando a se sentar em seguida, logo atrás da mesa.
— Colter. Daniel e Regina Colter. — respondeu Daniel, pendurando a bengala no braço da cadeira.
— Colter. Sobrenome forte. — Leopold disse, olhando rapidamente para Regina. — Soube recentemente que vieram estabelecer residência em Mary Way Village, apesar de serem figuras tão ilustres em Nova York. Fico feliz que tenham escolhido minha simples cidade, que só chamo de minha por me sentir um filho desse lugar. — coçou a barba, se ajeitando na poltrona.
— Nós queríamos apenas viver uma nova fase nas nossas vidas, senhor... — Daniel procurou algo que lhe dissesse seu nome, e achou a placa e a foto dele sobre a mesa. — White. Eu vim para esta cidade com duas missões na verdade, me curar e ficar longe da bagunça de Nova York.
Leopold riu.
— Compreendo. Perdoem-me por não tê-los recebido de maneira adequada no dia em que chegaram. Mas soube apenas dias atrás que havia um pintor e uma escritora morando para esses lados. Foi graças ao meu amigo e vereador, o sr. Gold.
O sr. Gold fez um gesto positivo, de pé ao lado da mesa.
— Nós já nos conhecemos. Foi na loja dele em que comprei o meu carro. — Daniel disse, simpático.
Regina observou Gold discretamente enquanto o prefeito falava sobre uma proposta para criar uma exposição de suas obras no novo espaço cultural da cidade. Ela se lembrou do que Emma lhe contou sobre aquele homem. Por um momento, sentiu ânsia ao olhar para a cara dele.
— Seria maravilhoso se eu pudesse contar com a sua bondade, além de que estaríamos divulgando o vosso trabalho, assim como inaugurando um espaço único nessa cidade. O que me diz? — O prefeito perguntou, apoiando as mãos nos braços da poltrona, vez ou outra olhando Regina sentada ao lado do marido. Ela era muito bonita. Fazia ele se sentir distraído.
— Sem dúvidas de que essa é uma iniciativa muito interessante. Eu atualmente tenho trabalhado em um painel para uma galeria de arte em outro estado, mas há muitas obras que posso oferecer para a exposição. — Daniel fitou a esposa. — O que você acha, querida?
Ela fez que sim prontamente.
— Seria algo ótimo, querido. — ela disse. — Eu posso sugerir que você faça uma pintura exclusiva para essa exposição.
— Isso seria perfeito. — Leopold quase saltou da cadeira quando ouviu a voz da escritora. Preferiu se controlar. — Podemos então contar com a sua colaboração, sr. Colter?
Daniel voltou-se para o prefeito.
— Com absoluta certeza.
O prefeito se descontraiu um pouco e se afundou na cadeira. Satisfeito com a resposta de Daniel, fez um sinal para o rapaz da assessoria.
— Prepare quatro drinques, vamos fazer um brinde.
. . .
Ao deixarem o prédio da prefeitura, Regina e o marido vinham andando pela calçada até o estacionamento na velocidade dele, melhor que antes, mas longe de ser normal. Daniel saiu do gabinete do prefeito aparentemente contente pelo convite, enquanto Regina, ainda estava intrigada com duas coisas, o sr. Gold e seu provável interesse no lucro que a exposição daria para o bolso dele, e os olhares do prefeito para ela. Sim, ela notou.
Veio andando com o marido, ouvindo o barulho da bengala dele se apoiando no chão, até que ele lhe tirou do transe temporário.
— Não te disse que estava certo em vir para cá? Eu sabia que esse era o lugar certo.
Ela se desenrolou do braço dele, parando de frente.
— É, você estava certo, querido, vai ganhar uma exposição e voltar a fazer o que mais gosta. — disse.
— Isso demorou muito para acontecer em Nova York, e meus quadros mais famosos estão expostos em outros estados. Poxa, estou me sentindo feliz pela primeira vez nessa cidade. — ele disse, de fato animado. De repente, algo lhe veio na ideia e não quis desperdiçar a chance. Tocou na mão dela enquanto a esposa olhava para uma direção aleatória e fixou seus olhos nos dela. — Meu amor, vamos comemorar, vamos passar essa noite juntos. Vamos jantar fora, somente você e eu e depois, retomar a conversa que tivemos hoje de manhã.
Regina olhou para ele novamente com aquele olhar de pavor. Daniel, por sua vez, aproximou o rosto, sem esperar pela resposta. Segurou a face dela, prendendo os dedos nos cabelos curtos da esposa para que não houvesse escapatória. Beijou a boca dela avidamente. Sem poder escapar, a mulher acabou cedendo ao impulso do pintor e seguiu o beijo.
Do outro lado da rua, Emma estava deixando a loja de ferragens com uma sacola pesada numa das mãos. Tinha ido ali a pedido de Archie e levava uma lista de coisas para o hotel, mas seu caminho de repente parou com a visão que teve na frente do prédio da prefeitura. Ela não conseguia acreditar no que estava vendo, embora a cena lhe dissesse tudo o que precisava saber. Soltou a sacola no chão e sentiu os olhos ficando úmidos, o coração subindo à garganta.
Emma os viu se beijando de forma apaixonada, inegavelmente era um beijo romântico. Sua Regina beijando o homem que dizia não amar mais. As ideias começavam a ficar meio embaraçadas e tudo o que ela queria era gritar e correr dali. Viu ele acariciando o rosto dela, viu ele dizendo alguma coisa muito próximo dela e os dois partirem de mãos dadas. Com o coração acelerado, sentiu raiva se misturar com tristeza e decepção. Era uma completa idiota por estar vendo a mulher que amava com outro.
— Eu odeio você — disse baixinho, olhando Regina se afastar com Daniel.
Foi o que disse antes de pegar a sacola do chão e correr na outra direção.
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