Os soldados se movimentavam pelo campo relvado como predadores invisíveis. Armas apontadas para frente como garras e os óculos de visão infravermelha como olhos monstruosos. Era a composição perfeita para uma caça.

Deslizaram por metros adentro antes de encontrarem o primeiro fugitivo. Correndo agachado em meio aos tropeços, tentando, sem sucesso algum, não ser visto. O garoto mal sabia que os satélites da corporação já haviam o identificado horas atrás. Ele parecia cansado, mas ainda sim disposto a caminhar alguns metros antes de sumir na cidade grande. Estava quase lá e não tinha sido pego. Um feito incrível, quase impossível, considerando que os seus poderes não ajudavam em nada na fuga. Só precisava se esforçar um pouco mais antes que o descobrissem.

Mas foi logo depois de pensar nisso, que algo explodiu ao seu lado. Um feixe de luz branca e em seguida fumaça acinzentada, cobrindo o seu corpo como um casulo. Ele caiu no chão, desnorteado, sentindo a grama alta e áspera raspar contra a sua pele. Suas mãos tocaram no chão lamacento e molhado, procurando algo para se segurar. Não havia nada ali.

Tentou se levantar, mas já sentia o calor dos lasers nas suas costas curvadas. Era questão de segundos até que começassem a atirar. Estaria morto antes de sequer se transformar. Precisava agir, mas algo o impedia. Uma parede invisível parecia crescer a sua volta, bloqueando os seus poderes. O garoto olhou ao redor tentando identificar onde os soldados estavam posicionados, mas tudo o que viu foram os raios vermelhos apontados para o seu peito se movendo lentamente até pararem.

Demorou um segundo até que percebesse que a fumaça também havia parado, congelando a cena inteira ao seu redor. Prendeu a respiração, temendo o que aquilo significava. Estava morto? Não. Ainda sentia o sangue correr pelas suas veias, rápido e pulsante. O suor escorria na sua têmpora. Era um truque. Ou era alguém intervindo sobre ele.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.