Intertwined Lifes
2 Capítulo 2 - Longos anos depois…
Mystara havia arrumado uma cama para Delion em seu quarto. Ela vinha cuidando do garoto desacordado por séculos, e ao mesmo tempo cuidando de sua Criação. Os cabelos castanhos de Delion estavam jogados em uma toalha, em cima do travesseiro. Ele parecia apenas dormir tranquilamente após um banho, porém estava desacordado havia séculos. Astori, o deus da medicina e cura, havia visitado Delion algumas vezes, para tentar tratar de algum possível ferimento interno que o impedia de o acordar. E hoje era um dia desses, em breve Astori chegaria para examiná-lo, então Mystara deu um banho no filho.
—Com licença, estou entrando. — disse Astori, informalmente. Embora Mystara fosse rainha, ela tratava todos como amigos, e era tratada assim também.
Astori entra no quarto, e vê a rainha com uma expressão cansada, olhando para o filho. Ele se aproxima e se senta na cama ao lado dela.
—Os últimos séculos não têm sido fáceis, não é mesmo? — ele murmura
—Você não tem idéia. — diz Mystara, quase chorando. —Tem alguma notícia boa para mim hoje?
—Eu não diria uma notícia boa, eu diria… uma novidade. — Astori tira do bolso do casaco um pequeno livro, simples, e com o desenho de uma folha verde na capa.
Mystara fica surpresa
—Mas esse é…
—Sim. O caderno de pesquisas dela… — ele olha para o caderno, com uma expressão triste. —Ela era a mais inteligente de todos os deuses, sabe. Eu queria poder ter feito mais por ela.
—Nós fizemos tudo que estava ao nosso alcance. — uma lágrima escorre pelo rosto de Mystara enquanto ela olha para Delion. —Eu cumpri o último desejo dela. E continuarei cuidando dele com minha vida.
Astori se levanta da cama, puxa uma cadeira e se senta ao lado da cama de Delion. Ele coloca a mão sobre a testa do garoto e um brilho azulado surge na região do toque, e assim ele segue examinando, como de rotina, porém ao acabar, sua expressão está um tanto quanto aliviada.
—A vida dele foi espremida para fora do corpo devido à explosão de poder que caiu sobre ele. O corpo não foi capaz de suportar tudo, e expulsou a vida para abrir um pouquinho de espaço. — Astori se levanta e coça os curtos cabelos loiros. —O problema é que a vida dele não encontrou o caminho de volta. Está vagando em algum lugar, invisível aos olhos.
Pela primeira vez em muito tempo, Mystara exibe um sorriso.
—Mas Meluise sabia várias maneiras de manipular a vida, não é?
Astori sorri.
—Sim. E agora vamos trazer a dele de volta. — ele dá tapinhas no peito de Delion.
Mystara e Astori começam preparar um tipo de ritual, seguindo as anotações de Meluise. Algumas palavras na antiga língua dos deuses foram escritas ao redor da cama, algumas desenhadas no peito de Delion, e um símbolo em sua testa. Quando tudo estava pronto, Mystara olhou para a espada na cama ao lado de Delion. Aquilo estava ligado a vida de seu filho, então deveria ser parte do ritual. Ela coloca a bainha da espada nas mãos do filho, e faz sinal para Astori começar.
Ele começa dizendo algumas palavras, porém sem efeito nenhum. Ele olha confuso para o livro de anotações, folheia algumas páginas, murmura algumas palavras e fecha o livro.
Astori coloca uma mão no peito de Delion, e outra em sua testa onde o símbolo estava, e começa novamente a dizer algumas palavras no antigo idioma dos deuses. Assim como nos exames, suas mãos começaram a emitir um brilho azulado, porém dessa vez era mais forte. Uma forte rajada de vento arromba as portas da varanda, porém Astori não para o ritual. Gladiolus voa até a varanda com Horus, o deus do equilíbrio para ver o que estava acontecendo. Mystara faz sinal para eles ficarem afastados, e levanta um escudo de pura magia, na forma de uma esfera, isolando ela, Astori e Delion dos demais. Enquanto Astori continua o ritual, o corpo de Delion começa a flutuar na cama. Todos encaram um tanto quanto assustados.
Astori termina de dizer as palavras, e o corpo de Delion cai de volta na cama. As palavras escritas no chão e no corpo do garoto começam a se apagar sozinhas. Mystara desfaz o escudo, e todos os presentes se aproximam. Mira, a deusa da água e esposa de Gladiolus havia se juntado a eles. Todos encaram Delion, aparentemente sem mudança nenhuma, porém de repente ele abre os olhos, e dá um grande suspiro.
Ele olha para todos ao seu redor, e segura a mão de sua mãe. Ele abre a boca para falar, porém não consegue formar palavras, como se tentasse dizer tudo que queria ter dito durante esse século naquele momento. Mira se aproxima com um cantil em mãos, e coloca um pouco de água na boca de Delion.
—Aqui, beba. A mais refrescante e pura água existente. — diz ela, enquanto ajuda Delion a beber água.
Depois de beber muita água, e passar um certo tempo apenas respirando e olhando para o chão, Delion consegue falar.
—Eu senti… cada segundo se passando. Era uma completa escuridão, eu não via nem ouvia nada, apenas esperava o tempo passar. — ele bebe mais água, como se estivesse compensando séculos de sede. — O que há com esse cantil? A água nunca acaba?
Mira sorri e afirma com a cabeça.
—Uma pequena invenção minha. Fique com ele, como presente de boas vindas ao lar.
Delion agradece, e bebe mais um gole, e se vira para Astori.
—Eu vi você. Foi você que me puxou de volta?
—De certa forma, sim. Mas o trabalho de descobrir como fazer isso, e o poder necessário…
—Minhas mães, acerto? — Delion se vira para Mystara, com um sorriso. —Eu sempre disse, ela nunca nos abandonaria. Meluise nunca nos deixaria na mão.
Mystara desaba em lágrimas, e abraça o filho, a última lembrança viva de Meluise.
Então, Delion notou que ainda estava segurando sua espada. Ele analisou os selos e símbolos desenhados para manterem o poder lá dentro.
—O que acontece se eu tirar a espada? — perguntou, receoso
—Da última vez, não foi nada bom. — explicou Gladiolus —Perdeu qualquer raciocínio, estava seguindo apenas instintos selvagens, tentou atacar sua mãe.
Delion olha para mãe, silenciosamente pedindo desculpas.
—Bom, agradeço a todos que me ajudaram. Todos vocês têm um espaço reservado no meu coração.
Aos poucos, os deuses foram saindo, ficando apenas mãe e filho no quarto. Mystara começou a contar a Delion tudo que tinha acontecido em sua ausência, e o garoto ouvia com a maior atenção do mundo, como se estivesse com medo de que a qualquer momento fosse perder tudo e voltar para aquela escuridão.
—Venha, vou te mostrar como está a Criação. — Mystara levanta e puxa o filho pela mão. —E depois tenho uma missão para você.
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