Intertwined Lifes

1 Capítulo 1 - A coroação


A coroação oficial de Delion como príncipe dos deuses estava agitada. O salão principal do castelo, localizado no meio da Cidadela, estava repleto de outros deuses. Todos pareciam estar se divertindo, porém havia uma certa tensão no ar. Fora a grande mesa do banquete, onde todos os deuses se sentavam, havia a mesa onde Mystara estava sentada, com Delion de um lado e um lugar vazio do outro. Mystara calmamente se levanta, e pede atenção a todos.

—Deuses, acho que sabem a razão de estarmos aqui reunidos hoje. — ela faz sinal para que Delion se levante— Meu filho será oficialmente coroado como príncipe dos deuses, sendo assim meu herdeiro. É de conhecimento de todos, que devido às circunstâncias de seu nascimento, meu filho é portador de um poder extraordinário, maior do que de qualquer outro deus já existente.

Murmúrios começaram a surgir entre todos, e alguns olhares indo e voltando entre Delion e Bork, o guardião do fogo. Os dois tinham um longo histórico de desavenças, desde que Delion havia roubado o fogo de Bork e entregue a humanidade, mas nada muito grave havia acontecido entre os dois. Porém dessa vez, Bork estava com ódio no olhar. Mystara pareceu notar também, pois repousou a mão sobre seu arco em cima da mesa.

—Sei que alguns aqui presentes se desagradaram com ações passadas de meu filho, entretanto suas ações foram em prol de minha criação, o reino dos humanos, então se tiverem alguma reclamação, tragam diretamente a mim.

Bork se levanta, e começa caminhar em direção a mesa principal onde está a rainha. Delion começa a se levantar, mas um olhar rígido de sua mãe o faz se sentar novamente. Quando Bork está na metade do caminho, Moirel coloca a mão em seu ombro.

—Ora, não vamos nos precipitar. — diz o deus da morte, enquanto se levanta calmamente —Os tempos estão mudando, rainha Mystara. Mesmo para os deuses, nada é para sempre.

Mystara aperta seu arco, olhando diretamente nos olhos de Moirel.

—Quando o momento das mudanças chegar, meu herdeiro e eu tomaremos as decisões mais sábias junto ao conselho, para o bem de todos os deuses.

—Se vocês sobreviverem até lá. — sussurrou Jusa, o deus das doenças.

Ao ouvir isso, Delion salta por cima da mesa, desembainhando sua rapiera. Chamas espiralam ao redor das mãos de Bork, e ele materializa um grande machado. Moirel puxa uma espada de dentro de um pequeno portal de sombras que havia se materializado e logo em seguida desaparecido. Os três entram em um intenso combate, porém é visível que Delion está em desvantagem. Apesar de ser o mais poderoso de todos os deuses, ele não havia treinado o suficiente para aprender a canalizar e utilizar todo esse poder. Bork o acerta com uma rajada de chamas, fazendo Delion cair de costas, com a camisa queimando. Moirel salta, mirando a espada em seu peito, mas Mystara dispara duas flechas ao mesmo tempo, feitas de pura magia, que explodem no peito de Moirel, o jogando para trás.

Nesse momento, a maioria dos deuses, os mais fracos e sem domínios, começam a correr para fora do castelo. Gladiolus e Astori começam a ir em direção a Delion, mas Jusa salta na frente dos dois, empunhando duas adagas. Bork ataca novamente, descendo o machado em direção a Delion no chão, mas o garoto consegue rolar para o lado a tempo de evitar a enorme lâmina, que quebra o chão ao seu lado. Mystara dispara mais duas flechas em Moirel, que dessa vez consegue facilmente desviar. Vendo que chamas não fariam grande efeito, Bork passa para um combate mais físico, buscando acertar golpes com seu machado. Moirel pega uma pequena adaga de seu cinto e atira em Mystara, apenas para distraí-la por dois segundos. Tempo suficiente para Delion e Bork se acertarem. Delion atravessa sua rapiera pelo peito de Bork, mirando no ponto mais vital de um deus, seu coração. Porém Bork acerta o machado no ombro de Delion, afundando a lâmina o suficiente para quase arrancar o braço do garoto. Ambos são forçados a largar as armas, e se afastar. O ferimento de Bork começava a soltar pequenas rajadas de fogo, como se ele estivesse prestes a explodir. Delion cai de costas, o sangue prateado dos deuses formando uma poça no chão onde ele estava.

Mystara fica em estado de choque, e começa correr em direção ao filho, mas Moirel salta para cima dela e a derruba. Bork caminha para perto de Delion, enquanto remove a rapiera do garoto de dentro de si.

—Que minha morte seja sua maldição. O fogo e o caos o acompanharão pelo restante de sua vida imortal. — Bork começa recitar algumas frases na antiga língua dos deuses, até que todo seu corpo vira uma coluna de chamas, que cai sobre Delion, o fazendo gritar de dor.

E então silêncio. Moirel solta Mystara, que corre para ver o filho. Gladiolus e Astori conseguem imobilizar Jusa. Delion abre os olhos, mas não eram seus olhos verdes de sempre. Seus olhos estavam vermelhos. Fogo começa espiralar ao redor dele, forçando Mystara a se afastar. Delion se levanta calmamente, o fogo cauteriza a grande ferida em seu ombro. Ele olha ao redor, confuso, com um olhar de ódio nunca visto antes.

—Delion? Meu filho, está tudo bem? — pergunta Mystara, calmamente.

O garoto vira para ela e avança pronto para atacar a mãe. Gladiolus, deus dos ventos, consegue ser rápido o suficiente para segurá-lo. Moirel dá um sorriso, ajuda Jusa se levantar e ambos desaparecem em uma cortina de sombras.

Delion grita, tentando se livrar de Gladiolus, que o segura firme. Astori pega a rapiera de Delion no chão e corre para onde eles estavam.

—Bork o amaldiçoou com a força de sua vida, precisamos selar a maldição ou ele ficará assim para sempre. — disse Astori, antes de começar a recitar um antigo ritual de selamento.

O fogo ao redor de Delion começa ser absorvido pela rapiera nas mãos de Astori, até que o garoto para de gritar e se debater. Seus olhos voltam a ser verdes, e ele desmaia nos braços de Gladiolus. Astori coloca a rapiera na bainha, e desenha alguns selos para manter o poder da espada lá dentro.

Mystara pega o filho, e se senta no chão, apoiando a cabeça dele em seu colo.

—Por que ele não acorda? — ela pergunta, com a voz baixa.

Astori se abaixa perto dos dois, e coloca a mão sobre a cabeça de Delion.

—Ele parece estar… Sem vida. — Astori olha, confuso. —Ele está vivo, seu coração ainda bate, mas não consigo sentir sua vida. Apenas uma enorme quantidade de poder. É como se a maldição de Bork tivesse espremido a vida para fora do corpo de Delion.

Mystara acaricia o rosto do filho, com lágrimas nos olhos.

—Ele vai acordar. Eu tenho fé.

Notas finais
A história está com alguns capítulos prontos, porém pendentes de uma revisão final, serão postados assim que possível.