Intersecção
1 Capítulo 001 - Um japonês, um britânico.
Meu nome é Dotekken Watachi. Sou um aluno de 18 anos que estuda no Colégio Imperial de Londres em Medicina. Seria benéfico para minha pessoa ser médico durante toda a vida que teria. Mas... Parece que meu sobrenome me deu um novo motivo para ter minha vida imprevista da qual estava estudando para ser...
- Bom alunos, isso é tudo por hoje, estão todos dispensados. — Dizia um professor calvo e vestido de terno, retirando seus óculos de seu rosto e os pondo em sua mesa.
A sala inteira do Colégio se levantava em conjunto para saírem da sala, já que a aula acabou. Espreguiços, conversas, pessoas chamando umas as outras começaram automaticamente ao aviso do professor.
- Ufa... — Dizia um de cabelos grisalhos, se espreguiçando e se levantando da cadeira, preguiçosamente. — Finalmente a aula acabou... Não gosto nem um pouco dessa aula de farmacêutica. Eu não quero viver dando remédios e lendo papéis, eu quero é tratar de cirurgias e ganhar dinheiro.
- Mas é importante saber isso, Matt, do quê adianta virar médico se nem saber receitar os remédios você pode? — Perguntei, tinha cabelos castanhos claros e ondulados. O cabelo da franja ía até cobrir a sombrancelha, o lado da costeleta ía até o começo do maxilar e o cabelo da nuca chegava próximo do ombro, ambos possuíamos o cabelo parecido, só que o de Matt era enrolado, enquanto que o meu era ondulado levemente.
- Poxa, eu falaria com a minha secretária, Watachi, sei lá. Não tenho idéia. — Respondeu o outro prontamente. — Mas que eu não quero trabalhar em uma farmácia, ah, isso eu não quero.
- Até você ter uma secretária você teria que ter consultado muitas pessoas e ter que ter trabalhado muito. Além do dinheiro que precisaria para construir o seu escritório! De onde arranjaria ele? Dos seus pais? — Disse, pegando meu material e colocando ele debaixo dos meus braços, me levantei do lugar para ir embora dali.
- Ah, Os meus pais não seriam má ideia... Mas acho que eles não me ajudariam de qualquer jeito... Responsabilidade, responsabilidade, empenho, empenho, trabalhe para ter o que quer, vivem dizendo, já até decorei... Mas não vai demorar muito para eu ficar rico! É só curar umas pessoas famosas que tá tudo bem. — Dizia ele positivamente, descendo as escadas.
- Você curando uma gripe de alguma estrela do cinema? É mais provável você curar o médico do médico dela. — Brinquei com quem conversava, descendo também as escadas, acompanhando-o.
- Haha, palhaço. Espera e você vai ver... Vou ganhar mais dinheiro em uma consulta do que você vai ganhar em um ano inteiro. — Resmungou.
- Mas nós íamos ser sócios de consultório. — Lembrei ele.
- NÃO INTERESSA! EU VOU GANHAR MAIS PORQUE SOU BONITO!
- Você parece ter 40 anos ao invés de 20... Seu cabelo não é tão charmoso assim.
- EU JÁ FALEI QUE É ALBINISMO PARCIAL! NÃO TEM NADA DE ERRADO COMIGO! SOU UM JOVEM CHEIO DE TESTOSTERONA PARA LIBERAR NO MUNDO! — Reclamava Matt.
- JÁ É TOTALMENTE ERRADO UM ADOLESCENTE SER GRISALHO! — Exclamei.
Matthew Hoven Shikusa. Aluno do segundo ano de Medicina do Colégio Imperial de Londres, ele me acolheu no intercâmbio do Japão para a Inglaterra, já que a família da parte da mãe dele descende de japoneses e ela fala a minha língua mãe, foi mais fácil para eu me interagir por aqui com ela me auxiliando e ensinando pouco a pouco mais do inglês britânico. Matt, como costumo chamá-lo e a família dele também, falava um pouco de japônes, mas sempre foi apaixonado por inglês, amava a Inglaterra. Obviamente, tive que aprender inglês se não o puto nunca falaria comigo direta e abertamente. Estou fazem dois anos em Londres, é uma cidade imensa. A casa de Matt é no subúrbio, é majestosa e bela. Precisamos pegar um ônibus e andarmos uma certa distância até chegarmos na casa dele, algo como meia hora de caminhada... Mas é a melhor parte do dia, é tudo calmo mesmo em uma cidade tão grande como ela e em uma distância tão pouca como cinco quilometros do centro urbano, povoado, barulhento, movimentado e incessante nas ações que o deixam vivo. O sol estava a pino e estavámos a voltar para casa para o famoso churrasco inglês dos Hovens. A fumaça que o pai de Matt fazia era um insulto à camada de ozônio e ao Protocolo de Kyoto, mas o cheiro que exalava chamava até os Estados Unidos para virem comer a carne da família britânica. Claro que adoro a Inglaterra, mas sinto falta do meu oriente, do sushi, de ler hiraganas e katanas ao invés de " God Save The Queen! " e do sol nascente, mas estou aqui mesmo só por estudos, talvez eu volte para o Japão dentre poucos anos, mesmo assim cogitei em ficar ali e mandar dinheiro para minha família para auxiliá-los caso necessitem, mesmo nós temos uma vida previlegiada e termos tudo que queremos e um pouco mais. O mundo é imprevisível... De qualquer jeito, eu visitaria-os a cada dois meses. Trabalhar com o Matt na Inglaterra seria algo bem divertido e benéfico, ele está sempre sorrindo e fazendo graça, era um verdadeiro positivista. Sonhava alto até demais, viver em um mundo de luxúrias, ser rico, ter do ótimo e do magnífico... Estava deveras acostumado, vivia como um burguês na imensa casa que tinha no subúrbio de modestos três andares. Assim até eu me acostumo, porra... Só que diferente de todos da alta classe inglesa, ele gostava de estabanar ao invés de tocar piano, e comer um belo frango com as mãos do que saber qual talher é para peixe e qual é de salada. Dentre tantas saudades que tenho de Tóquio, nunca vi nada como a simpatia inglesa: Tudo calmo, tudo tão simples mas mesmo assim tão moderno. Quanta peculiariedade... Amava tanto essa nação quanto a minha, parecia que em alguma encarnação minha eu já havia morado e amado aquela pátria. Nesse meio tempo que pensava, descemos do ônibus que nos levaria a metade da jornada rumo a casa dos Hovens. O céu azul de dar inveja a muito oceano por aí. Nem Tóquio tem algo assim, só em quadros. Andávamos, falávamos, ríamos. Eram trinta minutos bem gastos até a casa dele, às vezes por deixar passar o tempo, gastávamos uma hora, duas. Éramos duas crianças com aparência de adulto. Estávamos como burguesinhos voltando para a mansão, com calças sociais, sapatos sociais, paletós e suéteres por baixo com o emblema do Colégio Imperial, estava deveras frio o dia mesmo com um céu tão grande de azul e um sol tão alto quanto qualquer prédio não poderia alcançá-lo.
- Ah, tanto caminho para andar até casa... — Resmungava cada vez mais Matt. Gostava de repetir isso, já havia dito isso 10 vezes só na nossa conversa.
- Mas já estamos quase lá... — Dizia para ele.
- Mas olha isso, ainda nem passamos a floresta que tem daqui. — Olhou para ela enquanto resmungava mais.
No caminho que percorríamos, havia uma floresta preservada no subúrbio que morávamos. Era um floresta grande e densa, não havia cercas ou muros que impedissem a sua entrada e saída para ela. Os pinheiros conservados eram altos ali. O chão era forrado de pinhas marrons e negras, além de folhas verdes como a grama e bejes como a terra. Lembrava aquelas florestas de histórias fictícias.
- Estamos quase na minha casa pelo menos... — Matt deixou de reclamar.
Nós dois paramos de andar para contemplarmos a floresta.
- É uma floresta muito bonita. — Falei, impressionado, mesmo já que já havia passado inúmeras vezes nesse mesmo caminho.
- Sim, sim. E tão misteriosa... Parece aquelas florestas com histórias assombradas, sabe? — Matt me convidava à imaginar com ele.
- Sei. Você está me fazendo lembrar das histórias da minha avó lá no Japão e demônios. Não é nada legal lembrar. — Arrepiei em pensar nisso, como pessoas da terceira idade conseguem guardar tantas histórias horripilantes e dormirem tranquilamente com elas em suas cabeças? Isso não faz sentido!
- Ah qual é, é tudo mentira. Seria demais que alguma fosse verdade. Do tipo, entrar numa floresta e ir para o futuro, ou para outro mundo, como Nárnia! Ou a gente entra e vai para Hogwarts! O quê você acha? — Perguntou o grisalho. Amava epopéias.
- Que você precisa de tratamento. — Falei prontamente.
Som de graveto quebrando. Os dois olham para a floresta. Um vulto negro surgiu... UM VULTO?!
- Mas quê... — Comentou o britânico.
O vulto saiu correndo. Correndo?
- EI! ESPERA! — Matt saiu correndo atrás do vulto.
- MATT! O QUÊ VOCÊ ESTÁ FAZENDO?! — Questionei.
- EU VI ALGO CORRENDO! — Respondeu berrando o outro, entrando na floresta, tentando seguir o rastro do vulto. — ACHO QUE É UMA PESSOA, OU ALGUMA COISA!
- MATT! VOCÊ TÁ LOUCO? NÃO ENTRA AÍ! PORRA! — Fiquei no lugar, berrando por ele.
Não ouvi nada, exceto passos de corrida se distanciando pela a floresta. De tão imprudente que o jovem Hoven foi, vi o material do outro jogado na calçada. O quê merda ele estava pensando? Sair correndo por causa de um vulto? Ele devia era ter medo, isso sim. Um vulto correndo? MAS QUÊ BOSTA É ESSA?! ISSO É COISA PARA ESPÍRITA FICAR PENSANDO! E não um estudante de colegial sair correndo para investigar, quanta idiotice em uma ação só... O pior é que estava a ficar preocupado com ele... Corri em direção dele e entrei na floresta, levando meu material e o dele, um em cada braço.
- MATT! CADÊ VOCÊ! — Berrava Watachi, corria e tentava ouvir algo, como por exemplo " Estou aqui! ".
Corria, corria, mais árvores iam aparecendo cada vez mais que corria e me adentrava nessa maldita floresta.
- MATT!
Sem resposta. Meu coração começou a apertar e o desespero começou a me preencher. Porque não respondia? Estava fazendo alguma piadinha de mal gosto para mim? Não tinha bosta de graça nenhuma nela... Eu vou fazer ele engolir o material dele.
- MATT! CADÊ VOCÊ? MATT!?
Nada.
- MATT!
Nada. Novamente.
- MATT!!!
Caralho. Arfava como um condenado de tanto correr, desviei e trombei em árvores, corria como nunca... Onde estava Matt? Olhava para os lados, tudo parecia igual, parecia até que não havia saído de onde tinha começado. Que merda de floresta era aquela? E porque era tão imensa ainda? Isso devia ser proibido!
- MATT!!! — Berrei mais uma vez.
- WATACHI!
Resposta! Matt surgiu de uma árvore, na frente de mim. Ótimo, o quê é um peido quando você está cagado, não é? Trombei com o meu amigo e nós dois caímos no chão. Mas, o chão não estava tão perto quanto parecia... Ambos começamos a cair em queda livre. Queda livre?
- AAAAAAAAAAAAH!!!
- AAAAAAAAAAAAH!!!
Demoraram tempos enquanto caíamos e rodopiávamos no ar. Mas... Estávamos em uma floresta, não em um desfiladeiro, porque estávamos a cair em queda livre? E aonde estavam as árvores que vímos antes? Não conseguia ver nada! Só borrões rodopiantes, não achava o chão e o céu ali!
- AI! — Bati de costas no chão.
- EI! — Matt pousou no chão de bruços. — AI MEU NARIZ! — Reclamou, pondo suas mãos no mesmo, em resposta da dor da queda.
- Porra, que merda é essa de tu desaparescer e aparecer na minha frente assim do nada? — Reclamei como um idoso que odeia o futuro e preza o passado, e levantei do chão e me prontei de pé.
- Meu, eu ouvi sua voz e parei de correr e fiquei te procurando, só isso. — O outro se levantou também, respondendo.
- Isso não importa mais... Vamos volta...Voltar... — Fiquei boquiaberto ao deixar de dar atenção para discutir com o Hoven.
Claro... Em minha volta estava uma planície com uma grama verde rasteira até aonde a vista alcançava. Haviam algumas elevações de terra, mas era praticamente tudo planície. Era como se fosse uma vista medieval... Mas... Onde nós estávamos? Onde estava a floresta que estavam até agora? Como viémos parar aqui?
- Onde... Onde estamos? — Me perguntei.
- Em Londres, ué. — Respondeu o britânico, certo da resposta e nada impressionado com o lugar que nós havíamos parados.
- Londres?! Olhe em sua volta! Estavamos em uma floresta até agora! Como viemos parar em um... Lugar perdido como esse?! Afinal aonde é isso? Onde estamos?! — Comecei a me preocupar. Nunca vi nada como isso acontecendo antes...
- Calma, fica frio! Deve ter uma explicação! Do tipo... — Falava o grisalho.
- Explicação?! E qual? — Perguntei para o outro.
- Eu nã...GAAAAAAAAAH — Matt começou a berrar, estranhamente e inesperadamente, ajoelhou-se no chão e gritava para o mesmo.
- Matt, MATT! O QUE... AAAAAAAAAAAAARH! — Repentinamente comecei a ter flashback's em minha cabeça, meu cérebro pulsava fortemente, parecendo que ia rachar o crânio e saltar para fora. Meus olhos pulsavam, vendo imagens aleatórias e ouvia frases sem sentido e nexo. Coloquei as mãos em minha cabeça, apertando ela, a fim de a dor tentar ceder. Eu não havia visto nunca essas imagens e ouvido essas vozes antes!
- Você tem certeza disso?
- CLYIA! NÃO FAÇA ISSO!
- Eu nunca vou deixar de lutar pelo que valorizo.
- Isso não é uma guerra, isso é uma limpeza humana.
- NÓS NÃO SOMOS HUMANOS, PERDEMOS O QUE TÍNHAMOS DE HUMANOS!
- É... Tudo está bem... Por enquanto...
Finalmente fiquei de joelhos, olhei para o chão e cuspi uma boa poça de sangue, após isso vomitei por um bom tempo. A dor continuava. Comecei a berrar. Matt estava sofrendo também, chorava de dor, e vomitava sangue também. O quê estava acontecendo conosco? Porque isso está entrando na minha cabeça? O quê eram essas vozes e essas imagens pipocando em minha frente? Eu berrava, e berrava cada vez mais forte, conforme a dor aumentava. A terra em minha volta tremia conforme eu berrava, em resposta do meu sofrimento. Um vale crescia em torno de mim, como se estivesse me protegendo, eu gritava como se não houvesse amanhã para a dor que sentia, e o vale ia crescendo cada vez mais, nos protegendo com uma cordilheira circular de pequenas montanhas de pelo o menos dez metros de altura. Porque agora a terra se movia também? Berrava. O chão tremia em minha volta, como resposta do meu sofrimento que aumentava mais e mais. Olhei para Matt e tentei parar de berrar, meus olhos marejados não me davam uma visão exata. Ele desmaiou de tanto sofrer. Estava sonolento e com dor, começava a chorar de dor. O chão parou de tremer e as montanhas pararam de crescer... Queria dormir... Parei de gritar... O quê era tudo aquilo?
O quê estava acontecendo?...
Quando notei... Dormi... Dormi na grama.
Dormi sutilmente...
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