Minha irmã Sandra sempre foi à melhor em tudo. A mais inteligente, a mais educada, mais bonita. Era sortuda, cobiçada e amada por todos. Isso tudo me deixava extremamente irritada. Sempre amei Sandra, sempre a adorei, mais isso não mudava o fato de que ela sempre me rebaixava – mesmo sem querer-. Ela era a mais perfeita mulher que eu já havia visto em toda minha vida – meus 23 anos -. Mas algo dentro de mim estava crescendo. Uma inveja da pior espécie me deixou apavorada.

Fernando... Ele era tão lindo. Seus traços perfeitos, sua face serena me envolveram no instante em que eu o conheci – sem saber que era o namorado de minha Irma-. Já perdi as contas das vezes que sonhei em tê-lo me tomando nos braços. Senti seus lábios úmidos tocarem os meus ardentes por um beijo. Era uma paixão impossível, a menos provável de toda minha vida – mais do que meu professor de educação física do 3° ano.

Constantemente sombras me auxiliavam sobre o que pensar e como agir – eu não sabia, mas ela estava lá -.

Certo dia, Sandra chegou em casa – já não suportava mais olhar em sua cara -, dizendo ter uma ótima noticia. Isso me assustava. Ah! Não era possível. Ela e Fernando já namoravam, agora estavam noivos. Isso já era demais, ambos estavam me torturando. Minha vontade era trucidá-los, alternando a ordem para que ambos assistissem ao sofrimento do outro. Eles realmente se amavam, mas eu não aceitava perder. Estava decidido, eu acabaria com a felicidade do casal politicamente correto e apaixonado.

Nos três meses que se passaram fui torturada friamente, tendo que assistir as demonstrações de amor atuadas pelo casal de pombinhos. E segundo minha mãe, o urubu agourento – eu- perturbava. Isso estava prestes a acabar. Estava admirada, conseguia encenar perfeitamente e aparentava gostar do casamento. Eu era uma naja prestes a dar o bote.

Naquele final de semana meus pais e Fernando iriam para Campos do Jordão agilizar os preparativos do casamento – que não iria se realizar -. Como Sandra não estava se sentindo muito bem, eu me propus a cuidar dela. Disse que tinha duas festas para ir, mas que minha irmã era mais importante. Todos me admiraram, eu estava sendo muito nobre. Sandra estava com uma pequena infecção que se não fosse bem tratada, poderia ser fatal. Ela só ficaria bem, se a medicassem corretamente... O que eu não pretendia fazer. Uma coisa que me chamou atenção foi que Fernando parecia estar preocupado com alguma coisa há mais. Ele sabia de algo quê o resto da família não sabia.

Naquela casa só restava eu e Sandra. Seu fim estava bem próximo. Ela estava um pouco debilitada, nem podia se levantar da cama. A tortura começou quando me recusei a ajudara a guiá-la até o banheiro. A garota me olhou com um horror, estava admirada. Não acreditou no olhar de ódio que lancei sobre ela. Também não dei banho, não a alimentei, nem ministrei seus medicamentos. Ah! Ela estava morrendo de fome e sede.

Agora, ela já agonizava e murmurava palavras desconexas como “Cláudia não nos deixe morrer, por favor, não nos deixe morrer”. Algo estava mudando dentro de mim, algo me queimava por dentro, ardia e gelava mutuamente. O ar já não chegava a meus pulmões, fazendo com que eu me sentisse sufocada. Da minha boca saia sangue misturado com palavras de perdão. Eu estava sentindo a mesma dor que Sandra, minha irmã... Gêmea.

O que havia atingido ela, agora me atingia também. Desta forma estávamos nós três mortas. Eu, Sandra e o bebe que nunca chegou a se formar direito. Esta vida acabara de ser interrompida por mim.

Fim

Notas finais
Reviews? =DD
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!