Interrompida
3 Início da vingança
Após esse momento de descoberta e resolução eu resolvi que não devia voltar pra casa daquele jeito (mortos não tem lugar entre os vivos mesmo), então só podia agir para saciar minha sede de vingança.
Escolher a primeira vítima foi fácil, seria Carla, em quem eu mais confiava, era como uma irmã, e foi a pior dos três por ter visto e se deliciado com a cena.
Não sentia mais dor então arrebentei a vitrine da loja e roubei um vestido lilás com capuz, para me livrar do vestido antigo. Antigamente teria amado a cor e os detalhes do vestido, mas eu estou morta e esses pensamentos não cabem aos mortos.
Precisava pensar em como ia me vingar de Carla, sabia onde ela morava, mas não poderia fazer nada lá, a mãe dela estava sempre na casa. Então resolvi me esconder por perto e esperar ela sair de casa para a faculdade. Antes disso consegui roubar um isqueiro numa loga de conveniência, e encontrei um cano enferrujado num beco.
Eram seis da manhã, descobri que não tinha mais sono por estar morta, vi Carla na parada de ônibus em frente a sua casa. Quando ela entrou no ônibus eu coloquei o capuz e fui junto, sem deixar ela ver meu rosto sentei no fundo do ônibus e fiquei observando ela.
Como podia estar tão bem? Não sentia culpa do que fizera? Qual seria seu rancor e ódio por mim para estar tão leve com o fato da minha morte sendo que ela era uma cúmplice?
O ônibus parou e ela desceu, eu a segui de longe. Ela estava seguindo para a faculdade, felizmente perto de lá havia uma construção abandonada.
Quando chegamos perto da construção eu a golpeei na cabeça e ela desmaiou, levei ela até a construção e a acordei. Quando ela me viu sua expressão mudou, ficou aterrorizada, e incrédula, só conseguia negar minha existência e dizer que eu havia morrido.
Eu apenas sorri e a abracei, ela começou a chorar e me abraçou forte, pedindo perdão por tudo. Enquanto ela chorava eu lentamente passei as mão pela suas costas até chegar na garganta. Então eu apertei a garganta dela com toda a minha força ( e mortos movidos a ódio tem uma força extraordinária).
Ergui Carla enquanto ela suplicava perdão, fui apertando cada vez mais forte até ela sufocar enquanto se debatia pra se livrar. Seus movimentos foram ficando mais fracos, sua voz era sussurro de perdão, continuei a apertar até ela parar de se mover (claro, sem deixar de mostrar um sorriso simpático que eu costumava a ter quando viva).
Fiquei segurando seu corpo pela garganta por mais uns dois ou três minutos, para me certificar de que ela estava morta. Soltei seu corpo no chão, e com o isqueiro que eu roubei queimei ao redor de seus olhos e boca.
Vasculhei sua bolsa e encontrei um caderno e caneta abri numa página em branco e escrevi em letras grandes: "SARAH VOLTOU!". Deixei o recado em cima do corpo, e o levei para fora da construção para que alguém encontrasse.
Então fui embora, sem deixar marcas ou registros além do meu recado (porque os mortos não existem ao mesmo tempo que os vivos).
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