Internato Weisheit
3 Capítulo 2
Notas iniciais
POV Íris
Pode até parecer meio rude, mas eu não queria ficar conhecendo os outros alunos, eu não estava com a mínima vontade de sair saltitando e dando bom-dia a todos. O que eu realmente queria era paz, procurar um jardim, queria ver flores e poder me sentar na grama.
E, enquanto todos procuravam seus quartos para desfazer suas malas, eu simplesmente joguei a minha em uma das camas e saí correndo, louca para aspirar o ar fresco, e não aquele cheiro artificial de ar condicionado e purificadores.
Quando sai vi um jardineiro cuidando de um canteiro, ele era jovem, parecia ter por volta de 23 anos e usava um macacão azul por cima de uma roupa verde, perguntei-o onde eu poderia ver flores e ele me falou sobre uma estufa que havia ali perto. Caminhei até lá olhando a paisagem, e quando cheguei fui recompensada com uma visão de tirar o fôlego: vários canteiros retangulares estavam dispostos de maneira uniforme por dezenas de metros quadrados. Nesses canteiros, havia girassóis, lírios, margaridas, petúnias, azaleias, crisântemos, e outras várias flores.
Peguei um botão de rosa para sentir seu cheiro delicado. Porém, meu encanto se dissolveu quando ouvi barulhos de uma bola de basquete. Curiosa e levemente frustrada, girei a cabeça na direção da fonte do som.
Ao lado da estufa, a alguns metros, havia uma quadra de basquete que parecia antiga e que não era muito usada, era descoberta e suas cestas já estavam um pouco enferrujadas. Deslizando no chão de cimento havia um garoto treinando.
Qual era mesmo o nome dele? Ah é, Nami.
Pensei em tentar fazer amizade. Não teria nada a perder. Mas, quando me levantei e começava a andar na direção da quadra, meu braço foi firmemente segurado. Olhei para trás e vi Alice, olhando para mim com uma expressão de irritação.
–Senhorita Íris – ela disse em tom ríspido – A estufa é apenas para funcionários e para a aula de botânica. Devo pedir que se dirija a seu quarto, a reunião no bloco principal começará em 30 minutos.
–Ah... Claro, senhora Alice – respondi envergonhada, dando meia volta para ir aos dormitórios. Quando já estava de costas, senti seus olhos quase fazendo buracos em mim.
Mais vinte minutos para chegar lá. Ouvir o canto dos pássaros me fez ficar mais relaxada e respirar melhor. Mas fiquei pensando o que faria, sem poder ir ao jardim. Não conseguia viver sem flores, fazia parte do meu eu, cresci em meio a natureza, flores, arvores, pássaros, era uma casa bem pequena, vivíamos bem. Minha mãe tinha uma floricultura no centro da cidade e eu a ajudava, nunca havíamos passado fome. Sempre fui apaixonada pela cozinha também, minha mãe me ensinara tudo que sabia na cozinha, eu fazia de tudo, de carnes até doces, e modéstia a parte eu fazia biscoitos incríveis, e éramos só nós duas, sempre, mas minha mãe sempre fez questão de que eu fosse todos os dias à escola, que era bem longe dali e eu sempre me esforcei pra fazê-la feliz, até passei nessa escola de referência.
Mas a pior parte era que eu sempre teria a comida pronta para mim naquela escola e nunca poderia cozinhar. Mas, se era para deixar minha mãe orgulhosa, fazer o quê?
Quando cheguei no dormitório, encontrei a garota pequenina sentada em sua cama, olhando para um bichinho de pelúcia, depois abraçou-o fortemente. Seus pés mal tocavam o chão, e ela de fato parecia ser uma criança.
Quando me viu, ela escondeu o bichinho atrás das costas. Sorri e me aproximei.
–Seu nome é Annie, não é?
–S-sim – ela respondeu um pouco tímida.
–Bem, Annie, sou Íris, como você já deve saber. Que tal você ser minha amiga? – estendi a mão num gesto convidativo.
Ela olhou para mim, ainda tímida, por alguns segundos. Depois, pousou sua mão pequena e delicada na minha.
Enquanto eu arrumava minhas coisas, fomos conversando e nos conhecendo melhor. Assim como eu, a cor dos lençóis dos colchões não lhe agradou. Era um tom bege e sem graça. Eu gostaria mais de um rosa com flores, ou um violeta.
E, quando eu finalmente terminei de me organizar, fomos para o bloco principal, para a tal reunião de boas-vindas. A parte de dentro do bloco principal era grandiosa, um imenso tapete se estendia pelo hall, lustres acesos e alguns monitores nos indicavam o caminho para o salão. Ao chegar lá vi uma grande quantidade de bancas onde vários alunos estavam sentados, um monitor levou eu e Annie até uma das primeiras filas onde os calouros estavam, inclusive Namí que parecia estar suado. Nos sentamos e esperamos até que Alice apareceu.
– Infelizmente o diretor não pode vir pessoalmente, mas pediu-me para dar o discurso de boas-vindas a todos os alunos... – Então ela continuou falando por mais um bom tempo, coisas sobre estudo, regras, horários, e mais um monte de coisa que já havia me feito bocejar varias vezes, até que ela finalmente finalizou, dizendo que teríamos o resto do dia livre para explorar a escola, após o almoço, com exceção de alguns lugares, como a estufa que ela ressaltou olhando pra mim.
Quando aquela enfadonha reunião acabou e os alunos foram dispensados, partimos até um lugar para almoçarmos. Os calouros almoçavam em um bloco diferente dos veteranos, o que reduzia bastante a fila da comida. Almoçamos algo que não tinha muito gosto mas que diziam ser nutritivo, logo após os veteranos voltaram para suas salas de aulas enquanto nós, os calouros, simplesmente tínhamos o dia todo para caminhar pelo colégio para conhecer melhor aquele lugar que parecia ter o tamanho de uma pequena cidade. Eu parava para admirar cada flor que víamos. Andamos muito, por um lado que parecia mais verde, e quando mais andávamos menos prédios vimos, depois de passarmos pela estufa (Com pesar no coração) andamos mais um pouco quando encontramos um pequeno lago e enfim, paramos, nos sentamos e observamos os gansos e cisnes que nadavam alegremente.
Percebemos que havíamos ficado tempo demais conversando quando vimos o relógio: seis e meia da tarde. Já estava escurecendo. Rapidamente eu e Annie nos levantamos da grama da onde estávamos sentadas e corremos. E corremos. E logo percebemos que estávamos perdidas. Minha barriga já roncava, e a sensação térmica era de uns 10 graus. Mas não podia ser tão ruim. Tinha que ter algum funcionário do colégio para ajudar.
Ouvimos alguns barulhos, ruídos de passos que se aproximavam. Nami, o garoto do treinamento de basquete, andava com a bola nas mãos, olhando com curiosidade para nós.
–Ei... Garotas... – ele quase derrubou a bola de basquete que segurava no braço. – Vocês estão perdidas?
Fale com o autor