Internato Valenhall
17 O último Hall Lewis
Às cinco e cinquenta da manhã, o despertador de Alex vibrou discretamente.
Ele desligou o alarme antes que Scott e Trevor acordassem.
Olhou para a cama vazia de Liam.
Ainda era estranho vê-la daquele jeito.
Vestiu um casaco, colocou o celular no bolso e saiu do quarto em silêncio.
No dormitório feminino, Elena fez o mesmo.
Poucos minutos depois, ela, Katy e Cora já caminhavam pelos corredores quase desertos do internato.
Encontraram Alex na escadaria principal.
— Cadê o Scott e o Trevor? — perguntou Elena.
— Devem estar vindo.
Os quatro seguiram até a entrada da passagem secreta.
Cinco minutos se passaram.
Nenhum sinal dos dois.
Alex pegou o celular.
Alex:
"Vocês estão vindo?"
Scott respondeu imediatamente.
Scott:
"Já estamos chegando."
Os quatro se entreolharam.
— Então por que ainda não apareceram? — perguntou Katy.
Nesse instante, Trevor surgiu correndo pelo corredor.
— Scott sumiu!
Alex deu um passo à frente.
— Como assim?
— Eu acordei e ele não estava mais no quarto.
— Achei que já estivesse aqui.
Os cinco ficaram em silêncio.
Foi Elena quem quebrou o silêncio.
— Então... onde ele está?
Antes que alguém respondesse, Scott apareceu no fim do corredor.
Estava ofegante.
— Vocês...
Ele respirou fundo.
— Vocês não vão acreditar.
Todos correram até ele.
— O que aconteceu? — perguntou Trevor.
Scott tirou um envelope dobrado do bolso do casaco.
— Isso estava em cima da minha cama quando acordei.
Alex pegou o envelope.
Era idêntico aos anteriores.
Papel preto.
Sem remetente.
Sem qualquer identificação.
Elena abriu cuidadosamente.
Dentro havia apenas uma folha.
Uma única frase digitada.
"Vocês continuam procurando a porta errada."
O grupo ficou imóvel.
Scott olhou para a entrada da passagem secreta.
— Ontem à noite nós só pensamos na porta de ferro...
Trevor franziu a testa.
— Você está dizendo que...
Scott assentiu lentamente.
— Talvez exista outra passagem.
Alex virou a folha.
No verso havia um desenho simples.
Era a planta parcial do internato.
Uma parte estava circulada com caneta vermelha.
A biblioteca.
Cora arregalou os olhos.
— A biblioteca nunca apareceu na planta antiga...
Scott encarou o mapa.
Pela primeira vez desde o desaparecimento de Liam, eles tinham uma pista concreta.
Mas, enquanto os seis analisavam o desenho, ninguém percebeu que, do outro lado do corredor, atrás da janela da antiga sala de música, alguém observava cada movimento do grupo.
A pessoa fez apenas uma anotação em um pequeno caderno:
"Eles encontraram a segunda pista antes do previsto."
E fechou lentamente a cortina.
Os seis continuavam reunidos diante da entrada da passagem secreta.
Scott ainda segurava o mapa encontrado dentro do envelope.
Todos analisavam a planta, tentando entender por que a biblioteca estava marcada.
Foi Trevor quem quebrou o silêncio.
— Espera...
Ele parecia tentar se lembrar de alguma coisa.
— No início do ano...
Todos olharam para ele.
— No discurso de boas-vindas, a diretora falou que existia uma ala do internato onde nenhum aluno poderia entrar.
Scott assentiu.
— É verdade...
Elena também se recordou.
— Ela disse que aquela ala estava interditada por causa de reformas.
Trevor deu um pequeno sorriso.
— Mas vocês chegaram a ver alguma obra acontecendo?
Ninguém respondeu.
Porque nunca haviam visto.
Trevor continuou:
— Desde aquele dia eu achei estranho.
— Uma ala inteira proibida... e ninguém nunca entrando ou saindo de lá.
Alex cruzou os braços.
— Você acha que aquela ala pode ter ligação com tudo isso?
— Acho.
Trevor olhou novamente para o mapa.
— E acho que o bilhete está tentando nos dividir.
Scott permaneceu em silêncio por alguns segundos.
Depois respirou fundo.
— Talvez seja exatamente isso que devemos fazer.
Os outros o encararam.
Scott apontou para a biblioteca desenhada na planta.
— Se existe alguma coisa escondida lá, precisamos descobrir.
Em seguida, apontou para a direção da ala restrita.
— Mas também não podemos ignorar aquele lugar.
Elena franziu a testa.
— Então vamos nos separar?
Scott assentiu.
Trevor concordou imediatamente.
— Scott, Elena e eu vamos investigar a ala reservada.
Olhou para Alex.
— Enquanto isso...
— Você, Katy e Cora vão para a biblioteca.
Alex fez uma expressão de dúvida.
— Separar o grupo depois do desaparecimento do Liam parece uma péssima ideia.
— Também acho — respondeu Scott.
— Mas perder tempo pode ser pior.
Katy respirou fundo.
— E se encontrarmos alguma coisa?
Scott tirou o celular do bolso.
— Nada de agir sozinhos.
— Assim que um grupo descobrir qualquer pista, avisa imediatamente o outro.
Todos concordaram.
Antes de seguirem caminhos diferentes, Scott fez uma última recomendação.
— Se qualquer um perceber que está sendo seguido...
Ele olhou para cada um dos amigos.
— Não tentem ser heróis.
— Corram.
O grupo se dividiu.
Scott, Trevor e Elena seguiram pelo corredor que levava à antiga ala interditada.
Alex, Katy e Cora caminharam em direção à biblioteca.
Os dois grupos seguiram em direções opostas.
O internato ainda despertava lentamente.
Alguns funcionários começavam a abrir as salas, enquanto poucos alunos caminhavam sonolentos pelos corredores.
Aquilo era uma vantagem.
Ninguém prestava atenção neles.
Scott, Trevor e Elena chegaram ao corredor que levava à ala interditada.
Uma pesada grade de ferro fechava a passagem.
Havia um cadeado.
E uma placa antiga.
ACESSO RESTRITO — FUNCIONÁRIOS AUTORIZADOS.
Trevor aproximou o rosto.
— O cadeado é novo.
Scott passou a mão pela corrente.
— Mas a grade não.
Elena apontou para o chão.
— Olhem isso.
Havia marcas recentes de sapatos na poeira.
Poucas.
Mas suficientes para mostrar que alguém havia passado por ali naquela semana.
Trevor fotografou as pegadas.
— Então alguém entra aqui.
Scott olhou ao redor.
— E não é há muito tempo.
Nesse momento, ouviram passos.
Os três se esconderam atrás de uma coluna.
Um homem usando uniforme de manutenção surgiu carregando uma caixa de ferramentas.
Ele retirou um molho de chaves do bolso.
Abriu o cadeado.
Entrou na ala.
E voltou a trancar a grade por dentro.
Os três esperaram alguns segundos.
Trevor sorriu discretamente.
— Então existe uma chave.
Scott respondeu:
— E agora sabemos quem a tem.
Enquanto isso...
Alex, Katy e Cora entravam na biblioteca.
A bibliotecária ainda organizava alguns livros.
— Bom dia.
Alex sorriu.
— Estamos procurando livros sobre a história do internato.
A mulher apontou para uma estante no fundo.
— Tudo o que sobrou está ali.
— Sobrou?
Perguntou Katy.
A bibliotecária respondeu naturalmente.
— Há uns dez anos boa parte do arquivo histórico foi levada para a direção.
Os três trocaram um olhar.
Alex caminhou até a estante.
Havia poucas caixas.
Poucos livros.
Tudo parecia incompleto.
Enquanto Katy examinava uma prateleira, Cora percebeu algo estranho.
Os livros eram identificados por números.
Arquivo 12.
Arquivo 13.
Arquivo 14.
Arquivo 15.
Arquivo 16.
Depois...
Arquivo 18.
Ela franziu a testa.
— Alex...
Ele se aproximou.
— Está faltando um.
Alex conferiu novamente.
Realmente.
Não existia o Arquivo 17.
Nesse instante, a bibliotecária voltou com uma pilha de livros.
Alex perguntou casualmente:
— O Arquivo 17 está emprestado?
A mulher congelou por um segundo.
Foi rápido.
Mas os três perceberam.
Ela sorriu, claramente desconfortável.
— Deve ter sido perdido há muitos anos.
Depois mudou de assunto.
— Se precisarem de alguma coisa, estarei no balcão.
Assim que ela se afastou, Cora falou bem baixo.
— Ela mentiu.
Katy concordou.
— E nem tentou disfarçar.
Alex fotografou a sequência das etiquetas.
Então enviou a foto para Scott.
Alex:
"Está faltando o Arquivo 17. A bibliotecária ficou nervosa quando perguntei."
Menos de um minuto depois, Scott respondeu.
Scott:
"Aqui também descobrimos algo. A ala proibida está sendo usada."
Os dois grupos ficaram alguns segundos olhando para as mensagens.
Scott guardou o celular.
Olhou novamente para a grade.
Do outro lado, o funcionário da manutenção já havia desaparecido pelos corredores da ala interditada.
Trevor cruzou os braços.
— Não conseguimos passar por aqui sem uma chave.
Elena permaneceu observando o cadeado.
Então sorriu discretamente.
— Talvez não precisemos.
Os dois olharam para ela.
— Se existe uma chave, existe um chaveiro.
Scott entendeu imediatamente.
— A portaria.
Elena assentiu.
— Ou a sala da manutenção.
Trevor sorriu.
— Gostei da ideia.
Scott, porém, balançou a cabeça.
— Não agora.
— Se alguém perceber que uma chave sumiu, toda a escola vai entrar em alerta.
Os três decidiram recuar.
Antes de ir embora, Scott tirou mais uma foto da grade.
Foi então que percebeu um detalhe.
Em um dos pilares havia uma pequena placa metálica, quase coberta pela tinta.
Ele limpou a superfície com a manga do casaco.
As letras apareceram.
ALA NORTE — ARQUIVO CENTRAL
Os três se entreolharam.
— Arquivo? — perguntou Trevor.
Scott fotografou a placa.
— Então essa ala não era apenas um dormitório antigo...
Na biblioteca...
Alex continuava olhando para o espaço vazio onde deveria estar o Arquivo 17.
De repente, Cora puxou delicadamente sua manga.
— Não olha agora.
Alex permaneceu imóvel.
— A bibliotecária está observando a gente.
Sem virar o rosto, ele respondeu:
— Tem certeza?
— Desde que você perguntou pelo Arquivo 17.
Katy fingiu procurar outro livro.
— Ela até parou de organizar as prateleiras.
Alex tomou uma decisão.
Pegou um livro qualquer da estante e caminhou até o balcão.
— Podemos levar este emprestado?
A bibliotecária sorriu.
— Claro.
Enquanto ela preenchia a ficha de empréstimo, Alex olhou discretamente para a mesa.
Havia uma agenda aberta.
Nela estavam anotados vários códigos de arquivos devolvidos.
Entre eles, um chamou sua atenção.
A-17 → D.H.L.
Alex decorou as letras.
Não comentou nada.
Agradeceu e saiu da biblioteca com as meninas.
Assim que a porta se fechou, Katy perguntou:
— Você viu alguma coisa?
Alex respondeu imediatamente.
— O Arquivo 17 não desapareceu.
— Alguém retirou.
— Estava anotado na agenda.
Cora arregalou os olhos.
— Quem?
Alex respirou fundo.
— Só havia três letras.
D.H.L.
Os três ficaram em silêncio.
Até que Katy parou de andar.
— Hall Lewis...
Alex olhou para ela.
— O sobrenome da diretora.
Cora completou:
— Clary Hall Lewis.
Alex balançou a cabeça.
— Não.
— A anotação tinha três iniciais.
D.
H.
L.
Nenhum dos três conhecia alguém com aquelas iniciais.
Naquele instante, o celular de Alex vibrou.
Era Scott.
Scott:
"Encontramos uma placa. A ala proibida se chama Arquivo Central."
Alex respondeu na mesma hora.
Alex:
"O Arquivo 17 foi retirado por alguém identificado apenas como D.H.L."
Scott leu a mensagem duas vezes.
Seu coração acelerou.
Havia algo que ele lembrava.
Muito vagamente.
Durante a conversa da noite anterior...
Clary havia dito que o internato fora reinaugurado pelo Grupo Hall Lewis.
Mas nunca mencionara o primeiro nome do fundador.
Scott parou no meio do corredor.
Olhou para Trevor e Elena.
— Acho que estamos procurando a pessoa errada.
Trevor franziu a testa.
— Como assim?
Scott mostrou a mensagem.
— Talvez D.H.L. não seja um funcionário...
Nem um professor.
Ele levantou os olhos.
— Acho que essas iniciais pertencem a alguém da família Hall Lewis... alguém de quem ninguém nunca fala.
Pouco antes das sete horas da manhã, os dois grupos voltaram a se encontrar na escadaria principal do Internato Valenhall.
Os primeiros alunos começavam a aparecer pelos corredores.
Para quem passava, os seis pareciam apenas conversar antes do início das aulas.
Mas todos estavam tensos.
Scott foi o primeiro a falar.
— O que vocês descobriram?
Alex contou tudo.
A estante da biblioteca.
O Arquivo 17 desaparecido.
A reação da bibliotecária.
E, principalmente, a anotação na agenda.
A-17 → D.H.L.
Trevor permaneceu em silêncio por alguns segundos.
Então perguntou:
— Scott... você disse que lembrou de alguma coisa.
Scott assentiu.
— Ontem à noite, quando a Clary contou sobre a reinauguração do internato, ela falou que tudo foi financiado pelo Grupo Hall Lewis.
Elena cruzou os braços.
— Mas nunca explicou quem faz parte desse grupo.
Scott continuou.
— Exatamente.
— Nós simplesmente aceitamos o nome como se fosse uma empresa qualquer.
Alex olhou para o celular.
— Pesquisar agora seria fácil...
Trevor balançou a cabeça.
— Não.
Todos olharam para ele.
— Se isso estiver ligado ao desaparecimento do Liam, é melhor não deixar rastros.
— Se alguém está observando a gente, pode monitorar nossas pesquisas.
Scott concordou.
— Então vamos pensar apenas no que já sabemos.
Katy começou a organizar as ideias.
— O internato fechou em 1999.
— Depois ficou anos abandonado.
— Em 2018 foi comprado e reinaugurado pelo Grupo Hall Lewis.
Cora completou:
— E hoje a diretora é Clary Hall Lewis.
Alex respirou fundo.
— Então a família Hall Lewis controla o internato há décadas.
Scott fez que não com a cabeça.
— Não exatamente.
Todos o encararam.
— Clary estudou aqui em 1995.
— Naquela época ela era apenas uma aluna.
— O Grupo Hall Lewis ainda não administrava o colégio.
Trevor arregalou os olhos.
— Espera...
— Então quem comprou o internato foi alguém da família dela... anos depois.
Scott assentiu.
— E isso muda tudo.
Elena franziu a testa.
— Por quê?
Scott respondeu sem hesitar.
— Porque não parece uma compra comum.
O grupo ficou em silêncio.
Scott continuou:
— Imaginem isso.
— Um internato fecha depois de mortes, desaparecimentos e investigações.
— Quase vinte anos depois...
— Justamente uma ex-aluna envolvida em tudo aquilo volta como diretora.
Alex completou o raciocínio.
— E a família dela compra toda a propriedade.
Ninguém respondeu.
Era uma coincidência grande demais.
Trevor olhou para os amigos.
— E se eles não compraram o internato por causa da escola?
— E sim por causa do que existe aqui dentro?
A pergunta fez todos se calarem.
Scott sentiu um arrepio.
Pela primeira vez, a porta de ferro deixou de parecer o centro de tudo.
Talvez ela fosse apenas uma peça de algo muito maior.
Katy quebrou o silêncio.
— Ainda tem uma coisa que está me incomodando.
Todos olharam para ela.
— Se o Grupo Hall Lewis comprou o internato em 2018...
— Então alguém da família certamente teve acesso a todos os documentos antigos.
Alex concordou.
— Arquivos de alunos...
— Relatórios...
— Plantas da escola...
— Tudo.
Elena respirou fundo.
— Inclusive o Arquivo 17.
Scott olhou para o grupo.
— E se esse arquivo foi retirado de propósito...
— Alguém queria impedir que qualquer pessoa descobrisse o que havia nele.
Trevor cruzou os braços.
— Ou queria que ninguém soubesse que ele existiu.
O grupo permaneceu em silêncio.
Naquele instante, o sinal anunciando o início das aulas ecoou por todo o internato.
Os corredores começaram a se encher de alunos.
Scott guardou o celular no bolso.
— Por enquanto, a gente age como se nada tivesse acontecido.
Trevor sorriu de canto.
— E durante as aulas...
Alex completou:
— Continuamos investigando.
Enquanto os seis se misturavam aos demais estudantes, uma porta no segundo andar foi fechada discretamente.
Lá de dentro, alguém que havia escutado parte da conversa fez apenas uma anotação em um velho caderno:
"Eles finalmente começaram a investigar o Grupo Hall Lewis."
Abaixo da frase, havia uma lista de nomes.
Erik Hall Lewis.Clary Hall Lewis.E um terceiro nome, completamente coberto por tinta preta, tornando impossível identificar quem era.
A pessoa fechou o caderno, sorriu discretamente e murmurou:
— Estão chegando perto...
O sinal ecoou pelos corredores.
Os seis se separaram e seguiram para suas salas.
Pela primeira vez desde o desaparecimento de Liam, precisavam fingir que tudo estava normal.
Mas ninguém conseguia prestar atenção em outra coisa.
A primeira aula era Literatura.
Professor Cristian.
Os alunos começaram a ocupar seus lugares.
Scott olhou discretamente para a carteira vazia de Liam.
Continuava exatamente como no dia anterior.
Cristian entrou carregando alguns livros.
Seu rosto denunciava uma noite sem dormir.
Ele fez a chamada normalmente.
Quando chegou ao nome de Liam, fez uma pequena pausa.
Depois continuou como se nada tivesse acontecido.
A aula começou.
Cristian falava sobre um romance clássico, mas sua atenção parecia estar em outro lugar.
Diversas vezes olhou para o relógio.
Trevor percebeu.
Scott também.
Quase vinte minutos depois, alguém bateu à porta.
Era Meredith.
— Professor Cristian.
A diretora pediu que o senhor fosse até a sala dela.
Cristian fechou o livro imediatamente.
— Continuem a leitura em silêncio. Eu volto em alguns minutos.
Ele saiu da sala.
A porta se fechou.
Os alunos voltaram a conversar.
Alex, que estava próximo à janela, observou Cristian atravessando o pátio.
Franziu a testa.
Levantou discretamente a mão para chamar Scott.
— Olha.
Scott aproximou-se da janela.
Cristian caminhava em direção ao prédio antigo.
Não para a administração.
Nem para a diretoria.
Seguiu exatamente pelo corredor que levava à ala interditada.
Trevor também viu.
— Mas a Meredith disse que a Clary queria falar com ele...
Elena respondeu em voz baixa.
— Então um dos dois mentiu.
Os minutos passaram.
Cristian não voltou.
Quem entrou na sala foi Clary.
Ela sorriu para os alunos.
— Bom dia.
O professor Cristian precisou resolver um assunto urgente.
Como ele não poderá continuar a aula, vocês terão este período para leitura.
Ninguém respondeu.
Clary desejou um bom trabalho e saiu.
Assim que a porta se fechou, Scott reuniu discretamente os amigos no fundo da sala.
— Perceberam?
Alex assentiu.
— Ela confirmou que chamou o Cristian.
Trevor balançou a cabeça.
— Mas ele não foi para a diretoria.
Elena pensava em voz alta.
— Existem duas possibilidades.
Katy olhou para ela.
— Quais?
— Ou o Cristian mentiu para a Clary e aproveitou o chamado para ir até a ala interditada...
Ela fez uma pausa.
— Ou a própria Clary sabe exatamente onde ele foi.
O grupo permaneceu em silêncio.
Era a primeira vez que uma suspeita recaía diretamente sobre um dos três adultos que haviam sobrevivido aos acontecimentos de 1995.
Scott respirou fundo.
— Até agora nós estávamos tentando descobrir quem está escondendo a verdade.
Ele olhou para cada um dos amigos.
— Acho que chegou a hora de descobrir qual deles está escondendo o quê.
A frase ficou ecoando entre os seis.
Talvez Noah, Cristian e Clary não estivessem do mesmo lado.
E, se isso fosse verdade...
A história que eles haviam contado na noite anterior podia ser apenas uma parte da verdade.
O restante da aula passou lentamente.
Ninguém do grupo conseguiu prestar atenção.
Assim que o sinal do intervalo tocou, Scott fez um gesto discreto.
Os seis seguiram para um corredor pouco movimentado, próximo ao antigo salão de música.
Scott foi direto ao assunto.
— Tem uma coisa errada.
Trevor concordou.
— Cristian foi para a ala interditada.
— Clary disse que o chamou.
— Mas ninguém sabe se isso é verdade.
Elena cruzou os braços.
— Antes de suspeitarmos deles, precisamos de alguma prova.
Alex respirou fundo.
— Então vamos descobrir quem está mentindo.
Nesse instante, ouviram uma voz atrás deles.
— Procurando provas?
Os seis se viraram imediatamente.
Era Meredith.
A recepcionista.
Ela segurava uma pasta cheia de documentos.
Ao perceber o susto dos alunos, sorriu.
— Relaxem.
Só vim buscar alguns arquivos.
Ela entrou em uma pequena sala ao lado do corredor.
A porta permaneceu aberta.
Durante alguns segundos, todos ficaram imóveis.
Então Cora percebeu algo.
— Esperem...
Ela apontou discretamente para dentro da sala.
Sobre uma mesa havia dezenas de fotografias antigas espalhadas.
Uma delas chamou sua atenção.
Era uma fotografia em preto e branco.
Parecia ter sido tirada muitos anos antes.
Meredith atendeu o telefone da recepção.
— Só um instante...
Ela saiu apressada da sala, deixando a porta aberta.
Scott não pensou duas vezes.
Entrou.
Pegou rapidamente a fotografia.
Os outros entraram logo atrás.
Era uma foto da cerimônia de inauguração do internato.
Na parte inferior estava escrito:
"Internato Valenhall — Primavera de 1987."
Trevor arregalou os olhos.
— Isso é impossível...
Scott franziu a testa.
— Por quê?
Trevor apontou para o centro da fotografia.
— Olha quem está aqui.
Todos aproximaram o rosto.
No centro da imagem havia um homem elegante usando um sobretudo escuro.
Ao seu lado, um garoto de aproximadamente quinze anos.
Os dois sorriam para a câmera.
Na legenda estavam os nomes.
Erik Hall Lewis.
E logo abaixo...
Daniel Hall Lewis.
Os seis se entreolharam.
Alex foi o primeiro a falar.
— Daniel...
Katy imediatamente lembrou.
— D.H.L.
O mesmo conjunto de iniciais anotado ao lado do Arquivo 17.
Scott sentiu um frio percorrer o corpo.
— Então D.H.L. não era um código...
Era uma pessoa.
Elena continuou lendo a legenda.
Mas, ao chegar à última linha, sua expressão mudou completamente.
Ela empalideceu.
— Scott...
Sua voz saiu quase como um sussurro.
— Tem mais uma coisa.
Scott pegou a fotografia.
No canto inferior direito havia uma anotação feita à mão, com tinta já desbotada.
"Fotografia tirada um ano antes do desaparecimento de Daniel Hall Lewis."
O corredor inteiro ficou em silêncio.
Trevor respirou fundo.
— Espera...
— Daniel Hall Lewis desapareceu?
Alex respondeu sem tirar os olhos da foto.
— E ninguém nunca mencionou esse nome.
Scott apertou a fotografia entre os dedos.
Pela primeira vez, eles tinham uma certeza.
O Grupo Hall Lewis escondia um segredo muito mais antigo do que os acontecimentos de 1995.
E talvez Liam não fosse a primeira pessoa a desaparecer dentro de Valenhall.
Naquele momento, passos se aproximaram da sala.
Meredith estava voltando.
Scott colocou a fotografia de volta exatamente onde a encontrara.
Os seis saíram da sala um segundo antes de ela entrar.
Assim que Meredith desapareceu pelo corredor, Scott fez um sinal para que ninguém falasse.
Os seis caminharam até o jardim interno.
Somente quando tiveram certeza de que estavam sozinhos, Trevor quebrou o silêncio.
— Daniel Hall Lewis.
Alex repetiu o nome em voz baixa.
— O dono das iniciais.
Elena olhava para o chão.
— O que mais me incomoda não é o desaparecimento dele.
Todos olharam para ela.
— É o fato de ninguém nunca ter mencionado esse nome.
Scott assentiu.
Era verdade.
Clary contou a história de 1995.
Noah contou sobre a passagem.
Cristian explicou a porta de ferro.
Nenhum dos três citou Daniel Hall Lewis.
Nem uma única vez.
Como se ele jamais tivesse existido.
Naquele instante, Katy teve uma ideia.
— Esperem...
Ela abriu o aplicativo do internato.
Todo aluno possuía acesso ao anuário digital.
Era uma espécie de arquivo com fotografias e informações históricas da escola.
— Se Daniel estudou aqui...
— O nome dele deve aparecer em algum lugar.
Os seis se aproximaram.
Katy digitou:
Daniel Hall Lewis.
A pesquisa terminou rapidamente.
Nenhum resultado encontrado.
Alex franziu a testa.
— Escreve só Hall Lewis.
Ela fez outra busca.
Apareceram dezenas de registros.
Clary Hall Lewis.
Ex-aluna.
Atual diretora.
Mais alguns antigos patrocinadores.
Funcionários.
Ex-professores.
Mas...
Daniel Hall Lewis não aparecia.
Nem Erik Hall Lewis.
Scott sentiu um frio na barriga.
— Não faz sentido.
Trevor pegou o celular.
— Talvez o sistema seja recente.
Elena respondeu imediatamente.
— Não.
Olha isso.
Ela abriu a seção "Fundadores e Benfeitores".
Havia fotografias de pessoas do século passado.
Até funcionários aposentados.
Mas nenhuma referência a Erik Hall Lewis.
Scott ficou alguns segundos olhando para a tela.
Depois falou quase num sussurro.
— Alguém apagou essa família da história do internato.
O grupo inteiro permaneceu em silêncio.
Nesse momento, uma voz interrompeu a conversa.
— Posso ver isso?
Todos se assustaram.
Era Noah.
Ele estava parado atrás deles.
Ninguém o ouvira chegar.
Scott hesitou por alguns segundos.
Depois entregou o celular.
Noah observou a tela.
Seu rosto perdeu completamente a expressão.
Ele fechou o aplicativo.
Devolveu o aparelho.
E perguntou apenas uma coisa.
— Onde vocês ouviram esse nome?
Scott decidiu dizer a verdade.
— Encontramos uma fotografia antiga.
— Daniel Hall Lewis.
Noah ficou completamente imóvel.
Seu olhar mudou.
Pela primeira vez, parecia assustado.
Muito assustado.
Depois respirou fundo.
— Escutem com atenção.
Os seis aguardaram.
Noah falou baixo, olhando para os corredores para ter certeza de que ninguém os ouvia.
— Há quinze anos eu procurei exatamente esse nome.
— Em todos os arquivos do internato.
— Não encontrei nada.
Scott franziu a testa.
— Então ele nunca estudou aqui?
Noah balançou a cabeça lentamente.
— Não.
— Ele estudou.
Todos ficaram em silêncio.
Noah continuou:
— Eu encontrei provas.
Fotografias.
Listas de alunos.
Boletins.
Até cartas assinadas por ele.
Alex perguntou:
— Então onde elas estão?
Noah respondeu com uma frase que fez todos prenderem a respiração.
— No dia seguinte...
Elas desapareceram.
Trevor arregalou os olhos.
— Todas?
— Todas.
— Como se nunca tivessem existido.
Scott sentiu um arrepio.
— Então alguém está apagando pessoas da história do internato...
Noah olhou diretamente para ele.
E respondeu algo ainda mais perturbador.
— Não, Scott.
Fez-se um silêncio absoluto.
Então Noah concluiu:
— Estão apagando apenas uma família.
E, pela primeira vez desde o início da investigação, ele revelou algo que jamais havia contado a Clary ou a Cristian.
— Porque Daniel Hall Lewis não foi o primeiro Hall Lewis a desaparecer em Valenhall.
— Foi o segundo.
O jardim inteiro mergulhou em um silêncio pesado.
Agora havia uma nova pergunta.
Se Daniel foi o segundo...
Quem foi o primeiro?
Elena tentou organizar todas as informações.
Olhou para Noah e falou devagar:
— Deixa eu entender...
— Daniel é pai de Erik...
— E Erik é pai da Clary?
Noah ficou alguns segundos em silêncio.
Depois assentiu.
— Sim.
— Daniel Hall Lewis era o patriarca da família naquela época.
— Erik era o filho mais velho.
— Muitos anos depois, Erik teve Clary.
Trevor arregalou os olhos.
— Então o homem da fotografia de 1987...
— Era o avô da Clary.
— Exatamente — respondeu Noah.
Scott cruzou os braços.
— Então, se Daniel desapareceu...
— A própria família Hall Lewis perdeu um de seus membros dentro de Valenhall.
— Sim.
— E foi justamente depois disso que tudo começou a mudar.
Alex franziu a testa.
— O quê mudou?
Noah respondeu:
— A família nunca mais falou sobre Daniel.
— O nome dele desapareceu dos documentos.
— As fotografias começaram a sumir.
— E qualquer registro que o mencionasse era destruído ou simplesmente desaparecia.
Elena ficou pensativa.
— Então a Clary sabe de tudo isso?
Noah balançou a cabeça.
— Não tenho certeza.
Todos olharam para ele.
— Ela sabe que Daniel existiu.
— Afinal, era seu avô.
— Mas não sei o quanto ela conhece sobre o desaparecimento dele.
Scott estranhou.
— Como assim?
— A própria família escondia esse assunto até entre seus membros?
Noah respirou fundo.
— Era exatamente isso que acontecia.
— Havia coisas que apenas uma geração contava para a seguinte.
— E outras...
Ele fez uma pausa.
— Que simplesmente deixavam de ser contadas.
Trevor olhou para Scott.
— Então talvez a Clary esteja procurando respostas tanto quanto nós.
Noah não respondeu.
Apenas desviou o olhar para o antigo prédio do internato.
Como se uma lembrança distante tivesse acabado de voltar.
Então murmurou:
— Existe uma última coisa sobre Daniel...
Scott imediatamente perguntou:
— O quê?
Noah respondeu em voz baixa:
— Daniel Hall Lewis nunca foi declarado morto.
O grupo ficou em silêncio.
— O processo da família dizia apenas uma palavra.
Ele olhou para cada um dos seis.
— Desaparecido.
E foi exatamente a mesma palavra usada décadas depois nos casos de Vick...
...e de Liam.
Noah permaneceu alguns segundos em silêncio.
Parecia lutar contra uma decisão que havia adiado por muitos anos.
Por fim, respirou fundo.
— Talvez isso ajude vocês na investigação.
Os seis aguardaram.
Noah continuou:
— Existe uma coisa que ninguém sabe.
Scott franziu a testa.
— O quê?
Noah olhou para cada um deles antes de responder.
— Eu também sou um Hall Lewis.
O mundo pareceu parar.
Trevor foi o primeiro a reagir.
— Como assim?
Noah respondeu calmamente:
— Erik Hall Lewis também é meu pai.
Os seis ficaram completamente imóveis.
Alex arregalou os olhos.
— Espera...
— Então por que você se apresenta como Noah Sanmerry?
Noah abaixou a cabeça.
— Porque esse é o sobrenome da minha mãe.
— Depois que nasci, ela decidiu que eu nunca usaria o sobrenome Hall Lewis.
Elena tentou organizar os pensamentos.
— Então...
— Você e a Clary...
Noah interrompeu antes que ela terminasse.
— Temos o mesmo pai.
O silêncio tomou conta do jardim.
Scott mal conseguia acreditar.
Durante todo esse tempo, Clary Hall Lewis e Noah Sanmerry trabalharam lado a lado.
E ninguém jamais desconfiou da ligação entre eles.
Katy foi quem conseguiu formular a pergunta que todos tinham.
— A Clary sabe disso?
Noah demorou alguns segundos para responder.
— Sabe.
— Descobrimos já adultos.
— Antes disso, nenhum dos dois fazia ideia.
Trevor passou a mão pelos cabelos.
— Então vocês esconderam isso de todo mundo?
— Sim.
— Foi uma decisão nossa.
Alex olhou para Noah.
— Mas por quê?
Noah desviou o olhar para o prédio principal.
— Porque o sobrenome Hall Lewis nunca trouxe proteção para ninguém.
Fez uma breve pausa.
— Apenas problemas.
Scott respirou fundo.
Agora tudo parecia ainda mais complicado.
Se Noah era filho de Erik Hall Lewis...
Então não estava investigando aquele mistério apenas como professor.
Estava investigando a própria família.
Noah voltou a olhar para os seis.
Sua expressão era séria.
— É por isso que eu nunca desisti de descobrir o que aconteceu com Daniel.
Ele fez uma pausa.
— Porque, antes de ser um mistério do internato...
Esse também é um mistério da minha família.
O jardim permaneceu em silêncio.
Scott ainda tentava processar a revelação.
— Então... você também é um Hall Lewis...
Noah apenas assentiu.
Foi Elena quem rompeu o silêncio.
— Isso significa que você também herdaria tudo o que pertence à família?
Noah sorriu de forma amarga.
— Se as coisas fossem tão simples...
Trevor franziu a testa.
— O que quer dizer?
Noah respirou fundo.
— Existe outra coisa que nunca contei.
Os seis prenderam a respiração.
— Daniel Hall Lewis nunca foi o chefe da família.
Scott arregalou os olhos.
— Mas você acabou de dizer que ele era o patriarca.
— Era o patriarca conhecido.
A resposta deixou todos confusos.
Alex cruzou os braços.
— Existe diferença?
Noah assentiu.
— Muita.
Ele olhou para o antigo prédio principal.
— Daniel tinha um irmão mais velho.
O grupo inteiro ficou imóvel.
Elena foi a primeira a reagir.
— Um irmão?
— Sim.
— Mais velho.
— E herdeiro legítimo da família Hall Lewis.
Scott sentiu um frio percorrer a espinha.
— Qual era o nome dele?
Noah respondeu sem hesitar.
— Edward Hall Lewis.
Ninguém reconheceu o nome.
Trevor franziu a testa.
— Nunca ouvimos falar dele.
— Exatamente.
Noah continuou:
— Porque todos os documentos da família começam por Daniel.
— Como se Edward jamais tivesse existido.
Scott arregalou os olhos.
— Igual ao que aconteceu com Daniel...
Noah assentiu.
— Foi aí que percebi.
— A família Hall Lewis não começou a apagar pessoas depois do desaparecimento de Daniel.
Ele fez uma pausa.
— Eles já faziam isso antes.
Um silêncio pesado tomou conta do jardim.
Katy falou quase sem voz.
— Então Daniel não foi o primeiro Hall Lewis a desaparecer...
— Nem o segundo.
Noah olhou diretamente para ela.
— Não.
— Daniel foi apenas o primeiro de quem restou alguma lembrança.
Os seis ficaram completamente imóveis.
Noah colocou a mão no bolso do casaco.
Retirou uma pequena chave de bronze, antiga e desgastada.
Scott reconheceu imediatamente.
— A chave da caixa.
Noah assentiu.
— Eu menti para vocês.
O coração de Scott disparou.
— Como assim?
— Eu disse que nunca descobri para que ela servia.
Noah fechou a mão sobre a chave.
— Descobri.
Todos prenderam a respiração.
— Ela abre uma porta.
Scott perguntou imediatamente:
— A porta de ferro?
Noah balançou a cabeça.
Sua resposta destruiu todas as teorias que haviam construído.
— Não.
Ele olhou para o prédio principal.
— Ela abre um lugar que nem Clary...
...nem Cristian...
...sabem que existe.
Silêncio absoluto.
Então Noah concluiu:
— Porque a passagem secreta que vocês encontraram...
Ele apertou a chave entre os dedos.
— Não é a passagem original de Valenhall.
— Porque a passagem secreta que vocês encontraram...
Noah apertou a chave entre os dedos.
— Não é a passagem original de Valenhall.
Por alguns segundos, ninguém conseguiu reagir.
O som distante dos outros alunos atravessava o jardim, mas parecia vir de outro mundo.
Scott foi o primeiro a encontrar a voz.
— Então o que é aquela passagem?
Noah olhou para ele.
— Uma cópia.
Trevor franziu a testa.
— Uma cópia de quê?
Noah voltou os olhos para o internato.
— De algo muito mais antigo.
Elena deu um passo à frente.
— Você está dizendo que alguém construiu uma segunda passagem para esconder a primeira?
— Não exatamente.
Noah respirou fundo.
— A passagem que vocês conhecem foi construída para levar as pessoas até a porta de ferro.
— A original foi construída para fugir dela.
O silêncio que se seguiu foi ainda pior.
Scott sentiu o corpo inteiro arrepiar.
— Fugir da porta?
Noah assentiu.
— Ou do que existe atrás dela.
Katy levou a mão à boca.
Alex tentou rir, mas o som morreu antes de sair.
— Isso não pode ser verdade.
Noah mostrou a chave.
— Eu também pensei assim.
— Até encontrar a fechadura.
Trevor aproximou-se.
— Onde?
Noah demorou a responder.
— Debaixo da torre do relógio.
Scott lembrou imediatamente das antigas histórias.
Do professor que afirmara ter visto alguém observando do alto da torre.
Do desaparecimento dele.
Das pegadas.
Da bota militar.
Tudo parecia se encaixar de uma forma perturbadora.
— A torre... — murmurou Scott.
Noah assentiu.
— A torre nunca foi apenas uma torre.
Ele começou a caminhar.
Os seis o seguiram sem discutir.
Noah os conduziu por corredores pouco utilizados, passou pelo antigo salão de música e desceu uma escada estreita destinada aos funcionários.
No fim dela havia uma porta de madeira, parcialmente escondida atrás de caixas e móveis cobertos por lençóis.
Scott olhou para Noah.
— Isso leva à torre?
— Leva à base dela.
Noah afastou as caixas.
Atrás delas, surgiu uma parede de pedra.
Nada mais.
Trevor examinou o local.
— Não tem porta nenhuma.
Noah aproximou-se da parede.
Passou os dedos entre as pedras até encontrar uma pequena abertura quase invisível.
Ali havia uma fechadura.
Ele ergueu a chave.
— Tem certeza de que quer mostrar isso para a gente? — perguntou Elena.
Noah a encarou.
— Não.
Então colocou a chave na fechadura.
Girou.
Um estalo seco ecoou pela escadaria.
A parede inteira tremeu.
Katy recuou assustada.
Uma das pedras se moveu para dentro, revelando uma passagem tão estreita que uma pessoa precisava entrar de lado.
Um ar gelado escapou da abertura.
Mas não havia cheiro de umidade.
Havia cheiro de madeira queimada.
Noah acendeu a lanterna do celular.
— Fiquem juntos.
Entraram.
A passagem descia em espiral por baixo da torre.
As paredes eram mais antigas do que as do corredor secreto que conheciam.
Não havia nomes gravados.
Nem símbolos.
Nem inscrições.
Apenas riscos profundos na pedra.
Como se alguém tivesse tentado encontrar uma saída usando as próprias mãos.
Depois de alguns minutos, chegaram a uma pequena sala circular.
No centro havia uma mesa de madeira coberta por poeira.
Em uma das paredes estavam penduradas dezenas de fotografias.
Scott aproximou-se lentamente.
E então percebeu.
Todas mostravam pessoas desaparecidas em Valenhall.
Daniel Hall Lewis.
Vick.
O antigo professor de História.
O bibliotecário Arthur.
A aluna oficialmente morta por afogamento.
Outros rostos que nenhum deles conhecia.
Embaixo de cada fotografia havia uma data.
E uma palavra escrita à mão.
Escolhido.
Elena respirou fundo.
— Quem fez isso?
Noah não respondeu.
Ele olhava para a última fotografia da parede.
Diferente das demais, ela não estava coberta por poeira.
Era recente.
Muito recente.
Scott aproximou-se.
Seu coração parou.
A fotografia mostrava Liam.
Parecia ter sido tirada dentro do próprio internato.
Na parte inferior, uma data havia sido escrita.
A data daquele dia.
Alex avançou de imediato.
— Liam está vivo.
Noah observou a imagem com atenção.
— Talvez.
Trevor apontou para uma palavra escrita embaixo da foto.
Não era “Escolhido”.
Era outra.
Devolvido.
Os seis se entreolharam.
Scott sentiu o estômago revirar.
— Devolvido para onde?
Um ruído metálico surgiu atrás deles.
A passagem por onde haviam entrado começou a se fechar.
Noah correu, mas chegou tarde demais.
A parede de pedra se encaixou novamente.
Todos estavam presos.
Então uma luz se acendeu do outro lado da sala.
Não era uma lâmpada antiga.
Era um monitor.
A tela piscou.
Uma imagem surgiu.
Era uma gravação ao vivo.
Mostrava a sala da diretoria.
Clary estava sentada diante da mesa.
Sozinha.
Parecia esperar por alguém.
Poucos segundos depois, a porta se abriu.
Cristian entrou.
Colocou sobre a mesa uma pasta escura.
Clary abriu.
Dentro estava a fotografia de 1987.
A mesma que os alunos haviam encontrado.
Elena olhou para Noah.
— Eles pegaram a fotografia.
Noah não respondeu.
Na tela, Cristian tirou outro documento da pasta.
Uma certidão antiga.
Clary leu.
Seu rosto empalideceu.
Então levantou os olhos para Cristian.
Mesmo sem áudio, todos perceberam a pergunta em seus lábios.
“Ele sabe?”
Cristian respondeu.
Dessa vez, Scott conseguiu ler perfeitamente:
“Ainda não.”
Noah se aproximou do monitor.
— Saber o quê?
A gravação mudou.
Apareceu uma imagem antiga, sem cor.
Nela, Daniel Hall Lewis estava diante da porta de ferro.
Ao seu lado havia um homem que ninguém reconheceu.
O rosto dele estava parcialmente escondido pela sombra.
Mas, quando se virou, Noah perdeu o ar.
Era Erik Hall Lewis.
Seu pai.
Muito mais jovem.
Na gravação, Daniel discutia com ele.
Não havia som.
Então Erik empurrou o próprio pai para dentro da sala.
A porta de ferro começou a se fechar.
Daniel tentou sair.
Erik permaneceu parado.
Assistindo.
A imagem desapareceu.
Katy começou a chorar silenciosamente.
Scott encarou Noah.
— Foi seu pai.
Noah não se mexeu.
Parecia incapaz de respirar.
A tela piscou uma última vez.
Uma frase surgiu.
DANIEL HALL LEWIS NÃO DESAPARECEU.
Logo abaixo, outra mensagem apareceu lentamente.
A VERDADE NUNCA ESTEVE NA PORTA.
O monitor ficou preto por alguns segundos.
Então uma nova imagem começou a aparecer.
Era uma sala escura.
As paredes eram de pedra.
No fundo, havia uma cadeira de madeira.
Nela estava Liam.
Estava vivo.
Assustado.
Mas consciente.
Scott deu um passo à frente.
— Liam...
Ao lado da cadeira havia uma porta antiga de ferro.
Tudo parecia exatamente como nas histórias.
De repente, alguém entrou na imagem.
Não era um homem.
Era uma senhora.
Os cabelos completamente brancos caíam até os ombros.
Vestia um longo casaco preto.
Seu rosto estava marcado pelo tempo.
Mas havia algo estranhamente familiar nela.
Ela caminhou lentamente até ficar atrás de Liam.
Noah prendeu a respiração.
A mulher levantou o rosto.
A luz iluminou seus olhos.
No mesmo instante, Noah empalideceu.
Seu corpo inteiro congelou.
— Não...
Scott olhou para ele.
— O que foi?
Noah continuava encarando a tela.
Sua voz saiu quase sem força.
— Isso...
— Isso é impossível...
Trevor aproximou-se.
— Você conhece essa mulher?
Noah deu mais um passo.
As mãos começaram a tremer.
Os olhos se encheram de lágrimas.
Então ele sussurrou:
— Vick...
O silêncio foi absoluto.
Scott virou-se rapidamente.
— O quê?
Noah não conseguia desviar os olhos da tela.
— É ela...
— Eu reconheceria esse olhar em qualquer lugar.
Elena ficou completamente confusa.
— Mas a Vick desapareceu em 1995...
Noah balançou lentamente a cabeça.
— Sim...
— E ela tinha dezessete anos.
Scott olhou novamente para a mulher.
Ela aparentava ter mais de setenta.
Aquilo era impossível.
Alex falou quase sem voz.
— Como alguém desaparecido há trinta anos pode estar tão velha?
Ninguém respondeu.
Na gravação, a mulher colocou delicadamente a mão sobre o ombro de Liam.
Depois olhou diretamente para a câmera.
Era como se soubesse exatamente que estavam assistindo.
Então sorriu.
Um sorriso triste.
Conhecido.
Noah levou a mão à boca.
— É o mesmo sorriso...
Trevor olhou para ele.
— De quem?
— Da fotografia da turma de 1995.
Elena sentiu um arrepio percorrer seu corpo.
Naquele instante, a mulher começou a mover os lábios.
Não havia som.
Mas Noah conseguiu entender cada palavra.
Sua expressão mudou completamente.
Scott segurou seu braço.
— O que ela disse?
Noah respondeu quase sem conseguir respirar.
— Ela disse...
Fez uma longa pausa.
— "Eu esperei vocês voltarem."
Todos permaneceram imóveis.
A imagem começou a falhar.
Antes de desaparecer completamente, a mulher levantou lentamente a mão.
No dedo anelar havia um anel prateado.
No centro dele, gravado com perfeição, estava o brasão da família Hall Lewis.
A transmissão foi interrompida.
A sala mergulhou novamente na escuridão.
Então, pela primeira vez desde que entraram naquele lugar, Noah falou algo que destruiu todas as certezas do grupo.
— Nós procuramos a pessoa errada durante trinta anos.
Scott o encarou.
— O que você quer dizer?
Noah respirou fundo.
Olhou para a porta de ferro.
Depois para a tela apagada.
E concluiu:
— Daniel nunca foi a chave deste mistério.
— Sempre foi a Vick.
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