Internato
6 Capítulo 6
Foi entre o momento em que consegui descer pra comer algo e quando fui falar com Galdi que tomei minha decisão.
Subi e deixei minhas coisas prontas. Desci completamente armada e com munições. Tinha até uma muda extra de roupas, kit de sobrevivência e mais armamentos numa mochila extremamente discreta e fácil de esconder embaixo de uma blusa.
Respirei fundo enquanto descia o ultimo lance de escadas. Larguei minha mochila onde seria a recepção.
Mal consegui engolir uma bolacha e um copo de água antes de descer até Galdi – uma água e sal foi o que provocou a menor reação no meu estomago.
Novamente ao me ver, Galdi mandou todo mundo sair. Juca passou por mim e me encarou de um jeito mais malicioso que o normal. Ele nunca se atreveria a nada com Leo por perto, mas agora...
Olhei com mais nojo do que pensei ser capaz para ele, e deixei uma de minhas facas cair na mão.
Ele viu e continuou seu caminho, sem deixar de antes me mandar um olhar de
desprezo. Típico. Esperei ele bater a porta e já fui pra cima de Galdi:
— E aí?
— Calma Alicia.
— Calma nada. Voce vai fazer alguma coisa logo, ou vamos ter que procurar o corpo no Tiete? Ou no Pinheiros? Han?
— Ninguém vai procurar um corpo.
— Saímos que horas?
— Nós não vamos sair.
Me aproximei de sua mesa em passos furiosos.
— Como assim não vamos sair? Voce vai deixar ele ser morto, é isso?
— Eu não vou empenhar minhas equipes nisso. Elas tem mais o que fazer.
Me segurei para não voar no pescoço dele. Apoiei os punhos na mesa dele com força do que necessário, cerrei a boca e os olhos e tentei respirar fundo.
— Galdi – comecei ainda de olhos fechados e falando bem devagar – Resumindo: voce vai ficar com essa bunda enfiada nessa cadeira enquanto o Leo é torturado e assassinado? – fixei meus olhos nos dele e tenho certeza que pelo menos um pouco de minha fúria assassina saía por eles – Estou certa?
Ele respirou um pouco fundo demais antes de me responder.
— Infelizmente.
Comecei a andar furiosa pela sala. Como assim ele ia ficar desse jeito com Leo em mãos de sei lá quem?
— Pelo menos voce sabe de alguma coisa?
— Sei onde ele está.
— Onde?
— Numa das casas velhas do Brás.
— Aquelas perto da Cristoteca?
— Isso.
— Voce não vai deixar ninguém ir comigo, né?
— Eu não vou deixar voce ir.
— Isso não vai me impedir.
— Eu não quero que voce vá, Alicia. Vai ser perigoso. Eu queria vocês dois aqui. Mas é melhor um pássaro na mão do que dois voando, não é?
— E se um pássaro for capaz de trazer o outro?
— Não vou arriscar.
Mirei seus olhos e ele se levantou.
— Voce não vai Alicia – disse como um ponto final
— Voce sabe que eu vou – e dei as costas para ele. Antes que eu conseguisse sair pela porta ele deu sua ultima sentença:
— Voce vai morrer lá Alicia. E se sobreviver, não vai ter pra onde voltar.
Estanquei por um momento.
— Se voce sair por aquela porta, é melhor não voltar a por os pés aqui dentro.
Bati a porta furiosa.
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