Internato

16 Capítulo 16


Notas iniciais
houve uma pequena alteração no final do ultimo capitulo (na vdd, eu escrevo em 1ª pessoa, mas acabei escrevendo essa parte em 3ª e.e), então se quiserem dar uma olhada... não é necessario, não mudou nada da história.
~aproveitem

Alicia

Segui Arth por entre as mesas, até que ele parou em frente a três adolescentes que já estavam envolvidos em uma conversa. Se sentou e me indicou o lugar ao lado dele.

— Pessoal – ele interrompeu – Lhes apresento Alicia, a novata – disse num tom formal

— Garotos, acho que o Arth tentou ser engraçado – disse a garota. Ela estava sentada entre os dois garotos e com certeza tinha ascendência oriental – Sou Mizuno Takaoshi– e estendeu a mão sobre a mesa pra mim.

— Prazer Mizuno. Como o Arth já disse sou Alicia. Alicia Abher.

— Esse aqui – e apontou pro garoto à sua esquerda – é o Ryato, meu gêmeo. E esse – apontou para o outro garoto – é Brian Cronin.

— Ela esqueceu de avisar que eles estão namorando – disse Arth, enquanto vasculhava o prato distraidamente

Mizuno revirou os olhos.

Ela tinha belos olhos castanhos. O cabelo negro escorria solto, e presumi que iam pelo menos até a cintura. Ela e Ryato tinham o mesmo nariz, olhos e lábios – com a diferença de que o lábio inferior dela parecia um pouco maior e eram rosados. E, talvez, os olhos dele eram um pouco mais escuros. Ela parecia ter mais curvas que uma oriental comum, e ele com certeza tinha mais músculos que os garotos em geral.

Eu poderia jurar que Bryan era americano. Poderia se passar por um colegial ou um universitário, um atleta. Alto, pele que um dia fora bronzeada e que combinava com seus olhos azuis e cabelos castanho claro, curtos e com aquele ar bagunçado.

Já Arthur parecia ter alguma relação com a américa hispânica. A pele era morena, os olhos cor de mel e o contraste com os cachos acobreados era tão gritante, mas ao mesmo tempo não era estranho.

— Alicia – a voz de Ryato era grave, serena, quase desprovida de emoção – faça sua ficha. De onde voce veio, sua idade, que merda voce fez, como te convenceram e que ano é lá fora.

— Sou do Brasil, cidade de São Paulo pra ser mais exata. Tenho 17 e eu trabalhava com o cabeça do tráfico da cidade. Mas aí eu saí e fiquei quase um ano longe desse tipo de problemas. Me envolvi em pequenos furtos, e um dia um cara apareceu dizendo que minha mãe estava rica e arrependida e que queria me encontrar – e mesmo estranhando, respondi – E é 2013.

— Brasil... – começou Mizuno – Eu tinha vontade de conhecer.

— É um lugar legal. Vale a pena. Cabe o mundo inteiro dentro daquele país.

— Já ouvi falar – murmurou, concordando comigo

— Mas e então? Qual é a ficha de vocês?

— Eu sou um hacker de Washington DC – disse Arth – E também me meto a inventar as coisas. Eu tinha 18 anos em 1994.

— Nós tínhamos ligação com a máfia japonesa – começou Ryato, antes que eu pudesse realmente processar o que Arthur havia dito – Somos de Kyoto. Tínhamos 17 em 1998.

— E eu sou da Califórnia – completou Bryan – também mexi com o tráfico, mas eu fazia só o acerto de contas. Vim pra cá com 21, em 1992.

Eu juro que levei alguns momentos para entender. Alias, eu ainda não entendi. Mas depois que absorvi o que eles disseram, tentei formar uma linha de raciocínio.

— Ok. Eu tenho 17, e vocês dois também – disse encarando Mizuno – o Arth tem 18 e o Bryan tem 21. Só que cada um veio pra em uma época. O Bryan em 91, o Arth em 94, vocês em 98 e eu em 2013. Só que vocês não parecem ter envelhecido um único dia. Como isso é possível?

— Esse lugar inteiro... – começou Bryan – o Arth fala em ciência, os gêmeos em magia, mas pra mim é a mesma coisa. O prédio foi construído num lugar onde as leis da natureza não funcionam. O tempo não corre. Ninguém envelhece ou morre. E se a pessoa se machucar... o corpo se cura rapidamente, em horas o processo de semanas.

— Esse lugar é uma intersecção. – disse Mizuno – As forças do cosmos, a energia que rege o Universo e a vida, fluem através de rios. Por vezes eles se cruzam. Quando isso acontece, estrelas nascem, morrem, ou coisas do tipo. E isso depende de quanta energia flui livremente nesses rios. Só que nesse planetinha há vida. Então grande parte dessa energia pura é transformada em vida, e o remanescente continua nos rios. Aqui, no meio do deserto, é onde dois ou mais rios que percorrem o planeta se cruzam. Essa energia criou um bolsão, onde essas leis se misturam.

— Voce parece ter pensado muito no assunto.

— Realmente. Tenho bastante tempo livre aqui.

— Tudo bem então. E qual a sua explicação Arth?

— Quase a mesma. Só que essa tal energia é a radiação remanescente do Big Bang, e quando essas ondas se chocam, bem, dá merda. Um desses choques criou esse bolsão e fez com que toda a área envolta se tornasse estéril, se transformando no maior deserto quente do planeta.

— Ambos disseram a mesma coisa. Só que usando línguas diferentes.

— Voce parece bem calma – constatou Ryako

— Voce deveria estar surtando – disse Arth – Por que voce não está surtando? Por que ela não está surtando?

— Voce devia deixar ela mesma responder – repreendeu Mizuno.

— É simples. Toda essa conversa maluca é a única coisa que faz sentido.

Mas antes que eu pudesse realmente explicar, senti que alguém se aproximava das minhas costas. Vi o olhar de desprezo que Ryako e Bryan lançavam a tal pessoa, e eu sentiria medo do olhar de ódio que Mizuno exibia. Senti que Arth se encolheu ligeiramente ao meu lado.

Uma voz feminina, totalmente cínica, falou atrás de mim:

— Ora, ora, ora... o que temos aqui?

Notas finais
u.u