Intermissão
4 3.
Notas iniciais
Nessie e Ane andavam pelo corredor do colégio. Ane iria para a casa dos Cullen. Porém, a imagem do sósia de Will não saía de sua cabeça. Nessie ainda achava que era Wiiil, mas Ane não acreditava — ou se recusava a acreditar. Não podia ser ele. Aquela expressão cruel no rosto, aquele olhar tedioso e superior... com certeza não era o namorado dela.
Jacob as esperava, encostado em seu carro. Acenou para as duas, animado, enquanto ambas se encaminhavam na direção dele. Nenhuma delas comentou o que havia acontecido à Jacob; sabiam que os dois eram amigos.
Foram em silêncio. Ane lembrava-se de Will, do seu primeiro beijo, de seu jeito de falar, do seu jeito de olhá-la, parecendo enxergá-la de verdade, da primeira vez que o viu na floresta, do seu jeito cético de ser. Suspirou. Lembrar-se de Will doía tanto, que parecia que alguém havia enfiado uma faca em seu peito. Ela o amava com todo o coração. E não perdia a fé de que ia encontrá-lo.
Viu Nessie colocar a mão na de Jacob, um gesto descontraído, mas, que, mesmo assim, parecia o toque mais apaixonado. Contudo, Ane estava errada. Renesmee mostrava a Jacob o que acontecera esta manhã. Que havia um vampiro igual a Will e que achava que este era o mesmo. Só que mudado. Jacob assistia as opiniões de Nessie, ponderando se era Will ou não. Não queria discutir esse assunto na frente de Ane, então ficou em silêncio com suas próprias dúvidas e teorias.
Ane olhava para a janela, esperando algum milagre.
Quando chegaram à casa dos Cullen, Ane ficou do lado de fora, protelando. Ela chegou a conclusão de que deveria parar de incomodá-los; passava mais tempo ali do que com os pais e que eles já deviam estar enjoados de vê-la ali, fazendo-os ver o seu sofrimento. Estava sobrecarregando Jasper com suas emoções tristes. Ane pensou em ir embora, mas uma voz a sobressaltou, dizendo:
— Nós não estamos enjoados de você, Ane. Sabemos que é difícil sofrer por... amor.
Ane virou-se para Edward, pai de Nessie, e olhou nos olhos dourados dele. Como pode saber? Edward deu-lhe um sorriso amargo.
— Porque eu já sofri por amor — respondeu ao pensamento não verbalizado de Ane. — Sabe, houve uma época em que eu achei que Bella estivesse morta. Foi a pior dor que eu senti em toda a minha existência. — Seus olhos escureceram, parecendo estar revivendo o dia. — Ela era tão abrasadora, que eu resolvi me... me atar.
— Mas ele está vivo — disse Ane e pensou no garoto de jaqueta de couro. — E sei que não é aquele metido.
Edward não disse nada quando viu a imagem do garoto. Tinha sérias dúvidas de que aquele garoto fosse Will... Mas ele era um vampiro agora e tudo o que ele pensar pode estar errado.
— Ela também estava viva. Mas isso não me impediu de ir até os Volturi — disse ele. — O que eu quero dizer é que não fique assim. Nós gostamos de você. Mesmo. Não queremos que se afaste. Nessie morreria. — Ele lhe deu um sorriso amarelo. — Se é para vocês dois ficarem juntos, assim será. — Edward beijou o topo da cabeça de Ane e entrando, a deixando sozinha.
Ane suspirou e voltou seu olhar paara a floresta, que se abria à sua frente. Ela queria não pensar o que o seu amado fosse aquele estranho. Só porque ele tinha o mesmo rosto, a expressão entediada e superior, mostrava que aquele era outra pessoa.
Lembrar-se dele doía. Então, como sempre fazia quando Will invadia sua mente, apreciou o momento. Ela podia sentir os lábios do garoto nos dela, podia sentir seu cheiro maravilhoso, podia até visualizar a camisa xadrez por cima da regata preta e suas calças jeans escuras. Seu olhar amoroso penetrante, olhando nos olhos claros dela, abraçando-a. Como podia achar que aquele garoto era o Will? Ele nunca se pareceria com o Will.
Ane sentou-se na escada m frente a casa, e colocou as mãos no rosto. O que ela tinha feito para merecer aquilo? Sentiu alguém sentar-se ao seu lado. Ela não se virou nem olhou para ver quem era.
Ficaram em silêncio. Ninguém falou, ninguém faz nada. Então Ane olhou para o lado, descobrindo o rosto.
Embry estava ao seu lado, olhando para frente. Ane estreitou os olhos e o garoto a olhou, sorrindo.
— E aí? — disse ele.
— Oi — respondeu Ane.
— Você não parece bem — observou Embry.
— Obrigada — falou Ane com sarcasmo. Embry deu uma risadinha.
— Desculpe — pediu e a garota assentiu. — Então, o que tanto lhe aflige? — perguntou ele, sério.
— Não sei se você vai querer ouvir — suspirou Ane, passando a mão no rosto.
— Experimente — disse Embry, girando o corpo para ficar de frente à garota. Ane ergueu uma das sobrancelhas.
— Sério? — indagou a ruiva. Embry assentiu, fazendo um gesto para ela falar. — Está bem... Eu estou em dúvida se o cara que eu amo se tornou um vampiro do mau.
— Hum... — disse ele enquanto Ane o olhava. — Você acha que ele se tornou mau?
— Aí é que está! Eu acho que não é ele — respondeu a garota. — Mas Nesse acha o contrário. E creio que Edward também.
Embry não respondeu imediatamente. Olhou para frente para não olhá-la; não sabia o que dizer, pois nunca tinha visto o cara. Se vira, fora só uma vez.
Ane o olhava, esperando alguma resposta. Quando não veio, a garota riu, de um jeito estranho.
— Sabia que você não teria nada para dizer — Ane levantou-se e Embry a imitou.
— Me desculpe — disse ele. — Eu nem sei quem era o cara.... lamento.
— Tudo bem — sorriu Ane e se virou para a porta aberta. — Nessie, desgruda do Jacob e vem aqui! — Embry riu e tampou a boca quando os dois apareceram na porta. Pareciam que tinham apostado corrida.
— Diga, Ane — Nessie sorriu.
—Eu tenho que ir. — Disse Ane. — Já fiquei tempo demais aqui. Meus pais vão ficar preocupados.
— Tudo bem — concordou Nessie. — Eu te levo...
— Não — interrompeu Emby. — Eu a levo, pode deixar — e trocou um breve olhar com Jacob, que tinha uma das sobrancelhas erguidas.
— Hã... ok — respondeu Nessie pausadamente e se virou para encarar Ane. — Concorda?
— Acho... acho que sim — disse Ane. — Vejo você amanhã. — Nessie sorriu.
— Claro que nos veremos. Tchau, amiga — e abraçou Ane, sussurrando no ouvido da garota logo em seguida: — Me conte tudo amanhã. Viva!
— Renesmee! — advertiu Ane, tentando sorrir. — Até amanhã. — Olhou para Embry. — Vamos?
— Claro — fez uma reverência. Ane riu e desceu as escadas com Embry em seu encalço. Saíram da propriedade dos Cullen e foram para a estrada.
Ane olhou para Embry.
— Então... vamos a pé? — perguntou a garota, olhando para a estrada, que parecia se estender sem fim à sua frente, e depois olhando novamente para Embry.
Ele a olhou e depois lançou um sorriso para Ane.
— Bem, acho que você tem direito de montar no lobão aqui. Já está familiarizada.
— Ah, claro — Ane revirou os olhos. — Vamos lá, lobão, se transforme. — Embry riu e a puxou para a floresta.
— Espere aqui. — Disse ele e sumiu atrás das árvores.
— E para onde eu iria? — falou Ane olhando para os lados e vendo que estava cercada por folhas e matos.
De repente, a figura de um lobo gigante saiu de trás das árvores. Ane o olhou, surpresa. Embry latiu e Ane foi para o lado dele.
— Você tem o tamanho de um cavalo! Como eu vou subir?
Embry se abaixou, ficando da altura de Ane. A garota, então, montou pela segunda vez no dorso de Embry.
Notas finais
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