Interligados
2 Capítulo 2 - O Encontro
Notas iniciais
Estava deitada quando Caroline ligou.
– Lena, às 18h para você está bom?
– Pra quê?
– Não me diga que você esqueceu?! Nós vamos ao Mystic Grill, lembra? Você vai ver os meus amigos que eu te apresentei na escola hoje. Vamos vai ser legal.
– Lembrei, eu vou sim. Ás 18h está bom. Vou ir me arrumando, beijos. – já que eram quase 17h e eu demoro para me arrumar.
– Passo pra te pegar, até daqui a pouco, beijos.
Depois que falei com Caroline consegui esquecer um pouco as dúvidas que perturbavam minha cabeça, logo depois que minha mãe deu aquele ataque falando que tinha que falar algo importante com meu pai depois que eu disse que teríamos vizinhos não tão novos e que eles deviam conhecer.
Ela estava falando ao telefone no escritório, com certeza ela não queria que eu ouvisse a conversa, mas tinha hora que ela gritava com meu pai, com isso só consegui ouvir fragmentos da conversa.
“Não, isso não é possível, achei q teríamos férias e descansar pelo menos uma vez na vida."
De inicio pensei que fosse sobre a viagem de papai, que ele tinha falado comigo hoje na volta da escola, mas o que eu ouvi depois foi muito estranho.
“Eles não tem esse direito, é nossa vida, não vou contar para ninguém, eles não podem ficar nos pressionando. Isso eu vou levar comigo para o meu túmulo.”
Contar o quê para quem? Quem está pressionando meus pais? E que segredo é esse? Graças a Deus que Caroline me chamou para sair, se eu continuasse pensando nessas perguntas minha cabeça ia explodir.
Chegamos ao Mystic Grill rapidinho, Caroline tagarelou o caminho todo, mas mesmo não conhecendo ela há tanto tempo eu gosto dela, ela é daquele tipo de garota alegre que aparenta nunca está para baixo, que fala mais do que ouve, uma coisa que estou me acostumando. Eu não sou muito de falar com pessoas que eu não conheço bem, mas se eu ganho intimidade já era, falo até cansar.
Lembro que quando cheguei à cidade na semana passada estava sentada na porta de casa pensando em como seria minha vida aqui, do nada a Caroline apareceu e veio-me abraçar e começou a conversar comigo sobre como estava feliz em ter pessoas novas na cidade, perguntando como era em Miami, que mudou muita coisa aqui desde que eu saí bebê. Confesso que fiquei com medo dela me atacando assim de cara sem nem me deixar respirar direito, mas logo ela me conquistou, realmente é uma garota especial, acho vamos nós dar.
Conheci a Bonnie naquele dia também, ela apareceu um pouco depois da chuva de perguntas, ela se apresentou e falou que provavelmente eu não deveria me lembrar de ninguém ou de nada da cidade já que eu saí recém-nascida dando um empurrão na Caroline para me deixar respirar. Fiquei me perguntando como que as pessoas sabiam tantas coisas de mim, eu só fiquei sabendo que eu morei aqui já um pouco antes de me mudar.
Hoje foi meu primeiro dia de aula aqui, sempre tem aquele medo mas a Caroline me fez esquecer isso, pelo simples fato de me apresentar para a escola inteira, ou eu sorria para as pessoas gostarem de mim ou eu saia correndo, preferi a primeira opção já que estava morrendo de medo das pessoas não gostarem de mim.
– Cadê a Bonnie? – Perguntei enquanto entravamos.
– Ela falou que já está chegando, perguntei se queria carona, mas disse que não precisava. — Caroline falou enquanto inspecionava o lugar – Olha ela lá no canto, chegou antes da gente ainda.
Não estava cheio, mas praticamente todas as mesas estavam ocupadas, sentamos-nos à mesa em que Bonnie estava no canto perto da janela que dava para a praça. Perto do bar vi Rebekah pedindo uma bebida, essa garota me intimida.
– Você chegou antes da gente ainda. – Caroline falava enquanto abraça Bonnie.
– Estava na casa da minha vó, acabei nem demorando tanto como achei que ia. – Falava tentando sair do abraço esmagador – Oi Elena.
– Oi Bonnie – Dei um abraço nela – amei sua blusa.
– Obrigado. – falou com um sorrisinho.
– Essa é uma das únicas peças de bom gosto que ela tem Elena, não se engane, já vi que você é das minhas. Temos que marcar de fazer compras. – Caroline falou a última palavra gritando e soletrando, nem eu nem a Bonnie conseguimos aguentar, caímos na gargalhada, todo mundo olhava para a gente.
Realmente eu tenho bom gosto para roupas, pelo menos todo mundo fala isso. Não sigo a moda à risca, gosto de vestir aquilo que me sinto bem, com isso eu acabo fazendo minha própria moda e a Caroline é toda na moda pelo que eu vi, mas não é daquele tipo extravagante, gosto disso.
– Estou morrendo de fome. – Reclamei.
– O Matt já deve vim fazer nosso pedido, você o conheceu hoje na escola. – Bonnie falava.
– Não acredito que essa megera está aqui – Caroline esbravejava quando viu a Rebekah no bar na frente – Não suporto ter que olhar para a cara dela até aqui.
– Calma, por que vocês se odeiam tanto? – perguntei
– Melhor você nem saber Lena, senão vai sobrar para você também – Bonnie respondeu enquanto trocava de lugar com a Car para ela não ver mais a Rebekah.
Caroline se acalmou um pouco, mas não eu ainda ia descobrir o porquê desse ódio de ambas as partes, elas falavam que todos na cidade são amigáveis, mas quando se tratava dos Mikaelson a história mudava, principalmente sobre a Rebekah. Um garoto com lindos olhos azuis, uniforme vermelho, cabelo loiro baixinho, corpo atlético chegou à nossa mesa. Esse devia ser o Matt pensei, eu realmente não me lembrava muito bem dele, mas também não me lembrava de quase ninguém da escola depois de tanta correria.
– O que vocês vão querer hoje? – ele perguntou dando um abraço nas meninas e depois em mim – Elena, que bom te conhecer fora da escola. Hoje na escola deve ter sido bem agitado para você. – falou dando um sorrisinho irônico para a Caroline
– Verdade, hoje na escola foi bem agitado. — Ele me pareceu ser um garoto muito legal.
– Queria muito ficar conversando aqui com vocês, mas depois meu chefe vai reclamar comigo, então o que vocês vão querer?
Depois que fizemos nossos pedidos ficamos jogando conversa fora, conversando sobre como era as pessoas aqui, a vida e o porquê de eu ter voltado.
– Acho que não adianta nada eu ficar escondendo a verdade de vocês, a gente se mudou pelo fato dos meus pais estarem em crise e não querem se divorciar, eles acham que vão ser felizes que nem eram no passado aqui. Mas na verdade eles dizem que estão querendo sossego, férias e acham que eu não sei a verdade, meu irmão que está bem – acho que elas perceberam como é difícil esse assunto pra mim.
– Ô Lena, vocês vão ser felizes aqui sim – do modo que Bonnie falou até me convenceu.
– Mas vamos falar de coisa boa, esse seu irmão é gato? E como que eu não o conheci ainda? – Claro que a Caroline ia me perguntar isso
– Ele é meu irmão, acho que sim. Ele está fazendo faculdade em Harvard, então ele mora lá.
– Ele parece ser inteligente – percebi um tom de quero mais na voz da Bonnie.
Conversamos mais sobre Jeremy, a Bonnie era a que mais perguntava a respeito dele, a Caroline por incrível que parece estava quietinha na dela, acho que estava pensando em alguma coisa importante, o pouco que a conheço ela definitivamente não é disso. Talvez ela sempre aja como se nunca se sentisse para baixo por algum motivo, e estando perto das amigas essa barreira que ela cria fique um pouco mais vulnerável.
Acho que bebi muito refrigerante definitivamente, as meninas ainda queria pedir Whisky, quero dizer a Caroline, para comemorar a minha volta. Eu realmente não sei se isso é algo para se comemorar, lá em Miami a Anne sempre dizia que o melhor a se fazer quando a vida te leva a um lugar que você não gostaria de está é se deixar levar, porque a vida não é coincidência. Por falar nela estou morrendo de saudades dela, acho que vou ligar para ela hoje. A Annie não é minha melhor amiga, porque devido a essas mudanças de sempre nunca consegui ter uma, mas também não sou disso.
– Meninas vou ao banheiro. – falei quase não aguentando.
Já estava saindo do banheiro quando ouvi um barulho, parecia como se alguém estivesse chorando. Quando entrei não tinha ninguém, lavei minhas mãos e olhei para o lado e vi uma coisa que tenho certeza que a Caroline faria de tudo para espalhar para os quatro cantos.
Rebekah estava sentada com a cabeça entre os joelhos e soluçava de tanto chorar, realmente essa garota me intimidava, mas vendo ela assim toda indefesa me deu pena, sabe-se lá o quê aconteceu.
– Você está bem? – perguntei
– Eu pareço está bem por acaso? — que garota antipática.
– Só perguntei, já que você está bem e não precisa de nada eu vou indo. – eu sei que ela não gosta de mim por causa das meninas, mas depois disso as minhas chances de entrar no time de lideres de torcida caiu para zero.
Já estava abrindo a porta para ir quando ela decidiu ser um pouco gente boa.
– Eu não to nada bem, o exemplo disso é que estou chorando, toda borrada de maquiagem e falando com você. – ela tentava consertar o estrago que as lagrimas fizeram com sua maquiagem.
– Estou vendo, talvez você não me conheça, sou Elena, sou nova na cidade, o que eu posso fazer para te ajudar?
– Eu sei quem você é, você anda com aquelas bitches, se você não contar para ninguém que me viu desse jeito está bom e ainda te ajudo a entrar no time. – Ela só podia está brincando.
– Tudo bem, não vou contar a ninguém, e nem ia se você não tivesse pedido, não sou desse tipo, mas enfim. – odeio que tirem opiniões precipitadas de mim. – Mas tem alguma coisa fora isso que eu possa te ajudar?
– Só vê se o Matt, você deve saber quem é já que ele atendeu sua mesa, está no balcão se ele estiver me avisa.
Estranhei, mas fiz o que ela pediu, acho que ele pode ser amigo dela, mas descartei essa ideia já que ele é amigo da Caroline e se ele fosse amigo da Rebekah a Car não gostaria muito dele.
– Ele acabou de subir, acho que deve ter ido para o estoque.
– Obrigado, e lembra não conte a ninguém que eu te ajudo a entrar no time de lideres de torcida. – ela saiu em dispara sem nem me dá chance de argumentar.
Quando cheguei à mesa as meninas perguntaram o porquê da demora, preferi não falar que encontrei a Rebekah no banheiro para não mentir e também não iria contar isso para ninguém, preferi omitir a historia.
Caroline me deixou na porta de casa e perguntou se eu iria com meu carro para a escola amanhã, falei que sim, já que ele chegou da oficina o hoje à tarde. Bonnie tinha voltado conosco, a Car saiu rapidinho e foi deixar ela em casa.
Não estava com vontade chegar em casa logo, já ia dar 21h mas só de pensar em todas aquelas questões que martelavam a minha cabeça mais cedo eu preferia da uma volta na rua. A noite costumava ser perigosa na maioria dos lugares que eu já morei, então eu só saía de motorista já que não podia dirigir, aqui é diferente eu posso sair e dirigir à noite, meus pais não falaram nada disso e pelo que eu vi da cidade ela é bem tranquila, parece que nada de ruim acontece aqui.
Me arrependi de não ter entrado em casa para pegar o meu casaco pelo menos estava começando a fazer frio, de repente um cara alto com roupas pretas estava se aproximando de mim, a minha impressão de que nada de ruim acontecesse evaporou, queria correr mais não conseguia.
– Você parece que está com frio, quer o meu casaco? – Ele perguntou, quando mais perto ele chegava mais eu percebia que ele era bonito, realmente bonito, com olhos azuis vibrantes.
– Eu nem te conheço, você é um tipo de assaltante moderno, que ajuda primeiro para depois ferrar? – Ele estava querendo me ajudar, porque realmente eu estava com frio, mas isso não tirou da minha cabeça que ele podia me machucar, estava a uns seis quarteirões de casa, se eu gritasse provavelmente alguém ouviria.
– Essa é nova para mim “assaltante moderno”. Desculpe por não me apresentar, meu nome é Damon Salvatore. – Falou beijando minha mãe. – Você está gelada, toma meu casaco e eu não sou um “assaltante moderno”.
Peguei o casaco por que eu realmente estava gelada e querendo começar a tremer.
– Obrigado. – Falei meio gaguejando. Esse cara é simplesmente LINDO, nunca vi ninguém tão lindo na minha vida assim, mas eu ainda estou com receio dele, sinto uma coisa negra vindo dele.
– Você não falou seu nome?
– Desculpe-me, sou Elena Gilbert, Damon. – Gostei desse nome.
– Você disse que é nova na cidade, também sou, quero dizer, morei aqui quando era criança, então não sou tão novo assim. – me lembrei agora quem era ele, era um dos Salvatores, a Caroline não exagerou quando falou que eles são lindos, se comporte Elena, pensei comigo.
– Que coincidência também morei aqui quando era criança, recém-nascida na verdade. – Me lembrei da conversa da minha mãe com meu pai, algo me dizia que tem haver com ele.
– É por isso que você não é estranha para mim. – ele brincou.
– Desculpa Damon, mas eu realmente tenho que voltar para casa e já está tarde, obrigada pelo casaco. – Estava tirando o casaco para da a ele, que perfume delicioso que ele usa, amadeirado.
– Pode continuar com o casaco, você está com frio e eu estou com essa blusa de manga comprida e nem estou com frio, vamos ter outra oportunidade de você me devolver ele. – ele falou convincente, acho que vamos ter mesmo.
Nos despedimos e ele esperou eu estar bem longe para ir embora, eu ia andando e olhando para trás e lá estava ele parado me fitando ir embora com aqueles olhos azuis. Não sei explicar o que aconteceu, eu não sabia o quê falar, ele tinha esse efeito sobre mim, e quando mais eu chegava perto de casa eu percebia que estava ficando embriagada com o perfume dele que vinha do casaco.
Tomei um banho e vesti meu baby doll preferido da Victoria's Secret, toda rosinha de babados e com um laço no meio dos seios, ele é tão macio que parece que nem vestida.Mesmo depois de tomar banho o perfume não saiu de mim, acabei adormecendo com aquele cheiro amadeirado, acabei sonhando que estava caindo e caindo sem fim, de repente alguém me pegou nos braços.
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