Interlúdio
18 Capítulo 18
Notas iniciais
O Sr. Gold bateu à porta de Isabelle e aguardou ansiosamente que ela abrisse, mudando o peso do corpo de um pé para o outro. Quando ela apareceu, a expressão desolada em seu rosto fez o coração dele se apertar. Os olhos inchados e o nariz levemente avermelhado eram prova de seu choro recente.
“Belle?! O que aconteceu?”
Ele deu um passo à frente, estendendo a mão, mas ela se afastou rapidamente, não deixando que ele a tocasse.
“Você sabe o que aconteceu com o Henry, Gold?”
Ah, aquilo.
“Fui informado que ele está no hospital...”
“Sim... a Mary Margaret vai passar a noite com ele hoje. Parece que o estado dele é grave.”
O Sr. Gold se remexeu, desconfortável, sem sair do lugar.
“Eu sei que isso tem relação com a conversa entre você e a prefeita hoje pela manhã, Gold. Você sabia...”
“Eu não sabia que o menino seria atingido. Tenho certeza que Regina também não imaginou essa possibilidade.”
Ele viu os olhos de Isabelle se encherem de lágrimas novamente e sua voz tremeu quando ela prosseguiu: “Eu tentei ligar para Emma, mas ela não me atendeu. Tentei ir à delegacia, ao Granny's... se eu tivesse conseguido falar com ela...”
“Belle, não havia nada que você pudesse fazer...” Ele deu mais um passo à frente, mas Isabelle se afastou novamente, adentrando mais na sua sala de estar. Ele observou ela estender a mão vagamente em direção a um abajur repousado sobre a escrivaninha ao lado do sofá, como se buscasse algo para se defender. Ela estaria com medo dele? O pensamento era excruciante.
“O que você está fazendo aqui, Gold?”
“Eu sei que talvez não ajude muito, mas... só para você saber... não acho que nada de ruim acontecerá ao menino. Bom, nada de pior.” Era verdade. Ele não podia saber exatamente o que iria acontecer naqueles momentos finais da maldição, assim como não poderia ter previsto que ela atingiria o garoto, mas ter a Salvadora como mãe com certeza era uma bela vantagem para ele. Ele acreditava, até mesmo torcia, para que tudo terminasse bem. No fim, ele tinha uma boa dose de simpatia pelo inteligente principezinho.
“Você não acha?”
“Bom... vamos chamar de um palpite educado baseado em informações prévias?”
Ela riu, sem divertimento algum, e passou a mão pelo rosto, limpando suas lágrimas. “Você é inacreditável. Por que você veio aqui? Vá embora, Gold.”
“Belle, eu preciso falar com você.”
Ele tentou dar mais um passo adiante, mas ela o interrompeu, em um rugido atormentado. “Vá embora! Vá embora, e não volte!”
Ele ficou parado, sem saber o que fazer. Olhou em volta, angustiado. As coisas estavam se precipitando, logo tudo estaria terminado. Era o fim da maldição, ele poderia finalmente procurar seu filho. Mas ele não se sentia exultante, nem mesmo vitorioso. Ele só conseguia se sentir derrotado e sem rumo. Ele tinha estragado tudo com Belle, novamente.
Não importa o quanto tentasse, quanto se dedicasse... ele era podre, e estragava tudo o que tocasse. Nessa segunda chance, aqui em Storybrooke, ele tinha tentado ser carinho, presente, atencioso... mas era de sua natureza trazer a escuridão para tudo a sua volta. E quão sincera poderia ser considerada aquela relação, se Isabelle não sabia quem ele era de verdade, se ela não sabia quem ela mesma era de verdade? Não pela primeira vez, se perguntou se deveria mesmo ter se aproximado dela naquelas circunstâncias. E agora ele a perdera.
Soltou um longo suspiro. Ela ao menos merecia a verdade, sem mais dissimulações.
“Belle, vamos fazer um último acordo.”
Ela arregalou os olhos, incrédula. “Você só pode estar de brincadeira.”
“Não, me escute. Eu prometo ir embora, depois. Prometo que você não vai mais ter que se preocupar comigo. Apenas ouça o que eu tenho a dizer. Me dê sua atenção por alguns minutos, então eu saio por aquela porta e você nunca mais terá que me ver, se não quiser.”
Ela estreitou os olhos. “Por que isso, agora?”
“Você estava certa, Belle. Você merece a verdade, sempre mereceu. E eu confio sim em você.”
“É um pouco tarde para isso, Gold. Nada do que você disser pode resolver a situação.”
Ele balançou a cabeça, tristemente. “Muito bem, então você me escuta, e eu vou embora, e você está livre para fazer o que quiser. Fale com Emma, ou com quem achar necessário. Tudo o que você ouviu ou viu até hoje, tudo o que eu te falar agora... você decide o que fazer. Apenas me escute.”
“E eu devo acreditar que você vai simplesmente me deixar em paz depois?”
“Se é o que você quer... Belle, eu nunca te machucaria. E, se você não acredita nisso, pelo menos confie que eu não quebraria um acordo.”
Ela observou-o em um silêncio agudo por um instante e acenou de leve a cabeça. Ele sentiu uma onda de alívio passar por seu corpo, deixando sair a respiração que nem mesmo tinha notado que estava prendendo.
*_*_*
“Certo, Belle.” Ele se sentou no sofá e esperou até que ela se aproximou, relutante, até a poltrona à sua frente. “Tenho muito a dizer, e há coisas que eu sei que você não vai entender, ainda... Só peço que me dê sua atenção, mesmo se parecer não fazer sentido.”
“Sim, esse é o acordo.”
Ela parecia, de fato, totalmente focada nele. Ele podia notar a tensão em seus ombros, a postura ereta em que ela se sentava na beirada da poltrona, tudo denunciava a inquietude em que ela se encontrava. Infelizmente, o Sr. Gold duvidava que aquela conversa fosse aliviar seu estresse. Respirou fundo, tentando decidir por onde deveria começar.
“Eu perdi meu filho... ele veio parar nesta terra.” Belle estreitou os olhos, desconfiada. Obviamente, não era assim que ela estava esperando que essa conversa começasse. “Não é fácil viajar para cá. Não existem muitas formas de transitar entre reinos, ainda mais para uma terra sem magia.”
Ele a observou atentamente, imaginando como ela iria reagir àquelas informações, que com certeza lhe pareciam muito estranhas. Mas, fiel à sua palavra, ela permaneceu atenta.
“Foi então que eu criei a maldição.”
“De novo essa ‘maldição' da qual você estava falando com a prefeita essa manhã! O que isso quer dizer?”
“Você logo vai entender. Não falta muito para ela ser quebrada e você vai lembrar de tudo... Algumas pessoas sabem que eu criei a maldição, mas eu quero que você saiba o porquê. Foi a forma que eu encontrei para vir para esta terra.” Ele inclinou-se para frente, olhar intenso. “Foi a forma que encontrei para vir atrás do meu filho.”
“Nada disso faz sentido, Gold...”
“Eu não tinha interesse em amaldiçoar esta cidade. Destruir finais felizes? Isso tudo foi da parte da rainha. Eu precisava dela para lançar a maldição, e ela precisava de mim para a sua vingança. Meu desejo nunca foi atacar todas essas pessoas.” Ele pausou, por um instante. Se era para ser realmente sincero... “Não posso dizer que me importei muito com elas, também. Desde que eu viesse para este mundo.”
“Tudo que eu fiz nesta cidade tinha como meta o fim da maldição. O que quer que tenha acontecido com a Sra. Nolan, como Regina tão gentilmente insinuou, ou o que quer que você venha a saber que eu fiz... sempre teve como objetivo final a quebra da maldição. Na verdade, se vale de alguma coisa, Regina queria a morte da mulher, mas eu consegui resolver tudo e mantê-la viva.” Ele esperou alguma reação de Isabelle, mas não teve nenhuma. Com um suspiro, continuou: “Eu gosto da Srta. Swan, de verdade. Ela é bem mais palatável que aqueles pais idealistas dela. Mas devo dizer que por muitas vezes fiquei exasperado com sua lentidão para acreditar em toda a verdade. E eu mexi alguns pauzinhos, quando achei necessário.”
Isabelle permaneceu em silêncio, pálida, observando-o atentamente. Ele poderia apenas imaginar o que estaria se passando na sua cabeça. Ele sentia o nervosismo embrulhar seu estômago, sem saber o que esperar dela.
“Belle... quando você se lembrar de tudo... de quem você é, de tudo que aconteceu... por favor, saiba que tudo o que vivemos aqui em Storybrooke foi real.. foi muito real para mim. Quando eu te vi de novo, viva... Belle, por muitos séculos eu só me importei em procurar meu filho, nunca pensei nas consequências, mas você... você é diferente. Você importa. Muito. Eu não sabia que você estava viva, não sabia que estava amaldiçoada aqui também. A rainha mentiu para mim! Ela me fez acreditar que você estava morta! Eu teria ido atrás de você, teria te libertado, se eu soubesse... se eu soubesse... Belle, eu sinto tanto por ter te expulsado!”
Ele perdeu a voz por um instante, sentindo seus olhos se nublarem de lágrimas, e estendeu a mão para Isabelle. A reação dela, ele pensou, não era de se surpreender, mas ainda assim doeu. Ela pulou da poltrona em um movimento aflito, colocando vários passos de distância entre eles.
“Você está louco! Nada disso faz sentido!”
Ele levantou-se, dando alguns passos ansioso em sua direção, mas logo parou ao ver que ela apenas se retraía mais, colocando o sofá entre eles, como se procurasse uma barreira.
“Você está delirando!”
Ele levantou as mãos, tentando acalmá-la, e afastou-se passo a passo em direção à porta, dando espaço para ela. Não havia sentido em continuar perturbando-a. Dificilmente ele conseguiria algo além de mais estresse, se insistisse.
“ Belle... Está tudo bem.”
“Você está louco...”
Sua voz agora não era mais que um sussurro angustiado, e ele pôde notar o quanto ela tremia. Ele parou novamente à porta, a mão na maçaneta, sentindo-se muito cansado.
“Pode ficar tranquila, eu vou cumprir nosso acordo. Eu vou embora agora. Mesmo depois que você lembrar de tudo, lembrar quem eu sou, saiba que você é livre. Se for sua escolha, você nunca mais precisará me ver.” Ele passou a mão pelo rosto, sentindo seu coração apertado. Talvez aquela fosse a última oportunidade para dizer algo a ela. Antes de sair, ele olhou firmemente em seus olhos. “Belle, há muito tempo minha vida é de trevas. Mais tempo do que posso me lembrar. Até que você chegou e... e você estava certa, eu tive medo. Por favor, me desculpe por ter te expulsado. Você foi um breve lampejo de luz em um oceano de escuridão. Você é a única coisa que me faz querer ser melhor. O que quer que aconteça, por favor, acredite... eu te amo.”
*_*_*
O Sr. Gold revirou o líquido no pequeno frasco de vidro, vendo a luz refletir no rosa brilhante que emanava da poção. Amor verdadeiro, a magia mais importante que ele já conseguira conjurar. Muito mais forte que qualquer maldição. A poção emitia um calor agradável na palma da sua mão, mas ele não tinha muito tempo para apreciar a sensação.
Virou-se para guardar o ovo dourado, receptáculo que havia resistido tantos anos no interior de Malévola, protegendo seu precioso conteúdo, quando ouviu a sineta da loja de penhores anunciar a chegada de alguém.
“Perdão, mas a loja está fechada.”
“Rumpelstiltskin.”
Ele sentiu uma onde de surpresa passar pelo seu corpo como um choque, deixando sua boca seca e os cabelos da sua nuca arrepiados. Virou-se lentamente, até encará-la.
Ela estava linda, como sempre. Deixou seus olhos se perderem em suas feições delicadas, seus cachos castanhos tocando caprichosamente seus ombros, seus lábios róseos... e um olhar de reconhecimento inegável.
“Rumpelstiltskin, eu me lembro.”
Ele permaneceu parado, sem saber como reagir. Tentou ler em sua expressão o que ela estaria pensando, a ansiedade corroendo-o por dentro, sem saber o que esperar. Por fim, disse, simplesmente: “Belle... o que está fazendo aqui?”
“Você... disse a verdade? Tudo o que você disse hoje na minha casa... era verdade?”
“Cada palavra.”
Ela deu alguns pequenos passos em sua direção. “Você disse que eu era livre. Disse que, se eu quisesse, nunca mais precisaria vê-lo.” Ele apenas acenou de leve. O silêncio se estendeu por alguns segundos, mas pareciam séculos para seu coração apertado, até que ela completou: “Bem, eu escolhi voltar.”
Ele sentiu seu coração palpitar em tambor nos seus ouvidos, enquanto ela se aproximava mais. Depois de tudo, ainda seria possível? Ainda seria possível tê-la ao seu lado? Mal podia conceber a ideia. Ou ela teria vindo acusá-lo? Cobrá-lo por tudo que lhe fizera? Ela com certeza tinha esse direito. Aguardou, ainda apreensivo, esperando o que ela faria em seguida.
Os olhos de Belle foram atraído para a luz cor de rosa brilhando em sua mão.
“O que é isso?”
Ela estendeu a mão, e ele lhe entregou a poção. Ele não conseguia pensar em ninguém mais no mundo para quem ele pudesse dar de bom grado aquele frasco.
“Isso é uma poção de Amor Verdadeiro.”
Belle franziu o cenho, observando atentamente o conteúdo luminescente diante dos seus olhos. Depois, colocou o vidro sobre a bancada, e olhou diretamente nos olhos do Sr. Gold.
“Isso é amor verdadeiro.”
Antes que pudesse entender o que estava acontecendo, ele sentiu os lábios de Belle sobre os seus em um beijo repentino. Depois de alguns segundos, quando finalmente ele começava a se recuperar da surpresa, ele sentiu Belle se afastar de novo, uma expressão determinada em seu olhar.
“Se vamos ter uma relação de verdade, Rumple, eu preciso que você confie em mim. Preciso que você me conte o que estiver acontecendo.”
Ele apenas acenou, ainda tomado por pura surpresa, quando sentiu Belle puxá-lo novamente pela nuca, em um beijo ainda mais insistente.
O gosto de sua saliva levava arrepios pela espinha do Sr. Gold, e ele estava levemente sem fôlego quando ela se afastou novamente, seu rosto coberto por um rubor encantador.
“E não importa seus objetivos, você não pode simplesmente amaldiçoar uma cidade inteira! O papel da rainha nisso não me diz respeito, mas você não pode fazer esse tipo de coisa e achar que está tudo bem!”
Ele acenou novamente, meio atordoado, e já se apoiou contra o balcão para recebê-la quando ela se lançou novamente em seus braços. Seus lábios dançaram juntos, e ele puxou-a pela cintura, juntando seus corpos em um abraço apaixonado, sentindo o fogo crescer dentro de si. Não ficou muito surpreso quando ela se afastou novamente, arfando de leve.
“Estou falando sério, Rumpelstiltskin. Eu não posso viver em meio a mentiras e enganações!”
Ele a encarou seriamente, tentando controlar sua respiração, querendo passar toda sua sinceridade e comprometimento em suas palavras. “Eu prometo, Belle. Só a verdade daqui por diante.”
“Você não pode fazer o que quiser com os outros só para alcançar seus objetivos.”
“Eu sei.” Se ele queria ficar ao lado dela, ele teria que merecer, que ser melhor do que o ser das trevas que ele se tornara. E ela merecia cada esforço. Ele não iria perdê-la novamente.
Ela encarou-o por um instante, sustentando seu olhar, avaliando seu rosto, buscando a sinceridade do seu olhar. Depois, segurou-o pela gola de sua camisa e puxou-o novamente para si, cobrindo seus lábios nos dela. E não se afastou mais.
*_*_*_*
Belle espreguiçou-se e sentiu o lençol escorrer lentamente por cima de sua camisola de seda. O Sr. Gold riu de leve, e ela recostou-se no seu ombro, em um suspiro satisfeito.
“Está com fome, Belle? Quer que eu prepare um lanche?”
“Hmhmmm...” Ela respondeu, sem se dar ao trabalho de emitir nenhuma palavra, apenas aconchegando-se mais ao corpo dele. Ele riu novamente.
Ela não tinha nenhuma pretensão de levantar-se da cama no momento, muito menos lhe agradava a ideia que ele saísse. Tentou se lembrar se teria algo na geladeira ou na dispensa para que comessem mais tarde, mas não se recordava da última vez que fora ao supermercado. Também não se importava muito.
Ele passou a mão delicadamente pelo seu cabelo e mais alguns minutos se passaram em um silêncio confortável. Os pensamentos dela vagaram despretensiosamente, sem se focar em nada específico por algum tempo.
“Como será que estão as coisas lá fora?”
“Lá fora?”
“É... agora que todos sabem quem são. Como estará a Ruby? A Emma, a Mary Margaret...?”
Ela ajeitou-se na cama, colocando seu peso sobre os cotovelos.
“Meu Deus, e pensar que a Emma é filha da Mary Margaret! Que loucura!”
Ele riu. “É, a maldição trouxe umas situações bem curiosas. Mas não se preocupe, elas vão ficar bem. Talvez precisem apenas de um tempo para se acostumarem. A Srta. Lucas era muito amiga da Branca de Neve no outro mundo. Tenho certeza que já devem estar se reunindo para organizar algum tipo de comemoração pelo fim da maldição. Aquela sua amiga pode ser bem festiva.”
Belle riu, pensando com carinho na garçonete. “Sim... acho que todos devem ficar bem.”
“Bem, talvez todos menos Regina.” Ele acrescentou, em um tom de leve deboche. “Não queria estar na pele dela agora que todos se lembraram.”
Belle deixou o ar escapar entre seus lábios, em um muxoxo de leve desprezo, e deixou-se cair novamente na cama. Não poderia dizer que se compadecia muito do destino da rainha.
Ela deixou seu olhar vagar preguiçosamente pelo quarto, até ser atraído pelo leve brilho cor de rosa que vinha do frasco repousado no criado-mudo ao lado da cama. Durante todo aquele tempo, o Sr. Gold não deixara a poção fora do alcance dos seus olhos.
Ela esticou a mão e sentiu o calor agradável da mágica em seus dedos. Quem diria que era possível engarrafar o amor?
“Gold...” Ela virou-se novamente na cama, para conseguir ver seu rosto. “O que você ia fazer com essa poção quando eu cheguei?”
“Eu ia jogá-la em um poço”
Ela elevou uma sobrancelha em descrença, e ele riu. “É verdade, Belle. Existe um poço em Storybrooke cujas águas tem uma propriedade especial. Elas conseguem trazer de volta o que um dia foi perdido.” Ele tocou de leve o frasco, e o leve brilho cor de rosa se refletiu em seus dedos. “Jogando a poção nessas águas, eu acredito que posso trazer a magia de volta a este mundo.”
Ela encarou o frasco, surpresa. “Isso é mesmo possível?”
O Sr. Gold apenas acenou.
Magia em Storybrooke... soava quase impossível aos seus ouvidos. Mas, se alguém podia conseguir essa proeza, era ele. Com certeza aquilo não era improvisado e sim mais um passo no seu plano, assim como a maldição tinha sido apenas um caminho para trazê-lo até aquela terra para buscar seu filho.
Belle ficou muito séria, observando o Sr. Gold com gravidade, até ter certeza de ter sua total atenção.
“Rumple, você se lembra do que conversamos na sua loja...”
“Sim, Belle.”
“E você pretende cumprir sua promessa?”
Ele segurou seu olhar, cobrindo sua mão na dele. “Com a minha vida.”
Ela permaneceu em um silêncio sério por alguns segundos, até que um sorriso encheu seu rosto, a tensão saindo de seus ombros. Ela acreditava nele.
“Muito bem, então.” Ela sentou-se na cama, puxando-o de leve pela mão. “Vamos.”
“Hm? Vamos?” Ele repetiu, sem entender o que ela quis dizer.
“Vamos. Jogar esse frasco no poço. Juntos.”
Os olhos dele se abriram em uma surpresa maravilhada, sem entender como ele poderia ser tão sortudo de tê-la ao seu lado. Em vez de se levantar, ele a puxou pela mão, até que seu corpo caiu sobre o dele e ele pôde beijá-la, enterrando a mão em seus cabelos.
A magia poderia esperar mais um pouco.
*_*_*_*
FIM
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