Interlúdio
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Isabelle desceu as escadas, seguindo o cheiro de comida até a aconchegante cozinha, onde encontrou o Sr. Gold ao fogão. Ela não tinha visto ele levantar da cama, mas agora já o encontrou de barba feita, terno alinhado e até mesmo um confortável avental cinza sobre a roupa. O que quer que ela esperasse daquela manhã, após uma noite tão agitada, com certeza não era a animação calorosa com a qual ele a recebeu, virando-se com uma frigideira na mão.
“Bom dia, Belle!”
“Bom dia...” Ela respondeu, meio incerta.
“Você acordou a tempo para um omelete quentinho.”
Isabelle observou, meio espantada, enquanto ele servia seus pratos tranquilamente. “Chá? Suco?”
Ela avançou, passando pela mesa posta, e estendeu a mão, parando o seu braço em meio movimento para pegar a jarra de suco.
“Gold... você está bem?”
“Claro, claro.” Ele respondeu, simplesmente, virando-se para servir seu copo à mesa. “E você? Espero que tenha conseguido descansar à noite.”
Ele não se virou, mas Isabelle conseguiu sentir certa hesitação por baixo do seu tom falsamente casual. Ela deixou sair um suspiro um pouco exasperado. Obviamente, ele não tinha nenhuma intenção de discutir os acontecimentos da noite anterior. Mas ela não poderia simplesmente ignorar tudo.
Isabelle deu a volta na mesa, parando em frente a ele até conseguir a sua atenção.
“Gold, acho que precisamos conversar sobre ontem a noite...”
“Ah, mas veja bem, Belle..” Respondeu ele, sentando-se – “Na verdade, não precisamos não.” Ele fez um gesto em direção a cadeira a sua frente.
Isabelle permaneceu parada, encarando-o, e cruzou os braços em um movimento obstinado. Depois de alguns segundos de silêncio, ele recostou-se na cadeira, com um suspiro, adotando um semblante mais sério.
“Belle, eu sinto muito por toda a agitação de ontem a noite. Minhas sinceras desculpas. Mas não há, realmente, nada com o que se preocupar. Havia um problema, ele já foi resolvido. Está tudo bem.”
Finalmente, ela sentou-se, estendendo a mão por sobre a mesa até alcançar seus dedos, em um toque suave.
“Gold... você não tem por que pedir desculpas. Claro que não! Mas não podemos simplesmente fingir que nada aconteceu. Não dá para dizer que está tudo bem e deixar para lá...”
“Mas é verdade, Belle. Acredite, não precisa mais se preocupar sobre o que aconteceu.”
“Não me preocupar?!” Ela franziu o cenho. “Você consegue imaginar o que eu senti quando te vi discutindo no meio da floresta, com uma faca apontada para você?! Morrendo de medo que algo acontecesse, que você se machucasse... ou até mesmo...”
“Oh, minha doce Belle...” Ele acariciou a palma da mão dela com seu polegar . “Posso te garantir, eu não havia nenhum risco real para mim.” E então, com uma voz mais sombria que fez Isabelle se arrepiar por um instante, acrescentou “Se alguém corria perigo de vida naquela floresta, era o Sr. Booth.”
Isabelle recolheu sua mão, afastando-se um pouco, automaticamente, enquanto uma sensação desconfortável se espalhava por suas entranhas.
“Isso deve me confortar, então? Que você poderia simplesmente... o que, matar?... alguém no meio da floresta?”
Com os olhos sombrios, quase num sussurro, ele apenas respondeu: “Não posso dizer que ele não merecia.”
Ela sentiu um arrepiou descer novamente por sua espinha, enquanto ponderava o quão sério ele estaria falando. Pensou no estado em que o encontrara no dia anterior, a fúria fervendo em seus olhos, o desespero irradiando em seu semblante. Não duvidava que ele fosse mesmo capaz de atacar August. Lembrou-se também da confusão de desespero e choro que embalara em seus braços ao fim da noite, e seu coração doeu. Por um instante, não duvidou também que o escritor merecesse.
Antes que Isabelle pudesse decidir o que responder, ele continuou: “Mas, como eu disse, você não precisa se preocupar. Minha questão com o Sr. Booth já foi resolvida... ele não irá mais nos incomodar.”
“E você vai deixar por isso mesmo?” Isabelle estreitou os olhos, desconfiada. O Sr. Gold não tinha uma postura de relevar agressões ou ataques dos outros, e aquilo que vira na floresta parecia uma questão nada insignificante.
Mas ele apenas deu de ombros. “Podemos dizer que nós entramos em um tipo de acordo.”
Ele pareceu dar a questão por encerrada, tomando um gole de suco e tentando dar um ar despreocupado ao ambiente, e Isabelle se sentiu extremamente frustrada. Ela precisava entender, precisava dar sentido ao que presenciara.
Há muito ela já tinha entendido que aquele Sr. Gold atencioso e cavalheiresco que se mostrava a ela não era a persona que ele apresentava ao resto do mundo. Pelos comentários de suas amigas, pelos relatos de suas atividades um tanto escusas, até por acontecimentos que ela mesma tinha presenciado. Mas ela também entendia que ele era bem mais do que os outros viam. Ele não era o ser frio e distante que todos viam... pelo contrário, ela encontrara alguém passional e emocional, ainda que as vezes direcionasse seus sentimentos extremos para direções questionáveis.
E ela estava disposta a tentar compreender. A escutar e ponderar, e fazer o que pudesse para, talvez, ajudar a alinhar suas ações, direcionar para caminhos mais positivos, para que ele pudesse ser e realizar o lado bom que ele mostrava para ela, tão marcante. Mas, para isso, ele precisava deixá-la se aproximar. Ela não estava disposta a deixar aquela conversa morrer assim.
“O que o August queria com você?”
“Belle, realmente, não tem por que insistirmos nesse assunto. Como eu disse, já está tudo...”
“Ele é novo na cidade, certo? Vocês já se conheciam antes?”
“Belle...”
“Por que ele estava te ameçando? Ou...” Ela estreitou os olhos: “ Chantageando?”
“Belle, por favor...”
“Gold... ontem você disse que nós conversaríamos sobre isso.”
Finalmente, ele deu um suspiro resignado. Pelo menos ela podia confiar que ele sempre cumpria sua palavra.
“Muito bem, Belle. Se quer mesmo saber... Não, nós não nos conhecíamos. O Sr. Booth fingiu ser outra pessoa para tentar me manipular.”
“Outra pessoa? Quem?”
“Meu filho.”
“Filho?!” Isabelle teve que fazer um esforço ativo para que voz não saísse em um grito agudo de espanto, enquanto a surpresa lhe tomava as feições. “Eu... eu não sabia que você tinha um filho.”
O Sr. Gold mexeu-se na cadeira, desconfortável. “Bem, nós nos... separamos... há muito tempo. Na verdade, eu nem sei onde ele se encontra no momento. O Sr. Booth se aproveitou disso para se passar por ele.”
“Meu Deus!” Isso explicava por que o Sr. Gold tinha ficado tão abalado. Claramente devia haver muita história por trás desse filho perdido. Ela sentiu a revolta crescer dentro de si. “Que absurdo! Que baixo! Como alguém pode fazer algo assim...?!”
O Sr. Gold permaneceu impassível, enquanto Belle respirava pesado de raiva. “Nós temos que denunciá-lo! Por agressão, ou ameaça. Talvez falsidade ideológica? Eu não sei, você é o advogado... Mas precisamos contar para a Emma...”
“Não... nós definitivamente não deveiríamos falar com a srta. Swan.”
“Claro que devemos! Olhe, eu não entendo exatamente o que aconteceu na floresta, mas não podemos deixar o August se safar com isso...”
“Belle, eu prefiro que a xerife Swan fique de fora dos meus negócios. Como eu já repeti algumas vezes, já está tudo resolvido.” Com um riso meio irônico, ele completou: “O papel de vítima não me cai muito bem, de qualquer forma.”
Isabelle franziu o cenho, levemente irritada. “Isso não é engraçado. Ele é obviamente perigoso... Emma parece confiar bastante nele. Precisamos pelo menos alertá-la!”
Ele fez um gesto com a mão, como que descartando a ideia. “O sr. Booth não faria nada contra a srta. Swan, pode ficar tranquila.”
“E como você pode ter tanta certeza? Agora você vai testemunhar a favor da boa índole dele? E por que você quer tanto esconder o que aconteceu ontem a noite? É por causa daquela faca estranha? O que ela significa?”
“Esqueça isso. A adaga não é a prova de nenhum crime, se é isso que você está pensando.” Não nesse mundo, pelo menos, ele acrescentou para si mesmo. Não havia como explicar para Belle o que ela representava, dadas as circunstâncias. Ele só esperava que o escritor fosse de alguma vantagem na quebra da maldição. Aquilo já estava demorando muito mais do que ele queria, e o sr. Booth era um dos poucos que sabiam da verdade, e ainda tinha conseguido certa proximidade com a salvadora. O Sr. Gold só podia torcer que ele tivesse alguma influência para guiá-la na direção certa.
“Certo... então o que a faca significa?”
“Irrelevante.”
“Irrelevante?!” Isabelle deixou a indignação colorir suas palavras, com uma ponta de descrença. “Você só pode estar brincando!”
Ele teve a decência de parecer constrangido, mas, ainda assim, permaneceu em silêncio. Isabelle sentiu a frustração e a tristeza fazerem um nó na sua garganta, e recostou-se na cadeira, derrotada.
“Você quer mesmo que eu deixe isso tudo para lá?”
“Belle... eu vou ter que pedir que você confie em mim. Está tudo certo. Esqueça isso, apenas confie em mim.”
“Não, Gold...” Isabelle passou a mão pelos seus olhos, sentindo-se muito cansada. “Acho que você é tem que confiar em mim.”
“Belle...”
“Sabe, eu estou aqui, querendo te entender, querendo te escutar. Se você quer que eu faça parte da sua vida de verdade, você tem que me deixar chegar perto, saber o que está acontecendo, te ajudar. Eu confio em você... eu confio na bondade em você, eu confio no homem que eu conheci, pelo qual me apaixonei. Mas, para ficar aqui, ao seu lado, eu preciso entender o que está acontecendo. Eu preciso que você fale comigo. Preciso que você confie em mim também.”
Isabelle o observou, a vista turva pelas lágrimas que ela se recusava a deixar cair. Ele permaneceu imóvel, semblante sério. Ela podia sentir a tensão no ar, quase palpável. Ainda assim, ele permaneceu calado.
Depois de vários segundos de um silêncio pesado, Isabelle passou a mão pelo rosto, frustrada, e levantou-se. “Já está ficando tarde... acho melhor eu ir para casa. Quero tomar um banho rápido antes de ir para o Granny's.”
“Belle, por favor, não vá...” Ele a seguiu pela sala, enquanto ela já ia em direção à saída. “Belle, espere... é muito longe para ir à pé. Deixe que eu te leve de carro, pelo menos.”
Isabelle virou-se, como se para falar alguma coisa, mas parou a meio movimento. Ela viu Gold parado à entrada da sala, certa indecisão em sua postura, os olhos atraídos para a gaveta da estante em uma expressão intensa. Era lá, ela sabia, que ele tinha guardado a tal adaga na noite anterior. Duvidava que ele quisesse sair de casa e deixar o objeto lá, desprotegido. Outra onda de desânimo caiu sobre ela.
“Eu tenho mesmo que ir. Uma caminhada vai me fazer bem. Quando quiser conversar, sabe onde me encontrar.”
E saiu, sem esperar resposta.
*_*_*
Isabelle recostou-se no balcão do Granny's, cansada. Já era noite e seu turno havia acabado há algum tempo, mas ela não sentia nenhuma animação para ir para casa. Ela não queria passar em frente à loja de penhores e sentir-se tentada a entrar, ou ficar sentada no sofá da sua sala, olhando para o celular, debatendo se devia ou não ligar para o Sr. Gold. Ele, por sua vez, não entrara em contato ao longo do dia.
Ela tinha preferido, então, permanecer no restaurante, aproveitando a divertida tagarelice de Ruby. A garçonete tinha notado o clima pesado em seus ombros pela manhã, quando chegara bastante atrasada, mas, após algumas perguntas que foram desviadas com respostas vagas, ela não havia insistido. Pelo contrário, tinha se esforçado para distrair Isabelle em assuntos leves e zombarias inconsequentes. Isabelle pensou que, para alguém tão expansiva, Ruby era bastante perceptiva e demonstrava muito tato em certas situações.
Isabelle foi arrancada de seus devaneios com a chegada de Mary Margaret.
“Ufa, que dia!” Ela sentou-se pesadamente ao seu lado. “Boa noite, Isabelle. Ruby.”
“Oi, Mary Margaret. Como vai?”
“Morta.” Ela disse, mas sorriu. “Acabei de sair da escola. Tivemos uma reunião de professores e, depois do tempo que fiquei fora, estou com um monte de trabalho acumulado. Pensei que eu bem merecia uma caneca de chocolate quente.”
“Com canela?” Ruby piscou, sorridente. “Saindo.”
Ruby entrou na cozinha, deixando as duas sozinhas por um instante. Isabelle notou Mary Margaret rastreando o ambiente com o olhar. “Hm... Isabelle? Você viu a Emma por aí?”
“Não, hoje não. Bem que eu estava querendo falar com ela...” Não importava o que o Sr. Gold dissesse, Isabelle pretendia ter uma conversa com Emma sobre August.
“Ah, bem... ela já deve estar em casa, então.”
“Está tudo bem?”
“Está sim.” Ela respondeu, mas Isabelle notou que ela tamborilava os dedos pelo balcão, meio nervosamente. “É só que desde hoje a tarde não consigo entrar em contato pelo celular dela. E ela estava bastante chateada da última vez que nos falamos...”
“O que aconteceu?”
“Bem... a Emma decidiu tentar a guarda do Henry, sabe?...”
“Uau.” Isabelle abriu um sorriso surpreso. “Nossa, espero que ela consiga. Tenho certeza que Emma será uma mãe maravilhosa. Ela já é, na verdade.”
“Sim, ela é sim.” Mary Margaret deu um sorriso carinhoso. “Mas acho que ela está um pouco perdida, agora que o Sr. Gold se recusou a pegar o caso dela na justiça...” Ela hesitou ao fim da frase, como que só então lembrasse da relação de Isabelle com ele.
“Uh, sério...? Quando foi isso?”
“Hoje pela manhã. Você não estava sabendo?”
“Não... na verdade eu não conversei com o Sr. Gold durante o dia.” Mary Margaret balançou a cabeça de leve, sem mais comentários.
Na verdade, Isabelle estava um pouco surpresa. O Sr. Gold sempre parecia ter certa preferência pela xerife, naquele jogo de gato e rato que ela travava com a prefeita. Ela notava uma marcada antipatia velada dele para com Regina, o que só aumentava em Isabelle a sensação de inquietude que ela sentia sempre que pensava na mulher. Ela conseguia imaginar que ele tiraria certo prazer em entrar nessa disputa só para antagonizar a prefeita. Talvez pudesse questioná-lo sobre o motivo da recusa, depois... quando voltassem a se falar normalmente.
“Bom, ela pode tentar outro advogado.”
“Claro, claro... a verdade é que não conheço mais nenhum, mas com certeza nós vamos procurar. Preciso falar com ela, não sei o que ela fez do resto do dia.”
“Quem?” Ruby voltou da cozinha, colocando a caneca fumegante em frente a Mary Margaret.
“Emma.” Ela respondeu, entre goles.
“Ah, eu a vi mais cedo.”
Isabelle e Mary Margueret voltaram-se para a garota, com olhares inquisitores.
“Foi no início da noite... ela estava voltando com o August, naquela moto dele. Não sei de onde vinham, mas ela parecia bem chateada com ele. Não falou uma palavra quando desceu da garupa.”
‘August?!’ Isabelle sentiu um frio na espinha. Pensou que deveria ter dado um jeito de conversar com Emma mais cedo, e ficou imaginando o que o escritor teria aprontado hoje. Pelo jeito, algo que irritara Emma. Pelo menos ela tinha voltado em segurança.
A reação de Mary Margaret foi bem diversa à sua. Ela pareceu aliviada com a informação de Ruby e, com um último longo gole do chocolate, despediu-se.
Isabelle virou-se para Ruby, resoluta. “O August foi para o quarto dele, na Pousada da Vovó?”
“Acredito que sim. Não sei se ainda está por lá.”
“Certo.” Isabelle acenou uma despedida apressada e saiu sob o olhar curioso da garçonete.
*_*_*
“Srta. French!” August abriu a porta, surpreso. “ O que a traz aqui nesta noite?”
“Vim para dar um aviso.”
August deu um passo para traz, dando espaço para que ela entrasse.
“Você pode enganar a todos com esse sorriso fácil, mas eu sei que você não é flor que se cheire. O que você fez com a Emma hoje à tarde?”
Ele levantou uma sobrancelha, olhando-a de cima a baixo. “Nada que seja de sua conta, é claro. Mas não se preocupe. Meus interesses para a Emma são os melhores possíveis.”
“Claro. Quem duvidaria? Você aparece em Storybrook do nada, resolve ficar, Deus sabe por que... Como alguém poderia não confiar em você.”
“Você é uma princesinha bem corajosa, não?” Ele a avaliou com um sorriso debochado. “Suponho que deva ser, para viver ao lado daquele... enfim, não importa.”
Isabelle o encarou-o, furiosa. “Ora, seu... como se atreve...?! Não sei o que você disse para Gold deixá-lo em paz, mas eu sei o que aconteceu na floresta ontem a noite. Não pense que vai se livrar tão fácil. A xerife vai saber quem você é de verdade, mais cedo ou mais tarde.”
August estreitou os olhos, desconfiado. Tentou avaliar o que Isabelle estava falando. Será que ela sabia a verdade? O que, exatamente, o velho duende contara sobre a cena da noite anterior? Será que ela sabia realmente quem ele era? Uma dor aguda na perna o distraiu dos pensamentos, e ele se sentou à cama, frustrado.
“Não importa. Nada disso importa. Eu falhei. Emma não acreditou em mim, está tudo acabado.”
“Falhou em que, exatamente?”
Antes que August pudesse responder, o celular de Isabelle tocou. Ela não gostaria de interromper a conversa, mas não conseguiu resistir a checar o visor do aparelho, imaginando se seria o Sr. Gold. O nome na tela pegou-a de surpresa, e ela atendeu, preocupada.
“Mary Margaret...?”
“Isabelle! A Emma foi embora.” A voz dela era um misto de preocupação e aborrecimento.
“Foi embora!? Como assim?”
“Ela esteve aqui em casa, com certeza. Deixou o banheiro uma bagunça, inclusive. Mas as coisas dela não estão aqui. Ela empacotou tudo e foi embora!”
“Mas como?! Por que?! Mary Margaret, nós devíamos procurá-la.”
Isabelle ouviu um bufo chateado do outro lado da linha. “A Emma é adulta. Se ela escolhe ir embora, sem nem mesmo deixar um recado...” A frase morreu, e Isabelle podia imaginar a expressão de frustração de Mary Margaret. “Olhe, desculpe te preocupar. Eu só precisava falar com alguém... Amanhã podemos tentar ligar para ela, ok? Mas foi escolha dela ir embora...”
“Ok..” Isabelle respondeu, incerta.
“Até amanhã, Isabelle.” E a linha ficou muda.
Isabelle encarou o telefone, sem saber o que pensar.
“Emma foi embora?” August perguntou, com a voz sombria, semblante soturno.
Isabelle aproximou-se da cama em um passo largo. “O que você fez com a Emma hoje a tarde?”
“Não importa.” Ele deu um sorriso amargo. “Agora, sim, nós estamos verdadeiramente perdidos.”
Ele levantou-se, mancando em direção à porta.
“Aonde você vai?!”
“À oficina de carpintaria do Marco.” August deixou Isabelle parada no meio do quarto, sem se preocupar nem em fechar a porta.
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