Interlúdio
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Agradecimentos eternos à minha notável beta, Mellie ♥
Isabelle pressionou seu corpo contra o do Sr. Gold, empurrando-o contra o encosto do sofá. Suas línguas dançavam, lábios unidos, enquanto ele deslizava a mão por sua nuca, aprofundando o beijo. Ela se sentiu incapaz de um pensamento racional, o toque de seus dedos deixando um rastro de fogo por onde quer que tocasse sua pele.
Um longo arrepio percorreu sua coluna quando ele colocou a mão na curva de sua cintura por baixo da blusa, seu aperto firme puxando-a mais para si. As mãos de Isabelle deslizaram por seus ombros, agarrando seu colarinho antes de vaguearem, tateantes, procurando pelo primeiro botão de sua camisa.
Ele cobriu suas mãos com a dele, gentilmente separando-as de seu objetivo, e quebrou o beijo com dois últimos toques de lábios. Isabelle teve que segurar um gemido de frustração quando ele afastou seus corpos, se ajeitando no sofá, e lançando um rápido olhar para o relógio na parede.
“Minha querida Belle, parece que já está ficando tarde...”
Ela olhou para o relógio, aborrecida. “Não está tão tarde assim.” Sim, estava, mas ela estava chateada demais para levar isso em conta.
“Bom, você tem que trabalhar amanhã cedo, assim como eu. Eu deveria mesmo ir para casa agora.”
Ele riu de leve quando Isabelle fez beicinho, mas isso lhe ganhou apenas um rápido beijo antes que ele se levantasse do sofá, apoiando-se em sua bengala. Ela o seguiu até a porta, amuada.
“Nos vemos amanhã?”
“Claro.”
“Boa noite, Belle.” Ele a puxou para um último beijo, fazendo seu aborrecimento sumir rapidamente. Ela até riu quando ele se inclinou de leve, em uma galante despedida, antes de se dirigir a seu carro. Enquanto observava as luzes do seu cadillac de perderem em uma esquina, ela pensou que seria bom se, de vez em quando, ele pudesse ser menos cavalheiresco e respeitoso.
-*-*-*-
“Vai ver ele é gay.”
Isabelle se engasgou com um gole de seu ponche e olhou ao redor, alarmada, temendo que alguém tivesse escutado o comentário de Ruby. A sala estava lotada, todos os amigos de Mary Margaret comemorando o fim de todo o drama do falso assassinato de Kathryn. Por sorte, todos pareciam distraídos entre risos e conversas. O próprio Sr. Gold estava entretido em uma conversa com Emma a um canto da sala.
“Ele não é gay!” Isabelle falou, em um sussurro exasperado, tentando baixar o tom da conversa, por garantia.
“Tem certeza?”
Isabelle revirou os olhos.
“Nunca se sabe! Uma mulher bonita assim à disposição, e não rolar nada...”
“Ele não é gay, ok, Ruby?!”
“Tá certo, tá certo! Se você diz...”
“Digo sim!”
Ruby ficou calada por um instante, parecendo avaliar a situação. Finalmente, seus olhos se alargaram quando uma ideia lhe passou pela cabeça e ela falou, segurando um riso: “Será que ele é virgem?!”
“Ruby!!!”
“Não é?”
“Não!” Isabelle franziu o cenho. “Digo, acho que não...”
“Quem diria, hein? Sr. Gold...” A garota parecia muito divertida com a ideia, e Isabelle soltou um longo suspiro, pedindo a qualquer divindade que estivesse disposta a atendê-la um pouco de paciência para lidar com a amiga.
“Ruby, eu realmente não acho que esse seja o problema.”
“E qual é, então?”
Isabelle deu de ombros, emburrada. “Só estamos... indo devagar. Nada de errado nisso. Só pensei em, hm, acelerar um pouco as coisas.”
"Hm... Talvez você precise atacar a questão de forma mais agressiva.”
“Agressiva?”
“É! Um pouco mais de sedução talvez resolva o problema.” Ruby colocou a mão no queixo, pensativa, e lançou um longo olhar para Isabelle, avaliando-a da cabeça aos pés. “Quem sabe um guarda-roupas novo?! Uns modelos mais insinuantes...?”
"Você acha?” Isabelle olhou para si mesma, hesitante. Ela usava uma blusa de renda preta, abotoada à frente, e uma saia cinza drapeada. Nada muito chamativo.
"Por que não tiramos esse fim-de-semana para ir às compras?” A garota pareceu vibrar de animação com a ideia. “Posso te dar umas dicas para mudar um pouco de estilo!”
Isabelle ficou dividida entre o humor e apreensão diante da ideia de usar uma roupa escolhida pela amiga. Pouco tecido e muita pele à mostra, com certeza. “Parece muito divertido, Ruby. Mas eu não tenho dinheiro para isso. Já estou devendo metade do aluguel do mês passado ao Sr. Gold.”
“Eu tenho certeza que ele iria achar mais proveitoso se, em vez de pagar o aluguel, você investisse esse dinheiro em uma lingerie. Ou uma fantasia de coelhinha!”
Isabelle só pôde rir, balançando a cabeça em descrença, sem conseguir decidir até que ponto ela estaria falando sério.
“Certo. Se tiver mais alguma ideia, por favor, me avise!”
"Pode deixar!” Ruby respondeu, com uma piscadela bem-humorada.
Isabelle ainda estava rindo quando se despediu da amiga, decidindo que já estava na hora de chamar o Sr. Gold para ir embora. Passando por um espelho, ela parou para se olhar por um instante e, com uma expressão resoluta, desabotoou o primeiro botão de sua blusa. Ainda não era muito tarde, talvez ainda pudesse convidá-lo para passar em sua casa. Talvez não fosse uma má ideia ser um pouco mais ‘agressiva’.
-*-*-*-
Sua boca desceu pelo pescoço de Belle, ávida, beijando, provando, mordiscando, enquanto seu corpo a empurrava contra a cama. As mãos dele deslizaram pela sua pele nua, sentindo-a se arrepiar ao seu toque, suas respirações ficando cada vez mais pesadas.
E tudo que existia era Belle. Seus gemidos ofegantes, suas mãos enterradas no cabelo dele, seu cheiro deixando-o tonto de desejo, e seu calor o envolvendo, enquanto seus corpos dançavam juntos como um só, tremendo em ondas de prazer. Tudo era Belle, e nunca era o bastante. Ele queria mais e mais e mais, em uma fome torturante e deliciosa. As unhas dela arranharam suas costas, e ele sentiu como se o mundo inteiro fosse explodir em êxtase.
Os olhos do Sr. Gold se abriram em um susto. Ele sentou-se na cama, entre os lençóis bagunçados, e olhou ao redor, atordoado, sua respiração ofegante e uma fina camada de suor grudada à sua pele. Ele piscou repetidamente e olhou ao redor, tentando se situar. A escuridão e o silêncio do quarto pareciam zombar dele. Ele gemeu de frustração, enquanto as últimas brumas do sonho se dissipavam, deixando apenas uma ânsia insatisfeita queimando sob sua pele.
Ele se levantou e foi até o banheiro, onde um reflexo agitado o encarou pelo espelho. O Sr. Gold jogou um pouco da água gelada da torneira no rosto, procurando se acalmar. Isso era um tipo de problema que ele não havia previsto.
Isso era diferente do que havia acontecido no Castelo Sombrio. Havia existido alguma tensão sexual na época, é claro. Mas era velada, tímida, formada aos poucos enquanto eles se conheciam e se tornavam, quase sem perceber, muito mais que um monstro e a sua criada. Àquela época, o amor tinha sido, como Belle bem dissera, um mistério a ser descoberto, insinuando-se inadvertidamente em suas vidas.
E então ele a perdeu, e jamais, em suas décadas de solidão, ele poderia ter imaginado tê-la realmente de volta em seus braços. Mas aqui estava ela, seu amor e seu carinho, muito mais do que ele esperava, muito mais do que ele merecia, e eles tinham uma relação real e formidável, tão sincera quanto se poderia esperar, dadas as circuntâncias. E era mais que natural que o calor confortável do seu amor virasse, muitas vezes, um fogo quase incontrolável.
O problema é que ele não podia fazer nada quanto a isso. Isabelle não era Belle. Sua Belle estava lá, é claro. Ele podia vê-la, seu humor, coragem, determinação; ela estava lá. Mas sempre encoberta pelo véu da maldição, às vezes pesado e marcante, às vezes tão fino que o Sr. Gold quase podia acreditar que não estava lá.
Ele realmente se esforçara para dar a Belle o que ela merecia, a liberdade para escolher o seu destino, e uma relação sincera e cheia de amor. Mas quão verdadeira poderia ser uma relação, e quanta liberdade de escolha ela poderia ter, quando Belle não sabia nem quem ela mesma era?
Ele também não sabia o que havia acontecido quando ela saíra do castelo, ou quando fora capturada por Regina. Ela o teria odiado? Amaldiçoado o momento em que o conheceu? Três décadas de prisão com certeza lhe davam o direito de nunca mais querer falar com ele. E aqui estava ele, aproveitando-se da situação, quando ela já não se lembrava de tudo que acontecera, tudo que ele causara. O que ela pensaria quando a maldição fosse quebrada?
O Sr. Gold passou a mão pelos seus olhos cansados. Com certeza não haveria mais sono para ele aquela noite. O melhor seria tomar um banho e se preparar para o novo dia. Tantas coisas para se preocupar. A fúria da rainha, agora que mais um plano contra Branca de Neve falhara; a irritante recusa de Emma em acreditar na maldição; e agora, o forasteiro estranho rondando sua loja. Isso teria que ser investigado a fundo.
Sim, o dia seria cheio, e não havia tempo para descansar enquanto os problemas se acumulavam. Ainda que alguns fossem problemas tão inesperados quanto sonhos quentes agitando as suas noites.
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