Interlúdio

13 Capítulo 13


Notas iniciais
N.A.: Once Upon A Time não me pertence. Obviamente. Se pertencesse, vocês veriam muito mais Mad Hatter! Ele estava um suculência em The Doctor (2x05). Mad HOTTER *0* Todos os créditos aos senhores Edward Kitsis e Adam Horowitz e à ABC.
Grandes, amplos, vastos, homéricos agradecimentos à minha beta, Mellie. ;D

Isabelle aninhou-se confortavelmente contra o ombro do Sr. Gold, encolhendo-se no sofá, sonolenta após algumas taças de vinho. Suspirando preguiçosamente, ela pensou que uma noite agradável e um delicioso jantar quase compensavam os aborrecimentos dos últimos dias.

“Então, no final, a Srta. Lucas voltou a trabalhar na lanchonete?”

“Hmmrm.”

"Que bom.” O Sr. Gold respondeu, sinceramente. Ele tinha que admitir que estava começando a simpatizar com a garota-lobo. Ela estava se mostrando uma amiga surpreendente boa para sua Belle, e havia sido sensata o suficiente para nunca tentar fazer um acordo com ele, aqui ou no antigo mundo, o que era admirável.

Ele estava começando a imaginar que Isabelle pegara no sono, quando ela voltou a falar, após um longo silêncio: “Mas que loucura essa história toda, hein? Encontrar um coração enterrado no meio da floresta. Que tipo de pessoa insana faz isso?”

“O mundo é cheio de escuridão, Belle.”

“Mas algo assim acontecendo em Storybrooke? É bizarro. Arrepiante.”

“Não se preocupe, Belle. Nada de ruim vai acontecer a você. Eu jamais permitiria.”

Isabelle riu de leve e se aconchegou mais contra seu corpo.

“Eu não estou com medo. Estou enojada, revoltada... talvez um tanto intrigada. Mas o que me preocupa mesmo é toda essa situação com a Mary Margaret.” Uma ruga de preocupação se formou na testa de Isabelle.

“Difícil imaginar que ela poderia ser capaz disso.”

“É claro que não é! Tudo isso é um absurdo! Emma está se esforçando para resolver a situação, mas tudo parece estar dando errado. Ela encontrou hoje uma faca de caça escondida na casa delas.”

“Muito suspeito.” Comentou ele, sombriamente. Ponto para a rainha.

“Isso não faz o menor sentido! E depois de tudo isso, Emma teve que indiciá-la...”

O silêncio pesou entre eles por alguns instantes. O Sr. Gold já sabia de tudo aquilo, é claro. Ele não queria realmente que a Branca de Neve fosse presa, ou morresse tentando fugir, mas um trato era um trato, e ele fora parte ativa nos planos da rainha.

“Ela com certeza está precisando muito de um advogado. Acho que vou oferecer meus serviços.”

“Você é um advogado?”

“Sim.” Graduado por uma maldição, mas que seja. “Não costumo atuar, mas acho que posso abrir uma exceção para a Srta. Blanchard.”

Isabelle pareceu animada por um instante, mas logo suas sobrancelhas se juntaram em preocupação. “Hm, eu não acho que ela tenha muito dinheiro para te pagar.”

“Que bom que eu não pretendo cobrar nada, então.” Ele riu do olhar espantado em seu rosto.

“Sério?!” Seus olhos se iluminaram.

“Claro que é sério.”

“Mas... por que? Isso não é muito o seu estilo.”

“Bom, digamos que dinheiro não é o único tipo de lucro que se pode tirar de um negócio.”

Isabelle lhe lançou um olhar indagador, esperando uma explicação, mas ele apenas deu de ombros.

“Eu sei que ela não é culpada, e posso ajudar. De qualquer forma, não gosto que você fique preocupada e chateada com isso. As coisas vão terminar bem, você vai ver.” Ou era com isso que ele contava, se a salvadora fizesse seu trabalho direito.

Isabelle sorriu e passou os braços pelo seu pescoço, puxando-o em um abraço.

“Já disse que você é fantástico?”

“Você continua repetindo esse tipo de absurdo.”


Ela riu, descansando a cabeça contra seu ombro. Tão confortável, tão segura e confiante ao seu lado, aconchegada no sofá, que o Sr. Gold não pôde evitar um certo peso em seu coração. Ele tinha sido um dos causadores de sua aflição, afinal de contas. Ele se setiu sujo, e pensou que aceitar seu abraço alegre era quase como se aproveitar de sua inocência. Ajudar a resolver toda aquela confusão teria algum valor, se ele mesmo a causara?

Ele a puxou mais firmemente contra si, como se nunca a quisesse soltar. Se pelo menos todo o resto do mundo sumisse, e só eles existissem...


–*-*-*-


Isabelle ficou encantada quando o Sr. Gold perguntou se ela gostaria de ajudar a fazer o inventário da loja. Verdade seja dita, ela estava gastando mais tempo em bisbilhotar entre os estranhos objetos do seu escritório-depósito que realmente fazendo algo produtivo, mas ele não parecia se importar.

Ela estava meio enterrada em uma pilha de livros quando Emma chegou, parecendo muito agitada.

“Sr. Gold.”

Ele levantou os olhos de uma antiga lamparina dourada em suas mãos.

“Só estou fazendo um inventário.”

A xerife olhou ao redor da sala rapidamente, finalmente notando Isabelle, dirigindo-lhe um cumprimento rápido.

“O que posso fazer por você, Srta. Swan? Alguma novidade sobre o caso?”

“Sim. Regina armou para ela.”

Isabelle já chegara a conclusão que a única explicação para tudo aquilo era que alguém estava tentando incriminar Mary Margaret e tentou imaginar o que a prefeita poderia ter contra ela. A ideia parecia estranha. Ainda assim, parecia que todos a sua volta tinham problemas com Regina repetidamente.

“E isso a surpreende?” O Sr. Gold juntou as mãos a sua frente, tranquilamente. “Mostre-me suas evidências e encerramos esse caso imediatamente.”

“Esse é o problema, não há nenhuma. Nada que possamos usar no tribunal.” Disse ela, frustrada. “Mas eu sei disso agora.”

“Olhe quem de repente se tornou uma mulher de fé.” Um pequeno sorriso se formou em seus lábios. “Por que está aqui, Srta. Swan? Para discutir teorias de conspiração?”

“Eu preciso de ajuda.”

“De mim?” O Sr. Gold apontou para si mesmo, com um sorriso quase debochado. Isabelle apenas observou a cena, fascinada. Aquela não era uma face do Sr. Gold que ela estivesse acostumada a ver. Não era como o lado gentil que ele reservava para ela, nem a fúria explosiva que ela vira contra o Sr. Goinfre.

"Todas as vezes que eu fui contra Regina, eu perdi, exceto uma: quando eu me tornei xerife.” Nesse ponto, Emma se interrompeu, lançando um olhar hesitante para Isabelle. “Quando você me ajudou.”

A escolha cuidadosa de palavras de Emma era desnecessária. Isabelle sabia exatamente sobre o que ela estava falando, embora o motivo de o Sr. Gold ter se envolvido tanto para garantir a eleição da xerife fosse um mistério para ela.

“O caso do incêndio na prefeitura?” Isabelle perguntou, calmamente, vendo a surpresa se formar no rosto de Emma. Ela com certeza não esperava que Isabelle soubesse de muitos detalhes sobre os trabalhos sujos do Sr. Gold. Era difícil imaginar o agiota mantendo aquele relacionamento sem uma boa dose de enganações para cobrir certos aspectos da sua vida.

E, ainda assim, ali estava Isabelle, falando tranquilamente sobre o assunto. A expressão de Emma trouxe um pequeno sorriso pretensioso aos lábios do Sr. Gold.

“Pelo que me lembre, você não aprova muito meus métodos.”

“Eu aprovo os seus resultados. E dessa vez o que está em jogo é algo mais importante que um emprego. Eu preciso salvar minha amiga.”

“E você está disposta a ir tão longe quanto necessário?” A expressão do Sr. Gold era quase divertida, e Isabelle achou quase charmoso seu deboche confiante. Ela já sabia que ele faria o que pudesse para ajudar Mary Margaret, como havia lhe prometido. Mas a forma como ele tecia as palavras, suas expressões ou tons afiados eram fascinantes de acompanhar.

“Mais longe.” Emma parecia resoluta.

“Agora estamos nos entendendo.” Ele sorriu, satisfeito. “Não tema, Srta. Swan. Regina pode ser poderosa, mas algo me diz que você é mais poderosa do que imagina.” Ele voltou a analisar a lamparina dourada com uma lupa, dando um tom de encerramento à conversa.

Muito depois de Emma ter ido embora, ainda enterrada entre os incontáveis e curiosos itens da loja, Isabelle se viu repassando a conversa em sua cabeça. Não só a parte sobre Mary Margaret, que a preocupava, ou a curiosa conclusão de que a culpada era a prefeita (o que já parecia ser um fato comprovado para os dois)... Mas principalmente o diálogo em si. As inflexões que ele usara, suas expressões.


O Sr. Gold não era exatamente gentil, é verdade. Mas havia uma certa inteligência afiada em suas respostas e ironias, um tom às vezes cortante, sem deixar de ser absolutamente cortês, que era simplesmente encantador. Ou, para ser mais exata: ela o achara incrivelmente sexy.

Notas finais
N.A.2: Comentários são sempre bem-vindos. Lembrem-se: autores felizes escrevem melhor; autores tristes têm pensamentos psicopatas sobre genocídios de personagens.
Just kidding hahaha Ou não ._.
N.A.3: Ok, esse capítulo não deveria existir. Ele não estava programado. Mas eu estava reassistindo alguns capítulos para fazer a fic, e vi essa cena, quase no finalzinho de Heart of Darkness (1x16) e pensei que ela simplesmente TINHA que aparecer aqui.
O Robert Carlyle é um baita ator, caracoles! Então inventei esse capítulo só para colocar a cena aqui xD Está praticamente transcrita na íntegra. Acho que é a coisa que menos me pertence na fic inteira hahaha