Interativa - World of Raven
39 New Life
Notas iniciais
Um olhar de surpresa genuína tomou conta dos quatro magos que se encontravam em um local improvável. Não reconheceram de primeira a “paisagem”, mas isso era devido a surpresa de estarem lá e nem saberem como. O mais surpreendente era poderem estarem respirando no espaço.
Não sabiam qual era o motivo de estarem lá, mas era algo sem razão apenas. O único propósito era ver algo que aconteceu a muito tempo, muito mesmo. Estavam nas memorias dos primeiros magos, quando a lua ainda era completa.
Por outra razão incógnita, pareciam saber o que aconteceu ali. Quando as pessoas descobriram a energia que havia presa no satélite natural de seu planeta e imprudentemente deixaram sua ganancia tomar conta.
As primeiras pessoas a pisarem lá naquela lua foram os quatro ancestrais dos que hoje estão lá, que perfuraram a superfície branca e gentil do astro liberando em seus corpos a grande parte da energia acumulada sobre a superfície do local.
Os primeiros fragmentos trazidos ao seu mundo se tornaram hoje, que perderam seus poderes, as moonstones. Que continham outro tipo de poder diferente do que eles haviam adquiridos.
Mais ainda, estudando os quatro que voltaram descobriram a origem de seus poderes, e em um consenso entraram para não revelarem seus dons ao mundo, mas isso falhou pelos interesses de um deles.
Mas todas as missões seguintes falharam, nenhum dos humanos mandados para lá voltou com poderes (dos que voltaram), e por fim, como último recurso usando os estudos e a tecnologia que tinham destruíram um pedaço do astro.
As consequências desse ato imprudente foram as criaturas que foram liberadas. Dentro da lua, mais ao fundo uma grande energia obscura estava presa e assim sendo, com a destruição de um pedaço, tudo escapou para a terra. Esse foi o dia em que as estrelas negras caíram no planeta. Sombras, como foram chamadas pelos humanos, destruíram suas construções e tudo que tinham feito.
Como um tipo de equilíbrio, os humanos ganharam os poderes que tanto queriam, mas até que aprendessem a usar e percebessem que era em uma escala menor que a dos precedentes a eles, estavam aniquilados. Os poucos que sobraram lutaram bravamente e dominaram de volta o local de direito, iniciando uma luta sem fim contra as Sombras que hoje chegou ao fim.
* * *
— Como você está? – Ágda estava sentada sobre uma cadeira comum de madeira, característica de Greenleaf, numa casa também característica. Um sol enorme brilhava, sinal de uma tarde de inverno.
— Acho que bem. – Harley respondeu dando um pequeno sorriso, olhou para o chão por alguns segundos antes de voltar a olhara pra Ágda. – É estranho não ter todos pensamentos e emoções dos outros na minha cabeça, mas é bom. Com certeza é bom. E você, vai voltar para casa?
— Nem pensar. Eles me venderam, estou muito bem sozinha. – Ágda falou com a entoação falsa de indignação e deu uma risada acompanhada de Harley. – Mas é sério, não volto mesmo.
— As senhoras estão tomando o chá da tarde por acaso? – Ariel estava chegando e gritou de longe, a rua em que a casa onde Harley ficava estava pouco movimentada naquela hora do dia, as duas olharam para ele sem dizer nada. – O que foi? Vocês não têm senso de humor? E eu que era o sério.
— O grande líder de Greenleaf veio nos ver, os meros humanos mortais. – Ágda falou com tom levemente irônico e Harley riu com ela novamente.
— Claro, eu me preocupo com meus súditos. – Ariel acenou para algumas pessoas, que o olharam com estranheza e não responderam. – Ainda não sou conhecido como governante de Greenleaf, acho que é algo novo pra eles, ou eles não gostam de mim por ser de Steel, mas é um começo...
— Vai dar tudo certo na sua jurisdição, confio em você. Se ainda pudesse ler as emoções dos outros saberia que têm esperança em você. – Harley disse com um sorriso gentil que foi respondido do mesmo jeito por Ariel.
— Não posso dizer o mesmo, mas temos que tentar, né? – Ágda falou novamente rindo dele, mas ficou um pouco séria em seguida. – Sempre confiei nos meus instintos, e eles me dizem que foi uma ótima escolha.
— Espero que sim mesmo, é uma grande responsabilidade... – Ariel deu um suspiro enquanto entrava na casa conversando animado com as garotas.
* * *
Shyuri estava em uma floresta. Levemente perdida talvez, mas longe de admitir isso. Tinha certeza que eles moravam por ali, bem, quase certeza. Com certeza haviam escolhido um local horrível para morar, mas era bem a cara de Vincent aquela densa e úmida floresta.
Ainda perdida olhou com calma ao redor, mesmo ainda tendo uma luz do sol considerável, ela não penetrava a copa das arvores, deixando um ar escuro na parte mais funda. Mesmo com isso Shyuri identificou a casa ao longe, ainda distante.
Em seu caminho acabou tropeçando em raízes e se sujando com folhas e terra, mas obteve sucesso na árdua missão de chegar inteira até o local.
Bateu na porta gentilmente e ouviu uma voz grossa responder “quem é?” num tom quase irritado.
— A melhor amiga do Vincent e futura madrinha de vocês quando resolverem sair desse fim de mundo e se juntarem a sociedade e casarem.
— Olha só que surpresa agradável. – Vincent olhou pela janela enquanto colocava sua camiseta, Shyuri deduziu o motivo da leve irritação de Viktor.
— Realmente, vocês são rápidos. – Ela disse e deu um suspiro de desaprovação para Vincent que olhou intrigado sem entender bem o que ela queria dizer. – Vejo que meu antigo colega se tornou socialmente ativo.
Viktor simplesmente se escorou na porta, meio carrancudo como estavam acostumados enquanto Vincent saia para cumprimentar a garota. Trocaram alguma conversa por alguns minutos enquanto Shyuri especificava que estava indo até Greenleaf tratar da diplomacia de Steel, agora mesmo jovem havia ficado em uma posição privilegiada devido a tudo que aconteceu. Vincent estava contente de estar isolado, sempre viveu e preferia ficar assim. Talvez um dia sua curiosidade o arrancasse dali para estudar as pessoas ao seu redor mas não seria hoje.
Viktor simplesmente estava bem também, feliz por estar gostando de alguém, por estar se sentindo em paz. Aquilo tudo relembrava seus tempos jovens em Spear, mas agora era diferente de muitas formas.
Shyuri se despediu um pouco triste depois de ser convidada para ficar mais um pouco, mas não tinha tempo. Deu as costas para eles com um leve sorriso depois de pegar o mapa desenhado por Vincent para ela.
* * *
Hyemi estava sentada sobre um banco de pedra, com rosas em suas mãos. O local onde estava tinha a arvore de folhas amareladas que haviam sido colocadas lá a quase três anos.
— Já faz tanto tempo... – Ela disse com a voz levemente embriagada por um choro segurado. Fazia tempo sim, mas ela ainda sentia. Sentia muito aliás, queria que as coisas fossem diferentes.
— Mana! – Uma garotinha de quatro anos gritou, correndo ao encontro de Hyemi e pulando em seus braços.
Outras duas jovens um pouco mais velhas estavam ali, tinham uma leve semelhança com Amber que apareceu com o tempo. Eram suas filhas.
— Vamos indo então, é complicado cuidar de três crianças... – Ela suspirou mas estava animada. Colocou um sorriso no rosto e deixou para trás o memorial de Mabel.
Uma sombra observava de longe aquele gesto e foi até lá após Hyemi sair para deixar sua lembrança também. Era Henry de um jeito quase irreconhecível, seu cabelo estava longo e caia pelo rosto tapando um de seus olhos.
Ele se sentou de pernas cruzadas sobre o chão sem ligar para a terra. Simplesmente olhou em silêncio para a arvore enquanto se lembrava de algumas coisas. Deu uma risada meio triste ao lembrar de como ironicamente havia sobrevivido graças a tantas mudanças no tempo que havia feito, mas não podia voltar para sua vida antiga. Nada o esperava nela, e ainda não estava preparado.
Foi assim que uma longa era acabou, não mais Sombras ou pessoas com poderes andariam por aquela terra, e todos seguiriam suas vidas como deveriam ser.
* * *
Sobre o céu de Greenleaf durante a noite escura e sem lua que era característica daquele mundo um portal se abriu, um metro quase de diâmetro e um brilho dourado e incomum eram suas características, além dos dois conjuntos de escritas rúnicas que giravam lentamente em direções opostas brilhando ainda mais que o portal.
— Espera, essa não parece ser a terra dos demônios... – Um vulto semelhante e um humano olhou pelo portal. Uma longa lança branca e asas amarelas e majestosas eram visíveis pelo portão. – Vocês humanos não fazem nem isso direito, pelo santo Criador. Vamos, vamos, temos que achar um portal aqui. – O ser angelical disse e se atirou na passagem iniciando sua queda na terra de Raven.
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