Interativa - World of Raven
21 Lovely Moment
Notas iniciais
— Bom dia! – Shyuri acordava Vincent com seu bom humor cotidiano. Estava um pouco complicado para ela fazer isso pois ele estava dormindo em cima de uma arvore.
Vincent rapidamente passou os olhos pela área apenas para ter certeza de tudo e percebeu que Viktor não estava ali. Grimoir estava falando alguns palavrões enquanto tentava fazer algo com seus poderes em uma rocha. Ele desceu da arvore com um pulo, ainda estava meio sonolento mas continuava ágil.
— Que horas são? – Ele perguntou a Shyuri que também se colocava a treinar seus poderes.
— Oito da manhã ainda. Mas temos que começar a andar até o meio dia. – Ela fechou os olhos e começou a concentrar energia no braço, a jogou no chão e apenas uma pequena explosão aconteceu. Ela soltou um suspiro de decepção e foi tentar novamente.
— Alguém sabe onde o Viktor está? – Ele perguntou esfregando os olhos.
— Mais pra dentro da floresta. Só seguir o rastro de destruição. – Grimoir olhou para Shyuri e os dois deram uma risadinha discreta. Vincent havia crescido longe o suficiente da civilização a ponto de não entender o que aquilo significava. Ele estava apontando sua mão para a rocha e emitindo algum brilho, mas nada acontecia.
— Ei... Se vocês quiserem, eu anotei algumas coisas sobre seus poderes aqui... – Ele pegou seu caderno e mostrou a Shyuri e Grimoir. – Pode ajudar com algumas técnicas nov... – Antes que pudesse terminar Grimoir arrancou o caderno de suas mãos, Shyuri correu atrás dele gritando que queria mais do que ele.
Vincent não disse nada, apenas começou a caminhar para a floresta. Rapidamente entendeu o que “rastro de destruição” significava para Grimoir. Várias arvores estavam cortadas e caídas no chão.
Ele começou a seguir as arvores cortadas e pensar um pouco sobre o real motivo de estar fazendo aquilo. Simplesmente acordou com vontade de falar com Viktor, só isso. O resto não saberia dizer, nunca teve contato com esse tipo de sentimentos antes.
E lá estava Viktor ao fim do “rastro de destruição”. Concentrando aplicando golpes de machado na base de uma arvore, nem viu Vincent o olhando de longe. Algo estranho aconteceu com o jovem ao ver Viktor sem camisa fazendo aquele esforço de longe.
— Ei você está bem? – Viktor havia derrubado a arvore finalmente mas Vincent mal percebeu, estava completamente distraído e o grito de Viktor o acordou.
— Quem? O que? – Ele balançou a cabeça tentando colocar de lado as imagens que estava formando.
— Você estava em outro mundo agora a pouco. – Viktor estava completamente indiferente para o fato de estar sem camisa e suado ali.
— É...
— Então... Quer alguma coisa? – Viktor se aproximou mais dele, caminhando lentamente. – Tem certeza que você está bem?
— Sim, sim. Só vim pra dizer que vamos sair até o meio dia... – Vincent respondeu tentando muito se concentrar em outra coisa além da imagem a sua frente.
— A Shyuri já me disse isso, mas obrigado igual. – Viktor não estava mais tão sério agora, nem ele sabia porque mas estava um pouco à vontade perto de Vincent.
Vincent então não disse nada, um silencio um pouco constrangedor tomou conta do ar ao redor.
— Então, o que você acha dessa história de sermos traidores? – Viktor fez algo que normalmente nunca faria, tentou puxar assunto.
— Eu não me importo, sabe? Sei que não somos e vamos provar isso de algum jeito. Sempre terão pessoas para nos julgar do pior jeito possível então é melhor ignorar e provar que estão erradas. – Vincent lembrou de relance das pessoas o culpando pela morte de seus pais e seu irmão.
— Isso é... Interessante... Gosto disso. Infelizmente não consigo apenas aceitar que as pessoas falem isso. Sei que não é verdade...
— Eu não sou nenhum expert em comportamento humano, pra simplificar cresci no meio do mato, mas deve ser por isso que não me importo...
Mais uma vez o silencio dominou o lugar, mas dessa vez foi algo diferente. Viktor estava muito perto realmente de Vincent e nem havia percebido isso. Os dois se olharam por um segundo e sentiram a mesma coisa, deram um passo para frente. Viktor era bem mais alto e mais forte aparentemente que Vincent.
— Eu não sei... – Vincent nunca havia estado tão próximo de alguém, naquele sentido pelo menos. Não sabia o que realmente fazer naquele momento, fechou os olhos e conseguiu sentir a respiração de Viktor próxima.
Teria sido um momento romântico ali no meio da floresta, mas as coisas não acontecem como as pessoas querem. Um grito agudo cortou o ar, Viktor recuou imediatamente, eles reconheceram o grunhido. A Sombra que atacou a cidade onde eles estavam.
Ela estava voando na direção da Grande Arvore e ignorou completamente os dois, isso era estranho mesmo. Viktor pegou seu machado apenas como precaução.
— Ele está indo para a cidade! – Vincent sabia aquelas direções de cor, e o único motivo de ignorar pessoas era atacar uma cidade.
— Uma coisa desse tamanho... – Viktor sabia o que aconteceria se aquela Sombra chegasse a cidade.
— Essa é nossa chance! Podemos provar que não estamos envolvidos nisso tudo! – Vincent disse e começou a correr de volta para a floresta ao local onde Shyuri e Grimoir estavam.
— Temos que ir para cidade!
— Temos que fugir!
Os quatro se encontraram e falaram juntos. Grimoir e Shyuri queriam fugir, mas Vincent parecia decidido a ajudar a cidade.
— Nós não podemos parar aquela coisa! A Academia inteira não poderia! – Grimoir foi o primeiro a levantar suas objeções.
— Você nos deve uma. – Vincent relembrou rapidamente os acontecimentos na Batalha.
— Droga, droga... – Grimoir parecia indeciso. – Vamos logo então!
Shyuri se permitiu ser levada com a onda e os quatro começaram a correr junto na mesma direção da Sombra. Ela voava devagar o suficiente para ser acompanhada por eles sem a perder de vista. Era como um borrão negro no céu azul claro. Não demorou muito tempo até ela pousar sobre a entrada da floresta que cercava a Grande Arvore e a cidade ao redor. Deu outro grunhido e bateu as asas produzindo uma rajada de vento incrivelmente forte.
— Isso é suicídio... Nós quatro não vamos nem arranhar ela... – Shyuri havia pensado bem na situação e nenhum deles acreditava que realmente podiam vencer, mas se podiam fazer algo teria que servir.
O pássaro saltou e caiu sobre a floresta gritando novamente, enquanto os quatro pegavam suas armas para lutar.
Fale com o autor