Insônia Poética
2 Valsa e Armagura
Ele estava sob o luar,
Com a mente nas estrelas,
A taça em sua mão
E sob seu peito, contradição.
Seu pensamento vagava
Numa terra desolada.
Ele, solidão:
Vivendo em hesitação.
Fuzilava-se com o olhar
E como espelho uma lagoa.
Só defeitos ele via,
Mas não por isso se entristecia.
Tinha receio
De nunca amar,
De agir e se revelar.
Com essa nuvem
Na cabeça
Não viu a chegada
Da sereia.
Ela emergiu da lagoa
Em beleza devastadora
E seus olhos eram
Como a ressaca do mar.
Além da pele muito lisa
Tinha dom de poetisa.
Não era perfeita,
Todavia.
Muito ter amado,
Parecia.
A amargura em cada gesto,
Feito pela sereia,
Nele aflorou
E uma decisão tomou.
–Olha cá, bonita moça
Não deixe se perder.
A confusão está a passo
De te fazer sofrer.
Ela o observou
Com um susto no olhar.
Não queria ser vista,
Queria chorar.
Cabisbaixo de vergonha,
Ele se afastou.
Mas a moça, contradita,
Veio e o abraçou.
–Agradeço, mulato,
Por me encontrar.
Só te peço, por favor,
Que me deixe divagar.
Ele a deixou,
Nunca mais a encontrou.
Mas continuou em seu pensamento.
Ela o livrara do sofrimento.
Naquela noite festiva,
Pelo menos.
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