Insônia Poética
7 Pensador Perfeito
Ele por fim sonhou
Com uma sociedade perfeita,
Sem medo ou desrespeito,
Imperdoável é o erro.
Genial, imparcial!
Não mais haveria bem ou mal.
Tudo é plenamente igual,
Todos nós, racionais!
Surgiram, logo, dois problemas:
Muita gente e pouca terra.
Ah, que nada!
Toda a Terra é nossa casa.
Consumam os animais,
As plantas são iguais!
Esses índios e pretos?
Irracionais!
Nada mais há de sobrar,
Não precisam mais pensar.
É só fazer o que eu faço:
Não o que eu digo.
Sinto muito,
Não mais há o "nosso".
Só meu, seu, dele, dela.
Quem sabe, uma favela.
Nada têm?
Não tenho culpa.
No princípio me apoiou.
Agora, não discuta
Não estou mentindo!
Olhe lá, repórter!
As nuvens estão se abrindo
E o Sol, surgindo.
De mim precisam para governar
Ou o caos se seguirá!
Você, homem, me criou.
Mas, sem o Estado, jamais pensou.
Igualdade? Há muito se acabou.
Perigo Vermelho, opressão!
Agora existe liberdade,
Mas só na sua propriedade!
Seja, ou não, onde for.
E o erro se repete:
Ao passado, ninguém o remete.
É muito fácil só seguir.
Não precisamos mais agir?
Faca o que eu faço...
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