Insurgent's Attack - Interativa
7 Salto da verdade!
Notas iniciais
Já começava a escurecer quando chegaram ao ponto de partida tão familiar. A plataforma de trem continuava com o mesmo aspecto anterior, com trilhos um tanto enferrujados e trêmulos, anunciando que logo os vagões passarão por ali na melhor velocidade.
— Vamos subir! — disse Luke, descendo do carro e o abandonando como peso morto.
— O que faremos com ela? — Emily tirava Violet do veículo, indicando a parte onde Clarissa ainda se encontrava, supostamente inconsciente.
— Deixe aí mesmo! — o rapaz dá de ombros, vendo a jovem de cabelo azul ainda calada.
Mia fazia uma análise completa de seu perfil atual. Ainda o reconhecia fisicamente e até gostava da ideia dele estar tomando um posicionamento perante toda a situação, contudo a última fez que havia subido naquele lugar foi como forma de fuga, principalmente após o ataque a Abnegação. Seu modo não estava carismático e um tanto meigo como o natural. Estava... Quase indiferente.
— Vai carregar as duas lá para cima? — finalmente se pronunciou.
— Eu levo a baixinha! — comentou Emily, praticamente pendurando Violet em suas costas como pais de primatas fazem com os filhotes.
O loiro já havia se afastado um tanto antes mesmo de respondê-la, contudo o modo como assentiu com a cabeça respondeu por si só. Apta o bastante para quem passou um bom tempo no território da Amizade, Emily agarrou as vigas de metal gélido e começou a escalar, presa a Violet somente pelo cinto e uma camisa grande e larga que vestia em tom amarelo, por cima da regata branca normalmente.
Um tanto impaciente e abismada, Mia caminhou até o veículo novamente. Lucy, que anteriormente parecia já retornar a lucidez, estava jogada de lado dentre os bancos da caminhonete.
Antes de poder falar qualquer coisa, a espuma do estofado que preenche a parte do banco onde estava sentada aparece com profundos arranhões. O braço esquerdo de Clarissa, ainda visivelmente fraturado devido a coloração em tom quase verde que a pele reproduz, envolve o pescoço de Mia, causando-lhe uma tosse imediata.
Uma cotovelada faz a outra xingar e posicionar uma faca no pescoço da rival, cortando um mecha azul que permanece no local, como se estivesse disposta a deliciar-se com o evento.
— Você já deveria estar morta!
As unhas de Mia cravam na mandíbula da morena que afrouxa o braço. No entanto, a saída bruta provoca um corte um tanto extenso de parte da mandíbula, uma parte da lateral do pescoço e leve agressão a pele de seu ombro, quase um arranhão, e a líquido vermelho e amargo pincela alguns fios em contraste a pele pálida da garota.
Sentindo uma enorme pontada em proximidades da nuca, Lucy escutar o arfar. Inacreditável! Uma luta exatamente sobre si. O espaço onde seu corpo coube é mínimo dentre os estofados. A faca de Clarissa praticamente voa para o banco do motorista que está vazio.
Enquanto tateia o banco a frente sem nem mesmo ser notada pelas outras duas que trocam algumas juras de morte, consegue observar, mesmo que com a visão turva, alguém em beirada aos trilhos. De fato, essa seria uma ótima hora para estar em um.
Na primeira oportunidade, Lucy perfura a perna de Clarissa com o instrumento, que urra. Aproveitando a brecha, Mia agarra a mandíbula da outra e bate com seu rosto no vidro da lateral, fazendo com que o nariz ainda cicatrizando da quebra após uma luta passada volte a sangrar generosamente.
Lucy praticamente rolou para fora do veículo assim que conseguira abrir a maldita porta amassada que arranhava suas costas. Logo em seguida, Mia sai igualmente, sangrando a altura do corte na mandíbula. Seu olhar quase furioso pousa em Luke que não estava mais de seis metros de distância, observando quase divertidamente a cena.
— Sério isso? — foi a única coisa que conseguiu formular vagamente sua indignação.
A morena levantava ainda cambaleante, adaptando-se primeiramente a luminosidade oferecida pelas luzes incandescentes dos postes. Sem mais perguntas ou contestações, andou em passos tropeços, seguida o caminho de Emily e Violet, deixando-os sozinhos.
— Eu estava com a arma, mas vocês estavam próximas demais. Corria o risco de te machucar. — respondeu o rapaz após alguns segundos. — E ir ajudar fisicamente não me pareceu algo muito justo. Você sempre se garantiu nesse quesito.
*******
Os passos que ecoam pela ruela da Franqueza parcialmente fazia trazem um leve incomodo para Caroline. Seu sangue fervia e o cheiro de erva doce seguindo-a era torturante. Parando em frente de casa e abrindo agilmente a fechadura, conseguiu ver o reflexo de Katherine pelo vidro espelhado do enfeite de balança pendurado na parede da sala de estar.
— Não se cansa de me seguir?!
— Quero ver Ellen agora. Tenho certeza que ela ainda mora aqui.
— Minha mãe morreu e, para nós, você também. Saia daqui!
Tentou fechar, mas o bico fino da bota da outra fez-se atrapalhar o processo.
— Então quero falar com a outra. Tenho assunto a tratar com ela.
Caroline abriu a caixinha de enfeite que julgou sempre ser inútil sobre a prateleira ao lado da porta e dele tirou um pequeno frasco do líquido do qual sempre tomava conta no trabalho. O empurrão de Katherine a fez cambalear para trás, quase derrubando o conteúdo, lançando descuidadosamente no bolso da própria vestimenta.
— Não me interessa o que quer. Saia daqui! — avisou quase num ultimato.
A reação da outra em desdém pela frase quase clichê abre a brecha necessária, erguendo o queixo para soltar uma das suas risadas cínicas. A ponta da pequena agulha penetra sua pele numa picada rápida, porém dolorosa, fazendo a outra socar o ar e atingir seu ombro esquerdo.
Katherine fecha a porta com certa brutalidade, sentindo aos poucos a própria mente pesar. Estava numa situação quase constrangedora, como quando seus medos foram vistos pelo telão para os chefes da Audácia. Muito pior que imaginar-se nua na multidão, pelo menos assim concluiu.
— Trabalho com o estoque de soro da verdade e como não sou boba, sempre tenho um comigo.
— Sua...
— Pense bem antes de mentir. Isso faz com que doa bastante.
— Experiência própria? — a leve ruiva apoia o peso praticamente todo na porta atrás de si.
— Vamos começar com o por que está aqui?!
— Atacaram a Amizade. Com certeza em busca de divergentes e essa foi a primeira opção de fuga.
— E para que precisa de minhas mães? — Caroline cerra o punho direito ao esperar a resposta.
— Nunca gostei delas e vivíamos tendo problemas, mas Ellen sabia de alguns lugares fora de foco já que já foi da Erudição e poderia ser um bom esconderijo. Eles mapeiam todos os lugares, mas não repassam tudo que descobrem e possivelmente acabam descartando a possibilidade.
— Ia levar seus amiguinhos juntos? Ou ia abandonar como vive fazendo para livrar a própria pele?
— Não tenho amigos, somente aliados. Um deles, Robert, já morreu. Agora só tenho Alek e pretendo conquistar Tanner novamente para isso.
As palavras fluem se sua boca como se o soro em si estivesse somente estimulando sua capacidade natural e o quão calculista é. Sua expressão continua indefinida entre o nojo, pouco de indignação e vanglorio.
— Uma garota que deve ser tão repulsiva quanto você e... “Novamente”? — um sorriso divertido se fez no rosto de Caroline — Parece que a dona conquista tudo perdeu um de seus servos. Agora o quer... Por capricho.
— Vai bem além disso. Agora que a irmã insuportável dele morreu e a paixonite também, tenho espaço para domá-lo de verdade.
— Você a matou. Não foi? Uma facada, como feriu minha mãe Mary aos onze anos. Ah... Você sempre teve essas fantasias nojentas.
— Engraçado falar de contradição quando você mesma é uma divergente falando. Eu era somente deslocada. — dando de ombros. — Não precisei matar nenhuma delas. A irmãzinha estava doente. A outra acidentalmente ficou na linha de tiro... Simpatizei com o atirador e não atirei nele. Só fui retribuída por boas ações.
Uma gargalhada curta e um tanto falsa sai de sua boca. A voz se mantinha calma, entretanto a luz que batia em seu rosto refletindo em um brilho especial do suor que começava a transparecer. A mão esquerda estalando constantemente os dedos era um dos exemplos mais claros que estava sobre pressão. Restava achar o que ela escondia.
— E agora acha mesmo que vai voltar a ser normalmente amiguinhos? Ele teria que ser muito tolo.
— Na verdade é bem esperto e até fiz algo bom mais cedo. Foi de tamanha doçura que nem tenho mais vontade de comer chocolate tão cedo.
— O que...
Antes que Caroline viesse fazer mais uma pergunta, o miado felino desceu junto com seu dono peludo e de pelos pretos graciosamente pela descada, sendo seguido por um rosto já familiar.
— Josie? O que faz aqui?
— Tutalaria apareceu no meu caminho para seu trabalho. Estava faminta e a trouxe para casa. — justificou, mantendo-se imparcial apesar de reconhecer Katherine e notar seu estado pouco mais decadente, quase largada no canto.
— Tudo bem. Mas sugiro que vá para o quarto de hóspedes e depois conversamos sobre o que faz aqui. Anda logo!
— Por que ela está assim? Algum tipo de droga que você aplicou?
— Sai daqui! Essa casa é minha e não sabe se metade da história para exigir algo. — a voz de Caroline saiu pouco mais séria e um tanto rude até.
*******
O trem passou em questão de segundos e Lucy tivera a ajuda de Emily para adentrar o vagão. A cabeça da jovem latejava e o balanço de trem junto com a voz fina e um tanto rouca de Violet que parecia cantarolar algo davam-lhe incrivelmente uma sensação pouco mais branda. Precisava assimilar algumas coisas e a primeira delas era a visão de Gabriel, seu primeiro amigo, deitado num canto qualquer com sacos de estopa da Amizade. Aquilo não poderia ser verdade.
O vento que adentrava as portas e traziam um tanto de movimentação em toda a preocupação. Os trilhos causavam leves solavancos assim que faz a curva. O prédio estava perto. A hora de saltar também. Se não poderiam entrar normalmente na Audácia, tinha que ser de um modo quase esquecido.
— Está na hora de saltar! — Luke finalmente quebrou o silêncio com a voz pouco embargada.
— Essa é a entrada da iniciação. Não podemos voltar para a Audácia ou morremos. — Mia interveio, ainda ressentida com o caso de Clarissa.
— Eles quase nunca ficam observando isso porque somente os instrutores se lembram dessa entrada e os iniciandos que descobrem sobre a rede ao fundo.
Sem pensar duas vezes, apoiando-se inicialmente na barra do trem, Lucy correu em tornozelos um tanto desequilibrados e correu, dando um salto. Atingiu o telhado do prédio a frente de joelhos, rasgando um tanto a calça e sujando de cascalho. Em seguida, Mia, Emily e Luke ajudando Violet.
Logo cada um respectivamente Emily, Lucy e Violet se posicionaram no parapeito e encararam por alguns segundo o vazio e profundo escuro que os agradava abaixo juntamente um constante e curioso chiado.
— Sua vez! — o rapaz alerta Mia.
— Não vou até me dizer, por que está assim?! E nem me venha com desvio de assunto ou qualquer coisa do tipo que não vai me passar a perna.
— Não fiz nada. — ele deu de ombros.
— Está sendo arrogante. Nem parece o mesmo rapaz que trabalhou comigo contra o pessoal do Robert. Isso desde que saiu da Amizade e...
Sem pensar duas vezes, Luke se aproximou, puxando-a para si e beijo seus lábios, acariciando suavemente o rosto da jovem. Após os poucos segundos que o mesmo durou, ela retornou a encará-lo.
— Não muda de assunto! — era quase possível ver um sorriso ladino em seu rosto.
— Falamos depois sobre isso.
Uma piscadela bastou e o mesmo saltou do parapeito. Afastando o cabelo azul agora bagunçado e um tanto cheio, Mia o prendeu num coque frouxo e saltou, sentindo a força da gravidade contra o próprio corpo, dando uma leve sensação de flutuação em meio a queda. Contraditório até sentir o corpo ser jogado para cima pela rede.
— Senti saudades disso! — comentou quase mentalmente em meio a um genuíno sorriso, como se estivesse em casa de novo.
Sem ajuda, a garota saltou da rede e foi recepcionada por um disparo a sua direita, sem atingir algo específico.
— Olha só! Visitas! — a mulher com voz aguda sorriu.
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