Insurgent's Attack - Interativa
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Notas iniciais
Era muita coisa para uma cabeça só! A sensação que há poucos minutos associou novamente a pouca liberdade que tivera dissipou em instantes. Estava retornando a Amizade, sua antiga facção. Talvez, se desse sorte, poderia encontrar algum amigo antigo ou quem sabe um primo? Desde sempre, sua família estava lá e... Família! Agora não estava mais só, mesmo depois da morte de seus pais e irmã. Tinha encontrado realmente um alguém, ou melhor, dois: Raven e Alyssa. Foi tão ao acaso se encontrarem, no desespero e livre e espontânea pressão. E, talvez, isso tenha sido um dos melhores acontecimentos desde então.
Apesar dos pesares, o trem parou de forma simplória e quase imperceptível. Uma massa abrupta de ar quente fez todos ali despertarem de seus devaneios. Alek e Katherine, as quais se mantiveram caladas após o curioso episódio suicida triplo, foram as primeiras a descer do vagão.
– Ei, bebezão! Chegamos! Se quer evitar morrer com esse sol ou encontrar aquela pirralhinha, sugiro que venha logo. – chamou Alek.
Em qualquer outra ocasião, Dean teria retrucado, ofendido, ou até mesmo Katherine teria compactuado com o deboche, entretanto, mesmo sendo o mais fria possível, achara estranhamente extraordinária a cena: Yvana pulando ao pescoço de Clarissa e Tyler seguindo para ajudá-la. Em questão de segundos, o próprio estava pendurado e dando seu último adeus ao companheiro de abandonar tudo pelo que lutou até então.
Quem diria que uma mulher de fato poderia levaria a tanto... Mulheres... E Katherine estava revoltadamente fascinada. Se já tinha uma curiosa excitação quanto a sangue, morte e seu humor negro habitual, quem dirá agora que presenciara os mais belos e macabros dos sonhos.
– Vamos logo! Não estamos muito longe. – prosseguiu Dean o mãos impessoal possível. Estava junto a duas cobras. Por Katherine, a irmã de Tanner, seu amigo, morrera. Por Alek, o pai de Lucy, justo quando estavam se reconciliando. Já estavam bem próximos ao objetivo: de volta a Chicago e em segurança. Matá-lo seria o menos trabalhoso.
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A picape trepidava nos últimos quilômetros até a cúpula. Assim que estacionaram, os engasgos do motor maltrapilho cessaram. Um vento rejuvenescedor os elucidou assim que abriram dificultosamente a porta amassada e enferrujada.
Reyna foi a primeira a descer da traseira, num pulo só, aterrissando desajeitada no chão, o que fez os joelhos e dentes rangerem. Em sequência, Mia foi auxiliada por Luke a descer, ainda pouco desorientada com a batalha antecedente. Lucy, Gabriel, Tanner e Miguel foram os seguintes. Alice e Scott se mantinham calados, como se agissem mecanicamente, ou ainda estivessem em protocolo de ataque. A moça da cicatriz, ainda muda, acenou de lado com um sorriso discreto para Gabriel e voltou a partir, sumindo aos poucos em meio ao caminho desordenado e reprovado por alguns membros da Amizade ali presentes.
– Olá! – aproximou-se uma jovem de cabelos e olhos castanhos trajando vestes características da facção – Ah! Gabriel! – cumprimenta-o – Bom, acho que vocês devem ser o grupo que Quatro avisou.
– Aposto que sim! – respondeu Tanner, ríspido, em paradoxo com a cordialidade da moça, o que fez com que a mesma erguesse instintivamente a sobrancelha esquerda e revirasse os olhos, ignorando-o.
– Sendo assim, vou levá-los até eles e depois, possivelmente, falarão com Johanna. Ai, depois, se acostumar com o que estar por vir e...
– Emily! – chamou Tris, aproximando-se habilmente, com as mãos apalpando a cintura, como se procurando os bolsos nas calças pretas justas se costumava usar, no entanto, o tecido folgado de cor amarelada era desproporcional tanto a sua personalidade quanto ao tamanho, fazendo-a parecer ainda mais baixa – Oi pessoal! Onde estão os outros?
– Os que restaram, estão a caminho – respondeu Mia, jogando a franja azul de lado, evidenciando um leve hematoma no canto direito no lábio inferior.
– Não chegou mais ninguém? – inquiriu Miguel.
– Violet, Sarah e Raven só. – deu as costas e fez sinal para que a seguissem, fazendo Alice suspirar e abraçar Scott ao saber que a irmã estava bem. Um enorme aperto em seu peito se desfez ao escutar que Sarah estava ali, agora tão próxima dela – Raven está com Alyssa, cuidando de alguns arranhou e machucados. Violet estava com Quatro e Sarah na estufa.
– Obrigada – disse por fim Alice, despedindo-se sem pestanejar e seguindo direção aleatória em busca da irmã, sendo seguida fielmente por Scott, que tornara colocar os óculos sem deferir expressões mais específicas.
– Acho melhor vocês se organizarem e se trocarem – deu uma risada de desdém e passou a mão nos cabelos, agora curtos a altura do ombro, como se estivesse esquecido que cortara, evidenciando a mudança para os demais – Depois nos falamos – deu as costas e saiu.
– Novos habitantes! Que legal! – chegou outra jovem de vestido vermelho a altura dos joelhos, usando uma fita amarela de cinto, com os cabelos escuros presos de forma frouxa num rabo de cavalo – Bom saber que teremos novas vítimas. Odeio recepções como já teremos o discurso na hora do jantar, vamos logo com isso. – encarou-os perspicaz – Meninas por comigo e os rapazes com Emily.
Ambas se viraram, seguindo corredores diferentes. Emily se manteve na instalação, apenas mudando de curso, enquanto a outra seguiu por uma porta lateral com passos largos, deixando um leve grunhido dão assoalho do ar e caminhou em direção a instalação norte, onde tinham os banheiros e dormitórios dos transferidos.
– Okay! Vamos começar o tour. Sou Mary Elizabeth, mas por favor me chamem só pelo segundo nome. Eu era da Franqueza, então não se sintam atingidos caso eu diga minha opinião nua e crua. – virou a encará-las – Falando nisso, gostei do cabelo – dirigiu-se a Mia, que abriu um pequeno sorriso de lado – Mas está desbotando já.
– Ah sim! Só para saber, há quanto tempo está aqui? – pronunciou-se Lucy.
– Tem uns dois ou três dias. A facção é tranquila, companheira, paz e amor, e gostam bastante da igualdade. Sempre trabalhos, tarefas, obrigações e harmonia, o que deixa as coisas um tédio de vez enquanto. – dá de ombros, abrindo a porta do alojamento e entrando.
– Normal dos membros da Amizade. Se por acaso pensarmos em discutir sequer, podemos ser expulsos, o que eu acredito que não vá levar muito tempo para acontecer – Reyna a seguiu, largando-se instintivamente na primeira cama que avistou.
– Cheira a... – antes que Lucy pudesse completar, Mia o fez.
– Hortelã? Menta? Cravo? – revirou os olhos – Algo do tipo.
– É bom! – riu Lucy em desdém, sentindo o tórax doer a altura das costelas, e logo se sentou.
– É nauseante! Prefiro o cheiro do Fosso da Audácia. A água batendo e a umidade eram mais acolhedores.
– Devo concordar! – deu de ombros – Mas com o tempo, tudo se torna repetitivo e enjoa – Elizabeth jogou uma toalha a cada uma – Pois é! Sugiro que tomem banho o mais rápido possível. Estão com um cheiro e aparência horríveis. – abriu a porta – Aliás, os chuveiros tem um tempo máximo de ficarem ligados. Sejam rápidas! Para o bem e paz da comunidade! – despediu-se em deboche, batendo fortemente a porta.
*******
– Alice! – a garota com os cabelos presos num coque correu até a irmã, ainda cambaleante e ofegante de acordo com o cansaço – Você está bem! – pulou num abraço.
– Aham! Estou e você? – a outra só assentiu, ficando na ponta do pé para completar a altura correta da irmã – Como chegaram aqui? Foi tudo bem? Alguém saiu ferido?
– Passamos por alguns mal bocados, mas estamos bem sim. – sorriu Sarah, contrastando com o leve corte na sobrancelha esquerda.
– Fiquei preocupada! – sentou-se ao ser atingida por uma tontura.
– Ei! Calma! – falou Scott, simultaneamente segurava o braço da jovem como apoio.
– Não. Pode deixar. Já passou – sorriu Alice, segurando a mão da irmã, a qual se soltou numa fração de segundos e deferiu um forte tapa no rosto de Scott, derrubando seu óculos, o qual teve uma lente quebrada, deixando feita a marca de sua mão na pele pálida do garoto.
– Isso é para deixar de ser um covarde inútil e nos abandonar justo quando mais precisávamos! – bufou Sarah, ficando com a face pouco mais avermelhada de acordo com a irritação.
– Sarah! Não! – interveio a irmã – Ele apareceu logo depois que você foi embora com Raven, Violet e Kylie... Aliás, onde ela está?
– Morreu! – replicou tão rapidamente que a própria se assustou.
– Como?
– Eu não sei bem. Parecia até uma cilada. Fomos atacados no trem e no Complexo da Abnegação. Quase morremos, na verdade, mas por sorte, lá tinha um quebrador de gelo ou sei lá o que aquilo fosse e demos conta daquele homem esquisito. Depois acabamos esbarrando com James numa caminhonete e chegamos aqui há algumas horas. – explicou descontroladamente e eufórica.
– Nossa! Falando assim até parece que foi divertido. – comentou Scott, pegando e analisando os destroços da lente no chão, quando se viu sendo encarado desprezadamente pela menina.
– Isso não é da sua conta! – esticou a mão, a qual obteve resposta, e levou Alice junto consigo para o lado oposto no Complexo, saindo da Estufa, passando pela porta e sumindo da vista de Scott.
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Os raios solares começavam a inclinação, anunciando o chegar do crepúsculo a elucidar a todos com alguns focos alaranjados que se dispunham em contato com as nuvens. Harmonioso, típico da Amizade, como se nunca tivessem visto aquilo, e por sinal, provavelmente, nunca o viram, pelo menos não daquela forma, aliviada.
Alek, Katherine e Dean chegaram ao Complexo e foram elucidados por alguns membros que chegavam em caminhonetes trazendo produtos do “além” da cerca, logo que assim pensavam. Era formidável o modo como tudo aconteceu tão rápido. Desde que saíram do acampamento, combateram o grupo de Katherine, posteriormente se juntaram aos notarem os destroços e enfim enfrentaram outras frentes, dividiram-se e por ventura, conseguiram chegar ali, apesar de tantas mortes, sangue, ferimentos e questionamentos.
O pouco tempo do banho para cada um foi o suficiente para tirarem o peso do acampamento e espantar até mesmo as cargas até então não pensadas, deixadas eventualmente para um futuro não muito distante, um “daqui a pouco” mais tranquilo.
Puseram-se a vestir com as peças ali entregues. Calças e blusas nas cores da facção: amarelas e vermelhas, tendo até mesmo um leve tom meio bege, desconhecido, ponto entre ambas. Cada qual se arrumou e confortou como pôde, levando em consideração que no caso das moças, tratava-se de um ambiente em si completamente diferente. Para Dean, trouxe recordações enevoadas e simultaneamente equivocadas e perturbadoras. A Amizade era sua casa, sua facção, até se transferir para a Franqueza.
O toque rústico anunciou a hora do jantar e, eventualmente, todos os membros da facção e até mesmo alguns grupos de refugiados aqui e ali, puseram-se em direção ao refeitório, onde Johanna, uma das principais líderes da Amizade, estava sentada a mesa ao centro, papeando algo com outros membros e Marcus, que parecia incrivelmente bem para a situação geral em que se encontravam.
Assim que ultrapassou a porta larga do salão, trazendo o cheiro de cominho e açafrão característicos de sua infância, foi surpresado por um arfar que o deu um sorriso de lado instantâneo. Elas estavam bem!
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