Insuperável
1 Capítulo 1
– Acorda! ANNA!
– São quantas horas?
– O bastante! Vá se lavar que o ônibus já está chegando. Você precisa ir para a escola algum dia!
Então as duas se retiraram, a mais nova foi em direção ao banheiro enquanto sua mãe desceu as escadas e sentou-se na mesa da sala, aonde uma modesta refeição seria servida.
– Bom dia! – Gritou com ânimo o pequenino, Jorge, o mais novo da família, tão puro e cheio de felicidade, Anna o invejava.
– Oi. – Disse enquanto se sentava distante de todos. Suas roupas rasgadas e seu cabelo de aparência descuidada era quase impossível notar a beleza de Anna. Ela possuía cabelos loiros como o ouro, que quando limpo era realmente magnífico. Seus olhos eram grandes e azuis, e sua pele clara contrastava com os lábios rosados. Linda, mas não achava isso. Ninguém achava.
– Tomou banho rápido Anna. – Marta, sua mãe disse enquanto analisava a filha com certo desgosto.
– Não tomei. – Sorriu, orgulhando-se disso.
– Animada para voltar a escola hoje querida? – E finalmente o careca que lia o jornal concentrado se pronunciou, um sorriso murcho brotou em seus lábios, parecia estar esperando todo esse tempo em busca das palavras certas.
– Não. – Ela respondeu seca. E levou o copo de suco a boca.
– Pois devia! Vai ser legal. Karen iria....
– Não fale dela, ela está morta. – Resmungou.
– Mas querida... – Sua mãe tentou argumentar, tarde demais,o ônibus havia chegado e Anna saído em disparada até a porta. Não por vontade de estudar, mas para se livrar de conversar. Odiava diálogos, eram inúteis, pensava.
Todo o trajeto até a escola foi um tanto quanto inquietante, ela tentou esvaziar a mente, mas logo percebeu que era impossível, e que pelo andar da carruagem, seria assim pelo resto do ano letivo. Encostou a cabeça na janelinha do ônibus amarelo, fitando receosa as ruas enquanto se aproximava do colégio, e então, logo que o ônibus parou soltou um gemido fraco, uma mistura de medo com desgosto, ajeitou-se no banco e por fim saiu do ônibus, com a cabeça baixa. A garota tentou focar sua atenção em outras coisas, talvez assim não tivesse de enfrentar tão cedo à realidade, a realidade de que estava sozinha agora. Não tinha mais aquela pessoa que a confortava, que a direcionava, aquela pessoa que conseguia trazer o sorriso mais verdadeiro aos seus lábios, não, ela não tinha mais a sua melhor amiga para lhe fazer companhia.
Rolou os olhos e encontrou o refeitório branco que a essa hora ainda estava vazio, pode então perceber o quão limpo aquilo era, notou pela primeira vez os tons variados dos acentos e como a moça que ali trabalhava era gorda, nunca havia notado isso. Chocou-se. Aos poucos o local foi enchendo e ela resolveu sair dali, não estava pronta para socializar, na verdade, não queria estar.
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