Insulae
1 Insula 1 : Insulações
Notas iniciais
Insula primeira. Insulações
Colagens
Enquanto recortávamos imagens
Da pilha dos jornais velhos
Naquela noite de céu limpo
Era Dezembro, acho
Colávamos políticos à verdade
padres a deus e generais à parede
Com uma caneta Bic cristal
E um stick meio gasto de UHU
Acima de nós, só as estrelas
Abaixo, as folhas do jornal
E talvez a instantânea que tiramos
Com um filtro sépia falso
Siga tronco
Eram para aí seis ou sete
Na entrada do metro da tarde:
Azulejos e granito e metal;
E luz e escadas rolantes
Mini pizzas e lanches mistos;
E uma pepsi morna.
Mas, ainda mais obsceno:
Mentos, a ir para o trabalho.
No chão revistas
Fingindo saber saber:
Mais um Chibanga
O nome destas coisas é sem nome
Porque o que se diz não se escreve. E se se escreve não se diz. Vivemos por estes dias. A olhar para o nariz. Porque sim e porque chega. Chegamos nós à estação. Ressolhitos; verdes; joviais. O audaz futuro da nação.
O nome destas coisas é sem nome. O nosso basta.
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