Insuficiente
1 Eu nunca seria o bastante
Notas iniciais
Eu não sabia o que sentir.
Eu a observava. Sempre. Desde sempre. Eu sabia suas manias, seus reflexos, seus gostos, seus desgostos, suas preocupações. Eu sabia de tudo sobre ela.
E por isso não sabia o que sentir.
Muitos diziam que eu deveria sentir pena, outros, que eu era o único que podia salvá-la, justamente por a conhecer tanto e há tanto tempo. Mas eu sabia que não era verdade. Não era verdade.
Eu sabia o que a preocupava, então eu sabia que nada do que eu ou qualquer outro fizesse seria capaz de desviar seu foco daquilo. Ela estava desesperada, e não percebia.
Himekawa definitivamente estava obcecada. Tudo desde a nossa volta ao mundo humano, foi para que ela alcançasse seu objetivo. As noites de choro, onde ela me ligava para dizer o quão sentia falta da ligação com seu parceiro, os planos, o desespero, as programações. Tudo. As noites em claro estudando para a faculdade, seu sucesso e reconhecimento no trabalho. E eu sempre a observava, eu sempre a seguia. Com medo de que ela se afundasse em seu próprio objetivo.
Mas não fui o suficiente.
Himekawa teria o mundo aos seus pés, se assim quisesse. Ela tinha capacidade para qualquer coisa. Mas o desespero a cegou.
Eu a via chorar, mesmo depois de formados, de saudades e de frustração por não encontrar um meio de trazê-lo de volta. E eu a abraçava e a deixava chorar em meus braços, mesmo que já não estivéssemos mais juntos. Eu a deixava desabar de desespero, a deixava saber que eu ainda estava ali, e que sempre estaria.
Mas nunca a disse que ele poderia voltar.
Maki não via que todos ao seu redor a admiravam. Não via o quão era reconhecida por seu trabalho, por sua firmeza.
Eu sempre fui sua sombra. Eu sempre a segui, sempre soube o que ela pensava, o que sentia.
Até que não soube mais.
Eu não fui capaz de convencê-la que as coisas estavam como deveriam ser. Ela não me escutava. Dizia que eu nunca seria capaz de entendê-la, uma vez que o meu parceiro se encontrava vivo, em algum lugar de um mundo onde eu já não visitava mais, ajudando as novas crianças a salvá-lo. Ele estava vivo. Mesmo que eu nunca mais fosse vê-lo e também sentisse por sua falta, ele ainda estava vivo. E para ela só importava isso.
Eu nunca seria capaz de compreender a dor pela qual ela passava, apesar de tudo.
Eu não fui o suficiente para fazê-la acreditar de que uma reinicialização poderia não ser a solução, de que isso poderia não ter uma solução. Ela não me ouvia mais, por que alguém a ofereceu aquilo que ela tanto queria.
A chance de seu parceiro voltar.
Himekawa deixou de ser aquela pessoa que eu tanto conheci, que eu tanto amei e tentei salvar.
Himekawa era uma peça de um tabuleiro, e levou todos nós com ela, sem que visse, pois continuava cega.
Ao fim, não fui capaz de saber se conseguiu seu sonho, não fui capaz de pedir desculpas por não conseguir impedí-la de fazer aquilo.
No final, me sacrifiquei para salvar uma criança. Uma criança que usava os mesmo óculos que eu usei quando meu parceiro estava ao meu lado.
No fim, fui embora sem revê-lo.
No fim, meu final não foi tão diferente daquele do que a deixou tão obcecada.
No final, eu morri apenas para que outros triunfassem, para que outros vivessem, seguissem.
Seguissem de um jeito que nós não seguimos.
Notas finais
Ficou meio "eita", mas eu gostei pra caramba do rsultado final, porque eu tenho um carinho muito grande pelo Daigo, e a pegada meio mórbida combinou com o fim que ele teve ahusahsuahus
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