Notas iniciais
Sim, eu deveria estar trabalhando em Não me deixe ir que ficou em um hiatus temporário, mas eu tive essa ideia e não consegui me controlar.
Quem sabe eu não transforme isso numa coletânea de cenas fofinhas entre Harry & Filhos? Eu gosto da Ginny, mas Harry é meu amorzinho maior.
COMENTEM PELO AMOR DE MERLIN!
Qualquer erro me avisem e aproveitem a leitura.

Insuficiência crônica.

James Sirius Potter – James, chame-o de James – tinha um nome importante para seu pai. Porque, para Harry, James e Sirius eram seus pais, homens bons – ou quase – que lutaram e caíram; ele queria que seu filho – Merlin, ele tinha um filho agora – fosse corajoso e se importasse com a família como eles fizeram, mas o Potter não queria que Jay – era mais fácil chama-lo assim e afogava alguns fantasmas – os tomasse como exemplos absolutos.

Mas, é sobre James Sirius Potter que falamos, essa história é sobre ele! Então deixemos as epifanias de Harry James Potter de lado e comecemos com seus pensamentos e dúvidas.

Porque até mesmo os melhores garotos têm lá seus problemas.

Ele queria saber mais sobre os homens – desconhecidos – que inspiraram seu nome. E quando descobriu ficou maravilhado com suas histórias, pareciam a trama de um filme muito trágico! Jay – o seu pai o chamava assim, logo todos o faziam – os achava interessantes; pessoas que nunca havia visto ou trocado uma mísera palavra eram seus maiores ídolos! Porque James Potter era um artilheiro fantástico, mas possuía habilidade suficiente para ser um apanhador, além de ser a imagem da coragem e da nobreza. E Sirius Black? Ele era infinitamente leal e nunca desistira de nada!

Harry deixou para contar as histórias ruins mais tarde, de qualquer forma, houve, antes da mácula, um momento interessante e James Sirius Potter tinha meros oito anos e, ainda, queria saber mais sobre os homens que inspiraram seu nome.

O pequeno Jay esperava sentado no sofá perto da porta. Esperava a hora que seu pai aparataria perto da casa – perto o suficiente para que ouvisse o barulho característico – e entraria na mesma com um largo sorriso mesmo que estivesse cansado. Mas mal aguentava a demora, os ponteiros do relógio se arrastavam e nada de seu pai chegar, de qualquer modo, ele aguardaria, estava curioso, além de muito ansioso.

A porta foi aberta e a figura do homem de cabelos negros e olhos verdes rapidamente a atravessou apenas para Jay se jogar em suas pernas em um “quase abraço” cheio de animação. Harry riu e o levantou do chão com facilidade. Na verdade, os dois riam – embora baixo, Ginny dormia no andar de cima com Al e Lilly – juntos como quem guarda um segredo precioso; era um segredo precioso, o segredo deles.

James foi colocado no chão e, finalmente, fez o pedido que aguardara o dia inteiro para fazer; a pergunta foi feita no tom infantil e, ainda, um pouco enrolado:

— Pai, pode me contar mais sobre James e Sirius? – Harry, por alguns momentos, deixou um semblante tristonho tomar o lugar da rápida alegria. Ali estava seu filho perguntando sobre o pai que nunca conhecera e sobre o padrinho que mal convivera. No entanto, um curto sorriso surgiu em seu rosto e ele indicou o sofá com um gesto curto, apenas para ver o pequeno Potter correr para tomar seu lugar favorito. Era, praticamente, uma cena comum entre pai e filho, porém, que carregava certo significado maior.

Harry, que caminhou mesmo que quisesse correr como uma criança da mesma forma que o filho, se sentou e se pôs a falar, entretanto, o que disse foi algo mais importante, algo que sempre evitara pensar, contudo, era a realidade que precisava dizer para seu menino:

— James Potter costumava ser meu pai, sabe? – O pequeno James sabia, todos sabiam! – Mas eu nunca o conheci, sei que ele foi enfrentar Voldemort sem uma varinha para que minha mãe pudesse escapar, todavia, a única memória que pude ver ele vivo, foi decepcionante. James Potter agia como um idiota. – Jay se moveu desconfortável, porém, permitiu que seu pai, tão absorto em pensamentos, continuasse. – De qualquer forma, acho que a guerra o mudou, ele deve ter tido de crescer em algum momento. Mas eu nunca o conheci. Me contaram as histórias sobre as risadas Jay, contudo, nada lembro dele em si. – O garoto pensou que era triste, decepcionante e curioso, ele ainda estava curioso.

Por alguns momentos, pai encarou filho buscando algum sinal de tristeza por ter um de seus heróis reduzido à um ser humano normal, porém, apenas encontrou um pedido silencioso para que continuasse e assim o fez:

— Já sobre Sirius Black, eu o conheci. Ele não estava em seu melhor estado, todavia, eu o conheci. – O menino quis fazer perguntas, mas também não quis interromper o pai. – Na primeira vez que o vi, fiquei furioso, achei que era dele a culpa de seus avós terem morrido, mas não era. A verdade era confusa, mas ele sofrera por anos por um erro que não cometera. – Sim, a criança já ouvira aquela história, assim como também ouvira várias outras. – Sirius era amargura e um tanto estranho, mas, ainda quebrado, era meu padrinho, uma figura que eu amei como um filho, porque, por pouco tempo, ele foi o pai que nunca tive. – Harry James Potter parou de falar por longos segundos, entretanto, Jay esperou, sempre esperava.

O homem abriu um sorriso, bagunçou os cabelos do filho – parecidos com os dele, parecidos com o do avô – e disse com uma simplicidade descomunal:

— Mesmo assim, ainda tenho algumas histórias melhores para contar. – E assim ficaram até Ginny descer reclamando que eles deveriam ter feito algo útil, quem sabe o jantar. No entanto, James Sirius Potter nunca esqueceu nada do que o pai disse. Ele nunca esqueceria.

Os anos passaram. James Sirius Potter não era mais uma criança mesmo que ainda gostasse de ser chamado de Jay. Estava em Hogwarts agora e não se impedira de procurar mais sobre os homens que inspiraram seu nome. Perguntara para professores, para o Pirraça – ele adorava o Poltergeist com todas as forças – e até trocara cartas com Minerva McGonagall. Ele era curioso e achava legal o fato de seus avós serem monitores-chefes juntos.

De qualquer forma, com o passar dos anos o orgulho que sentia de ter sido batizado com nomes de gente importante – eles eram importantes! – sumira. Sumira porque lhe contaram as histórias ruins; seu pai lhe contara as histórias ruins, os professores e, na verdade, parecia que todos achavam os dois eram perfeitos idiotas. E James Sirius Potter agradeceu silenciosamente seu apelido e, agora, ninguém mais o chamava de James, era sempre Jay ou Potter.

Desonra. Vergonha. Decepção.

Harry sabia que essa fase viria, ele mesmo ficara triste com o passado, quisera o negar, mas aceitara. Dissera sim para a realidade e tinha muito, muito orgulho de ter um filho com os nomes do pai e do padrinho mesmo que ele odiasse – ele sabia que odiava – isso. De qualquer modo, houve outro momento, outro momento importante, contudo, é necessário saber de algumas coisas antes de entende-lo por completo, afinal, uma boa história tem início, meio e fim.

Jay – sempre Jay. Sempre – odiava seu nome. Diferente de Al que, simplesmente, achava o seu feio, ele se sentia imundo, torpe e detestável. Não conseguia compreender, não queria compreender. “Apenas Jay está bom” deveria ser a frase que mais repetia, porque todos precisavam ver e entender seu nojo. O chamar de James era o suficiente para irrita-lo, compara-lo com o “original” era ganhar seu ódio. Era ridículo para si mesmo ser parecido com eles.

Ele não queria. Ele não aceitava. Ele nem sequer compreendia. Apenas odiava.

No entanto – doía admitir –, eles sempre pareciam suficientes para todos. Idiotas, babacas, desprezíveis e tudo mais, entretanto, ninguém os chamava de inúteis, de cópias, de miseráveis ou de medianos. James Potter e Sirius Black pareciam nunca perderem os holofotes e a grandeza, morreram lutando e jamais abaixaram as cabeças. E ele, mais uma vez, tinha algo para perguntar.

Jay estava, de novo, sentado no sofá encarando os ponteiros do relógio se arrastarem. Há anos não fazia aquilo, porém, a dúvida o corroía aos poucos. Na verdade, carregava aquele ponto de interrogação desde que o piche negro cobrira seus sonhos infantis, desde que os porquês se tornaram algo mais focado nele mesmo do que no passado distante. No entanto, estava ali, estava ali como se fosse o pequeno menino que seu pai erguia no ar para que gargalhasse e, mais uma vez, esperava que o homem chegasse em casa.

Não demorou – ou talvez houvesse demorado visto que Jay estava ali à meia hora – e logo Harry fechava a porta com um semblante cansado; estava ficando velho para a vida de auror, mas um sorriso adornou seu rosto quando viu o filho sentado no sofá o esperando, algo que não via há muito e que ainda o satisfazia.

Se aproximou, o abraçou brevemente e sentou-se aguardando que Jay dissesse o que queria, mas o Potter mais velho poderia esperar o tempo que seu garoto precisasse. E demorou, o menino – se sentia uma criança agora – permaneceu por longos minutos em silêncio antes de ter coragem o suficiente para perguntar nervosamente:

— Será que James Potter e Sirius Black já se sentiram insuficientes? – Se sentiu um estúpido, deveria focar nos NOMs daqui a alguns meses, contudo, aquela pequena questão estava o assombrando. Harry sorriu com simpatia tangível antes de responder. – Provavelmente sim. E eu sei que você os acha idiotas e eles certamente deveriam ter sido, porém, eu não te batizei de James Sirius Potter porque eles foram meu pai e padrinho. Não. Eles foram corajosos e bons em suas próprias maneiras, mas nunca quis que você os tomasse como exemplo absoluto! Eles eram James e Sirius, você é James Sirius, uma pessoa completamente diferente. – Jay estava confuso, entretanto, as palavras do pai eram calmantes em seus ouvidos. Soavam bem como nada em sua vida soara.

O Potter mais velho prosseguiu falando e falando:

— Eles erraram. Erraram muito, mas eram humanos. Simples humanos que falharam e acertaram em coisas que talvez, hoje, não saibamos, entretanto, que estão lá. James Potter foi meu pai, um pai que se sacrificou e que eu nunca pude conhecer. Sirius Black foi meu padrinho, um homem perturbado, amargurado e um pouco insano, porém que me serviu de pai pelo melhor amigo morto. Não é uma história bonita e eles não são inteiramente bons, todavia, existe bem e mal dentro de cada um de nós. – Pai bagunçou o cabelo do filho e se ergueu perguntou em tom simplório o que ele queria jantar, Ginny mandou que fizessem algo útil e ainda ordenou que Al e Lilly fossem ajudar, porque ela estava cansada e fazia a comida deles todos os dias.

James Sirius Potter ainda achava os homens que inspiraram seu nome babacas, todavia, as palavras de Harry Potter carregavam mais verdades do que poderia prever. As antigas também. E, enquanto batalhavam com o frango e com o macarrão, havia um olhar de cumplicidade entre pai e filho.

James Sirius Potter ainda preferia ser chamado de Jay, mas suportava que alguém usasse seu nome de verdade. Tirava um dia por ano para visitar os túmulos — mesmo que o do Black estivesse vazio – dos mortos e, bem escondido por baixo das camadas marrentas, ainda achava aqueles dois homens com os quais nunca vira ou trocara uma palavra seus heróis de infância.

No entanto, ele ainda achava seu pai o melhor herói de todos.

Notas finais
Espero que tenham gostado e que não tenham vergonha de me apontar qualquer erro, mas sem voadoras, obrigada.
Peço que comentem e que critiquem, mas não vamos ser rudes e fazer feio, vamos?
Abraços,
Bastada de Ned Stark.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!