P.O.V. Jace.

Falta água na cidade toda. E não sabemos o que fazer até a Clary dizer:

—Aqui havia um poço. Um bem fundo.

—Eu sei onde fica.

—Leve-me até lá.

Chegamos ao poço, mas o balde não pegou nenhuma gota de água.

—Que droga. Não tem jeito.

—Sempre tem um jeito... O meu jeito. Tragam-me baldes e bacias.

—Por que?

—Apenas tragam-me o que eu pedi.

Depois de trazermos todos os baldes e bacias da casa ela pergunta:

—Vocês colocam verbena na água do poço?

—O que?

—Vou tomar isso como um não. Ótimo.

Ela pegou um dos balde, tirou as roupas e se jogou dentro do poço.

—Clary!

Depois de uma queda de mais ou menos três metros ouço o corpo dela bater na água.

—Você tá bem?

Ouvi o eco dizer:

—Sim.

Ela encheu o balde e escalou o poço de volta pra cima. Clary ficou o dia todo entrando e saindo do maldito poço. Só faltava um balde pra encher quando o nariz dela começou a sangrar e ela caiu no chão, inconsciente.

—Clary!

—Leva ela pra dentro Jace. Eu vou dar um banho quente nela, vesti-la e daí a gente coloca ela na cama.

Isa teve que dar banho de banheira em Clary e teve que entrar dentro da banheira para impedir que ela se afogasse. Ela precisou de ajuda para tirá-la de lá e eu tive que fazer esse papel.

Depois de ter tomado banho, ter seus cabelos secos com o secador e ser vestida nós a colocamos na cama e esperamos até que acordasse. Felizmente não levou muito tempo, foram mais ou menos duas horas.

—O que houve? Onde estou?

—Está segura. Você ficou a tarde toda enchendo baldes e bacias, entrando e saindo daquele poço.

—Eu fiquei muito cansada. Devo ter desmaiado de exaustão.

—E o seu nariz sangrou.

—Foi de exaustão. Eu nunca tinha feito isso tantas vezes seguidas em tão pouco tempo.

—Valeu. Pela água.

—De nada.

—Se não fosse você não teríamos água pra fazer nada.

—Eu estou usando uma roupa diferente.

—Te dei um banho.

—Banho?! Não há água nem pra beber e você decide me dar banho?!

—Você merece. Se não fosse você estaríamos todos morrendo de sede agora.

—De nada.

Isa tinha razão. Se não fosse por Clary não teríamos água pra beber.

—Estou saindo. Eu vou me alimentar.

Por me alimentar ela quer dizer: "Vou me fantasiar de garota de programa e beber o sangue do cafetão até ele morrer."

O estilo da Clary era roqueira igual ao da Isa. Só que mais feminino.

A Isa era punk e gótica, a Clary era Rocker.

Quando ela voltou estava alimentada e sem um único fio de cabelo fora do lugar.

Infelizmente a mulher do noticiário da manhã falou:

A Polícia de Nova York suspeita de um serial killer que mata cafetões e outros mal-feitores. Segundo informações o assassino tem um padrão, ele escolhe sua vítima e drena todo o seu sangue.

Vamos ao vivo do departamento de polícia de nova york.

Foi a vez do delegado falar:

Seja quem for esse assassino de certa forma ele está fazendo um bem para a nossa cidade. Mas, vamos manter a vigilância.

Um dos repórteres pergunta:

—O senhor pode nos falar sobre os corpos das vítimas?

O Delegado responde:

—O assassino enfia uma faca nas jugulares das vítimas e morde seus pescoços bebendo seu sangue até não sobrar nada.

—E o exame de DNA?

—Infelizmente o exame feito foi inconclusivo. Nunca nenhum DNA parecido com o do assassino foi encontrado.

—Explique.

—O DNA dele ou dela muda constantemente. Segundo o nosso perito as moléculas dele ou dela estão em constante estado de fluxo e produzem quantidades alarmantes de colágeno.

—O senhor acha que temos um vampiro em Nova York?

—Sinceramente, vampiros são apenas um mito. Essas coisas não existem.

Eu ri.

—Se ele soubesse que vampiros, demônios e outras criaturas existem ia pirar.

—Com certeza.

Nós desligamos a televisão e fomos treinar. Clary treinou com a gente e acabou conosco. Ela até quebrou a minha mão sem querer.

—Me desculpe. Aqui, bebe.

—O seu sangue?

—Vai curar você.

—Ok.

O gosto era horrível, mas me curou. Instantaneamente.

—Caramba!

—Tente não ser morto durante vinte e quatro horas, se não você vai voltar como vampiro.

Ela não disse mais nada, simplesmente saiu.

—Peraí, você disse vampiro?

—Disse. De onde você acha que eles vieram? Eu sou a origem de todas as linhagens sanguíneas de vampiros do mundo. Tecnicamente todos eles são meus filhos.

—Caramba!

—Eu sou a origem dos originais. Os primeiros vampiros do mundo só existem graças ao elixir que inspirou o feitiço que Ester lançou em seus filhos e marido.

—Uau!

—Pensei que seria mais difícil impressionar você. Afinal, você sabe da existência dos vampiros e luta contra demônios todos os dias desde que era apenas um garotinho.

—É. Mas, saber que estou diante da primeira imortal do mundo que gerou mais imortais e não me impressionar é meio difícil.

—Sei.

—Vem. Tem algo que vai te impressionar.

—O que?

—Vem.

Peguei na mão dela e a levei até o jardim que ficava na cúpula.

—Que lindo. Isso é mesmo de tirar o folego.

—Imaginei que diria isso.

—O que são esses pontinhos brilhantes que zunem?

—São fadas. Mas, eu não sabia que fadas zuniam.

—Esqueço que você não escuta. Eu ouço as asas delas batendo enquanto elas derramam esse pó por onde quer que passem.

—Pó?

—Um pó brilhante. Dourado.

—Tudo bem então.

Ela foi até uma das mesas e começou a passar a mão nela e a catar algo que havia lá e que eu não conseguia ver. Então, ela jogou nela mesma e fiquei chocado ao vê-la começar a flutuar.

Clary fazia movimentos graciosos no ar. Estava literalmente dançando nas nuvens. E eu podia ouvir a risada dela.

Ela então, desceu aterrissando graciosamente.

—Foi super legal! Você tem que experimentar!

—Clary...

—Vamos, vai ser legal. E se você cair eu prometo que te pego.

—Você me pega?

—Sou mais forte do que pareço.

—Tá.

Ela catou um pouco mais de pó e o assoprou em mim. Senti os meus pés saindo do chão.

—Abra os braços Jace! Ajuda na aerodinâmica!

Fiz o que ela mandou e aquela foi a melhor experiencia da minha vida. Flutuar.

—É melhor você descer! O pó já saiu quase todo!

—Como vou descer?

—Pense em descer e vai acontecer. Imagine a aterrissagem, visualize!

Deu certo. Era como passar pelo portal.

—Foi mesmo muito legal.

—Eu falei.

—Obrigado.

—Pelo que?

—Por me proporcionar essa experiencia incrível. Se não fosse a sua super visão isso jamais teria acontecido.

Me aproximei dela e a beijei.

—O que foi isso?

—Um beijo. Espera, você nunca foi beijada?

—Não.

—Durante dois mil anos, você nunca foi beijada?!

Ela respondeu, mas o jeito dela falar não, a pronuncia parecia um miado de gato.

—Não.

—Porque?

—Sei lá. Eu nunca deixei ninguém entrar. Nunca me aproximei demais de ninguém porque sei o que acontece com os mortais.

—E o que acontece com os mortais?

—Vocês morrem e eu não. E como tudo o que eu sinto é mil vezes mais forte do que vocês sentem eu não iria aguentar a dor da perda e acabaria desligando minha humanidade e me tornaria um monstro.

—Como assim?

—Eu sou capaz de desligar os meus sentimentos. Quando eu desligo eu não sinto absolutamente nada, nem medo, nem dor, nem amor, nem nada.

—É como um interruptor?

—Isso. Mas, é mais fácil desligar que ligar. Pra religar geralmente pode ser necessária uma intervenção e o uso da violência. Ou seja, tortura.

—Credo! Que horror.

—Você nem imagina.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.