Instituto das Bruxas de Salém
1 Prólogo
Notas iniciais
Sejam bem vindos ♥
O silêncio se alastrava por todos os cômodos daquela casa. Ouviam-se alguns ruídos mínimos no porão, eram os roedores, e também alguns passos. Sibila, Ariana, Emília, Hela e Tituba, estavam reunidas no porão mofado e escuro da casa dos Humphrey, senhores de longa data da escrava Tituba. Era o ano de 1878, em Salém.
— O vodu é uma arte, erroneamente, considerada maligna. — Tituba disse, entre suspiros, enquanto mexia em bonecos de panos aleatórios sobre a grande mesa.
Todas estavam sentadas numa longa mesa posta no meio do porão. Tituba estava na ponta, como anfitriã.
— Irmãs, nesta noite, faremos um ritual para agradecer às deusas e deuses pelo nosso glorioso e grandioso poder. Não mais apenas nas lições de vodu, agora poremos nossas habilidades em prática. Como as bruxas que somos.
Aquela era a décima segunda lua em que Tituba e suas amigas escravas se reuniam. Descobrindo os poderes juntas e se autodenominando as Primeiras bruxas de Salém, e naquela noite fria de fevereiro elas tinham tudo em mãos. Cálices, pedras, adagas, a luz da lua e seus poderes, fazendo um ritual para a deusa da lua. O que deu errado, algo saiu do controle naquela reunião, uma força negativa as atingiu e as coisas desandaram. Quando as escravas dormiram naquela noite, seus sonos foram tomados por imagens horríveis, visões de sombras aterrorizantes e dores físicas, elas acordavam aos gritos. Seus senhores, preocupados, chamaram médicos para avaliá-las, todas foram diagnosticadas como embruxadas e foram expulsas de suas casas. Na época, a cultura de queimar bruxas ainda não tinha se iniciado. Elas então fugiram para a montanha mais alta de Salém, lá havia uma caverna de pedra, e por ali mesmo, Tituba fundou o Coven Negro de Salém, onde ela e suas amigas bruxas e antigas escravas faziam seus rituais em paz, desenvolviam seus poderes e se curavam do que as tinham feito ser expulsas de suas casas.
Em uma das reuniões daquele Coven, uma nuvem negra se propagou. Em poucos segundos a nuvem se tornou uma fumaça espessa e em seguida uma mulher corpulenta, de cabelos negros e longos, olhos verdes e boca vermelha. Pálida como a neve e usava um longo vestido colado preto como ébano. [branca de neve tour]
— Boa noite.
Sua voz era grave e causava leves arrepios.
— Nem em um milhão de anos eu imaginei que em minha terra natal haveriam outras como eu. — a mulher intrusa caminhou para perto das bruxas. — E agora há um coven de Salém. É magnífico.
Seu sorriso escárnio revelava seus dentes amarelados, sinais de bruxaria. Tituba se pôs a frente das outras bruxas, sua pele negra refletia na luz da lua e seu vestido rodado branco balançava levemente junto ao vento.
— O que quer aqui e quem é você? — Tituba quase rosnou para a mulher.
A mulher sorriu novamente, sua postura impecável a deixava levemente mais alta e sua silhueta fazia uma sombra perfeita perto da fogueira que ali havia.
— Oh, minha cara, eu sou a Suprema.
Todas as bruxas, incluindo Tituba, franziram o cenho. Elas nunca haviam ouvido falar sobre uma Suprema, o que era uma. Suprema era a bruxa mais poderosa viva.
— Vá embora. — Tituba ordenou.
A mulher suspirou desapontada e umedeceu os lábios vermelhos.
— Esperava uma líder mais hospitaleira. — ela olhou as outras bruxas. — Gosto de vocês.
Em seguida, a mulher de olhos verdes ergueu a mão direita e em um gesto rápido em direção a Tituba, como se cortasse o ar, fez a líder cair de joelhos e começar a agonizar, com as mãos segurando o pescoço, Tituba tentava gritar por ajuda. E então seu ar esvaziou-se, e ela ficou roxa, caindo na terra fria, como um corpo frio. A Suprema sorriu novamente e olhou as outras bruxas, de faces amedrontadas.
— Olá, queridas. Me chamo Valentine Marie Foxx, sou sua nova líder.
A partir daquela fatídica noite, Valentine tomou para si o Coven Negro de Salém, e foi então descoberto que havia sido as forças da Suprema que atrapalhara o ritual que as fez ter pesadelos e noites sombrias. Meses se passaram, e o Coven de Salém saiu dos rochedos da alta montanha e se escondeu na floresta de pinheiros, no local mais isolado de Salém. Os anos se passaram e o crescimento do Coven também, havia novos membros, sabbaths, rituais e outras festividades bruxas. Valentine estava grávida.
Junto ao crescimento do Coven, houve o crescimento de uma família, os Arquesty. A família caçadora de Salém. Não demorou para o Coven de Valentine ser descoberto e atacado. Todos os membros foram massacrados naquela noite sangrenta. Mas Valentine, em seus oito meses de gestação, conseguiu juntar o último resquício de sua magia e fugir para o Limbo, e seus últimos suspiros deu a luz às suas quatro filhas: Aura, Thaleia, Vênus e Ametista. O poder de Valentine dividiu-se sobre suas filhas, e cada uma se associou a um elemento natural. Aura e água; Thaleia e terra; Vênus e fogo; Ametista e ar. Não apenas os poderes elementares, mas também transfiguratórios abençoaram as quatro crianças. As meninas também herdaram as lembranças de sua mãe, e seu ódio pelos caçadores e revolta pela vida clandestina e sem instrução que as bruxas e bruxos tinham. Então, elas se desenvolveram no limbo, e ele lhes deu habilidades mágicas desconhecidas por elas até hoje, e pela primeira vez na história, havia quatro bruxas de poderes inimagináveis, quatro Supremas.
Quando em seu desenvolvimento completo, as Supremas voltaram para Salém, com a determinação de fazer alguma mudança para o mundo das bruxas, fundaram então, em 1900, o Instituto das Bruxas de Salém, que acolhia bruxos e bruxas do mundo inteiro para serem lecionados e recebem a sabedoria para lidarem com seus poderes.
O Instituto das Bruxas de Salém contava com a direção das quatro Supremas, que adotaram codinomes para si e para os alunos, como forma de proteção contra os caçadores. Aura adotou o codinome Maré, Thaleia adotou Destiny, Vênus virou Flare e Ametista se tornou Rowena. As irmãs formaram, cada uma, um coven dentro do Instituto, para onde os alunos são selecionados e de acordo com suas característica, são enviados. Cada coven trata de um elemento: Ignis, de Flare, trata o fogo; Aqua, de Maré, trata de água; Gaia, de Destiny, trata de terra; e Aer, de Rowena, trata de ar.
Já é 1926, vinte e seis anos de funcionamento do Instituto, sempre formando excelentes bruxos com habilidades maravilhosas. E agora um novo ano se inicia, com novos alunos, novos bruxinhos de capacidades extraordinárias. E também novos perigos, algo que ameaçará a paz nos corredores da maior instituição de magia existente.
[...]
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