Notas iniciais
Candidata: Echo Data: 19 de Dezembro, 21 CLE

OBSERVAÇÃO

Echo dançava com os pés nus dentro do Grande Salão. Seu longo vestido azul balançava ao vento — mesmo com as janelas do corredor estando fechadas e aparentemente nenhuma corrente de ar estivesse no local. Ela parecia bem feliz, mesmo nem fazendo ideia do que fosse acontecer a seguir.

"Eu gosto de surpresas", disse para os guardas que a acompanhavam. "São divertidas, mesmo sendo surpresas ruins!"

Seu olhar era como o de uma criança encantada com um brinquedo novo. Ela apreciava cada centímetro do lugar, seus adornos, pinturas, decorações... Tudo aquilo era mágico.

"Por favor, senhorita Echo. Tente nos acompanhar" disse um dos guardas a ela, ao perceber que estava ficando para trás. "Siga-nos até a Câmara das Reflexões.

Echo fechou a cara, chateada com a frieza dos guardas. É só o trabalho deles, pensou. Então, caminhando descalça no salão, a jovem ninfa passou pelas grandes portas da câmara.

REFLEXÃO

A floresta estava escura demais. Echo olhou para céu, e imaginou que já se passava da meia noite. A madrugada é má com aqueles que desobedeciam a toque de retirada da natureza. Os poucos animais noturnos cantarolavam uma canção de ninar. Echo deveria dormir, mas não conseguia. Sempre que seus olhos se fechavam, a imagem do fogo, da lua e da morte lhe atormentavam.

Ela se lembrava daquele dia, como se ele estivesse ocorrendo a cada segundo de seu presente. Echo poderia esquecer o passado. Se desapegar totalmente dele, e se tornar uma nova pessoa. Porém, seus laços eram fortes demais, mesmo que ela quisesse, ela jamais conseguiria quebrá-los.

"Esta é minha punição. Viver um presente sem futuro, um hoje ligado totalmente ao passado.", pensou.

Como se seus pensamentos pudessem ser ouvidos, ela se calou. Olhou ao seu redor, não havia ninguém. Até mesmo a canção de ninar parou. Havia algo estranho.

"Então, você quer se desapegar do passado?"

Echo se assustou. Não esperava por ninguém. Os animais da floresta a teriam avisado. Se nenhum deles se amendrontou com a presença estranha, significava que...

"Significa que eu não sou estranha. Meu nome é Harmonia. Sou uma ninfa."

"O que você quer?", disse Echo, assustada.

"Seu passado esteve conectado a mim desde o seu nascimento. Seu presente está ligado ao seu passado, e seu futuro não existe. Você entende o que falo, não é?"

Echo hesitou por um instante, respirou fundo e deu um passo a frente.

"Eu entendo. Porém, responda-me, ninfa. O que você quer?"

"Quero seu passado. Quero seu presente. E quero te dar um futuro. Sei o que você estudou, sei o porquê de ter sido expulsa. Não eram artes das trevas, mas não deixava de ser uma magia oculta. Quero aperfeiçoar o seu poder, em troca de sua alma."

"Então você não é uma ninfa, e sim, um demônio."

A ninfa riu.

"Nem todos os anjos são bons. Da mesma forma, nem todos os demônios são ruins. Não sou nem um, nem outro. Não tenho um lado, não sou luz ou trevas."

"Se eu fechar esse contrato com você... Tirarei este peso de mim?"

"Você abdcará de todo o seu passado, de todos os teus laços, e de toda a sua humanidade. Se tornará uma ninfa, e será livre."

"E o que eu perco?"

"Sua alma."

O silêncio tomou conta do lugar. O vento soprava silenciosamente.

"Por que você quer entrar para a Liga, Echo?", a voz era diferente. Calma e solene, porém firme.

"Quero me tornar humana novamente."

"E por que acha que conseguirá tal proeza?"

"Não preciso responder tal pergunta. É o que eu quero, não precisa saber de meus motivos ou meios para conseguir meu objetivo."

A voz parou por um instante.

"Como se sente, expondo sua mente?"

"Eu não tenho o que sentir." Echo se virou, e caminhou em direção às portas de mármore para o Instituto. "Não faça perguntas tolas. O que eu deixei para trás, é justamente aquilo o que quero agora. E sua pergunta já trás consigo a sua resposta."

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.