Notas iniciais
Rajadas flamejantes caiam do céu com uma força estrondosa, prédios e casas ruíam em meio ao fogo devastador, os incêndios pela cidade eram inúmeros, as pessoas corriam desesperadas pelas ruas em busca de abrigo para suas famílias, escutava-se o choro de crianças e os gritos de desespero da população a todo momento. Uma carnificina havia se instalado na cidade, centenas de pessoas caídas nas ruas, corpos já sem vida estirados no chão sendo que muitos deles foram queimados vivos.
– Acorda, Matthew! Acorda!!!
Matthew despertou num sobressalto na cama, estava ofegante e com o pijama ensopado de suor, seu amistoso colega de quarto, James, estava sentado na beirada de sua cama com rugas de preocupação.
– Você teve um desses pesadelos de novo! Estou tentando te acordar já faz uns cinco minutos, não sei como não conseguiu acordar todo o instituto com esses seus berros! – Disse estendendo um copo de água para o amigo.
Ainda perturbado pelo pesadelo, Matthew toma um gole de água e encara James com uma expressão de aflição e temor.
– Dessa vez eu pude sentir a agonia das pessoas, James! – Disse colocando a mão no rosto enquanto normalizava a respiração. – Foi horrível...
– De qualquer forma, já passou. Tente dormir de novo, teremos aula bem cedo amanhã, ou melhor, daqui algumas horas. E você tem aquela batalha no final da tarde na cúpula de combate.
– Ah, é verdade. Será um dia daqueles...
James volta para sua cama e antes de pegar no sono, Matthew, torcendo para que seu amigo ainda esteja acordado, deixa escapar:
– Me desculpe, estou estragando as suas noites de sono a semana toda com esse pesadelo.
– Tudo bem, todos temos nossos problemas. Mas você não acha que já está na hora de contar para o diretor ou seus pais sobre esses seus sonhos?
– Não. Todos achariam que isso não passa de uma alucinação e que eu estou louco... Na verdade eles já esperam que eu enlouqueça... Você sabe, por causa do meu avô, assim como aconteceu com a minha mãe.
– Entendo. Deve ser difícil mesmo... – Sussurra James deixando escapar um bocejo durante sua fala.
Antes que pudesse dizer mais alguma coisa para reconfortar o amigo, James sente o sono lhe dominar e logo sua respiração pode ser escutada por Matthew que sorri ao lembrar das vezes que o amigo dormiu durantes as provas semestrais e acordou com o próprio ronco. Mesmo com tantas preocupações e incertezas, lembranças como esta ainda conseguem tirar sorrisos do jovem.
Matthew apaga a luz do abajur e, enrolando-se nas cobertas, tenta dormir novamente. Mesmo tentando esvaziar sua mente de perturbações, como aprendeu desde pequeno, questionamentos cresciam dentro de si involuntariamente, questionamentos que ele sabia não possuir a resposta. Seu único desejo naquele momento era que o amanhecer chegasse logo, tentaria não passar mais tempo pensando nesses sonhos. Para ele era estranho, tudo estava muito calmo durante muito tempo.
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