Instituto Help Children's

1 O CAderno De Scott Salem parte 1


Notas iniciais
Ahn.. pra quem tiver a coragem de procurar, Northland é uma região da Nova Zelândia, o que no caso eu só usei o nome para criar uma cidade fictícia para o nosso personagem em questão.Como talvez, mesmo que a história seja boa, ler um capitulo imenso não seja uma boa logo a princípio, então dividirei em algumas partes para que fique mais suave de se ler.

Achei esse caderno debaixo do meu colchão, não sei quem ou o porquê estava lá, mas o que importa é que agora ele é meu. Conseguir um lápis, ou melhor, um pequeno bastão com um ferrão versátil de carbono em seu interior e uma de suas extremidades pontiaguda como um arpão, foi uma árdua tarefa.

É claro que sem uma mínima explicação, quem encontrar esse caderno nunca iria entender o que se passa.

Acho que de começo eu deveria me apresentar. Meu nome é Scott Salem, tenho 14 anos e meio agora. Nasci em Northland, Londres onde morei com meus pais até recentemente.

Tudo começou quando eu tinha seis anos, ao menos é o que eu consigo me lembrar. Aparentemente eu era uma criança normal, brincava, ia a escola, fazia as lições, mas entre tudo isso, eu falava com um amigo imaginário. Na realidade, ele não era tão imaginário assim, ele era o meu irmão gêmeo Heliot Salem. Éramos idênticos, mesmos olhos castanhos claros quase mel, mesmo cabelo marrom, até o estilo de corte era igual. Tínhamos a mesma pele pálida e as mesmas sardas no rosto. Minha mãe dizia que todos se admiravam com o quanto éramos parecidos. Até ela mesma tinha dificuldade de diferenciar quando éramos apenas bebês.

Meu irmão Heliot morreu aos 5 anos. Mamãe disse que eu passei 8 meses pra voltar a falar de novo.

Desde então, eu comecei a vê-lo e a brincar com ele. No começo meus pais acharam normal que eu naquela idade tivesse um amigo imaginário, mas depois que eu lhes disse seu nome eles ficaram em choque. Lembro que a mamãe chorou e o papai ficou furioso comigo e quase me bateu.

Eu não conseguia entender o porquê daquilo tudo, afinal era só eu e o Heliot brincando. Mesmo assim, descido não brincar com ele quando eles tiverem por perto, o que era difícil, porque aquele moleque só vivia me arrumando encrencas. Aparecia e desaparecia tão rápido que eu não conseguia controla-lo.

Quando eu tinha 10 anos, todos da minha classe já não falavam direito comigo. Acabei sendo excluído.

Em uma manhã fria de agosto eu fui trazido pela minha tia Júlia Salem ao Instituto Help Children's, ou como há nos uniformes das enfermeiras por aqui, IHC.

Os grandes muros e o portão enorme se abrindo assustaram um pouco. Dentro daqueles muros eu só me surpreendia em como aquela propriedade poderia ser grande. Após 50 metros depois dos portões, passando pela fonte estava a grande mansão. Sim, era grande e com 3 andares. Ao abrir a porta e pisar naquele piso escuro de madeira, soube que seria ali que eu iria ficar querendo ou não.

– Olá Scott, meu nome é Antoni Salazar, mas pode me chamar de Dr Salazar. – disse um homem barbudo de meia idade que estava usando um jaleco branco.

Aquele homem era alto, bem alto até pra me fazer bater em sua cintura facilmente, mas não foi nisso que prestei atenção, mas sim a sua longa barba branca que chegava um sua barriga.

Em minha primeira impressão, o Dr Salazar me parecia um típico lorde inglês. Ele era magro e alto como uma vareta. Seus braços e pernas eram compridos, assim como suas mãos e pés magricelos. Branco, assim como seus compridos cabelos, sobrancelhas e barbas. Seus óculos arredondados só lhe reforçava a beleza daqueles olhos azuis, o que era a única coisa bonita naquele rosto enrugado e desgastado do tempo.

Lembro de ter olhado pra trás e pela janela da porta, vi minha mãe chorar e meu pai consola-la. Logo depois, fomos a sala do doutor e lá a minha tia assinou alguns papeis e se foi. Ela me deu um abraço, na verdade o único que já recebi dela e um "sinto muito" dito quase em tom de choro.

– Mal vindo ao Instituto Help Children's! – disse o doutor.

– Sinto muito, é que esse é o jeito oficial em que damos as boas-vindas. – diz uma enfermeira ao entrar na sala.

– Sempre estragando a minha deixa... Está satisfeita? Arruinou minha introdução enigmática. – diz o doutor sentando-se em sua cadeira.

– Doutor! Ah, senhor... – ela procura o nome do garoto nas folhas de uma prancheta – Scott Salem, é um prazer tê-lo aqui-

– Prazer? Será que você também está louca? Se ele está aqui, quer dizer que não era para ele estar aqui. – o médico sai da sala batendo a porta, deixando-os a sós.

– Me perdoe pelo doutor, ele as vezes é... Impulsivo... Então, eu ainda não me apresentei, meu nome é Sarah Palin, sou enfermeira chefe por aqui. Venha, vou lhe mostrar o lugar.

Eu apena a segui, afinal ela me parecia ser legal. A enfermeira Palin era jovem, se me pergunta-se daria 25 no máximo. Não havia aliança em ambas as mãos, apenas uma corrente de prata em seu pulso esquerdo, que mais parecia um terço. Os trajes de enfermeira caem bem nela, quase como se ela fosse feita para aquilo. Pele clara, cabelo loiro que mal se podia ver por estar preso numa toca e aqueles olhos castanhos amendoados. Sem dúvida ela era linda. 1,68m de pura beleza feminina.

Pelo corredor, um lado havia grandes janelas que se espalhavam por todo caminho e de outro, quadros, pinturas de lugares e paisagens. Haviam cores e formas que eu nunca tinha visto.

– O que é... esse lugar? – abro minha boca pela primeira vez desde que cheguei.

Ela para talvez para pensar e então se põe a andar novamente.

– O IHC é um lugar criado para ajudar crianças e jovens como você a tratar de certas... Doenças...

– Mas, eu não estou doente. E se tivesse, não acha que eu saberia? Eu nem sinto dor, nem dor de dente ou cabeça, eu juro.

– Calma querido. O que eu quero dizer é que, aqui cuidamos de certos tipos específicos de doenças. Doenças causadas por traumas vividos, ou que presenciaram. Tratamos de dores que não são no corpo e sim da mente. Ajudamos a que vocês possam ser capazes de conseguir superar isso, ou até aprimorar um tratamento para que talvez possa se curar. – ao acabar de falar, tínhamos chegado em uma grande sala. Era como um grande salão de festas, mas lá estavam algumas crianças que pareciam ser de minha idade.

– Eu não estou doente! Eu não quero ficar aqui! Eu quero voltar pra casa! Quero minha mãe e meu pai agora! – eu praticamente berrei aquilo, empurrei a senhorita Palin e sai correndo.

Confesso que me senti mal por ela, mas naquela hora eu só pensava em fugir o mais rápido que eu pudesse.

Eu estava a poucos metros da porta, quando senti que alguém estava atrás de mim, correndo como uma locomotiva desgovernada. Toquei a maçaneta da porta com as pontas dos dedos, mas um braço envolvendo meu abdômen, me fazendo parar bruscamente.

– Me larga! Me solta, agora! – gritei como um desesperado enquanto eu estava suspenso no ar.

Fui posto no ombro daquela pessoa, o que me parecia ser claramente ser um grande e forte homem, mesmo que eu estivesse virado para suas costas.

Um pano com algo fedido a remédio foi posto no meu rosto e assim eu apaguei. Quando acordei eu estava deitado em uma cama de lençóis e forros de cama brancos, assim como as paredes daquele quarto de 4m². Nem minha roupa eram as mesmas, tinham sido trocadas por uma calça de algodão branca, assim como a camisa de manga longa e sem botões que também era branca.

Como a porta estava aberta eu apenas sai. Do lado de fora havia um corredor com portas dos dois lados, sugerindo que cada uma delas fossem quartos.

Escutei um barulho vido de um dos lados do corredor, foi quando vi um garoto vestindo o mesmo que eu vido em minha direção. O estranho era como ele andava, ou melhor, ele pulava em vez de andar. Saltitava pelo corredor, pra ser mais exato, pelo que pude perceber ele pulava pelos retângulos do piso de madeira.

– Sai da frente, você vai fazer eu quebrar a sequência! – ele diz parando a um palmo de onde eu estava.

Aquele garoto branquelo cabelo preto de corte que mais parecia uma cuia, com certeza não estava bem das ideias. Tentei não fixar o olhar para a leve assimetria em seu rosto que fazia o seu olho direito ser mais alto que o esquerdo.

– Espera! Você é o novato ne? Poxa vida, você é uma lenda! Ninguém, nunca, tinha conseguido alcançar a maçaneta da porta, mas você cara, fez o Russo correr pra te pegar. – ele diz com um brilho nos olhos – Ah, e a propósito, meu nome é Tom, na verdade é Thomas Reese, mas todos me chamam de Tom. – ele diz estendendo a mão que estava inteiramente coberta pela manga da camisa.

– Oi, meu nome é Scott... – eu digo completando o aperto de mão, o mais estranho que eu já tinha feito até aquele momento.

– Ah, desculpa por isso, é que as mãos têm germes e se entrar em contato com a pele pode causar doenças e eu não quero ficar doente sabe... – ele olhou para baixo e deu um sorriso tímido.

Eu apenas ignorei aquilo, não queria saber o que aquele doido varrido queria e sim como sair de lá.

– Olha... Tom, eu quero saber como sair daqui. – eu tento dizer com o máximo de calma possível.

Ele ri e se aproxima do meu ouvido como se fosse contar um grande segredo de estado – Não tem. Como. Sair. – ele diz quase de forma silábica.

Aquilo me irrita e eu já estava perdendo a paciência quando a enfermeira Palin chega.

– Bom dia Tom! Como você está? – ela diz enquanto cumprimentava o Thomas com um aperto de mão, usando um par de luvas.

– Eu to bem, só estava falando com o nosso novo campeão. Puxa vida, viu como o Russo teve que correr pra pegar esse filho da mãe? – dava pra ver que a expressão não tinha agradado senhorita Palin pelo seu franzir de sobrancelhas.

– Sim Tom eu vi, mas o senhor Amon não gosta de ser chamado de russo. Já são 8 horas, então porque não desce pra tomar o seu remédio? – ela diz de uma maneira educada, mas estava na cara que ela queria falar comigo.

Ambos ficamos olhando o Tom se retirar e desaparecer da vista do corredor ao descer as escadas.

– Scott, sei que começamos com o pé esquerdo, mas agora que você está mais calmo, será que podemos descer e conversar?

Notas finais
Bom, felizmente a segunda parte desse capitulo vira em breve, mas as demais talvez demorem um pouco, entretanto, quero finalizar essa fic o quanto antes, mesmo que tenha que demorar uns 50 capítulos. Então, att mais õ/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.