Instituição JGMB - Interativa

16 Nem Tudo É O Que Parece Ser


Notas iniciais
Este é o terceiro de dez capítulos (No máximo) para terminar a fic. Em compensação pelo outro capítulo ter 2 mil palavras, esse aqui tem 3 mil. Mas tenho uma péssima notícia: Minhas aulas voltaram e já tem dever e pesquisa! :'( Meu único consolo é a minha professora de história MA-RA-VI-LHO-SA que mandou vermos a trilogia Jogos Vorazes para entender a matéria desse ano! Te amo, professora! (Sei que ela nunca vai ler, mas enfim). Boa leitura, :)!

David procurou em cada corredor. Dentro de cada sala. Até mesmo no interior dos boxes dos banheiros ele procurou. E encontrou o nada. Vazio. Não havia ninguém ali. A Instituição estava literalmente um deserto.

—Mas não é possível! – Exclamou ao ver que Zulu e Dong-Su chegaram. – Aonde foi todo mundo?

—Talvez eles já tenham acionado o plano B... – O coreano sugeriu temendo o estado de espírito atual do chefe. — senhor.

David continuava observando todos os cantos escuros, como se alguém ainda pudesse estar ali e contar a ele o que estava acontecendo e aonde foram todos. Não parecia realmente desesperado, só confuso – e quem sabe com medo? -, tanto é que respondeu normalmente.

—Também não pode ser. Aquele prédio é enorme pelo que entendi. Já teríamos o avistado. – Ponderou um pouco mais. – E eu vi um carro deixando Jorgensen aqui na porta mais cedo. Não teriam se teletransportado com ele lá dentro. Tem trabalho a fazer aqui.

—E quanto ao Jefferson? – Zulu lembrou. – Ele deve estar com os outros. Não tem como nos comunicarmos?

O loiro ainda ficou parado um pouco, pensando sobre o que poderiam fazer. Jefferson era realmente a última esperança de descobrir onde todos estavam, mas a grande questão continuava: Onde ele está? Já havia vasculhado tudo e nem sinal de uma vivalma sequer. Por fim, voltou o olhar a porta fechada, mas que por ser de vidro deixava ver a imensidão branca que era do lado de fora.

—Acho que nossa única opção agora é procurar do lado de fora. – Ele avançou até a porta. – Eles não podem ter ido muito longe.

...

Aquela construção era simplesmente enorme. Ao olhar para cima dava para ver que vários andares em forma de círculo se estendiam do térreo até o teto de vidro, que dava vista para o céu encoberto por algumas nuvens lá fora. Cada andar tinha uma passarela espaçosa com rampa para subir ao próximo patamar (Até porque metade das pessoas teria ataques cardíacos sempre que fossem mudar de andar se fossem só escadas) e várias portas se espalhavam por entre esses espaços, além dos corrimões de segurança. E isso se repetira para baixo também. O subsolo parecia descer por muitos e muitos metros, visto de cima e era como o reflexo da parte de cima, tirando pelo fato do chão não ser envidraçado.

Carol não conseguia parar de se perguntar por que motivo o diretor Laudrup havia pedido para os guias trazerem todas as pessoas de seus grupos para lá com bagagem e tudo. Carregar aquela mochila de rodinhas pela neve seria um trabalho e tanto se Miguel não tivesse resolvido colocar as malas de todo mundo no carrinho do correio. Por outro lado, também foi difícil carregar as malas naquilo, mesmo o prédio estando a uns metros da entrada.

Assim que entraram, um funcionário logo tratou de leva-los para uma sala que se intitulava “Sala de Palco”. Com certa dificuldade, cada um conseguiu se encaixar em um lugar. Aquela sala parecia um teatro, que Carol visitara certa vez em uma excursão da escola. Centenas de poltronas se espalhavam na parte de baixo e também havia assentos mais ao alto, como camarotes. Como diz o nome, um palco enorme de madeira partia o cômodo ao meio e posicionado no centro dele estava o próprio diretor Laudrup e ao seu lado o primeiro ministro da Groelândia, Klaus Jorgensen.

Laudrup bateu algumas vezes no microfone que ficava em cima de uma mesinha e o ruído alto fez com que a conversa alheia se calasse. Carol esperava que ele finalmente pudesse esclarecer o que estava acontecendo.

—Me desculpem por ter mandado trazer todos aqui de forma tão repentina, mas foi necessário para a segurança de vocês. – Começou. – Como sabem, todos vocês foram chamados para a Instituição para lidarem com um problema muito difícil que nosso planeta está passando no momento: Uma possível quarta guerra mundial, que dizem que se ocorrer, as chances de acabar com toda a raça humana como fizeram com a população chinesa e japonesa séculos atrás são maiores do que nunca.

Ele fez uma pequena pausa de constatação.

—Infelizmente, todo o trabalho que fizeram foi em vão, porque a quarta guerra já começou.

Depois dessa afirmação os sussurros que misturados parecem gritos invadiram novamente a espécie de teatro. Carol não pôde deixar de parecer um pouco alarmada com a situação, apertando os dedos nos braços da poltrona até suas juntas ficarem sem cor e chegando instintivamente para frente. Pensamentos como “Será que meus pais estão bem?” ou “O que vamos fazer agora?” circulavam em sua mente. E não precisava nem se virar para perceber que seus amigos faziam o mesmo. Menos Ed, que Carol pôde ouvir que perguntava uma série de “O que foi que ele disse?” para as pessoas perto dele.

Laudrup bateu mais algumas vezes no microfone pedindo por silêncio. Apesar de alguns terem parado quando fez isso, foi necessário que pedisse em voz alta para que pudesse falar tranquilamente de novo. Tranquilamente é só modo de falar, pois dali dava para ver a preocupação e insegurança estampadas nos olhos claros do diretor. Ele continuou o discurso.

—Por favor, não precisam entrar em pânico! Garanto que essa base é completamente segura. E não se preocupem com suas famílias. – Acrescentou. – Nós estamos equipados com o melhor teletransporte, recém-fabricado por nossos próprios engenheiros.

Quando Laudrup falou do teletransporte, Carol ouviu Hyun-Ae do seu lado direito cochichar um “Como?” baixinho ao seu lado. A brasileira nunca havia ouvido falar da existência de um teletransporte. Ou era porque não tinha acesso na vizinhança em que morava, ou era porque era algo extremamente novo.

—Os engenheiros da Groelândia foram eleitos os melhores engenheiros da Dinamarca nos últimos três anos! – Jorgensen informou, vangloriando o país.

—E assim que terminarmos por aqui organizaremos a ordem em que traremos seus familiares – Laudrup ignorou-o. – e então poderemos continuar com nosso trabalho normal. E como estão todos aqui, penso que agora que estamos livres da presença de alguém que não podia me livrar e ao mesmo tempo atrasava nossas vidas, vocês devem saber o que é essa arma secreta tão perigosa. – Repousou a mão no estômago e uma meia careta de dor se formou em sua expressão. – Infelizmente, eu não estou em condições de contar sobre isso, então Jorgensen lhes explicará melhor sobre ela.

Laudrup se afasta da mesinha e Jorgensen se coloca a frente à plateia.

—A natureza desse novo tipo de arma não é totalmente nova, porém é avassaladora da mesma forma. Para os desinformados, há alguns anos atrás o Oriente Médio foi tomado por uma epidemia de uma doença completamente desconhecida. Hoje em dia, ela está quase exterminada. Porém, na vacina que foi dada no começo continha uma substância criada em laboratório para matar as células das feridas que brotavam na pele dos enfermos de uma forma extremamente rápida.

“Os cientistas do governo Médio, patrocinados também pela Rússia, começaram a desenvolver uma arma com isso. Quando a CIA descobriu isso também tratou de desenvolver o mesmo tipo de arma para os Estados Unidos. A Rússia e os Estados Unidos estão muito competitivos desde o momento em que cada um começou a ter mais controle sobre uma parte do planeta do que a outra. Até chegarem à conclusão de que o planeta é pequeno demais para os dois. Eles adaptaram essa substância para atacarem diretamente as células dos tecidos vitais, o cérebro, o coração, o estômago... E esse veneno mataria todas essas pessoas as fazendo simplesmente sumir da face da Terra, para que o outro possa ocupar o seu lugar. É isso que farão.”.

O murmuro alto começou outra vez. Como assim, algo tão potente que faria com que as pessoas simplesmente evaporassem do universo? Isso não podia ser real. Tinha que ser um sonho. Não um sonho, mas um pesadelo em que a humanidade é extinta no final. Os pensamentos de Carol voltaram mais uma vez aos seus pais. “Será que vai dar tempo? Podemos ficar tão seguros assim?”.

Parecia que o objetivo de vida de Laudrup e Jorgensen era pedir silêncio, pois já deviam estar fazendo isso a mais tempo do que falaram. O diretor havia reassumido o microfone e tentava acalmar a todos.

—Por favor, se acalmem! Já confirmamos que a base é completamente segura e que estamos nos preparando para buscar seus familiares! – As pessoal não se acalmaram. – Guias, por gentileza, poderiam levar as pessoas de seus grupos daqui? No subterrâneo mostra onde poderia ser os dormitórios de cada um, e os quartos estão abertos.

E então os guias de cada grupo, mesmo que atordoados também, conduziram as pessoas de seus respectivos grupos aos quartos.

Harold e Klaus deixaram a sala de palco também logo depois. Ambos usaram as escadas para subirem para o último andar, o que tinha os painéis de controle.

—Mesmo se o pedido for negado, – Klaus observou. – os dois ainda vão atirar essas bombas uns nos outros.

Harold nada respondeu, apenas assentiu com a cabeça. Parecia estar aflito. Klaus continuou.

—Caso Moore esteja do lado de fora, eu posso usar as passagens secretas para ir embora.

—Imaginei que faria isso. – Respondeu. – Mas talvez não dê certo.

Klaus ficou um pouco confuso com a afirmação.

—Mas por que achas isso?

Os dois finalmente chegaram ao painel de controle. Harold apontou alguns comandos e contou o que eram.

—Eu mandei modificarem algumas partes do teletransporte. – Revelou. – Agora, além de teletransportar, ele também faz com que as paredes do lado de fora mostrem um bloqueio especial que desvia os raios solares, fazendo com que a base fique invisível do lado de fora. Se sair pelas passagens secretas podem te ver, já que a invisibilidade está ativada agora.

Klaus piscou os olhos para o painel.

—Mas isso é espetacular! – Exclamou admirado. – Ótimo trabalho, Laudrup! E me lembrei agora que comentou que um dos guias estava ajudando o Moore. Como conseguiu que ele não viesse à cá?

—Na hora de mandar mensagem aos guias – Começou. – reconheci o rosto daquele guia e desativei o microfone dele. Para garantir que as pessoas do grupo dele fossem levadas para cá, pedi para a guia do grupo sete trazer as pessoas do seis também.

Harold sorriu satisfeito consigo mesmo. Nesse momento, a atenção dos dois foi desviada para um monitor que fazia barulho. Ele mostrava que alguém estava muito próximo da base, e pela câmera, deu para reconhecer que era David, virando a cabeça de um lado para o outro, como se estivesse procurando por algo. Ele se aproximou tanto que chegou a bater de cara na base. O homem pareceu extremamente confuso e tentava tatear para tentar encontra-la de novo.

—Parece que Moore descobriu onde estamos. – Comentou com desgosto. – Deve estar surpreso por estar por trás agora. Ele que colocou um aparelho parasita no meu sistema nervoso. Ele que me ameaçou por ter mais notoriedade do que eu. Ele que zombou da dislexia da Margareth. Agora ele que está na pior.

Klaus desviava a atenção entre o olhar inquisidor de Harold sobre David e David tentando descobrir o que raios era aquele muro invisível. Por fim virou-se a Harold e perguntou.

—Quer se exibir a ele, não é?

—É o que mais quero nesse instante. – Confessou.

—Penso que não tem problema se conversarem daqui de dentro. – Disse como quem não quer nada. – Quero dizer, a porta só abre por dentro, então não há perigo algum.

Os olhos de Harold brilharam.

—Obrigado! – Agradeceu enquanto desligava o bloqueio de invisibilidade da base.

David levou um enorme susto quando percebeu o enorme prédio surgindo misteriosamente diante de si. Deu alguns passos para trás reflexivamente. Ele não podia acreditar que isso estava realmente acontecendo.

Em uma pequena tela ao lado da entrada da construção apareceu o rosto de Harold. Ele tinha um meio sorriso no rosto.

—Sentiu nossa falta, Moore? – Perguntou em tom debochado.

—O que vocês estão fazendo!? – Questionou ainda incrédulo.

—Nada demais. Somente acionando o plano B. – Respondeu. – Assumo que saiba o quê isso quer dizer, já que sempre sabe tudo. Só não esperava que eu fosse mais rápido.

David tentou abrir a porta de metal, mas foi em vão. Por mais que socasse, empurrasse, batesse ou puxasse nada cedia. Após deixa-lo se cansar por um tempo, Harold continuou.

—Pode tentar o dia todo. Essa porta só pode ser aberta por dentro.

David parou de se colidir contra a porta e voltou a atenção ao monitor.

—Bem, Moore, não tenho o dia todo livre para conversar contigo, então acho que isso é um adeus. – Deu tchauzinho. – Manda um oi para a Scarlett e sua mãe por mim e aproveita e também cumprimenta o médico dela por nós.

—Scarlett; mamãe; médico... Mas do que você...?

Antes que completasse a pergunta Harold terminou a transmissão e foi fazer a preparação das viagens que a base teria que fazer enquanto Klaus questionava-lhe por que havia terminado de conversar com David tão cedo.

O estadunidense saiu correndo assim que raciocinou o que poderia ter acontecido. Passou direto por Dong-Su e Zulu e subiu as escadas pulando cerca de três degraus até chegar ao seu quarto.

Esvaziou todas as gavetas, desarrumou os lençóis, retirou os livros das estantes, arrancou os quadros das paredes. Observava cada canto escuro minuciosamente até levantar a cabeça e apertando bem os olhos, reparar em um pontinho preto minúsculo na união de dois lados das paredes do quarto. Subindo em cima do criado-mudo, ele levou o braço longe para ganhar impulso e destruiu aquela micro câmera com todas as suas forças.

Com a raiva liberada, ele não pôde fazer mais nada além de se deixar escorregar pela parede e encarar a outra parede com a cabeça quase que por entre os joelhos. Então era isso? Falhara? Falhara com o governo norte americano? Com sua família; com Scarlett? Com seu filho que ainda nem havia nascido? Consigo mesmo? Deveria pegar o primeiro avião para voltar para casa ou seria melhor poupar a vergonha do fracasso e se enterrar no meio da neve esperando um urso polar aparecer para fazê-lo de almoço?

A resposta era não. Nenhuma das alternativas anteriores. Ele simplesmente era proibido de permitir que aquilo acontecesse e lutaria para impedir a todo custo. Recuperando a confiança, se levantou ainda um pouco antes de Zulu e Dong-Su chegarem a seu quarto e encontrarem tudo praticamente destruído.

—O senhor... Está bem? – Dong-Su questionou ainda olhando ao seu redor. – Quero dizer, bem mesmo?

—Claro que estou. – Respondeu ele com firmeza. – Mas quanto a vocês? Têm alguma ideia?

—Bem... O Jefferson provavelmente está lá dentro. – Insistiu Zulu.

David levantou a mão para o alto enquanto tentava pensar melhor, como se estivesse eliminando a hipótese.

—Já tentei me comunicar com o Rush, mas não adianta. Lá dentro tem algo que bloqueia o sinal. Outra sugestão?

—O patrocinador não poderia ajudar? – Foi a vez do coreano sugerir.

—O outro!? Poderia até enviar ajuda, mas está a quilômetros de distância. Como poderia...

David parou por um instante, como se estivesse refletindo. Pôs a mão com cuidado dentro do bolso. Lá estava o teletransporte. Era isso!

—Do que estou falando!? Nós temos um teletransporte!

David procurou um pouco no meio dos objetos jogados no chão até encontrar aquele celular velho.

—Só preciso avisa-los da situação. Logo estaremos no domínio de novo! – Disse enquanto ligava o aparelho. – Se é guerra que eles querem, é guerra que vão ter. O plano B foi acionado, mas o plano AR também será.

...

Já deviam ter se passado uns trinta minutos e ninguém ousava abrir a boca para pronunciar uma única palavra sequer. Cada um em um canto, refletindo sobre seu ponto de vista. Mesmo o quarto sendo só para quatro pessoas, os nove (Incluindo Miguel) não moveram um músculo para escolher quem ficaria lá e quem iria para outro dormitório. Se contentavam em simplesmente desviar os olhares de um para o outro, como se estivessem brincando de detetive.

—Eu ainda não acredito que isso está acontecendo. – Carol quebrou o silêncio. – Quero dizer... Eliminar pessoas dessa forma. Isso é tão desumano!

—A única coisa que consigo pensar é que fazia parte da cura de uma doença; era uma coisa boa. – Hyun-Ae complementou. – E eles conseguiram pegar isso e transformar em algo horrível e mortal. Ai, meu filho Daisuke. O deixei aos cuidados do vizinho, já que ele era bombeiro. Achei que já que ele trabalhava com essas coisas de segurança o deixaria mais protegido, mas agora não sei mais de nada.

—Sabe, não é a primeira vez que isso acontece. – Miguel se prontificou. – Já ocorreu diversas vezes na história. O ser humano tem a capacidade de criar algo belo e então jogar fora para fazer algo doloroso e lucrativo. O que vemos é só mais um episódio repetido.

—Mas é diferente, né Miguel. – Isis reclamou. – Uma coisa é estudar isso na escola. Outra coisa completamente diferente é vivenciar na vida real.

—Mas também não é motivo para pânico. – Chris disse do nada. – Eles vão juntar nossas famílias, não é mesmo? Se tem uma coisa que aprendi é que temos que pensar positivo. Você ouviu, né, Henry? Pode parar de apertar esse bicho que não vai acontecer nada.

Todos pararam de encarar Chris para olhar Henry, que estava em um canto abraçando Kléber, seu tigre de pelúcia, de uma forma quase que obsessiva. Ele ao perceber os olhares tacou o bicho por trás de si e se fingiu de inocente “Não estou abraçando bicho nenhum não. – Mas para sua informação, o nome dele é Kléber”.

Nesse momento, a porta foi aberta por duas pessoas, um homem e uma mulher, que pelo visto estavam muito bem armados. Tinham metralhadoras modernas em mãos e pela saliência em suas roupas dava para perceber que utilizavam coletes a prova de balas por baixo.

Apesar do choque, quanto mais eles se aproximavam, mais o grupo cinco se afastava. Até que chegou um momento em que Miguel questionou:

—O que vocês querem?

—Trabalho para o serviço secreto britânico e ela para o americano. – O rapaz respondeu. – Sinto em avisar que esse local foi tomado ainda há pouco. Temos ordens de levar Henry Murray.

—Por parte de quem? – Miguel estava abismado, mas antes tinha que garantir que faria seu trabalho direito ao deixar Henry ir.

—Por parte de nosso chefe: Murray.

Henry deu um sobressalto de tão espantado ao ouvir a confirmação de quem era o líder da jogada.

—Papai está aqui mesmo... – Ele cambaleou um pouco. – nisso tudo.

E então finalmente fechou os olhos e se deixou cair para trás. Ou melhor: para cima de Arícia e Ed, que acabaram por o segurando.

—Ai meu Deus! – Arícia exclamou desesperada. – Ele morreu?

—Não. – Ed respondeu calmamente apesar de aparentar estar apreensivo ao checar a respiração do caído. – Só está desacordado.

—Eu não vou carregar esse menino até o topo. – A mulher reclamou.

O rapaz revirou os olhos e pegou o Henry desmaiado, passando o braço dele pelo próprio ombro.

—Não esperava que fosse fazer isso mesmo.

—E também temos que levar Isis Khumalo. – A mulher fingiu que não ouviu.

Isis piscou com toda aquela situação absurda.

—Eu também?

A moça agarrou-a pelos braços e a puxou para fora do quarto.

—Sim, você também.

—Esperem! Como assim levar os dois? E como é que isso aqui foi tomado? – Os dois bateram a porta na cara de Miguel. Antes de fecharem dava para ver que tinha guardas monitorando os dormitórios por onde separava o térreo do subterrâneo, já que o quarto era um dos primeiros. – O que é que está acontecendo?

...

Henry estava mole e cansado. Era como se não sentisse seu corpo; como se qualquer sinal que seu cérebro mandasse a ele não fosse ser cumprido. Mas ao mesmo tempo era uma boa sensação. Tinha andado estressado e exausto por um bom tempo. Estava naquele estado entre o sono e o despertar quando ouviu uma voz bem familiar:

—Ele desmaiou ao saber que estava aqui. É um bom menino.

Foi então que ele se lembrou de tudo que estava acontecendo. Ele conhecia essa voz muito bem, mas simplesmente não podia ser. Era impossível que fosse isso.

O menino abriu os olhos rapidamente e se ajeitou para ver melhor quem estava a sua frente, o dono da voz.

Não era Randhir Murray, seu pai.

Era Jennifer Murray, sua mãe.

Notas finais
Surpresos? Randhir seria óbvio demais, não é mesmo? E Jennifer tem o mesmo sobrenome. Murrays, desde cedo já nas intrigas (Quem leu Anti Sociedade sabe). Comenta aí a sua reação, o que achou. Fiquei curiosa pra saber. Até a próxima, ;)!