Instituição JGMB - Interativa
9 A Junção Que Desune (Irá)
Notas iniciais
No mês seguinte:
O grupo cinco estava tomando o café da manhã naquele instante. Havia acontecido muitas coisas em um mês.
Com o Chris na posição dele, ele impulsionou as pesquisas para o caminho certo e agora eles estavam mais próximos de encontrar a verdade e os planejamentos estavam indo em bom ritmo, acompanhando as últimas notícias do mundo no lado de fora.
Claro, com David a espreita tudo ficou mais difícil, mas finalmente conseguiram desviar de mais uma de suas armadilhas. Era só questão de tempo para que ele arranjasse uma forma de impulsionar as pesquisas para trás, mas por enquanto tudo estava dando certo.
Henry ainda não havia conseguido se comunicar com a mãe sem que o pai estivesse perto, portanto, não conseguiu provar nem que ele estava certo e muito menos o Ed. Os dois se aproximaram mais desde a última vez e agora já são bons amigos e Ed tem alguém em quem pode confiar mais. Não, ele não o contou muita coisa sobre o próprio passado, mas se tivesse que escolher alguém em quem confiar, esse alguém seria o Henry.
Arícia e Chris continuavam os mesmos primos implicantes de sempre, apesar de um ter aprendido a suportar o outro. Quem via de longe podia até pensar que eram velhos amigos.
Conforme algumas descobertas sobre o plano de David Moore, os três líderes mandaram Chris pedir a Hyun-Ae um ou outro projeto de seus barcos para passarem ao engenheiro responsável algumas informações do material que queriam que fosse utilizado em um plano B que eles estavam projetando.
Carol e Arícia se tornaram grandes amigas, tanto é que Carol soube da situação de Arícia e a ajudou a superar a barreira que ela sentia dentro de si mesma, apesar de não querer demonstrá-las.
Jean nunca ficava muito com o grupo, somente durante as pesquisas e em algumas refeições. O pessoal de alguns outros grupos fazia mais o estilo dele. Mas ainda assim, mostrou que quando quer é uma pessoa inteligente e ajudou o grupo 5 a se destacar dentre os melhores. Por outro lado, isso atraiu ainda mais a atenção de Moore para os outros integrantes que não eram o Chris, os vendo também como uma ameaça aos interesses de seus chefes.
Isis com o passar do tempo havia deixado de neura com Miguel e os dois ficaram de bem um com o outro. Esse último, com as sugestões de Chris, conseguiu encontrar várias informações valiosas dos arquivos com os quais trabalhava antes de ser chamado para ficar na Instituição.
A própria Isis estava sentada na mesa diante de seus colegas quando Miguel chegou por trás e cessou a conversa deles por um instante. Isis percebeu que ele estava meio caído, como se tivesse passado a noite em claro. Ele tinha andado assim ultimamente. Com o destaque cada vez maior, o trabalho de pesquisas noturnas só havia aumentado e caído nas costas dele.
–Olá, grupo. – Ele saudou-os. – O café já acabou, vamos lá? Hoje as atividades serão diferentes.
–Diferentes como? – Isis perguntou enquanto saia da mesa, assim como os outros.
–Bem, de acordo com o recado que recebemos ontem à noite, para que o trabalho fique pronto mais rápido, vão juntar os grupos.
–Não vai ter mais grupo, então? – Carol questionou rapidamente. – Não entendi nada.
–Não é isso. O que estou querendo dizer é que fundiram dois grupos em um. A partir de agora estamos juntos ao grupo 6. – Miguel bocejou entre uma fala e outra e coçou um pouco o olho direito. – Mas não se preocupem. O guia deles, Dong-Su Tanaka, é meu colega de quarto. Apesar de parecer ter a personalidade de alguém de oitenta anos, ele até que é legal de vez em quando.
–Dong-Su. – Hyun-Ae pensou em voz alta. – Ele é coreano também?
Miguel riu um pouco sem graça, como se lembrasse de algo que o grupo não sabia.
–Sim. Ele tem muito orgulho de ser descendente de japoneses que conseguiram fugir do ataque migrando para a Coréia do Sul e fica lembrando isso sempre que perguntam, então recomendo não tocarem no assunto perto dele.
O grupo chegou à biblioteca e caminhou até a mesa de costume, que foi unida com a do outro grupo durante a noite.
–E antes que eu me esqueça, nunca o chamem de Tanakara. Ele odeia o trocadilho.
–Mas que idiotice. – Jean comentou com as sobrancelhas semicerradas. – Quem o chamaria assim?
–Eu mesmo. Falo por experiência própria.
Antes que qualquer um pudesse responder, Miguel desviou o olhar lentamente para a direção da porta e avistou um grupo caminhando na direção deles.
–Ali estão eles. – Miguel avisou. – Lembrem-se do que eu disse: Sem mencionar nem o Japão, nem o “Tanakara”
Eis então que o grupo 5 e o grupo 6 foram apresentados.
Tanaka Dong-Su parecia ter a mesma faixa etária de Hyun-Ae, sendo então um pouco mais velho que Isis. Era alto, bem encorpado e os olhos castanhos bem escuros em seu semblante exalavam um ar de determinação e seriedade, diferenciando muito de Miguel, que apesar de responsável parecia implicante logo de cara. Seus cabelos eram um pouco compridos e uma barba rala crescia em seu queixo.
Primeiro Miguel apresentou o grupo 5 para eles e depois Tanaka apresentou o grupo 6 para o outro. Ali tinham o Aaron Geisenhoff, descendente do criador da teoria da relatividade, Albert Einstein, Nora Garcia, descendente do criador dos óculos de leitura, ou óculos tradutor, César Guedes, Hadassa Swarty, descendente da empresária programadora que fez parte da invenção do micro computador, Débora Blum, Emanuelle Blanche, descendente do linguista Jean-François Champollion, Jefferson Rush, neto do fundador de uma companhia de pesquisas e cientista que salvou a Ásia Ocidental com a vacina para uma doença que estava devastando parte daquela área, Oliver Rush, Thomas Comte, irmão de Jean, Zulu Khumalo, irmão de Isis e John Fleming, esse qual observou Ed quase o tempo todo e Ed ficou um pouco apreensivo ao vê-lo.
–Ei, você também não é descendente de Alexander Fleming, Ed? – Henry comentou ao lado dele. – Nossa, que coincidência.
–Coincidência demais... – Ed respondeu com tom de ironia e lançou um olhar para Henry que parecia dizer “Fica quieto”.
–É um prazer poder trabalhar com vocês. – Zulu começou. – É do conhecimento de todos que vocês são o grupo que mais progrediu até agora e que estão a beira de encontrar uma solução.
–Exatamente. – Jefferson concordou – Parece até que têm algo que ninguém mais tem acesso.
–Bem... – Tanaka cortou a conversa. – Melhor começarmos logo. Ao trabalho!
...
–O que vocês acharam do pessoal do grupo 6? – Arícia perguntou com um pequeno sorriso no rosto.
As meninas estavam todas reunidas na sala da descontração, onde todos podiam ir após um longo dia de trabalho para descansar. Era bem espaçosa e continha os mais diversos objetos destinados a proporcionar a diversão dos que estavam ali presentes. Desde pebolim e fliperamas até televisão e karaokê com hologramas e tudo mais, além da mesa cheia de guloseimas que não se encontravam no refeitório. Eles realmente levavam a ideia de que para se fazer um bom trabalho a mente deve estar relaxada muito a sério.
Arícia, Carol, Isis e Hyun-Ae estavam em uma das mesas que ficam encostadas em um espaço separado para conversar comendo e – adivinha só – conversando.
–Eu achei meio estranho aquele John ficar tentando falar com o Ed coisas aleatórias o tempo todo. E também o Jefferson, o Zulu e o Tanaka ficarem trocando ideias bem baixinho a cada explicação que a gente dava. E também...
–Hyun-Ae, você repara demais nas coisas. – Isis interrompeu. – Não há motivos para desconfiar deles, estamos todos do mesmo lado. E, além disso, até que eles são legais.
–Ah, Isis, seu irmão é tão incrível! – Carol anunciou do nada. – Ele é muito inteligente!
–E bonito! – Arícia continuou.
–E carismático!
–E cavalheiro!
Isis levantou a mão como se pedisse para que elas parassem e as duas simplesmente suspiraram.
–Está bem, podem parar com isso vocês duas. Praticamente todos dizem isso para mim quando o conhecem, mas eu realmente não vejo isso tudo nele. – Disse enquanto tomava um gole do milk-shake de morango com cara de tédio.
–Como diziam onde eu morava, isso é o que chamamos de amor jovem. – Hyun-Ae brincou. – Eles pensam coisas inexplicáveis sobre pessoas das quais não tem nada demais.
Ao ouvir isso, Isis passou o olhar para Hyun-Ae e notou um papelzinho com a ponta um pouco para fora no bolso do casaco dela.
– Ei, Hyun-Ae, o que é isso no seu casaco?
–Hm? – Só naquele momento ela pareceu perceber eu tinha algo lá. – Eu não sei. Isso não estava aqui quando o tirei na biblioteca.
Ela pegou o pedaço pequeno de papel e o colocou em cima da mesa. Nele tinham vários caracteres orientais desconhecidos pelas demais integrantes da conversa, tirando a Hyun-Ae. As outras três se aproximaram de curiosidade enquanto a expressão calma e relaxada do rosto da coreana mudou para um certo receio ao ler o que estava escrito.
–O que é isso? Coreano?
–Droga. Esqueci meus óculos de leitura na biblioteca.
–O que diz aí? É algo ruim?
–Parece que aquele Tanaka Dong-su arrumou um jeito de pôr isso no meu casaco sem que eu visse. Ele quer que a gente se encontre amanhã a sós na biblioteca após as pesquisas.
Arícia e Carol fizeram um coro de “Huuummm” e começaram a cantar uma música romântica que estava fazendo sucesso. Isis não o seguiu, apenas riu um pouco e mexeu-se conforme a batida. Hyun-Ae respirou fundo e revirou os olhos até elas acabarem.
–Hyun-Ae arrasando corações...
–Você vai, não é?
–Ele quer que nos encontremos na mesa mais distante. Um lugar sombrio para uma pessoa sombria. Acho que vou ir só por causa da minha curiosidade, apesar de sentir que isso não vai acabar bem.
Arícia e Carol deram risinhos de alegria, Hyun-Ae revirou os olhos mais uma vez e Isis sorriu se divertindo com a cena que se desenrolara diante dela.
...
–Olá, Majestade. É um prazer revê-la pessoalmente. – Klaus saudou a Rainha Margareth assim que ela saiu do carro e não ofereceu a mão para ajuda-la a sair, pois sabia que ela rejeitaria.
Apesar de ser verão, na Groelândia sempre fazia tanto frio que não se podia sair de casa sem estar muito bem agasalhado – três casacos, duas calças, um cachecol, gorro e botas bem longas devem ser o suficiente para andar na rua sem ser congelado. – mas isso não preocupava muito a rainha. Somente suas luvas, casaco de malha e meias compridas já eram o bastante.
Ela também tinha mais coisas na cabeça para se preocupar do que o frio momentâneo. Após intensos debates na câmara e, mesmo contra sua vontade, ter aparecido em entrevistas na mídia, conseguiu melhorar sua imagem entre a população dinamarquesa e convenceu de que estava fazendo um bom trabalho com a Instituição, mesmo não permitindo que mostrasse o quão bem sucedido estava o plano do grupo 5, o mesmo em que o menino ajudante Christian estava, e que era o melhor até o momento.
O problema começou quando recebeu uma mensagem do presidente dos Estados Unidos alegando que contaram a ele que ela havia criado a Instituição com o intuito de desmoralizar os EUA e que se continuasse com o plano deles ou demitisse o único especialista estadunidense (David Moore), pressionaria a Dinamarca a sair de cima do muro e escolher um lado na guerra (Como se já não estivesse fazendo isso).
Pelo problema ser muito grande, resolveram que seria melhor se encontrarem pessoalmente para discutirem isso. Semana passada decidiram que, se realmente não podiam tirar David Moore da jogada, tentariam mantê-lo o menos informado possível. Arrumavam uma desculpa para mantê-lo sem falar com os principais grupos e não havia mais reuniões para ver como estava o andamento. Laudrup ia pessoalmente a cada mesa e anotava o que foi feito a cada dia. Entre algumas outras ideias a mais.
–Jorgensen, nós nos vimos semana passada. – Margareth saiu do carro e fechou a porta atrás de si. – Não faz tanto tempo assim.
–Este fato não torna a sua presença menos agradável. – Jorgesen revidou. – Agora, é melhor entrarmos logo, antes que os nossos rostos fiquem roxos.
O carro fez o retorno para a cidade e os dois entraram rapidamente na Instituição. Como já eram umas nove da noite, poucas pessoas estavam na entrada, e quase nenhuma delas prestou atenção nos dois andando. A maioria já estava nos dormitórios, na sala da descontração ou ainda no refeitório. Exatamente por isso que escolheram se encontrar durante a noite. Um pouco mais cedo e aquele lugar está mais cheio.
Sem muito papo, chegaram à sala de reuniões, que agora só fora ocupada quando a Rainha voou para lá na semana anterior. Harold Laudrup já estava lá, arrumando os papéis na mesa. Margareth sempre se sentia feliz por se lembrarem que para ela ler a tela de computadores era mais difícil do que ler o papel, mas ao mesmo tempo um pouco pesarosa por causa do trabalho que dá ajeitar as coisas dessa forma.
–Olá, rainha Margareth. Olá, senhor Jorgesen. Terminei de arrumar os arquivos agora há pouco. Vamos começar a reunião?
–Estamos aqui para esse motivo, afinal. – Jorgesen concluiu sentando-se em uma das cadeiras. Margareth sentou-se na da frente. – Como ocorreu a união dos grupos?
–Eu recolhi tudo o quê todos eles fizeram, mas acho que ainda é cedo demais para deduzir qualquer coisa. – Harold se sentou também. – É provável que amanhã tudo já esteja andando mais rápido.
–E sobre o material especial do plano B? – Margareth perguntou. – Christian já conseguiu com ela?
–Sim, ele me entregou hoje, logo após o almoço. – Harold contou calmamente. – Graças a ele, esses projetos podem ser entregues ao nosso engenheiro sem que Moore possa vê-los.
–Mas essa mulher que fez esses projetos realmente não sabe nada sobre o plano B?
–Segundo Christian, não. Assim como consta nas fichas, Yi Hyun-Ae trabalha com engenharia de transportes marítimos. – Jorgesen confirmou. Ele leu a ficha completa de todos os integrantes da Instituição para ter certeza de quem eram. Duas vezes. – Ela não faz a menor ideia de que seus trabalhos estão ajudando na construção de um prédio, muito menos do que está sendo desenvolvido a partir disso.
–Isso nunca foi feito antes e usar isso significa que a situação está tão ruim que temos que adotar medidas extremas. – Margareth refletiu triste. – Eu realmente torço para que isso não seja necessário e que consigamos resolver tudo antes.
–Mas se tiver de ser usado, pense pelo lado positivo: Será um avanço para o universo tecnológico.
–Ele poderia ser descoberto de outras formas, não pela mais difícil.
–Infelizmente, Majestade, difícil é a palavra que parece descrever perfeitamente o tempo em que estamos, em que já vivemos, e em que sempre viveremos. O que muda é a intensidade e o local, então é melhor se acostumar logo, senão se decepcionará muitas vezes mais do que o necessário.
...
“-Ei, Hyun-Ae. Você achou aquele seu projeto que te pedi?
–Sim, estava no fundo da minha mochila. Aqui está. – Ela me entregou um tubo circular com a planta de barco dentro. – Eu realmente nunca pensei que você seria um interessado em engenharia naval. Foi uma surpresa e tanto, Chris.
Chris olhou nos olhos de sua colega e deu um sorriso torto, apesar de por dentro desejar que ela não falasse mais nada.
–Até eu estou surpreso. Nunca pensei que barcos pudessem ser tão interessantes.
–Já terminou de estudar o outro que pediu? Não estou te apressando, só acho que estudar dois de uma vez pode ser um pouco confuso para os marinheiros de primeira viagem.
–Não, eu estou bem. Assim que eu terminar te devolvo. Estou montando um projeto de embarcação só meu, então não me pergunte nada sobre ele, por favor.
–Tudo bem, eu acho. – Hyun-Ae cruzou os braços. – Estou muito feliz por alguém além de meu filho se interessar por navegação, de qualquer forma.”.
Chris não podia deixar de se sentir mal por mentir para Hyun-Ae, afinal ela estava feliz de verdade, pensando que ele estava fazendo algo que não estava fazendo realmente. Mas tudo isso era por uma boa causa. Laudrup, Jorgensen e Rainha Margareth eram quem estavam pedindo aquilo, o que quer dizer que isso seria usado para o bem da humanidade, se o que lhe disseram foi verdade. E Chris já viu o noticiário o suficiente para dizer que tudo está plausível com a realidade.
–Ei, eu estou falando com você! – Jean expulsou Chris de seus pensamentos e fingiu estar chateado. – É falta de educação deixar as pessoas falando sozinhas, sabia?
Os dois estavam caminhando de volta ao dormitório sozinhos, pois as meninas estavam na sala da descontração e Henry e Ed voltaram mais cedo por um motivo desconhecido. Chris realmente nunca ficou muito a fim de ficar sozinho com Jean, mas fazer o quê?
–O que você estava falando? – Chris perguntou meio entediado.
–Você viu a garota que acabou de passar? Ela deu um sorriso para cá, o que significa que ela está a fim de mim. Mas já que sou seu amigo e tenho mais o que fazer, estou te dando a chance de ir lá falar com ela com a desculpa que achou que o sorriso era para você. O que acha? – Ele sorriu. – As únicas garotas da nossa idade que você fala são sua prima e a Carol, e parece que ela só olha para caras mais velhos.
Chris bufou bem alto.
–Olha, não sei se você sabe, mas tem gente que tem mais com o que se preocupar. Você tem se mostrado bem nas pesquisas, mas por favor, fique em silêncio quando não tem nada útil a dizer para mim, ok?
Jean riu um pouco.
–Beleza. Sempre é legal fazer você ficar irritado.
Ele ignorou o comentário, pois na frente da porta do dormitório, Chris escutou vozes tendo uma conversa estranha lá dentro. Alguma coisa sobre traição. Elas eram familiares, mas estavam baixas demais para que ele pudesse perceber de quem eram. Se virou um pouco e fez sinal para Jean permanecer em silêncio. Ele concordou, parecendo ter percebido a conversa estranha também e Chris usou a chave para abrir a porta bem devagar.
Ali estava o motivo das vozes serem familiares. Eram de Ed e Henry. Os dois estavam de costas para a porta e pareceram não ter ouvido que ela se abriu, mas nenhum deles eram pessoas para se desconfiar. Mais calmo, Chris foi entrando, seguido pelo Jean. Antes que pudessem falar alguma coisa, perceberam que eles estavam usando o telecomunicador para falarem com uma mulher na meia-idade, porém muito bonita e com sotaque britânico forte, que Chris reconheceu ser a mãe de Henry. A primeira vez que a via sem o pai dele ao lado. Resolveram que ficariam calados e escutariam a conversa.
–Mas mãe, antes que o pai volte, no começo do mês você não viu reportagens sobre terroristas tentando invadir a JGMB, ou viu?
–Mas que pergunta é essa, filho? – A expressão dela mudou de normal para aflita. – Não tem terrorista nenhum pelo que eu saiba. Por quê? Você viu algo? O que aconteceu? Me conta que eu vou aí agora te buscar!
–Não, mãe! – Henry respondeu quase tão desesperado quanto sua mãe, pois sabia que ela realmente arrumaria algum tipo de magia negra para chegar lá em menos de dois minutos. – Não tem nada aqui. Foi só por curiosidade mesmo.
–Ai, filho. Nunca mais me assuste desse jeito. Senão você vai ficar de castigo quando voltar para casa, entendeu?
–Mãe, eu já tenho vinte anos! – Ele reclamou. – Não posso mais falar agora. Tenho que ir. Tchau.
Os dois se despediram e Henry se virou para o Ed.
–Não avisei que mais alta a posição, mais desconfiança devemos ter? – O de heterocromia disse.
–Desconfiança de quem? – Jean perguntou.
Henry e Ed se viraram rapidamente para os dois.
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