Insomniacs
7 Capítulo Sete - Fantasmas
Ele estava sentado na mesa da cozinha novamente, olhando para o conjunto de facas. As facas eram afiadas. Eram usadas para cortar. Por que ele estava pensando nisso agora? Sobre algo tão aparente. Tão aparente quanto o fato de ele não conseguir dormir. Isso era aparente como o inferno.
Alex havia tomado banho, não porque percebeu que precisava, mas porque não suportava o cheiro de seu próprio vomito que ainda pairava sobre ele como resultado de sua bebedeira recente. Ele não sabia quanto tempo se passou, como de costume, exceto pelo fato de que o sol já havia se posto. Xavier havia saído horas atrás. Ele terminou na mesa da cozinha, comendo qualquer coisa que conseguiu encontrar na geladeira em uma esperança fútil de acalmar seu estomago roncando.
E foi aí que sua visão terminou em suas velhas amigas de longa data, as facas. Ele não era muito próximo delas, não tendo tempo adequado para passar com elas, não como o que ele gastava com seu laptop ou seu querido sofá. Não, ele raramente as tocava, mas ambos sabiam que já tiveram um relacionamento. Ele já foram algo. Um caso de uma noite que deu terrivelmente errado. Uma amante secreta cujo nome estava tatuado em sua pele por causa de uma noite de bebedeira e passos vacilantes para o estúdio de tatuagem mais próximo com sua risada pairando no ar. Um segredo há muito esquecido, um pecado não dito que ele escondeu dos olhos mais próximos.
Talvez um dia eles voltassem a ser amantes, reacendendo a antiga chama. Quando aconteceu, Alex não sabia o quão brilhante seria aquele fogo. Será que queimaria por um minuto antes de morrer em sua mão? Ou explodiria como uma estrela, alto, brilhante e destruindo tudo em seu caminho?
Por que essa epifania sempre acontecia na frente das facas? Por que sempre tinha que ser interrompido pela batida na porta? Mas, novamente, a porta batendo era a coisa mais emocionante que poderia acontecer na vida de Alex ultimamente.
Scott veio visita-lo como havia prometido. Ele até comprou o que havia sido pedido e Alex fez uma anotação mental de agradecer o amigo quando o carro estivesse concertado também. Ele iria consertá-lo sozinho, mas a ideia de sair de casa e sentar atrás do volante não o atraía. Tão fácil quanto isso, ele voltou a rotina de se sentar na mesa da cozinha com poucas pessoas que ele chamava de amigos. Não com Xavier, porém, porque o garoto preferiria o sofá. Falando nisso, Alex mantinha os olhos na porta enquanto Scott falava, imaginando se uma batida viria e seria Xavier do outro lado.
“Retiro o que eu disse, você não parece melhor, Alex.” Scott disse, provavelmente falando sobre a conversa no telefone.
“Nunca estou pior nem melhor. Eu sou sempre assim, Otts.”
Scott rolou os olhos. “O velho Alex Webber passava dias enfiado em seu apartamento porque ele estava compondo músicas. O velho Alex Webber não dormia por três dias seguidos porque ele era estupido o suficiente para deixar suas tarefas acumularem até o ultimo dia possível.”
Alex zombou. Se ele não estivesse pensando muito sobre o quão errado tinha sido brigar com Xavier, ele provavelmente teria feito a mesma coisa com Scott.
“Eu acho que você estava melhor ontem a noite. Pessoas deprimidas não vão a boates.” Comentou o amigo. No fundo de sua mente, ele queria deixar claro como Scott provavelmente não saberia como era estar deprimido, portanto não tendo o direito de dizer essas coisas. Mas, novamente, ele também.
“Porque eu não estou deprimido.”
“Então o que é isso, Alex?”
Ele não sabia. Ele queria saber a resposta tanto quanto Scott. Se lembrou das palavras de Oliver, sobre como ele queria conserta-lo. Ele não estava quebrado, estava? Ele não precisava de concerto.
“Eu não sei.”
Scott suspirou. Ele de todas as pessoas sabia que bisbilhotar demais só resultaria na raiva de Alex e Scott entendia isso. Ele era mais próximo dele do que seus outros amigos e Scott o entendia como a palma da mão.
“Talvez você precise de uma mudança em sua vida. Conhecer alguém novo.” Scott mudou de assunto, sabendo que não deveria se intrometer muito.
“A ultima vez que conheci alguém novo eu quase o atropelei. Então não.” Ele respondeu. Xavier. Onde estaria o garoto agora? Ele teria voltado para casa? Será que ele o veria novamente? Ele queria se desculpar com Xavier. A culpa ainda era estranha e desnecessariamente natural para ele.
“Como está o garoto que você atropelou? Você conseguiu devolver o lenço?”
Depois de todo esse tempo, o lenço ainda estava esquecido em seu criado mudo. Ele se esqueceu de entrega-lo a Xavier e o garoto aparentemente não tinha interesse em tê-lo de volta. Ainda assim, ter Scott perguntando a ele sobre Xavier o fez morder o lábio inferior. Ele deu uma olhada em direção a porta novamente.
“Ele veio aqui de novo.” Respondeu ele. Duas vezes, na verdade.
“Bem, então eu acho que você devia atropelar mais pessoas. Você faz amizade de um jeito incrível.”
Alex bufou. “Ele não é meu amigo.”
Claro que não. Xavier era apenas um estranho que chegou perto demais.
Ele acompanhou Scott até a porta, e seu amigo sorriu para ele e disse que sentia falta de vê-lo no campus. Ele não pensou muito sobre isso, nem mesmo querendo voltar em primeiro lugar. Scott apenas sorriu, mostrando suas covinhas, mas seus olhos falavam a mesma coisa que os de Oliver. Alex jogou a chave do carro para ele, dizendo a Scott para leva-lo para o concerto, praticamente o enxotando dali. Ele esperava voltar para dentro em paz, mas o destino de alguma forma o fez esbarrar em Percy. Não exatamente esbarrar, já que ele estava parado entre a porta de seu apartamento com Scott na frente dele e seu vizinho irritante estava saindo do elevador com uma garota de cabelos negros atrás dele.
Ao ver o enorme sorriso, adivinhou que teria que aguentar uma ou duas frases para ouvir. Percy estava sorrindo e é claro que ele não iria simplesmente passar direto para seu apartamento. Ele tinha que parar na frente dele e tentar puxar conversa.
“Ei Alex! Não esqueci minhas chaves hoje!” Disse Percy, sorrindo, balançando o corpo como se esperasse um elogio vindo de Alex por sua estupida conquista.
A amiga de Percy apenas ficou parado atrás dele. A garota era alta, mas de alguma forma parecia muito mais jovem. Alex claramente não queria prestar atenção nela, mas a garota de alguma forma acabou olhando para ele. Ela tinha esse olhar constante que Alex dificilmente via em alguém. Foi exatamente o olhar que fez Alex erguer a sobrancelha, porque essa garota estranha estava olhando para ele diretamente nos olhos como se estivesse—
“Onde está o Xavier? Mal posso esperar para encontra-lo de novo!” Comentou Percy empolgado.
“Quem é Xavier?” Scott perguntou.
“É o garoto que eu quase atropelei.” Alex murmurou de volta.
Scott provavelmente iria perguntar como o garoto em quem ele bateu conseguiu fazer amizade com o vizinho louco e barulhento que Alex abominava quando Percy virou a cabeça para Scott, dizendo algo como ‘Você também é um dos amigos do Alex? Você parece muito diferente do Xavier. Sou o Percy.’ Alex embora, acabou olhando para a garota novamente. Por que ela o estava olhando daquele jeito? Não, não era claramente para Alex que ela estava olhando. Ela estava vendo outra coisa, pensou ele. Como se alguém estivesse parado bem atrás dele, como se houvesse mais alguém em seu apartamento, espiando pela porta atrás de suas costas. E a garota, ela realmente parecia—
“Percy, vamos entrar.” Disse ela de repente, puxando a camisa de Percy.
“Ah, mas Bianca, eu não te apresentei ao Alex.” Choramingou Percy, apontando para Alex.
A tal Bianca havia desviado os olhos da direção de Alex, virando seu corpo ligeiramente e olhando para a porta de Percy, como se houvesse algo que ela não quisesse ver e virar um pouco revelaria essa coisa horrível.
“Podemos, por favor, entrar agora?” Ela disse novamente, sua voz de repente ficou um pouco séria e exigente.
O sorriso no rosto de Percy desapareceu, substituído por um beicinho até que ela puxou o pulso de Bianca e caminhou em direção à sua própria porta, parecendo meio desapontado.
“Ok. Bianca não está se sentindo muito bem agora, então vamos entrar. Tchau Alex.” Disse ele, acenando energicamente. Percy desapareceu atrás da própria porta e Alex voltou sua atenção para Scott.
“Seu vizinho é bem...hum, energético.” Disse Scott, rindo. Certa vez, ele contou a seus amigos sobre a agonia que passou por causa de um certo vizinho saltitante que continuava esquecendo suas chaves e sendo praticamente uma criança de quem ele tinha que cuidar de vez em quando.
“Acredite em mim, eu não que ele e Luka se encontrem nunca.” Disse Alex.
Scott foi para casa não muito tempo depois disso, desaparecendo dentro do elevador. Com isso, Alex suspirou, fechou a porta e voltou para o sofá, cabeça baixa e olhos fixos no teto. Ele pensou em Xavier, pensando que talvez o garoto nunca voltasse. Ele pensou em Scott, que sempre foi o único que sabia lidar com ele. E pensou em Percy, irritante como sempre. Com tantas pessoas que tinha conhecido nos últimos dias, sua mente vagou de repente para Bianca, aquela amiga estranha de Percy.
A garota estava olhando para ele. Por quê?
Ele se lembrou do olhar.
Bianca estava olhando para ele com medo nos olhos. Ela estava assustada, olhando diretamente para Alex com olhos arregalados e nervosismo. Não, ela não estava realmente olhando para Alex. Ela estava vendo outra coisa, não estava?
Como se ela pudesse ver algo parado atrás de Alex e isso a aterrorizasse até os ossos.
Quando Xavier foi embora, tudo o que ele conseguia pensar era em como deveria se desculpar. Ele pensou como não deveria ter dito aquelas coisas. Mais do que isso, ele pensou que deveria ter impedido Xavier de sair. A culpa estava crescendo na boca do estomago e ele pensou que não conseguiria sentir aquele vazio que detestava novamente, porque tê-lo substituído por culpa não era realmente a melhor coisa a se sentir.
Alex estava errado.
O medo era ainda pior.
Quando Xavier foi embora, tudo o que ele conseguia pensar era como o telefone tocaria a qualquer momento e outra voz substituiria a estática assim que entrasse na secretaria eletrônica, repetindo a palavra que ele tanto temia. Não conseguir dormir de alguma forma se tornou uma benção, porque mesmo no menor momento que ele conseguia, a mesma cena se repetia indefinidamente em sua cabeça. Ele estaria naquele mesmo cruzamento, dirigindo seu carro, antes que a dor de cabeça se instalasse. Antes que ele percebesse que havia batido em alguém, o corpo voaria em direção ao capô de seu carro e ele nem sentiria o impacto. A palavra sendo sussurrada e depois gritada em seus ouvidos até acordar com seu coração batendo como louco.
Oliver ligou, mas não veio visita-lo, provavelmente lhe dando o espaço que ele tanto desejava. Curiosamente, Xavier foi embora quando ele pediu e a mesma coisa de alguma forma se aplicava a seus amigos. Eles pararam de vir bater em sua porta e pela primeira vez ele estava grato por isso, se ao menos telefonemas estranhos e pesadelos não fossem algo com que ele tivesse que lidar agora. Ele preferia ter seus amigos do que isso.
Um dia, Alex acordou de uma soneca de duas horas que não parecia nem um pouco com o sono verdadeiros, com o coração acelerado e as palmas das mãos suando de outro pesadelo. Ele acordou na cama e caminhou em direção ao banheiro para ver a palavra ‘assassino’ pintada no espelho em letras vermelhas. Seu corpo congelou de horror e ele piscou, apenas para encontrar seu próprio reflexo olhando para ele com o rosto horrorizado. Ele estava sonhando acordado, não estava?
Outro dia Alex acordou de outro cochilo com os pés dentro do elevador, o rosto olhando para a porta que abria quando a Sra. Fitzgerald entrou, dando-lhe um olhar confuso. Ele piscou duas vezes quando a porta se fechou e percebeu que estava em um lugar onde ele não se lembrava de ter ido. A ultima coisa que lembrava era de estar sentado em seu sofá e agora estava na porra do elevador sem se lembrar de como chegou lá.
No momento em que ele voltou para seu apartamento, Alex bateu a porta, com as costas contra ela e caiu no chão, o rosto enterrado nas mãos. Ele estava começando a enlouquecer, não é?
O horror não parou por aí. O telefone tocou e seu corpo ficou tenso. Não, isso não estava acontecendo com ele. Ele estava tendo um pesadelo ou simplesmente vivendo um? Não esperou que chegasse ao oitavo toque, nem mesmo esperou cair na caixa postal. Ele se levantou e correu em direção ao telefone, puxando não só a fonte de energia mas também o fio junto com ela. Ele pegou o telefone e o puxou antes de joga-lo contra a parede. O fio se partiu e o telefone atingiu a parede com um estrondo, a estrutura do aparelho se desmanchando em pedaços.
Elas iriam parar agora, não é? Não haveria telefonemas. Não haveria vozes.
Então a televisão acendeu.
Ele ficou ali estupefato, olhando a TV iluminada, grãos e ruídos, branco e preto estático preenchendo a tela. Ele assistiu horrorizado enquanto a TV ligava sem que ele colocasse um dedo sequer no controle remoto. Havia estática, mais uma vez, vindo da televisão, como sempre acontecia com o receptor. Ele deveria ter avançado, feito a mesma coisa que fez com o telefone. Em vez disso, ele apenas ficou lá e esperou. Os segundo pareceram parar.
Ele esperou e esperou, e lá ele podia ouvi-la. A voz. A mesma voz que ele sempre ouviu. Aquele que ele aprendera a temer. Estava ali, na televisão, não no telefone porque o telefone estava quebrado, caído no fundo da sala, o fio puxado e o aparelho em pedaços. Foi falada através da estática na televisão, o mais alto possível.
“Assassino.”
O telefone tocou novamente.
O mesmo telefone quebrado, tocando.
Mais uma vez.
“Você está bem.”
O telefone tocava.
“Você está perfeitamente bem.”
A televisão continuava acesa.
“Você está bem.”
E havia uma palavra escrita na parede com algo que parecia sangue.
“Você está perfeitamente bem, Alex.”
E o sangue encharcou seus lençóis.
Alex estava sentado no canto de seu quarto, cobrindo as orelhas com as mãos e a cabeça enfiada entre seus joelhos. Seus olhos estavam fechados e ele mordia os próprios lábios com tanta força que eles sangravam. Ele não sabia quanto tempo havia se passado, mas parecia que nenhum realmente.
A única voz que ele ouvia era sua própria. Não era realmente reconfortante, mas era o mais próximo de uma ancora de sanidade. Ele então continuou repetindo as palavras como um disco quebrado, tentando abafar a voz que lhe dizia repetidamente que ele era um assassino. Também não ousava abrir os olhos, porque veria a palavra escrita na parede, o vermelho do sangue contra o branco. Estaria escrito em todos os lugares até onde seus olhos pudessem ver. Também não ousava adormecer, pois sabia dos pesadelos que o esperavam. Não era como se ele pudesse dormir também, na verdade.
Então ele tentou o seu melhor para permanecer são, tentou o seu melhor para alimentar as palavras que pareciam cada vez mais uma mentira.
Ele deveria ter saído. Ele deveria ter saído pela porta e deixado o apartamento, mas algo dentro dele dizia que ele também não estaria seguro do lado de fora. Onde ele poderia ir também? As vozes sempre davam um jeito de alcança-lo.
Ele estava suando e inquieto. Alex nem sequer percebeu isso. Ele sempre dizia que não conseguia sentir nada. Ele finalmente conseguiu o que estava pedindo, já que nunca sentiu tanto medo antes em sua vida. Mesmo a escuridão e as histórias de fantasmas não o assustavam. Agora ele estava assustado, mas não acreditava em fantasmas. Não poderia ser. Isso era só falta de sono, estava vendo coisas, não é? Ou tinha comido algo ruim. Não era como ele tivesse realmente matado alguém, certo? Ele não era um assassino, era?
Seu braço coçava. Ele pensou nas facas novamente.
Se estava matando uma pessoa, poderia ser ele mesmo quem matou, ele chegou a essa conclusão. Se um dia ele realmente tirasse uma vida, provavelmente seria a sua.
Alex cutucou o pulso, arranhando-o, tentando aplacar a coceira. Esquisito. Ele os coçou devagar, roçando os polegares na pele, sentindo a cicatriz que estava gravada num deles há muito tempo e tentou se livrar da coceira. Cicatrizes. Ele as tinha, é claro, esculpidas em seu corpo em lugares que as pessoas não pensariam.
Foi quando ele percebeu que estava tudo muito quieto.
Ele não conseguia ouvir o telefone, muito menos a televisão. Não havia nada, apenas sua própria respiração pesada ressoando pelo apartamento. O silencio era inquietante. Ele sentiu como se não tivesse isso há muito tempo, parecia quase impossível de compreender.
Foi então que ouviu a batida na porta.
Alex foi cauteloso. Ele podia ouvi-la fracamente de seu quarto, uma batida fraca, mas constante. Ele não deveria ter atendido, não deveria ter se levantado para abri-la, mas a batida agora parecia a única coisa real que ele conseguiu de sanidade. Era real e não era o telefone tocando. Não era uma voz vinda da estática. Era uma batida. Uma batida genuína em sua porta de madeira.
Ele se levantou, saindo de seu quarto e passou pelo corredor. Ele parou em sua sala de estar, pensando em como poderia ser outro truque de sua mente pregando peças nele. Poderia se outro pesadelo. Ele poderia facilmente estar em um agora. Ele abriria a porta para ver alguém de pé, ensanguentado e retorcido, dizendo que ele era um assassino. Ou melhor, poderia ser ninguém, apenas algo que sua mente havia inventado para faze-lo se sentir melhor, apenas uma voz que sua mente havia conjurado.
“Alex...”
Isso foi até que ele ouviu a voz, soando como um apelo suave e ele sabia quem era. Ele sabia muito bem quem era.
Xavier.
Alex correu em direção a porta, abrindo-a com força em uma ação rápida. Ele estava se sentindo culpado por causa de Xavier, não é? Todos esses pesadelos se tornaram realidade no momento que ele ficou com raiva na frente de Xavier. Isso era karma de algum tipo, certo? Ele não sabia e não se importava, só sabia que precisava se desculpar. Ele estava errado por brigar com Xavier, o garoto não merecia isso somado a todos os outros problemas. Ele se desculparia, compraria comida para ele e o deixaria passar a noite mais uma vez. Ele devia estar fugindo de novo agora, explicando as horas estranhas que o garoto sempre acabava em seu apartamento. Ele provavelmente o veria novamente com os olhos vermelhos e inchados.
Mas quando ele abriu a porta, viu Xavier parado em frente ao seu apartamento.
Sangrando.
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