Insomnia
2 Capítulo 2
- Hugo Campanaro Narrando-
Quando um vampiro ancião acorda com dor é porque a coisa tá realmente séria. Mas minhas feridas estavam fechadas, mas doíam. No andar debaixo, eu ouvia Lumar e Claire discutindo. Eu me levantei e fui para o corredor seguindo a voz delas. Quando cheguei ao pé da escada, Lumar estava inquieta, andando de um lado para o outro quase explodindo de tanta raiva com um papel na mão. Claire estava sentada em uma poltrona a olhando.
_ Lefreve se controla! – Claire surtou
_ controlar? Se eu pegar aquela coisa, a ultima coisa que vai haver é controle!
- Lumar Lefreve Narrando –
Eu e Claire discutíamos para decidir se íamos ou não atrás de Nikole.
_ o que houve? – me virei e vi Hugo parado ao pé da escada com a sobrancelha arqueada nos encarando.
_ sua noiva aconteceu – eu joguei o papel contra o peito dele e ele me olhou irônico e leu o querido recado.
_ se acalma Lefreve, nós saímos de uma guerra agora. Mate humanos beba muito sangue e só esquenta a cabeça com isso mais pra frente.
_ há algo errado com essa casa e comigo Campanaro
_ como assim?
_ há algo aqui que eu preciso descobrir
_ Lumar... – Claire tentou, mas eu a interrompi.
_ eu vou descobrir o que é – saí da sala indo em direção ao escritório. Tinha uma grande estante com muitos livros de um só assunto: Magia.
Na mesa, havia um pequeno caderno com algumas anotações em latim, o que aquilo tinha a ver comigo afinal? Passei horas e horas naquele escritório ate que Suellen entrou feito um furacão.
_ há algo errado? – perguntei com a sobrancelha arqueada
_ só vim avisar que estamos partindo, o sol já se pôs então...
_ ah, okay! Obrigada Suellen – estendi a mão para que ela apertasse assim que ela o fez e saiu, Hugo entrou.
_ está de volta huh? – perguntei olhando pro caderno.
_ olha pra mim Lefreve – eu o olhei.
- Claire Di Minus Narrando –
Entrei no escritório e imediatamente desejei não ter o feito. Lefreve e Campanaro estavam... Sei lá o que eles estavam fazendo, mas Hugo tinha encurralado Lumar entre ele e a estante.
_ estou... Interrompendo algo? – Lefreve o empurrou longe
_ não! O que houve? – Hugo caiu na gargalhada, mas calou-se quando Lefreve lançou um olhar ameaçador.
_ o que faremos agora?
_ eu vou olhar cada canto dessa casa!
_ nós ajudaremos — Hugo disse e eu concordei
- Lumar Lefreve Narrando –
_ o que você descobriu? – Claire perguntou
_ há vários, na verdade, todos os livros desta estante são sobre um assunto apenas... Magia. Há anotações em latim, em uma espécie de diário.
_ espera! Magia? – Hugo disse olhando a estante
_ isso explica a estrela desenhada no chão do porão
_ exato! Há algo nessa casa que está ligado a nós, Sáfirah e Nikole.
_ e deixa-me adivinhar, você vai caçar isso ate achar uma resposta né? – Hugo disse com uma voz forçadamente cansada.
_ ate que você pensa baby – ri sarcástica. Quando ele ia revidar, Claire disse algo que me deixou... Feliz
_ vamos investigar! – andamos por todos os cômodos e em nenhum deles continham informações. Somente o escritório e o porão. Depois que o sol nasceu nós decidimos descansar. Cada um em seu caixão ate o por do sol. Quando a lua se pos a mostra, Claire e Hugo foram caçar e eu fiquei olhando os livros, em um deles mostrava a ligação entre vampiros e bruxos. Eu fazia algumas anotações, pesquisava outras no notebook que havia encontrado. Quando um garoto de no mínimo 19 anos caiu em cima da mesa desacordado.
_ lanchinho pra você – Hugo e Claire estavam a minha frente. Eu estava faminta, imediatamente larguei a caneta e tirei o moleque de cima da mesa e o coloquei no centro da sala. Quando ele acordou, nos olhou assustado e perguntou:
_ onde estou?
_ a caminho de um encontro exclusivo com Hades – e o mordi, matando-o em minutos. Claire fez a gentileza de se livrar do corpo e quando voltou ao escritório contei minhas descobertas.
_ diz aqui que usavam vampiros como vassalos doadores de sangue
_ como assim? – os dois perguntaram juntos.
_ quando precisavam de sangue para algum feitiço, era o dos vampiros que eles usavam. Deixavam os sanguessugas da época dias ou ate mesmo semanas sem tomar uma gota de sangue, então eles normalmente morriam quase sempre, mas os bruxos forçavam outros vampiros, mais fortes, a fazer o juramento de lealdade.
_ há quanto tempo isso?
_ dois mil anos atrás.
_ o que a Sáfirah queria com isso?
_ eu não sei vingança? Ou então, ela quer retornar os antigos feitos dos bruxos.
_ pode ser... E Claire, eu consegui descobrir como passar daquela estrela.
_ como? – nós corremos ate o porão, e quando entramos, após dois passos depois da porta, nós demos as mãos e eu disse:
_Invocato licentia veterum veneficas ad hoc domum, nobis licentia, sanguinem bibentibus sic potest introire. (Invoco a permissão dos antigos bruxos pertencentes a essa casa, dai a permissão a nós, bebedores de sangue para que nós possamos adentrar este cômodo.) – a estrela se iluminou e uma forte ventania começou, não sei de onde, mas ventou bastante.
_ e agora tentamos? – Hugo perguntou
_ agora tentamos – demos um passo e a estrela não nos impediu de entrar.
_ não sabia que falava latim – Hugo comentou olhando ao redor
_ eu não falo... Mas o Google existe para isso, pesquisei as pronuncias.
_ isso é inacreditável – Claire exclamou com um livro antigo nas mãos
_ o que?
_ o livro de magia de um tal de Charles!
- Charles Davis narrando –
Era manha de domingo em Los Angeles, havia algumas nuvens no céu, que com um balançar de minhas mãos sumiram instantaneamente. Eu era importante e poderoso... Era um grande feiticeiro e precisava de vampiros, e eu tinha informações de onde achá-los.
- Lumar Lefreve Narrando –
Nos diários só tinha coisa inútil. Resolvemos voltar a Londres, deixamos a casa e partimos... A lua cheia no céu, neblina. O tempo que eu mais gosto! Eu e Claire decidimos ir a uma boate nos distrair e matar alguns humanos.
- Hugo Campanaro narrando –
Eu precisava de mais um pouco de sangue para ficar totalmente recuperado. Claire e Lumar decidiram ir a uma boate e como eu não tinha nada melhor pra fazer, fui com elas. Assim que chegamos, elas foram dançar e eu fui para o bar, pedi um shot de whisky puro e sem gelo. Uma garota morena se aproximou e nós começamos a conversar, eu iria matá-la em alguns minutos, o que seria uma pena, pois ela era muito bonita e simpática. A levei ate o banheiro e vi Lefreve olhando pra ela com a sobrancelha arqueada.
- Lumar Lefreve Narrando –
_ Lefreve, fiz amizades com caras legais – Claire disse e puxou dois caras para minha frente. – esses são David e Thomas Smith.
_ Oi guys – sorri. Eles eram lindos... Deuses gregos sei lá. Eram diferentes, mas na minha – humilde – opinião, David era o mais bonito. Conversamos por um tempo até que Hugo apareceu do nosso lado.
_ onde está a Claire?
_ sumiu com o Thomas – respondi e continuei conversando com David.
_ amiguinho novo? – respirei fundo e disse:
_ Hugo esse é o David, Dave esse é o Hugo.
_ Oi – eles apertaram as mão.
_ se divertiu com a morena? – perguntei olhando pro meu copo
_ oh! – David olhava de mim para Hugo
_ certo... Vemos-nos depois Luuh
_ ok Dave – ele me abraçou e saiu.
_ Luuh? Dave? Essa intimidade toda já?
_ é... Ele é bem legal e muito, muito bonito!
_ hum! – eu quase gargalhei, mas Claire veio com um sorriso tão grande que imediatamente entendi o motivo.
_ você o matou né? – Hugo perguntou com uma pontinha de esperança que ela dissesse que sim.
_ não – ela olhou pra mim e eu ri maliciosa!
_ bem Claire, vamos dançar mais! – eu a puxei pra pista de dança deixando Hugo sozinho no bar... De novo!
_ podemos ir pra casa agora? – Campanaro disse mal humorado, eu olhei pra Claire sorrindo maliciosa e dissemos em uníssono:
_ não! – ele bufou
_ não nos alimentamos ainda sweetheart – ele me puxou pela mão e disse:
_ vocês se alimentam de outras pessoas na rua, vamos – quando vi, estávamos do lado de fora da boate. Eu e Claire matamos um grupinho de bad boys.
Voltamos para nosso apartamento e quando abri a porta, estava tudo revirado. Olhei para Hugo que já se encontrava no meio da sala.
_ o cheiro é de um humano!
_ não levou nada Hugo, não é um ladrão qualquer.
Fui ate meu quarto e em cima da tampa do meu caixão estava um bilhete que dizia:
“ A caçada irá começar...
Preparem-se
K”
_ caçada? – Hugo apareceu atrás de mim
_ eu não faço a mínima ideia do que isso significa.
_ isso foi uma ameaça?
_ mais um aviso! Quando ficaremos em paz? Uma vampira não pode levar uma vida normal?
_ Lumar, um vampiro não leva uma vida normal, matamos para sobreviver.
_ isso é bem normal, pra mim!
_ tá, mas quem é “K”?
_ eu não sei Hugo... Nikole talvez...
_ Nikole, Lefreve... NI – o olhei com raiva e disse:
_ oh, foi mal... Insultei sua noivinha? Oh perdão – fui sarcástica e sai do quarto irritada, ele me seguiu pelo corredor e me segurou pelo braço me virando para encará-lo.
_ quer parar?
_ parar com o que?
_ com essa palhaçada com a Nikole
_ palhaçada? – ri sarcástica – ta tirando comigo né Campanaro
_ não, qual seu problema?
_ Nikole é meu problema! – me soltei e fui para a sala furiosa, estava com tanta raiva que quebrei três vasos de planta que tinham trago quando nos mudamos. Eu estava colocando o sofá no lugar e percebi que alguém me encarava, quando me virei, era Claire.
_ que foi? – perguntei com a sobrancelha arqueada
_ o que aconteceu?
_ nada, por quê?
_ você tá com raiva...
_ eu sempre estou estressada Claire...
_ mas não hoje... Você está, sei lá, diferente.
_ normal... – voltei a catar algumas coisas no chão.
_ brigou com o Hugo? – eu bufei, ela nos conhecia bem até demais.
_ normal! Tudo está normal, Claire, relaxa. – tentei sorrir, mas a ironia tomava conta do meu corpo então foi impossível não dar um sorriso irônico. Ela gargalhou, mas não disse mais nada... Continuei varrendo o vidro dos vasos que destruí. Fui para a área jogar fora os vidros estava distraída, mas ouvi a porta fechar. Virei-me e Hugo estava lá parado me encarando, ignorei sua presença e continuei arrumando.
_ vai me ignorar mesmo? – fingi que ele não estava no recinto, continuei arrumando as coisas, até que ele se irritou e deu um soco na parede – VOCÊ QUER PARAR COM ISSO?
_ você quer parar de escândalo?
_ por que você esta assim? Eu não fiz nada!
_ já te falei qual meu problema Campanaro, se não ouviu acho que você não é muito lerdo para não saber quem é. Agora da licença que eu tenho que ajudar a Claire – ele se colocou em frente à porta
_ não vai sair daqui ate você voltar a falar comigo...
_ e eu to falando com quem? Com a porta que não é né, sai Hugo – tentei tirá-lo da porta, mas ele foi mais rápido e voltou a prensá-la.
_ por que essa palhaçada toda? – ele perguntou irritado.
- Hugo Campanaro narrando-
Lumar me olhava com muita raiva, mas eu não conseguia entender o motivo dela estar assim. Tá, eu sabia, mas não entendia por que ela me culpava. Eu estava ficando com raiva já.
_ vai me responder ou não? Posso passar a eternidade aqui – ela suspirou derrotada
_ o que você quer saber?
_ por que está desse jeito.
_ já respondi, o motivo é a Nikole.
_ tá, mas o que eu fiz? Não vejo e não falo com ela desde a guerra – ela não disse nada, começou a andar de um lado para o outro. – Lumar...
_ eu não quero falar disso! – ela explodiu – para você é muito fácil não é? Acha que eu to suportando tudo muito bem, eu posso ser imortal, posso matar, ser fria, mas ainda possuo meu pior defeito humano – se ela fosse humana estaria chorando. Eu continuava sem entender, mas minha mente estava começando a clarear.
_ qual seu defeito humano?
_ me apegar demais, amar demais! Eu já perdi muita gente Hugo e Nikole ameaça tomar uma das únicas pessoas que me sobraram. – agora eu entendi, ela estava com medo de que eu a largasse para me unir a Nikole.
_ Lumar... Eu não acredito que é isso. Você tá com ciúmes – ela bufou.
_ não é ciúmes Campanaro – eu gargalhei, adorava ver Lefreve irritada. Era tão divertido!
_ tá com ciuminho! Awn — apertei as bochechas dela, ela teve uma reação que já esperava. Ela me empurrou pra parede e disse entre os dentes
_ repete isso e eu mato você!
_ calma, eu não vou contar para ninguém que você esta com ciúmes, ok? – roubei um selinho dela e dei um sorriso presunçoso. Ela urrou de ódio e saiu da área.
- Claire Di Minus Narrando-
Lumar passou por mim feito um furacão e bateu a porta do quarto. Eu senti que o clima não estava legal quando Hugo veio da mesma direção que ela
_ o que houve? – perguntei
_ ela me disse o motivo do stress comigo – ele deu um sorriso sínico.
_ Campanaro, o que você disse a ela?
_ nada querida prima, nada! – eu revirei os olhos e fui atrás de Lefreve. Entrei em seu quarto e ela estava... Arrumando malas?
_ onde você pensa que vai?
- Lumar Lefreve Narrando-
Estava arrumando uma mochila para viajar quando Claire entrou no meu quarto perguntando onde eu ia.
_ acabar com essa palhaçada de uma vez por todas!
_ mas Lumar...
_ eu preciso fazer isso Claire, por que não vem junto? Eu e você, acabaríamos com tudo, voltaríamos e continuaríamos nossas vidas como se nada tivesse acontecido.
_ e o Hugo?
_ prefiro deixá-lo fora disse...
_ é a ele que a Nikole quer... Ele pode ser útil – eu pensei por um momento e tomei uma decisão.
_ fique aqui com ele! Eu vou sozinha, temo o misterioso “K” não é? Hugo é inconsequente, fará alguma coisa irracional, controle-o. Eu ficarei bem!
_ não estou com bom pressentimento!
_ sei o que estou fazendo, partirei assim que cair a noite amanhã.
_ certo... Você e ele, o barraco caiu ou continua de pé?
_ tá de pé, meio bambo, mas tá de pé!
_ Nikole é o problema?
_ sim! Vamos descansar Claire, amanha será difícil!
_ tchau Lefreve, mantenha contato – a abracei rapidamente e me deitei em meu caixão.
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