Hermione estava sentada na Torre de Astronomia, observava o céu escuro e pesado, que junto com alguns trovões faziam seu corpo estremecer. Já limpara as lágrimas milhares de vezes desde que resolvera pensar melhor em tudo que acontecia. Os raios iluminavam seu rosto ainda molhado, a manga de sua blusa já estava encharcada de tanto que a usara para secar as teimosas lágrimas, que ainda rolavam pelo seu rosto. O motivo era claro e doloroso, Harry mais do que nunca estava grudado em seu mapa, observava cada passo, cada segundo da vida de Draco Malfoy. O amigo tinha fortes motivos para acreditar que o Sonserino havia se tornado um Comensal da Morte e que já tentara matar de todas as formas, Dumbledore. O que ele não sabia era que a cada vez que falava algo do tipo, difamando o rapaz, Hermione sentia como se estivesse atacando parte de si. E naquela noite fria, chorava por aquele mesmo motivo, não podia acreditar nas insinuações de seu melhor amigo, mesmo sob protestos de Ronald que já havia percebido algo estranho nas reações da Grifinória.

—Hermione? —A garota por sua vez pensou estar sonhando, e realmente queria, mas quando a voz ecoou em sua mente uma segunda vez, foi obrigada a se virar e encarar o rosto pálido, e olhos cinza que a olhavam friamente.

—O que quer? —Sua voz saiu trêmula e desesperada, olhou para baixo e limpou as bochechas rosadas e molhadas. O garoto por sua vez deu alguns passos, mas parou ao ver a mesma garota que estivera em seus braços horas antes, agora recuar.

—Saber como a minha namorada está, não falou comigo desde o café da manhã, — Começou a listar enquanto Hermione olhava para o chão, como se cada palavra fosse uma bronca de algum professor. —ignorou meus bilhetes no almoço e simplesmente não olha nos meus olhos!

—E-Eu só queria ficar sozinha, ando sobrecarregada de uns tempos pra cá. —Respondeu com a voz ainda mais trêmula e mansa, significando que mentia, ou tentava já que sua gaguejada inicial estragou a ideia.

—Mentindo Granger? —A expressão do garoto não demonstrava sentimento algum, e esse mesmo motivo foi o que levou a brigas e discussões diversas vezes desde que começaram a namorar. —Quero que me explique agora, o que está acontecendo para você nem se quer olhar nos meus olhos, me diga o motivo para ter recuado!

Ele a conhecia, até mais do que ela realmente queria naquele momento, ele era a sua maior fraqueza, a sua insegurança e fragilidade. Como uma verdadeira Grifinória, terminou o monólogo interior, levantou a cabeça e firme olhou para os olhos cinza.

—Harry acha que você é um comensal da morte, e infelizmente tenho bons motivos para começar a acreditar! —Sabia que aquela coragem toda era momentânea e que futuramente se arrependeria de ter dito aquelas palavras de forma tão fria. Mas para o revirar de seu estomago nervoso, o rapaz arregalou os olhos por alguns segundos e olhou-a severamente, o mesmo olhar que usava quando a chamara de sangue-ruim ao longo dos anos.

—Não consigo crer, que você acreditou naquele Potter! —Observou a garota levantar ainda mais a cabeça, e aquilo significava que defenderia os amigos até a morte se fosse preciso, e pela primeira vez, desejou que a garota fizesse o mesmo por ele. —Você é covarde Granger, não merece usar esse uniforme, deveria ter perguntado a mim sobre, mas preferiu confiar em alguns boatos que ouviu sem provas concretas. Não percebe a seriedade das acusações que está fazendo?

—Covarde? —Seu rosto transparecia fúria, ao contrário da face do namorado, que novamente não demonstrava sentimento algum, era frio e duro como pedras polidas. —Eu enfrentei meu orgulho para ficar ao seu lado, eu me dediquei durante um ano inteiro extremamente a você, briguei diversas vezes com meus melhores amigos para conseguir te encontrar, quebrei regras e tudo o que tem a dizer nesse momento é que sou covarde? Acho que deveria enfrentar seus medos antes de chamar uma Grifinória de covarde!

—Você fez isso tudo porque quis, e realmente acha que foi fácil? Simplesmente começar a namorar com você? Esqueceu que além de ser da Grifinória, a casa rival da minha, ainda é nascida trouxa? —O olhar de Hermione era penetrante e cortante, se usasse-o contra qualquer outra pessoa, já teria vencido a discussão, mas com ele era diferente, Malfoy usava o mesmo olhar, apenas e só apenas, talvez fosse ainda mais forte. —Não ache que o mundo gira em torno de você, pode ser bonitinha, mas será massacrada!

—Usou a palavra certa, Malfoy. —Limpou o rosto e esperava que aquela fosse a ultima vez que precisasse usar a manga de sua blusa para secar quaisquer lágrimas. A noite que usaria para pensar já havia ido por água a baixo, o tão estimado namoro chegava ao fim. —Você, em alguns minutos, conseguiu massacrar com o restante de sentimentos bons que sentia por você, massacrou meu coração. Mas é assim, não é? É em momentos de dúvida e fraqueza que descobrimos quem realmente está ao nosso lado. E sabe o que mais me deixa irritada nessa história inteira? Eu me odiar, eu simplesmente me odeio por durante muito tempo, ter me preocupado com você, ter sorriso ao seu lado, ter me apaixonado pelas suas palavras, ter te amado!

Draco pela primeira vez ficou em silêncio, Hermione continuaria o desabafo mesmo que tivesse que petrifica-lo para que fosse possível.

—Eu me odeio, e ninguém deveria se odiar. Mas só de pensar que perdi meses da minha vida com você... —Produziu um som de desaprovação e respirou profundamente, tomando coragem para continuar. —Eu te amo, ou amava e sinto por tê-lo sentindo! Enquanto eu o amava em segredo, você continuava com seus escárnios e desprezos, mesmo estando namorando a garota sangue-ruim, e eu como um Elfo desesperado, admirava o imponente Draco Malfoy, poderia lutar para ganhar um abraço vindo espontaneamente. E o que eu vejo agora é que esse mesmo garoto, o qual eu defendi, está me apunhalando pelas costas. Você sabe que se eu estiver errada, pedirei minhas sinceras desculpas e nunca mais lhe dirigirei a palavra, por favor, quero ver seu braço.

O rapaz hesitou por um segundo, ela havia o amado por tanto tempo e aguentara por tanto tempo o desprezível Sonserino, mas a raiva se instalara em seu corpo, estava preparado para continuar com aquela discussão por mais algumas horas, e estava disposto àquilo.

—Já que isso lhe importa tanto! —Com a mão direita, tocou a barra de sua manga e puxou-a ferozmente para cima, deixando à mostra a marca negra, a marca do lorde das trevas. —Feliz? Agora sabe quem realmente sou, sabe que eu usava desculpas tolas para colocar meus planos contra Dumbledore em ação! Sabe que eu preciso matar o velho, ou eu serei morto. Tem uma única razão para não tê-la mostrado antes, e a razão está na minha frente, você! Mas com a discussão consegui fazer o que mais precisava, terminar isso que começamos juntos, que nunca deveria ter acontecido, o que eu estava pensando quando... Uma sangue-ruim com um puro sangue, muito irônico, um conto de fadas maravilhoso.

A essas alturas Hermione já estava chorando novamente, a marca negra estampada no pulso pálido do namorado a fez desesperar-se, ele tinha a missão de matar Dumbledore e ela o amava, fazia tudo errado. Sentia-se suja por ter beijado o garoto diversas vezes de baixo de um carvalho velho perto da floresta, sentia-se usada e de alguma forma, abusada. As lágrimas voltaram com força total e não cessariam tão cedo, sabia daquilo, choraria até as lágrimas secarem, até não haver mais nenhuma gota para escorrer, seus olhos estariam escarlates, seu rosto inchado e a voz embargada seriam os únicos sinais de seu coração partido em milhares de pedaços.

—Eu confiei em você! —Foram as únicas palavras que pôde proferir antes de gritar e manda-lo embora, dizendo que tudo foi um erro, jogando em sua cara que foi o primeiro a quem se entregou de alma e foi o primeiro que acabara com a sua felicidade. Em sua mente nunca mais sorriria, não conseguiria encarar o rapaz em um corredor qualquer da escola, gostaria de desaparecer com o problema. Arrastou-se até o parapeito da sacada, onde passara momentos divertidos e felizes com os amigos, a chuva já molhara suas vestes, deixando-as pesadas e geladas. Na sua frente, os raios caiam com mais força e o som dos trovões pareciam fazer o solo tremer de baixo de seus pés.

Notas finais
Olá, queridas leitoras. Espero que gostem do meu primeiro "teste" com uma Dramione. Postarei duas ou três vezes por semana.