Insignificantemente, você

25 Capítulo vinte e quatro


Seu corpo parecia pesar algumas toneladas, sua cabeça latejava como se tivesse sido acertada por algo. Não ousaria abrir os olhos, não tinha ideia de onde estava, mas o pouco que apalpou, conseguiu uma boa ideia. Parecia-se muito com sua cama, até mesmo o cobertor grosso. Um passo no assoalho lhe forçou a abrir os olhos. Arrependeu-se de imediato, a luz do quarto a cegou em breves segundos. Resmungou.

—Como se sente? —Aquela voz era inconfundível.

Ainda enceguecida, lutou por um pouco de nitidez, até alcançar com sucesso o objetivo. Sentou-se na cama, com ajuda nos braços fortes de Draco. Olhou-o nos olhos acinzentados. Piscou algumas vezes.

—O que aconteceu? —Forçou a cabeça, mas nenhuma imagem do que parecia ser o dia anterior lhe vinha na mente.

Draco sentou-se na beirada da cama, a camisa com os primeiros botões abertos, remangou a camisa até os cotovelos. Hermione desconcentrou-se por um momento. O rapaz fingiu não ter percebido e seguiu o que seria um curto monólogo.

—Estávamos discutindo — como sempre — e você desmaiou, no meio da sua defesa de que eu não deveria me preocupar com sua saúde! —Arqueou a sobrancelha, como se pedisse explicações.

Hermione corou e apertou os nós dos dedos.

—Eu fiquei tonta e não vi mais nada. —Tocou a cabeça procurando por alguma elevação no couro cabeludo. —Ainda estou com dor de cabeça!

—Não deixei que você caísse! Perguntei se estava bem, mas acho que não ouviu, e então, te segurei. —Sorriu fraco. Hermione se movimentou na cama, e em um ímpeto movimento, abraçou-o. Cercando seu corpo ainda forte e musculoso — sem exageros — em um forte abraço.

Draco sem jeito abraçou-lhe a cintura com um dos braços.

—Por favor, não conte ao Harry nem ao Rony. —Pediu, roçando os lábios rosados e rachados pelo frio no pescoço do loiro. Deixando um rastro de desejo no peito de Draco.

O rapaz sentiu-me extasiado, e então, separou-a de si.

—Eu não conto, mas quero que você se cuide. Precisa se alimentar. —Brincou com uma mecha de seu cabelo, inclinou-se e deixou atrás da orelha ruborizada de Hermione. —Promete? Se não fizer isso por você, faça por mim!

Ainda com a mão no rosto de Hermione, na pele tão macia quando veludo. Teve a sensação de que se afogara nos olhos castanhos. A mesma sensação percorria cada entranha de Hermione. Perdida nos olhos cinza não conseguia pensar com clareza, seu cérebro mandava ordens e coordenadas sem sentindo algum para seu corpo que, tentava obedecê-lo. Abaixou o rosto, quebrando o contato visual que não demoraria a levar-lhe à loucura.

—Prometo! —Sorriu, ajeitando o cabelo volumoso atrás da orelha.

Jogou as cobertas para longe e levantou-se em um pulo delicado, mas então, seu rosto tomou a cor de um perfeito tomate. Dessa vez, Draco, não fingiu que não vira. Hermione vestia apenas uma camisa social, que mal cobria suas pernas. Procurou por qualquer coisa que pudesse cobri-la o mais rápido possível, mas antes que encontrasse qualquer coisa, parou.

—Eu não estava vestida assim quando desmaiei! —Praticamente gritou com Draco que, divertia-se com a cena.

Levantou-se já com a intenção de desculpar-se.

—Provavelmente não vai se lembrar, mas no fim da noite passada você vomitou e eu tive que trocar sua roupa! —Levantou as mãos, em rendição.

Hermione arquejou, sentindo o gosto nos lábios.

—Vou tomar um banho... —Procurou com os olhos pelo despertador. Surpreendeu-se. —Eu dormi tanto assim?

Draco olhou para o relógio e assentiu.

—Vou preparar algo para comermos!

Hermione assentiu e fechou a porta do banheiro. Ligou o chuveiro e deixou que a água escorresse por todo seu corpo, tirando as mais diversas impurezas. Depois de enrolar-se na toalha, escovou os dentes com força, exterminando seu hálito de vômito. Esquecera-se da roupa, então, pé por pé correu até seu quarto, trancando a porta para que Draco não a visse em trajes ainda mais vergonhosos, ou até mesmo, sem traje algum. Não se demorou em descer, nos últimos degraus, seus joelhos fraquejaram tamanha a fome que sentira. O aroma do café da manhã invadiu suas narinas. Ao entrar na cozinha seu estômago pulou, revirou e saltitou.

—Parece com fome, pode se servir, só vou terminar essa aqui! —Apontou para a panqueca na frigideira.

Hermione assentiu e sentou-se, mastigando e saboreando cada pedaço de seu café da manhã. Riu por um momento, voltando a levar o garfo até a boca.

—O que foi? —Draco percebera seu sorriso.

—Não sabia que cozinhava tão bem! —Deixou os utensílios de lado e escorou os cotovelos na mesa.

Draco sorriu, tirando as últimas torradas do aparelho trouxa que, demorara alguns minutos para entender.

—Tem muitas coisas que não sabe sobre mim, minha cara! —Sentou-se na frente de Hermione, roubando-lhe um gole do suco sobre a mesa. A garota apenas reclamou, roubando uma das torradas do loiro.

—Que tipo de coisas, por exemplo?

Draco lançou-lhe um olhar.

—Fiquei sem jeito quando tive que trocar sua roupa! —Abaixou o rosto. —Acredito que tenha pensado o oposto.

Foi a vez da garota abaixar a cabeça, envergonhada com a julgamento precoce que fizera.

—Mas também confesso que olhei o máximo que pude! —Hermione levantou o rosto, agora, vermelho de raiva.

—Seu... Seu... —Levantou-se, arrastando a cadeira.

Draco repetiu o movimento da garota.

—Seu idiota! —Sorriu como se nada tivesse acontecido.

Antes que Draco pudesse questioná-la, o copo de suco que flutuava sobre o rapaz virou. Derramando sobre o cabelo loiro todo o líquido adocicado. Hermione não se conteve e gargalhou alto. Draco rapidamente mirou seu olhar para a mão da garota, que floreava a varinha quase imperceptivelmente.

—Você está louca? —Vociferou sacudindo os braços e limpando os olhos.

Hermione ria sem pudor.

—Você me paga! —E nisso agarrou-a pela cintura, de forma que sua camisa molhasse-a. Por mais que lutasse para sair dos braços do rapaz, acabava cada vez mais presa.

Draco apertava-a enquanto Hermione tentava se esquivar. A poça com o líquido derramado ainda presente, fez com que escorregassem. Draco caiu diretamente no assoalho duro e molhado, enquanto Hermione ria descontrolada sobre seu peito. O rapaz, não se conteve, e junto da garota riu por alguns segundos.

—Você se machucou? —Perguntou, afastando uma mecha úmida do rosto de Hermione. A garota ainda ria, mas agora, com menos intensidade.

—Estou, e você? —Tinha as mãos espalmadas no peito do loiro.

Draco sorriu encantadoramente, assentiu.

Seus rostos a poucos centímetros de distância, os corações acelerados batiam descompassados. As respirações uniram-se, como uma só e sincronizadas, faziam os peitos subirem e descerem harmonicamente.

Antes que seus olhos pudessem se fechar e seus lábios tocarem-se, uma coruja desajeitada entrou pela janela da cozinha, fazendo que Hermione olhasse-a assustada. Descontrolada, bateu contra a caixa e cereais, espalhando o alimento pela bancada.

—É a coruja da senhora Weasley!

Draco levantou-se e a ajudou. Hermione pegou a carta da pata da coruja e liberou-a antes que fizesse mais estragos na cozinha. Voltava ao encontro de Draco, quando escorregou na mesma poça de suco. O rapaz porém, foi mais rápido, e segurou-a em um único movimento, trazendo-a até seu corpo.

—Vamos ter que limpar isso! —Sorriu, beijando rapidamente os lábios de Hermione. —Vá se trocar!

Hermione sem reação, fez exatamente o que o rapaz pedira. Subiu as escadas, deixando-o para trás com a bagunça que sua cozinha se transformara.

Notas finais
Olá pessoas, espero que gostem!