Insignificantemente, você
14 Capítulo treze
Hermione acordara cansada, visíveis olheiras arroxeadas formavam bolsas abaixo de seus olhos. Espirrou com força.
—Vamos lá! —Arrastou-se para o banheiro, onde rapidamente fez sua higiene.
Jogou algum livro para dentro da sua bolsa e saiu apressada. No Ministério, fora incumbida, junta de Harry e Rony de testar alguns novos aurores, os quais terminariam o treinamento no final do mês seguinte.
—Nossa, de quem era o balaço que te acertou? —Rony perguntou ao encontrar com a garota em um dos corredores.
—Sei que estou péssima, não precisava dizer!
Ignorou os amigos e entrou na sala, pigarreando alto para que todos ficassem em silêncio.
—Sou Hermione Granger, e esses são Harry Potter e Ronald Weasley. Testaremos suas habilidades. Qualquer pergunta, ergam a mão. Entendido?
—Sim, senhora! —Todos responderam em uníssono.
—Ótimo!
Antes que pudessem começar, um auror carrancudo, alto e com porte atlético invandiu a sala.
—Desculpe incomodar senhorita Granger, mas achei esse perdido. —Arrastou um rapaz pelo colarinho.
A garota agradeceu, deixando o rapaz se dirigir ao seu lugar. Logo, uma mão levantou-se.
—Então, treinadora, parece que cansada e até mesmo doente. Como pretende nos testar desse jeito? —O tom de sarcasmo era evidente na voz petulante do rapaz.
Rony deu um passo à frente, mas Hermione o impediu com o braço. Soltou um riso baixo.
—Posso estuporar você de olhos fechados! Não subestime seu oponente, ele enfiará a varinha no seu belo rosto e não hesitará em retalha-lo! Mais alguma pergunta? —Trincou os entes.
Engolindo em seco o rapaz respondeu. —N-não, senhora.
Harry interviu.
—Formaremos dois grupos!
***
Ronald pegara a chave de portal com o primeiro grupo para um dos lados do bosque — escolhido a dedo por Harry — enquanto Hermione pegara outra chave de portal, para o lado oposto. Harry escondera uma bandeira em cada um dos lados, mas fora chamado com urgência no Ministério e não poderia ajudar muito mais. Cada um dos amigos avaliaria um grupo.
Sem ajuda dos aurores mais experientes, a maioria seguiu sem estratégia, correndo entre as árvores para capturar a bandeira inimiga. Os poucos bruxos do segundo grupo, o de Hermione, esperaram e se entreolharam.
—O que faremos? — Um rapaz loiro perguntou, olhando fixamente para Hermione.
—Estratégia! Usem o cérebro, seguirei vocês, mas não me intrometerei nas escolhas. —Hermione encostou-se em uma árvore de casca grossa e rachada.
Um rapaz de cabelos tão negros quanto ébano, começou a traçar estratégia, dando ordens diretas.
—Entendido? Vocês venham comigo, vocês — Apontou para um pequeno grupo subdivido.— ficam e defendem a bandeira! —Empunhou a varinha. —Não lancem faíscas para localização, a outra equipe pode ver. E você Hermione? Vai ficar ou vem conosco?
—Em frente!
Caminhou atrás do rapaz com espírito de liderança tão forte quanto o seu. Após alguns minutos de caminhada, sons de passos pesados, quebrando galhos e folhas secas, ecoaram pelos troncos, fazendo espécies de aves voarem para longe dos ninhos.
—O que faremos?
O rapaz ficou quieto, sem resposta.
—E então Nott, qual o plano? —Hermione perguntou sarcasticamente.
O rapaz ainda magro, mas agora, um pouco mais corpulento, virou-se para a garota.
—Ora, Granger, achei que não me reconheceria! —Sorriu. —Até parece que não me conhece!
Hermione levantou a sobrancelha.
—Vamos nos separar, eles provavelmente farão o mesmo. —Alguns trios entraram mata à dentro em lugares diferentes. Antes que Hermione pudesse seguir com outros jovens aurores, Nott a impediu. —Vamos lá, Granger. Você vai comigo.
Infeliz com a escolha, Hermione seguiu o Sonserino e outros aurores, não demorou para que encontrassem o grupo de Ronald, o qual batalharam. Hermione observava os jovens em ataque. Nenhum feitiço realmente machucaria alguém severamente, apenas, alguns arranhões e esfoliações. De repente, foi puxada violentamente para trás de alguns troncos envelhecidos.
—Vamos, temos que pegar a bandeira! —Nott, outro rapaz e uma garota chamaram Hermione, para segui-los.
O grupo que Ronald escolhera, era tão bom quanto o e Hermione. Assim como Theodore Nott previra, haviam se separado, deixando alguns para cuidar da bandeira, a qual, ao longe, coberta por arbustos, conseguiam enxergar.
—É uma armadilha, está fácil demais! —Pensou em voz alta. —Vamos atacar todos juntos, exceto nossa monitora!
Hermione sorriu e cruzou os braços.
O grupo de Rony estava em desvantagem, mas nem por isso deixaram de tentar. Claramente, Hermione saiu vencedora. Já haviam retornado ao Ministério, e cuidavam dos pequenos cortes e arranhões. Hermione conversava com Rony sobre o desempenho de ambos os grupos.
—Harry teria gostado, foi divertido! —Hermione exclamou animada.
Já o ruivo, bufou. —Claro, você diz isso porque não está com um belo corte no braço. Toda missão que vamos, acabo na casa da minha mãe!
—Molly ainda remenda suas roupas? —A garota não pode deixar de rir.
Rony fechou a cara.
—É necessário quando se está ocupado quase o dia inteiro! —Resmungou.
Hermione revirou os olhos.
—Certo, nos vemos depois. —Despediu-se do ruivo e saiu pelos corredores do Ministério a Magia.
Estava distraída em pensamentos quando ouviu seu nome sendo chamado ao longe, virou-se a procura de alguém, e logo encontrou.
—Senhor Nott, o que foi? — Perguntou sem entender.
O rapaz passou as mãos nos fios negros, desconcertado.
—Ah, o que acha de irmos beber alguma coisa? Sem formalidades, por favor.
Hermione picou várias vezes, perplexa.
—Ah, como um encontro? —Perguntou.
—É, ou quase isso. Foi legal te reencontrar depois de tanto tempo! —Sorriu.
—Nott, eu...
—Não aceito, não, como resposta! —Estendeu a mão.
Hermione sorriu e segurou a mão do rapaz. Aparataram.
—Três vassouras? —Perguntou parando em frente ao estabelecimento.
—É. Lembro-me que você e seus amigos vinham bastante aqui nos tempos de Hogwarts. —Puxou a cadeira o mais cavalheiro que pôde. —Cerveja amanteigada?
—Uísque de fogo! —Replicou.
Nott sorriu.
Fez um sinal para o atendente atrás do balcão, pedindo duas doses da bebida escolhida, que logo foram entregues.
— Então, porque me convidou para beber? Me odiava nos tempos de escola! —Sua fala fora amarga, arrependeu-se de mostrar magoas passadas. Sorriu.
—Nunca te odiei, apenas... — Suspirou pesado. — Olhe, eu era imaturo demais, me perdoa? —Segurou a mão de Hermione entre as suas.
A garota bebeu o conteúdo de seu pequeno copo em um só gole.
—Não tenho que lhe perdoar, você lutou contra Voldemort na guerra, e não acho que seja mau, apenas... Fez escolhas erradas! Foi apenas um apelido. —Gentilmente apertou a mão do rapaz. —Agora, realmente espero que me perdoe, mas preciso ir.
—Te levo em casa, já está tarde! —Sorriu.
Hermione balbuciou uma resposta enquanto o rapaz deixava alguns sicles na mesa.
—Vamos? —Colocou o braço sobre os ombros de Hermione, e guiou-a até o lado de fora. —Agora vai ter que me mostrar onde mora, pois não faço a mínima ideia!
Hermione riu baixinho.
—Segure-se em mim! —Falou firme.
—Com todo o prazer! —Sorriu maliciosamente e recebeu um olhar severo da garota. Deu de ombros.
Ao chegarem na casa da bruxa, Nott não deixou-a entrar.
—Preciso dormir, Nott! —Sua voz era baixa.
—Só se me encaixar na sua agenda para um encontro, mas dessa vez, um encontro de verdade! —Segurava o braço da garota.
Hermione olhou-o e relutante assentiu. —Me mande uma coruja qualquer dia desses!
Virou-se, mas foi puxada pelo braço, batendo contra o peito de Nott.
—Boa noite! —Beijou-a calorosamente no canto dos lábios e deu as costas, seguindo pela rua.
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